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Capítulo 76 de 87
Parte 76 de 87
A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro
Primeiramente a razão pela qual passam diretamente para a Esfera Três, e tantos mais atravessam pelas duas esferas abaixo rapidamente para esta. Considere a Terra como é presentemente constituída e condicionada. A respeito do planeta Terra, você tem muitas fases de beleza e de feiúra dispostas; também há partes nas quais estes dois termos não se apresentam na totalidade. Nós devemos encontrar outros termos para serem usados, tais como ferocidade, grandeza, solidão, e os semelhantes. Seus filósofos admitirão que todos os efeitos são perfeitos espelhos de suas causas peculiares.
Bem. Então estes efeitos fenomênicos, nas condições cênicas do planeta, devem ter causas apropriadas para as condições que exibem. Estas causas não são encontradas nos fenômenos, nem entre eles. Eu diria que não são encontradas dispostas. E contudo estas mesmas causas estão nestes efeitos fenomênicos, e entre eles: neles, em sua causa ou dinamicamente; entre eles, na coesão.
Estas exposições vistosas na natureza são apenas uma extensão do mesmo processo pelo qual o átomo é feito ou usado. É feito pela projeção do princípio de movimento no éter, de tal forma a estabelecer uma certa agitação naquele elemento operativo, ao mesmo tempo, em duas fases. Estas duas fases podem ser grosseiramente chamadas de espiral e centripetal, as quais, combinandose dinamicamente, produzem como resultado o átomo. A agitação, da qual lhe falei, tem criado alguma perplexidade em sua mente, meu filho. Não sei se meu inglês vai servir muito bem.
Você vê que sou limitado por suas limitações mentais, e também você não é tão maleável quanto eu desejaria que fosse. Tenho que agarrálo quando enquanto se eleva, e ai, mais ainda, você frequentemente desliza e... Arnel... Não, meu filho, não escreva isto. É exatamente como eu digo.
Agora, usei a palavra “agitar” para descrever o efeito, no seu reino de manifestações exteriores, da projeção deste reino mais íntimo do espírito, de ondas mentais mais refinadas e sublimadas que, mergulhando no material mais denso que vocês chamam de éter, produz esta agitação por causa da fricção consequente pela oposição oferecida pelo mesmo éter. Não há duas coisas iguais em potencial. Estas ondas mentais são de maior potencial que o éter inerte, que, então, é compelido a estar em conformidade com a operação do elemento mais poderoso. O resultado na forma é o átomo – não o átomo etéreo, mas o átomo da matéria. Agora, isto é a substância básica da qual o seu planeta é feito.
Por aquilo que eu já lhe falei, você verá que esta substância está continuamente correspondendo à energia 409 – A VIDA ALÉM DO VÉU espiritual dirigida sobre ela, vinda dos reinos íntimos e superiores. Em sendo assim, então seguese que o todo do planeta Terra, em todas as suas partes e detalhes, é também continuamente levado a expor externamente os efeitos das causas espirituais. Os seres que dispõem estas ondas mentais são compostos do todo da grande multidão que está em contato, de uma forma qualquer, com a Terra. E entre estes, há aquelesEspíritos encarnados que habitam na face do planeta. Nós?
Também isso, meu filho, vocês, população da Terra. Agora, prenda sua mente nos continentes da Terra e verá várias coisas. Algumas regiões são lindas, e algumas não são bonitas. Mas quase todas as regiões da Terra são belas de uma forma ou outra, onde o homem não tenha interferido no trabalho daquilo que chamam de Natureza. É onde o homem pôs suas mãos nesse processo formador, que achamos que a Natureza assume um aspecto menos bonito.
Vejo seu espanto – explicarei. Você acha que o selvagem médio da África Central vive sua vida num nível espiritual mais baixo que o europeu médio. E contudo o país dele é mais belo e mais genial no clima que o seu. Bem, esta última estimativa teria que ser modificada para ser correta. Mas deixemos passar como material para argumento; servirá.
Seu espanto sumirá se aplicar ao problema apenas uma verdade. O Africano é espiritualmente de menor potencial dinâmico que o irmão mais desenvolvido Europeu. Ele é, então, menos capaz de afetar o ambiente para o bem ou para o mal, para o belo ou para o feio. Um monte de escória, ou uma rua suja, são coisas maravilhosas. São testemunhos do progresso espiritual de seus criadores, e também do fato de que seus poderes espirituais apenas foram imperfeitamente aplicados.
Enquanto o monte de escória impele o motor da locomotiva, também impele um motivo na mente de seus criadores, dominandoos em direção a desejarem beleza, e que isto é um grande e forte motivo de ganância – o instinto aquisitivo levado ao excesso. Os resultados a seguir são também observados; são acidentes aos corpos das pessoas, a dor causada para estes que são despojados, a ruína consequente da Terra pelos rastros das ferrovias, e assim por diante. Falo apenas desta máquina. Você deve aplicar o princípio na sequência. É mesmo assim.
