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Capítulo 26 de 87
Parte 26 de 87
A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro
Esta descrição está fora da linha traçada, e você verá que o que parece primeiramente complicar a vida aqui, realmente serve para um arranjo ordenado. Os princípios condutores que governam a comunhão de santos na terra com aqueles que passaram para mais alto são produzidos aqui, e continuados nos lugares mais altos acima, em sequência ordenada. E se você deseja saber o que regula nossa própria comunhão com aqueles acima de nós, então raciocine por analogia, e terá um conhecimento tão justo daquilo quanto possível a você, enquanto ainda encarnado na terra. Obrigado. Poderia descrever um pouquinho mais em detalhes a Cidade e o campo da Décima Esfera?
Sim. Mas, primeiramente, quanto ao nome “Décima Esfera”. É assim que a chamamos para abreviar. Mas em todas as esferas há outras esferas em contato. O que chamamos de Décima traduz a sua nota dominante: mas a harmonia das esferas é única e mesclada.
Por esta razão um homem pode aspirar àquela acima dele, e será alçado a ela pelo contato com aquela zona de interpenetração da sua própria. Mas também, tendo progredido para a Sétima, por exemplo, ele está iniciado em todas aquelas esferas abaixo, através das quais já passou. Desta forma, como outros descem até ele, assim ele pode ir lá embaixo até os outros, assim que se condicionar, sempre de acordo com aquela esfera para onde vai. E ele pode, de sua esfera, atingir, mediante seupoder, as esferas abaixo. Isto nós fazemos continuamente, sempre com nossas próprias projeções de nossos conhecimentos e poderes para ajudar aqueles na terra com os quais estabelecemos contatos.
Nem sempre saímos de nossas casas quando socorremos vocês: mas há ocasiões que assim fazemos, conforme a necessidade compele a isto. Onde está você agora–na sua própria esfera, ou aqui na terra? Eu agora estou falando de bem próximo a você. Pois, embora eu conte com poucos tijolos e argamassa, levandose em conta a sua condição de encarnado, e sua inabilidade de elevarse acima de você mesmo, é necessário que eu me encontre com você no caminho. Por isso eu venho e permaneço em contato, senão você reproduziria meus pensamentos, mas não na ordem nem da maneira quequero.
E agora para responder à sua pergunta sobre esta região que é a minha. Busque na mente as palavras com as quais iniciei esta noite, e dirlheei. A Cidade espalhase em torno da base da montanha. Entre os muros dela e o Lago estão as mansões e seus campos que se estendem à direita e à esquerda, e a maioria se aproxima do Lago. Nós embarcamos na água e tomamos um rumo diretamente em frente e, chegando à margem oposta, achamola coberta de árvores, de muitas espécies que são somente encontradas aqui nesta Esfera.
Aqui também vemos caminhos decorados e, tomando o que está à nossa frente, faremos uma longa jornada para o interior, e ao 144 – Reverendo G. VALE OWEN término deste caminho surge uma clareira. Nesta clareira há uma estátua. É de uma mulher que está em pé olhando para cima, para os céus no alto. Seus braços estão ao longo de seucorpo, e seu longo vestido não tem ornamentos.
A estátua foi colocada ali há muito tempo atrás, e permanece olhando para cima por muitas épocas. Mas você está esgotado esta noite, meu irmão. Por isto devo deixar este tema e retomálo, se puder, em outro momento. Olhe para o alto, como a face da estátua faz, e receberá um batismo de luz sobre seus olhos para que possa ver algumas das glórias que ali estão. + Quinta, 11 de dezembro de 1913. Continuando: A clareira onde está a estátua é um local onde frequentemente nos encontramos para receber direcionamentos daqueles acima de nós, que de vez em quando acham conveniente nos chamar longe da aglomeração de nossos companheiros, para que possam nos recomendar alguma linha de estudo especial a ser feito.
Aqui nos encontramos, e eles vêm a nós, e naquele lindo local são mais belos que no cenário onde brilham. Fora do espaço aberto iniciam várias trilhas. Tomamos uma para a direita, no lado mais distante, e seguimos. Ao mesmo tempo em que andamos vemos flores desabrochando, algumas da família das margaridas, e do amorperfeito, e outras permanecem suspensas no ar como num regozijo pela beleza da folhagem e dos coloridos, como a dália e as peônias e a rosa. Todas estas, e mais outras ainda; pois nós nesta esfera não sabemos das flores pelas estações, porque elas desabrocham todas juntas, num perpétuo mas incansável clima de verão.
