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Capítulo 59 de 87

Parte 59 de 87

A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro

Serve para uma intensificação destas  operações, um acesso de vontade dinâmica de tal grau e ímpeto que poderia servir para  mandar um aro girando descer seguramente o mais íngreme declive e dar a ele a partida  para o retorno para cima, no seu caminho para frente em direção aos picos através do  vale. Isto foi agora realizado, e a ascensão está bem iniciada. Por isso agimos como uma película de composição gelatinosa age sobre um barril  de vinho. À medida que descíamos cuidadosamente, uma nuvem de trabalhadores firmes,  sempre vigilantes e curiosos e muito ligados entre si, penetramos em todos estes elementos  discordantes conosco e abaixo de nós, para baixo, sempre para baixo, em direção à terra. Isto  continuou  por  gerações  passadas.

E  enquanto  nós,  sendo  constantes  em  nosso  movimento,  e  irresistíveis,  diminuímos  o  espaço  entre  nossa  ordem  tão  distantemente  espraiada e o plano da terra; estes elementos entre nós e vocês ficaram cada vez mais  concentrados em seu conteúdo. Devagarinho começou a aplainar­se sobre a terra como um  vapor denso totalmente em movimento, sempre se tornando mais desvairado e frenético, 314 – Reverendo G. VALE OWEN  como os elementos dos quais foi composto empurram­se um ao outro, querendo espaço. Esta  comoção  aumentou  e  se  estendeu  à  medida  que  pressionávamos  mais  fortemente em torno da esfera da terra, e sempre mais e mais eles se misturavam na vida  da terra e nas limpezas, até que finalmente extrapolou toda a camada etérea circundante e  tornou­se do cômputo do mundo dos homens. Atrás, sobre nós, nós, olhando para cima, vimos os céus lavados deste vapor que  se elevava por eras, e estavam mais brilhantes e mais lindos por causa de sua limpeza.

Abaixo de nós, aonde o mesmo vapor tinha sido compelido – bem, meu filho,  preciso alongar o assunto? Aquele que estiver entre os que têm olhos de ver pode ver os  efeitos de nossas operações, cada vez mais potentes nestes poucos séculos passados. Seria  simplório realmente quem dissesse hoje que não vê nosso trabalho em seus efeitos. Mas quando estas forças terríveis surgiram no cinturão de sua atmosfera – para  emprestar uma frase de suas ciências – então nós, ainda em busca delas em seus passos,  também investimos duramente em seu encalço. E aqui estamos, chegados e de posse do  campo finalmente.

Mas, meu filho, meu filho, tem sido uma longa e severa batalha das forças. Ah! Longa  e  severa,  e  feroz  algumas  vezes,  meu  filho. Nós  a  temos  vencido  pela  boa  camaradagem da humanidade de nossa raça, e suas mulheres, todas tão maravilhosas  para nós que temos, em tempos frequentes, nos surpreendido para nossa alegria em achar  tal  índole  na  nossa  raça  feminina. Bem,  bem,  vocês  sofreram,  vocês  da  terra,  extremamente,  e  nós  os  amamos  mais  por  isso.

Mas  saiba,  meu  filho,  se  atuamos  diretamente  e  pesado  na  briga,  também  tivemos  nossas  feridas,  nem  poucas,  nem  desprezíveis. Também sofremos, com vocês. E ficamos felizes pelo que sofremos quando nos  aproximamos o bastante para ver como estavam sofrendo, também, e tanto. Isto ajudou­  nos enquanto ajudávamos vocês, a ambos. Ajudou­nos muito ver tudo isto.

Você está falando agora da Grande Guerra, Arnel? Dela como um clímax. Mas sempre numa força crescente, como já disse, esta  guerra é continuação dos tempos passados. Seus mártires têm sido muitos, e muitas fases a  guerra atravessou. Vocês estranharia se eu dispusesse todas no total.