E, contudo, tudo isso testemunha o fato de que o Europeu atingiu um estado mais alto de desenvolvimento que o Africano. Digo “espiritualmente” porque seu desenvolvimento é, por último, espiritual, se o poder espiritual, assim adquirido, for direcionado para propósitos de bem ou mal. Assim vocês têm esta diversidade de exposições sobre a Terra, em consequência da resposta dada ao assunto da energização doEspírito. Assim é na Esfera Três. Eu expus estes fatos elementares para que você pudesse mais rapidamente captar as condições da Esfera Três.
Delas, falarei quando sentar para mim novamente, para uma nova sessão. Terça, 2 de novembro de 1920. Agora, as condições que se obtêm na economia da Terra, como eu já lhe explanei sobre elas, podem ser traduzidas aqui, mas com uma modificação muito importante. Vamos expor da seguinte forma: o livre arbítrio opera do centro para fora, em direção à circunferência da criação. No centro está Deus, diremos.
Ele é a Fonte de todo o Livre Arbítrio, e de Seu armazenamento provê o estofo de que são feitos todos os que são seres com menos livre arbítrio. Estes, apesar de tudo livres, são competentes para modificarem Sua operação intencional e, em degraus, tornálas conformes à sua própria 410 – Reverendo G. VALE OWEN medida. Em outras palavras, cada ser de livre arbítrio cria seu próprio ambiente. Conforme vamos indo em direção ao centro, a liberdade será exercitada cada vez mais e mais, de acordo com a Mente de Deus.
É por isso que o ambiente destes Altos Seres tornase mais subjetivo, quanto mais alto subamos, ou tornase mais objetivo, quanto mais baixo se vá, ou quanto mais nos aproximemos da circunferência. Na Terra, o ambiente é muito grandemente objetivo. Conforme se eleva para esferas mais e mais próximas da Energia Central, a Quem chamamos Deus, o ambiente tornase mais sublimado em substância. É, por isso, mais facilmente moldado na conformidade das vontades dos habitantes. Assim, diria eu, o ambiente tornase mais e mais subjetivo, quanto mais alto se vá.
Esta é uma outra forma de se dizer que estes Seres Elevados, porque absorvem mais de seus ambientes em si mesmos, tornamse, ipso facto, mais universais. Abarcam em si mais conteúdo de espaço, ou seres, ou qual contagem queira usar para considerálos acimaem vários degraus de poder. O Criador soma, e inclui em Si, todo o espaço, os seres, e assim tornase universalmente Subjetivo. Ele é Seu próprio ambiente. Considerando do mais íntimo para fora, isto é Onipresença e, inversamente, é Unidade.
Aqui, e somente aqui, o Ser é elevado à sua mais alta intensidade de silêncio e imobilidade. Aqui reside, onde o calor branco da energia estática é continuamente operativo. Isto é paradoxo, pois só o paradoxo é capaz de expressar a você, e a nós que falamos a você, a Onipotência do Um Que nem é subjetivo nem objetivo, mas persiste eternamente, o Único Grande Ser de Todos os Seres; o único Eu Sou. Agora você verá que, quanto mais para fora vamos do espírito em direção à matéria, mais objetiva se torna a substância da qual nosso ambiente é feito. No planeta Terra é francamente material.
Na região mais próxima, acima da Terra, é menos material e mais etérea; depois então é etérea; e depois é mais espiritual que etérea, depois então é espiritual; e então é espiritual mas mais sublimada. A modificação da qual falei é a remoção do ambiente material, ou sua reposição pelo espiritual. Tente imaginar o que isto significa entre o livre arbítrio e sua expressão exterior em forma. Pense em todos os processos intermediários que acha necessários para materializar um pensamento na Terra. Um homem move em seu mais íntimo ser, e o efeito é um pensamento.
Ele se impõe ao cérebro material. O cérebro é usado como uma câmara de mistura. Então quando os elementos são misturados na proporção certa, uma mensagem é enviada para a mão, ou pés, ou olhos, ou todos eles ao mesmo tempo. Eles, trabalhando em conjunto, produzem a planta de um prédio. Ela é entregue para outro homem, e ele agrupa especialistas, e eles, por sua vez, juntarão madeira, e ferro, e pedra, e outras coisas materiais.
Então farão construir sua casa. Todos estes procedimentos são necessários em razão do ambiente no qual eles movimentam o ser material. Mas, ao atravessarem para cá, através da morte, em apenas uma operação desprendese do ambiente da matéria e começa logo a operar num ambiente espiritual. Todos esses processos intervenientes são eliminados, e a mente atua diretamente sobre o ambiente e toma a expressão de forma. O efeito é, por isso, mais imediato em resposta e também mais claramente aparente.