Aí, aqui e ali há outras espécies, e algumas são de diâmetro maior, uma verdadeira galáxia de belezas, como grandes escudos de luz faiscante, e todos os matizes maravilhosos, e todas deliciando o observador. A flora desta esfera está além de uma possível descrição a você, pois, como já expliquei, há cores aqui que a terra não conhece, pela razão da baixa vibração dela, e também porque os sentidos do corpo humano não são suficientemente refinados para sua percepção. Assim, para uma pequena digressão, há cores e sons sobre você que não são reconhecidos pelos seus sentidos. E aqui os temos, e mais intensos, para uma exibição deslumbrante de encanto, e para nos mostrar um pouquinho do que a Beleza da Santidade deve ser ao se aproximar da Felicidade Total, onde o Mais Santo habita no Coração da Unidade. Logo chegamos a um rio que divide em dois o nosso caminho, e aqui viramos à esquerda, porque devemos visitar uma colônia que será de seu interesse.
E o que você pensa que encontrará aqui, no topo da floresta que se espalha desde o rio e deixa um espaço aberto para ver? Nada mais que um Santuário das Estações ou – devo dizer? – Festivais. Agora, vocês no plano da terra têm uma pequena compreensão da sua intimidade conosco, pois parecemos tão distantes a vocês. Entretanto, nem um pardal cai sem que seu Pai Celeste saiba e registre.
Assim, tudo o que fazem é aberto a nós, e pesquisado com interesse e muito cuidado; se por acaso podemos, fazemos recair em suas devoções, de vez em quando, algumas gotas de orvalho celeste que devem cobrilas, e a vocês, como lembranças do Céu. Aqui, então, nesta colônia estão curiosos ministros que procuram ponderar acerca de seus Festivais na terra à medida que eles acontecem, ano a ano; e eles acrescentam sua própria oferenda àqueles que se devotam aos anjos de guarda para 145 – A VIDA ALÉM DO VÉU fortalecêlos em sua ajuda a vocês, principalmente na inclinação mental que dirige seus pensamentos e aspirações nos maiores Festivais de seu ciclo. Isto não é precisamente de meu trabalho, portanto disto não falarei com conhecimento de causa. Mas sei que todas aquelas ideias com as quais vocês se aglomeram no Natal e Epifania e Páscoa e as outras semelhantes, são reforçadas pelas colônias como esta. Escutei, ainda mais, e acredito que é verdade, que aqueles que fazem reverência ao Pai Deus por outras regras que não as cristãs são da mesma forma atendidos nos seus grandes Festivais, por seus próprios guias especiais, anjos de guarda.
Tanto é assim que você notará em alguns momentos um fervor aumentado nos devotos em seus santuários de graças, e muitos deles, creio, são o resultado de correntes de poder espiritual dirigidas dessas escolas fluindo aos corações dos congregados na terra, unidos em oração e reverência a Deus. Você gostaria que alguma coisa fosse dita sobre os prédios da colônia. Há muitos, e a maioria deles é alta. E estão assentados em torno de uma estrutura dominante de onde partem muitos arcos, e têm muitos andares que sobem alto, céu acima. O topo disto desdobrase e fica suspenso, com guirlandas em forma de lábio, por cima das casas abaixo dele, como se fosse uma margarida perenemente se abrindo, mas nunca em seu completo desabrochar.
É azul e verde, mas sombreado em suas dobras com marrom, parecendo um dourado intensificado. É encantador olhar para cima, pois exprime uma reverência desdobrada em direção ao céu, como uma flor cujo perfume espalhase enquanto seu verdadeiro coração está desabrochando para olhar os que estão à volta e o Criador Celeste e Amoroso, Que está acima de tudo, e também vê e sabe e sente prazer no sopro de vida no coração retornando a Ele, Que a deu e a sustenta incessante e eternamente. Deixamos esta bela flor que protege como um pássaro, com suas asas de mãe sobre a ninhada de multidões de habitantes, que acaricia a todos sobre ela, e eles parecem seguros sob sua proteção, como se fosse da sua mãe, do Santuário e Relicário. Deixamos isto e continuamos. Depois de uma longa jornada rio acima, começamos a subir e continuamos.
Assim chegamos à Terra da Montanha; e aqui nosso olhar alcança grandes distâncias. Aqui estamos na fronteira entre nossa esfera e a próxima em ascensão. Alguns de nós somos capazes de enxergar mais adiante e em mais detalhes que aqueles que não atingiram o desenvolvimento de si mesmos até este ponto. O que estou vendo, digolhe agora. Estamos no pico de uma montanha, que é uma de muitas.