Menciono apenas  algumas  destas  fases:  a  fase  religiosa  e  teológica,  artística,  política  e  democrática,  científica, a fase guerreira que entrou em voga neste último milênio como para absorver  quase todas as dinâmicas em sua goela ampla e aberta. Mas vencemos juntos e agora juntos caminharemos para cima nos caminhos  celestiais em direção aos picos iluminados pelo sol, à frente. O vale está para trás de nós na  penumbra. Bem. Pegamos nosso pessoal e voltamos nossas faces para cima, e daqueles  picos cai nos nossos membros marcados pela guerra uma centelha que faz nossas feridas  serem  galardões  sobre  nossos  peitos  e  braceletes  em  nossos  pulsos,  e  nas  nossas  vestimentas  rasgadas  e  sujas  laços  de  filigrana  maravilhosamente  trançados.

Porque  nossas feridas são feridas honoráveis, e nosso vestuário testemunho de nossos feitos. E  nosso grande e comum Capitão é o Cristo que sabe que batalha é,sempre, e com ferimentos  também. Minhas bênçãos, meu filho. Não estou triste esta noite, mas a batalha ainda é  ligeiramente silenciosa para mim hoje, e em mim ainda movimenta­se o lema celeste, e  minha mão crispa­se forte nas vezes que penso nisto e no que fizemos, e mais ainda no que  vimos, e das lágrimas que enxugamos por vocês na terra, meu filho. Sim, estivemos em  pranto, mais vezes que uma nós estivemos, e estaremos mais ainda.

Porque tínhamos a  visão clara d’Ele Que nos guiou, e sua pobre visão estava turva com a névoa, então viram­  No mas de forma obscura, quando não na escuridão total. Lamentamos por vocês todos,  meu filho, por causa da mesma coisa. E  apesar  de  ser  através  de  nossas  lágrimas,  em  resposta  às  suas,  nós  os 315 – A VIDA ALÉM DO VÉU  observávamos maravilhados, e não com pouco temor, por vê­los lutarem assim. Mas oh,  como lutaram, vocês filhos dos homens! Digo que ainda estamos maravilhados, e ainda  pensamos uns com os outros que vocês também foram guerreiros do mesmo Rei e Capitão  como nós mesmos.

Então entendemos e, ainda lamentando, regozijamo­nos e nos voltamos  a Ele onde Ele estava comandando; e fizemos nossa reverência a Ele a seu lado. Minhas bênçãos. Não posso seguir adiante agora, meu filho. Minhas bênçãos a  você; e aos meus irmãos homens da terra meus cumprimentos com grande amor e bênçãos. Arnel+  Quarta, 5 de março de 1919.

O que lhe passei, meu filho, é uma parte do empreendimento até onde estive por  mim mesmo e de meu conhecimento pessoal. Passei­lhe uma visão geral, e não em detalhes. Vou falar­lhe agora sobre alguns dos eventos dos quais fui testemunha durante o tempo de  nossa progressão em direção à terra e na nossa chegada. Mas iniciarei contando­lhe isto:  Nossa  descida  operativa  era  contínua  e  irresistível. Não  houve  descanso  e  a  tensão não foi afrouxada.

A proximidade de nossas fileiras nunca foi destruída. Nada vindo  de baixo poderia nos aquebrantar. Mas os detalhes individuais não foram constantes. Falo  em palavras terrestres e uso suas ideias quando digo que nossas variadas companhias  eram, de tempo em tempo, aliviadas. Então recorriam a seus caminhos para cima, para  descansarem em seus próprios lares por um pouco, ou fazerem alguma expedição mais  suave ou menos extenuante nos reinos livres dos céus de Deus.

Porque  o  empreendimento  lançado  em  direção  à  terra  era  local  e,  em  comparação  espacial,  muito  pequeno. O  campo  total  de  nossas  operações  apenas  preencheu um minúsculo grão no canto mais exterior do cosmo material. O seu significado  era espiritual. Eu já disse que o efeito da limpeza da terra foi sentido até mesmo naquelas  esferas  mais  afastadas  da  terra. Mas  este  efeito  estava  começando  ter  extensão  mais  ampla,  e  foi  sentido  até  mesmo  em  outros  planetas,  de  tal  forma  que  alguns  de  seus  habitantes experimentaram uma sensação de encolhimento, alguns ficaram confusos ou  atordoados  por  esta  causa,  não sabendo sua  origem.