Tão aparente é, de fato, que não é possível habitarem juntos os que são diferentes em temperamento. Tudo seria confusão. Não, pela mesma lei, e pela interação gravitacional normal, cada um vai para seu próprio lugar. Não é verdadeiro dizer que as esferas mais próximas da terra são mais materiais que as mais distanciadas dela. Isto é somente dito para explicar o ambiente mais denso, em contraposição ao mais refinado.
Mas mais próximo à Terra o ambiente realmente parece, para os que acabaram de chegar, muito mais material, porque ainda não aprenderam 411 – A VIDA ALÉM DO VÉU completamente a grande mudança que lhes sobreveio em seu estado subjetivo. O novo estado responde ao seu novo ambiente tão naturalmente que, até que comecem a fazer novas coisas, não percebem quão mais responsivas que as da Terra são as substâncias básicas daquela esfera à qual acabaram de chegar. Eles encontrarão isso então, e muito frequentemente com choque, como criança e fogo. Mas, por umas três esferas próximas à terra, as condições são bem misturadas e somente à medida que se avance é que vai se encontrar mais harmonia entre os membros de uma esfera, e isto quanto mais e mais alto se subir. Na Esfera Três, portanto, há lugares que, respondendo aos que têm vontades mais harmonizadas com a Unidade Central que outros, são mais belos por causa desta resposta.
Também vale o inverso. Agora, meu filho, vocês, população da Terra, têm estado preocupados nas últimas gerações em classificar pessoas como boas, aquelas que vão para os céus, e como más, as que vão para os infernos. Mas pense. Se estas duas regiões são encontradas ali, e nenhuma outra mais, onde fica a terra em relação a estas duas? Digolhe que a Terra nem é céu nem é inferno no total, mas tem em si algo de ambos.
E isto já lhe falei nas mensagens anteriores. Nós aqui, olhando para seus corações, achamos que há algo mais próximo que tudo do céu, e outras que são completamente do inferno, e outras que são meio a meio. É assim, portanto, nestas três primeiras esferas do Espírito. Não há limites marcantes para os infernos. A descida para lá é gradual, e no caminho são encontradas pessoas de todos os graus de baixezas.
Assim, tendo dito a você algo da Esfera Três e sua espantosa constituição, posso, continuando, expor a você alguns dos acontecimentos que testemunhamos ali. E isto será feito através de seu próximo bom serviço de escrever por mim, meu filho. 412 – Reverendo G. VALE OWEN III O RESULTADO DE UMA TRAGÉDIA NA TERRA Quarta, 3 de novembro de 1920. Tenha em mente o que escrevi com sua mão nestas duas últimas vezes, meu filho, e interprete o que resultou na linguagem que lhe dispus. Arrependimento é, nem mais nem menos, um reajustamento da personalidade ao seu novo ambiente.
É verdadeiramente científico. Mas na ciência do Espírito – sim, e toda ciência é espiritual – aqui entra outro fator que marca com o mesmo selo: livre arbítrio. Isto faz a recompensa da evolução valer bastante o risco, pois eleva aquele que consegue para um nível mais alto, e a subida é frequentemente muito íngreme, e muito cercada de perigos. Eu estava perto da fronteira entre as Esferas Três e Dois. Determinaramme para que observasse ali a chegada de alguns a quem eu poderia ser benéfico.
Agora, nestas esferas mais baixas, nós, socorristas, raramente chegamos visíveis, como fazemos naquelas esferas que são um pouco mais elevadas em grau. Podemos fazer melhor o nosso trabalho desta maneira. Por isso fiquei ali, sem ser visto. Era um agradável caminho naquela região, com grama, árvores e canteiros de flores, não luxuriantes, mas bem repousantes. Um desvio saía da lateral florida em direção aos planos mais baixos da Esfera Dois, e mergulhava abruptamente algumas jardas além da encosta; depois mais abruptamente ainda, atingindo o vale embaixo onde, como era visto desta elevação, estava escuroe nublado.
Invisível, portanto, fiquei nesta encosta perto do final deste desvio, porque eu já conhecia um dos que deviam chegar lá de baixo até este caminho. Uma longa distância, em cada lado, era de precipícios. Aqui só havia caminhos bem difíceis de se achar apoios para os pés. Logo vi aquele a quem fui mandado até aqui ajudar. Ele era um homem que escalou vagarosamente e com muito esforço, parando para descansar muitas vezes nesta subida.