Diante de nós está um pequeno vale, e seguemse fileiras e fileiras de cumes e picos mais altos; e quanto mais longe se focaliza o olhar, mais brilhante é a luz que os banha. Mas aquela luz de maneira nenhuma é parada. Movese e brilha e cintila e lançase entre as montanhas longínquas como se elas estivessem cercadas por um oceano de cristal ou de eletricidade. Este é o aspecto, nada mais posso fazer por você além disso. Há ribeirões e prédios, mas distantes.
Sei que entre estas montanhas há grama, e plantas floridas e árvores e prados e jardins, e as mansões daqueles que habitam naquela Esfera. Mas isto está fora de meu alcance de visão, já que apenas posso ver as marcas até onde suporto. E sobre tudo isto, e através de tudo, eu vejo o Amor de Deus e Sua inexcedível e melhor graça e beleza: e meu coração pulsa de regozijo. Estou seguindo adiante e, quando tiver terminado minha tarefa aqui, a que me foi dada para fazer, e não antes disso, sei que alguns cidadãos justos daquela terra encantadora virão e chamarmeão, e vibrarei de alegria por dirigirme para lá. Ah, mas, meu irmão, não é assim com você também?
O que aquela esfera mais distante é para meu coração, a próxima de seu progresso deveria ser para você, numa amorosa comparação. Eu lhe descrevi apenas um pouco desta esfera, mas o suficiente para dar a você o 146 – Reverendo G. VALE OWEN sabor e o apetite para fazêlo urgir em sua marcha. Eu recorreria a uma clareira e convidaria você para manter seus olhos alerta, mirando acima. Não, seu pé tropeçaria porque seus olhos não estariam mirando o chão.
Pois aqueles que olham para cima não olham no caminho que estão seguindo; e nós olhamos para baixo para manter seus passos bem seguros. Porque tudo está bem, meu tutelado, sim, tudo está bem nesta unidade, porque ele acredita em nós que servimos a nosso Senhor, n’Ele seu coração está, e ninguém fará com que ele tropece. Então esteja assim. O mundo é torpe e fatigante, às vezes, ou frequentemente, mas há beleza também, e amor, e aspirações santas. Sirvase destas, e sinta prazer.
Dê delas a outros livremente, e a depressão parecerá menos depressiva, e a luz além aparecerá mais clara e brilhante, e os filhos da manhã guiáloão mais amorosamente para a Terra do Eterno Presente. + Sexta, 12 de dezembro de 1913. Estando naquele alto pico radiante com a luz que o distingue dos reinos atrás de mim e banhando todos os que estão diante dele nesta intensa luz, comungo com aqueles das duas esferas e, através deles, com as esferas além. Tais momentos são de felicidade grande demais para se expressar em palavras, e abrem os olhos do entendimento espiritual para ver coisas gloriosas e poderosas, e amplos infinitos e o amor que envolve a tudo. Uma vez que me pus em pé desta forma, com a face voltada em direção ao meu futuro lar, fechei meus olhos pois a intensidade da luz que se movia diante de mim era maior do que podia suportar continuamente. Foi lá que pela primeira vez foime permitido ver e falar com meu guia e guardião.
Ele ficou no alto, na posição oposta a mim; e o vale estava no meio. Quando abri meus olhos vio ali, como se tivesse subitamente tomado forma visível para mim, para que eu pudesse vêlo mais claramente. E de fato foi assim, e ele sorriu para mim, e permaneceu observando minha perplexidade. Ele estava vestido com uma túnica parecendo ser feita de seda brilhante que ia até os joelhos, e à cintura portava um cinto de prata. Seus braços e pernas estavam descobertos e pareciam brilhar e emitir a luz de sua santidade e pureza de coração; e sua face era o que mais brilhava.
Ele usava um chapéu azul sobre seu cabelo, que era prateado indo ao dourado; e no chapéu brilhava a joia de sua ordem. Eu não tinha visto uma daquele tipo antes. Era uma pedra marrom emitindo uma luz marrom, muito bonita e cintilando com a vida que estava em torno denós. Finalmente, “Venha comigo”, disse ele; e eu estava com medo, mas não aterrorizado, apenas envergonhado pelo temor. Naquele momento tive medo, nada mais.
Então eu disse, “Conheçoo como sendo meu guia, senhor, meu coração assim me diz. E deliciome em vêlo assim; pois é encantador e brando para mim. O senhor nunca esteve comigo em pessoa na minha estrada celeste, mas sempre diante de mim, assim nunca pude tocálo. E agora me é dado vêlo deste jeito, em forma visível, e por isso estou feliz em agradecerlhe por todo seu amor e proteção. Mas, meu senhor e guardião, temo ir ao senhor.