Em  outros  mundos a  origem  foi  sentida  e  a  terra  foi  tida  como  problemática  e  membro  problemático  da  confraria  planetária – sendo estes mais avançados espiritualmente. Se nós, que conhecíamos a terra  por seus reais habitantes, não tivéssemos tomado a rédea do problema nas mãos, ele teria  sido  tratado  por  iniciativa  daqueles  planetas. Estes  que  ficaram  tão  envolvidos  e  que  alcançaram a arte de intercomunicação já tinham começado a troca de conselhos. Seus  motivos são muito nobres e espiritualmente elevados. Mas seus métodos são próprios da  evolução deles e não são os que a terra entenderia.

Teriam sido tão severos que fariam  chegar ao ponto de acontecer uma negação de Deus, que faria vocês serem lançados da  volta  vários  séculos,  justamente  quando  vocês  mais  precisavam  um  empurrão  para  a  frente. Pense nisto quando estiver com problemas por pensar no sofrimento daqueles que  conduziram o mundo nestas centenas de anos passados e nestes queconduzem hoje. Mas foi feito saber a estes mundos planetários que o Cristo tomou as rédeas e  então eles sumariamente ofereceram­Lhe sua ajuda suplementar. Isto Ele aceitou, e as tem  usado com reservas, apenas para dizer isto. Eles têm enviado para nós de suas virtudes  numa corrente de poder que reforça a nossa.

Assim nos têm sustentado com grande força, e  assim também a luta tem sido encurtada. Tenha estas poucas coisas em mente, entretanto, enquanto lhe conto de nossos  afazeres com mais detalhes. Estes eventos são tais que servirão para ajudá­lo a entender  algo  da  história  passada  do  ponto  de  vista  causador. Nos  tempos  futuros,  os  homens  estudarão a história mais por sua face mais íntima, e então será capaz de correlacionar os 316 – Reverendo G. VALE OWEN  eventos  exteriores  do  progresso  do  mundo  de  forma  mais  compreensível  que  no  caso  presente.

É tão estranho que os homens tenham dado tão pouca conta de nós e de nossos  trabalhos. Porque vocês habitam bem espalhados sobre a terra, e têm amplos espaços  inabitados. Ainda assim vocês são ainda poucos no total. Nós rodeamos a terra por todos  os lados, e nossas fileiras se espalham para cima, através das estepes e dos céus agrupados  em andares. Somos muitos, e cada um de nós de maior poder que a maioria de vocês.

Ah,  bem, a luz da aurora mandará seus raios para cima e nos buscará em nossos lugares  escondidos entre a luz e o brilho das esferas. Então a terra sentirá menos solidão enquanto  vagueia na pradaria do espaço. A terra saberá naquele dia que sobre todos aqueles prados  fadas brincam e duendes pulam de alegria e que a terra não está só, mas é uma só junto às  miríades de redimidos da terra que alinharam a raça humana com aqueles distantes que  habitam em alguns planetas que são vistos numa noite clara, e outros que não são vistos  por  vocês  na  terra. Nem  serão  até  que  vocês  saiam  de  suas  correntezas  humildes  e  naveguem com seus barcos em direção ao mar aberto, para a grande expansão, em direção  à região do sol poente. Arnel+ 317 – A VIDA ALÉM DO VÉU VI OS EXÉRCITOS CELESTES DO CRISTO ­ A GUARDA AVANÇADA ­ O ARAUTO – A PASSAGEM DO CRISTO EM DIREÇÃO À TERRA  Quinta, 6 de março de 1919.