Fiquei ali e o analisei. Ele havia passado da vida terrena na meia idade. Foi para um dos infernos e trilhou seu caminho para frente dolorosamente, até que alcançou este lugar escuro. O magnetismo que o envolvia era remorso pelo que fez de errado, e amor por alguém que passara para cá um pouco antes que ele. Esta pessoa, louca por tanta angústia, jogouse nas águas, e sua vida saiu dela.
Ela veio então para a Esfera Um, mas foi especialmente guardada, já que havia sofrido muito nas mãos dele, e logo estava apta para direcionar sua mente para um avanço em direção à luz. Eu o observei, enquanto ele parava para descansar um pouco. Semicerrou seus olhos e olhava firmemente para cima, e vi que estava procurando esta mulher. Ela sentou 413 – A VIDA ALÉM DO VÉU se no topo da encosta e ele, ao olhar para cima, viu seu perfil. Mas ela não o viu porque, do lugar onde ela estava, a forma menos evoluída dele seria muito escura para que ela o enxergasse.
E entre as rochas do local ele se moveu; para ela, ele estava quase invisível. Eu vi que havia em seu rosto uma certa ânsia, um olhar de amor e piedade e tristeza. Sim, havia alguma evidência de um aumento de bondade nele agora. Assim ele se dirigiu em direção a ela, e pude ver um pedido de perdão em seus lábios. Então algo aconteceu.
Ao longo da estrada abaixo da encosta, vinham duas pessoas. Uma era uma mulher de muito brilho e a outra, um menino de uns dez ou doze verões, era de uma forma ainda mais etérea. Eles pararam a um boa distância e a mulher largou a mão dele. Então o vi tomar um aspecto mais sólido e, quando ele assumiu a visibilidade completa, veio correndo pela estrada até a garota e, arremessandose, ajoelhouse e envolveua com seus braços e beijou sua face. Ela olhava espantada para tudo, em dúvida do que poderia significar.
Ela retomou a posição de seus ombros e olhou para o rosto dele, e gritou apavorada. Mas, num impulso de grande amor, lançou de lado seu medo e, aconchegando o para mais perto em seu colo, começou a chorar. Finalmente ele disse: “Não, minha mamãe, não chore assim. Tudo foi dito para mim, minha mamãe, e sei que não foi por sua mão que fui lançado da terra para cá, nestes reinos espirituais. Foi muito mau que ele tivesse feito isso.
E isso, querida mamãe, é apenas um de seus vários pecados. Mas você, eu e meu anjo vamos ajudálo, mamãe, e em um longo tempo, talvez ele venha até aqui, bom e bonito, querida, como outros já fizeram antes”. Mas ela ainda lamentava com a cabeça em seus joelhos, agora envergonhada e em grande tristeza. Então ele, libertandose, olhou em torno de si. Justamente acima de onde ela estava sentada, havia uma árvore florida.
Então ele ficou em pé na encosta e, espichandose, colheu um lindo ramo de flores. Teceuo numa grinalda e, indo até sua mãe, beijoua nos cabelos e circundou o beijo com a coroa de flores. Quando o menino ficou em pé no topo da encosta, o homem viuo pela primeira vez. Observouo muito curiosamente. Parecia atento a alguma afinidade com o garoto que ele não podia definir bem.
Mas quando viu o garoto beijar sua mãe e coroála com flores, sua dúvida foi dissipada rapidamente e sem muito esforço de sua parte. Um olhar de horror e medo desvairado dominouo, sua face ficou lívida e ele, em colapso, caiu morro abaixo. Ele bateu nas pedras, uma após outra, e finalmente jazia inerte e imóvel no fim do caminho onde a neblina chegava. E onde ele caiu, ela tornouse mais densa que em outros lugares, atraída na direção dele pelas condições do espírito. Eu sabia que seria um homem difícil de se lidar, já que em seu medo vi um repentino ódio acrescentado.
A garota não o viu, nem o menino. Quando o homem gritou, ela ficou quieta por instantes para escutar, como se estivesse escutando alguns ecos abafados e distantes. Mas ela não fez nada mais que isso. Assim, o menino estendeu suas mãos para ela e convidoua a levantarse e vir com ele para uma clareira, em algum lugar mais bonito que qualquer um por ali. Então ela foi com ele, e eles se aproximaram da mulher mais velha.
Ela havia visto tudo a que eu assistira. Ela viu o homem subindo e o viu cair. Notei isso em seus olhos, havendo lágrimas de piedade onde antes brilharam pérolas de amor, e ela suspirou pelas memórias de ontem que se derreteram na luz do amanhã. Eu notei o quão bela ela ficou com a doce saudade daqueles espíritos puros que sofreram tanto e pecaram pouco. Ela havia passado para cá vinda da terra uns quinze anos antes que o menino, o qual cresceu na vida espiritual, chegando da Terra bebê, mal tendo dado meia dúzia de suspiros, lançado paracá pelas mãos de um assassino.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.