Para bem longe das estepes celestes os exércitos do Cristo foram enviados. Um  após outro, periodicamente subiam para seus planos e graus. Eu e meus companheiros  ficamos num terraço que naquela hora parecia suspenso no meio do céu, nem no topo, nem  no fundo deste imenso oceano de seres, cada um posicionado como guerreiro com seu  próprio quinhão de tarefa. Pois uma maravilha foi preparada que mesmo para nós da  Esfera Onze era nova e única. A  preparação  de  nós  todos  para  a  nossa  entrada  na  briga  foi  feita  aceleradamente  com  diversos  efeitos  sobre  nós.

Um  deles  foi  que,  enquanto  nossa  capacidade magnética foi aumentada em cada um de nós pela emanação de virtudes, tanto  dos céus sobre nós quanto daqueles governadores planetários de quem já lhe falei, nossa  faculdade  de  visão  também  foi  aumentada  além  do  ordinário,  por  causa  disto  fomos  capazes de ver mais distante, nas regiões lacradas a nós até então. O propósito disso era a  coordenação de forças, vale dizer que nos foi dado uma ampliação de alcance de visão  para que pudéssemos observar os movimentos daqueles dos planos abaixo ou acima de nós,  e assim combinar os nossos com os deles. Assim trabalharíamos mais perfeitamente juntos  para maior vantagem. Os de baixo também intuiriam a provável presença dos que são mais  brilhantes e mais poderosos de quem, além disso, receberam diretrizes e uma direção para  a luta. Assim era o que reverentemente se via em visões acima e abaixo e em todos os  meus lados.

Vi belezas e muitas grandes maravilhas, mas nenhuma tão grande quanto esta. Abaixo apareceram camadas de múltiplas cores, uma atrás da outra, à medida  que eu olhava para a terra. Eram as cores distintas das esferas entre a minha e a terra. Eram as vestimentas dos exércitos colocados em ordem de batalha, prontos para descer. Abaixo  de  todos  eles,  formando  uma  retaguarda  para  eles,  vi  a  névoa  do  vapor  que  circunda a terra.

Escuro, denso e horrendo era como aparecia, com faixas e lançando  línguas  vermelhas  e  verdes  escuras  cortando  as  nuvens  densas  que  formavam  uma  cobertura marrom, e movia­se aqui e ali por cima uma substância densa e gelatinosa,  como se as serpentes do mal tivessem sido arremessadas para cá em seu trabalho horrível  dos infernos. Não esmorecemos, não tememos quando olhávamos para esta visão. Mas nos  demos as mãos um do outro, em amor e amizade, e ficando solenes por instantes. Porque  nossa jornada deve ser contra e através daquela massa repugnante. A terra está nela, e  devemos vencer em direção a ela, porque nossa ajuda era dolorosamente necessária ali  naquele planeta escuro.

O pensamento me ocorreu, conforme eu via tudo isto, “Como pode  o homem habitar naquela terrível sopa infernal e ainda assim respirar e viver?”  Quanto a nós, nossa tarefa era absorver o que pudéssemos para o nosso cômputo  pela transmutação, como eu já falei. O que provasse ser insolúvel deveria ser conduzido aos 318 – Reverendo G. VALE OWEN  infernos mais profundos para ali decompor­se por si mesmo, por assim dizer. Bela refeição  para nós, diriam vocês, e não muito saborosa. E é verdade.

Mas estávamos a salvo para  sermos capacitados para a nossa tarefa, a salvo tanto em nossas miríades, e em nosso  Líder, o Cristo. Então nos viramos e olhamos para cima. Lá estavam parados, ou moviam­se  suavemente, terraço após terraço, aqueles mais brilhantes. Cada terraço era um céu, e  cada céu, conforme estava disposto diante de nós de forma panorâmica, era um degrau na  grande escadaria que subia altas montanhas acima, suspenso num espaço estonteante, até  adentrar na radiação impenetrável e o topo estava fora de visão. Somente os de algumas  esferas acima de nós, lá dos planos do eterno presente, eram competentes para olharem  dentro daquela luz e verem o que lá havia.

Para nós era um vácuo de luz, nada mais. Entretanto nos deu força para vermos aquelas miríades a nosso alcance. Quão  encantadoras  eram,  estes  mais  próximos  de  nós,  vestidos  em  roupagem  de  material  brilhante de matizes desconhecidos para os que estão abaixo. Os mais altos, além daqui,  estavam envolvidos por uma aura que parecia um leve tecido, seus corpos radiantes com  sua beleza de forma e de substância, cada um sugerindo um imponente poema ou uma  suave canção de amor e aspirações, cada um sendo um deus em graça e equilíbrio, cada  um, com seus pares, perfeitamente disposto diante de nós. Vocês diriam, nas palavras da  terra, que eles estavam distantes, muito longe de nós.

Na verdade estavam, mas os vimos  no todo e em detalhes, tanto em forma quanto em vestimentas, se vestimenta pudesse ser o  nome pelo qual chamaríamos aquela radiação que os envolvia. Mas estes eram apenas intermediários. Havia outras miríades além do raio de  nossa  visão. Isto  nós  sabíamos,  mas  não  os  víamos  completamente;  eram  sublimados  demais  para nós, de nosso grau, podermos vê­los. E acima de tudo sabíamos que ali estava  o Cristo.

Se estes são tão encantadores, dissemos uns aos outros enquanto observávamos,  o que deverá ser Ele em Sua própria glória! Aqui paramos, não poderíamos seguir adiante,  assim deixamos o assunto ali. Pois sabíamos que ele viria para nos comandar. E quando Ele  viesse, assumiria a visibilidade por nós, condicionando a Si próprio até a capacidade dos  habitantes das esferas descendentes, conforme passasse em sua caminhada progressiva em  direção à terra. Porque nos foi dado saber que Ele, que estava acima de todos, iria para  baixo até chegar no firmamento da terra para liderar a caravana.

Ah, meu filho, nunca houve líder como Ele. Entre os deuses e principados não  pode haver par para Ele em liderança, tanto dos anjos quanto dos homens. Digo isto  solenemente, pois estes Poderes Celestes e Príncipes não são feitos segundo um padrão,  como você deve saber, mas, como vocês da terra, também aqui cada um expressa uma  personalidade própria. Isto fazemos nós, os anjos; assim fazem os que estão acima de nós  em grau de santidade; assim fazem os de grau ainda mais alto e assim faz o maior,  expressando cada um as excelências do Pai em Sua própria personalidade livre. Por isso digo que, a respeito de Liderança, o Cristo é ímpar entre eles todos, penso  eu, e estes meus companheiros com que estive ali no discurso disseram o mesmo que digo.

Mas falaremos disto novamente e então dirá se parecemos Ter julgado acertadamente ou  não. Arnel+  Sexta, 7 de março de 1919. Esperamos  expectantes,  olhando  para  cima  ao  longo  dos  céus  compactos  conforme eles se estendiam além e sobre nós. Lá eles estão como um tapete gigantesco de  seda, desenrolado e pendente, todo folheado e pregueado, como uma cascata de águas, 319 – A VIDA ALÉM DO VÉU  prismática à luz do sol celeste. Cada prega era um céu, cada folha uma fronteira fazendo a  concordância entre dois deles e misturando suas cores dominantes em uma só.

Cobria os céus desde os mais altos em ondas brilhantes, seus matizes cintilando  na radiação celestial como joias num manto real, cada pedacinho de cristal um anjo de  poder  que,  conforme  se  movia,  captava  e  refletia  alguma  nova  beleza  daqueles  raios  celestes. Então,  enquanto  observávamos,  a  fila  mais  distante  de  nossa  visão  vagarosamente começou a mudar de coloração. O matiz normal estava ali, mas sobreposto  por outro ingrediente, um novo fulgor. Sabíamos que o Cristo e Seu séquito chegaram ao  raio de nossa visão. Muito lindo era de se ver, à medida que uma após outra daquelas  sedosas camadas pareciam cair sobre a de baixo, toldando­a até que esta também caísse e  beijasse  a  terceira,  que  da  mesma  forma  inclinaria  sua  cabeça  e  deitaria  sua  face  carinhosamente sobre o ombro de seu familiar abaixo.

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