Pois enquanto eu for descendo ao vale, o brilho de sua esfera vai me ofuscar e meus passos estarão inseguros. E quando eu ascender ao senhor, penso que desmaiarei por causa destas glórias maiores que estão sobre o senhor. Mesmo aqui, eu, desta distância, sinto que nãoaguentareipor muito tempo...” “Sim, desta vez”, ele respondeu, “serei sua força, como muitas vezes antes já fui, mas nem sempre foi do seu conhecimento; e nas vezes quando sabia que eu estava por perto, mas somente em parte. Estivemos tão juntos que agora posso darlhe mais que 147 – A VIDA ALÉM DO VÉU antes. Somente seja forte, e com toda sua coragem exposta; pois nada lhe fará mal.
Foi para este mesmo fim que lhe inspirei para que viesse até aqui, para que eu viesse até você”. Então por instantes vio realmente bem imóvel, como se ele pudesse ser uma estátua. Mas agora sua forma tomou outro aspecto. Ele parecia estar com os músculos de seus braços e pernas tensos; e pude ver através da fina roupa que seu corpo estava exalando todo seu poder. Suas mãos estavam ao lado do corpo, ligeiramente voltadas para fora, e seus olhos estavam fechados.
Então uma coisa estranha aconteceu. Da parte de baixo de seus pés apareceu uma nuvem mesclada de azul e rosa; e se moveu através dele até mim, formandose uma ponte entre os dois picos, passando por sobre o vale abaixo. Era de uma altura um pouquinho maior que a de um homem e de largura um pouco mais ampla. Isto gradualmente veio até mim e envolveume e, quando olhei, pude vêlo através da neblina e ele parecia muito próximo. Então ele disse, “Agora venha a mim, meu amigo.
Caminhe firmemente em minha direção, e não se ferirá”. Aí comecei a andar a ele através daquela coluna de nuvem luminosa que estava toda sobre mim, e, conforme ia passando, vi que era elástica sob meus pés, como um veludo muito espesso, mas apesar disso não afundei pelo chão até o vale, mas continuei meu caminho suspenso com enorme alegria. Ele olhou para mim e sorria enquanto chegava a ele. Mas apesar de que parecesse tão próximo, não o alcançava, e não ainda... ele em pé sem se retirar da minha frente. Finalmente estendeu sua mão e, uns passos mais, eu a tinha na minha, e ele me conduziu numa caminhada mais firme.
Então a ponte de luz esmaeceu e acheime em pé no outro lado do vale, e olhei através dele para minha esfera. Eu tinha atravessado tudo por aquela ponte de luz e poderes celestiais. Aí nos sentamos e conversamos juntos sobre muitas coisas. Ele evocou à minha mente desafios passados, e mostroume onde eu poderia ter feito de forma melhor em minhas tarefas; algumas vezes recomendoume, algumas vezes nada recomendou, mas nunca me censurou, somente advertiu e instruiu com amor e bondade. E aí disseme alguma coisa da esfera fronteiriça na qual eu havia estado; e algumas de suas glórias, e como melhor sentirlhe sua presença quando terminasse minha tarefa para a qual deveria retornar e findar.
E assim ele conversou, e eu me senti verdadeiramente num estado muito bom de força e alegria, e de maior coragem para o caminho. Pois ele me deu de fato de sua grande força e de sua santidade maior, e eu entendi um pouquinho mais do que até então da grandeza do potencial humano na humildade, ao servir seu Mestre o Cristo, e a Deus através d’Ele. Ele voltou comigo pelo caminho do vale, com seu braço sobre meu ombro para me ajudar com seu poder; e conversamos durante todo o percurso do caminho para baixo e então, quando a ascensão da colina do outro lado começou, vagarosamente ficamos em silêncio. Em vez de usar palavras, comungamos usando pensamentos e, quando me voltei ligeiramente a fim de olhar para ele, percebi que não podia mais vêlo tão claramente e comecei a entristecer por isto. Mas ele sorriu e disse, “Está tudo bem, meu irmão.
Sempre está tudo bem entre você e eu. Lembrese disto”. Ele se tornou ainda mais esmaecido à minha visão, e fui comandado a voltar por esta razão. Mas ele me impeliu gentilmente e, enquanto subíamos, definitivamente desapareceu de minha vista. Nunca mais o vi desta forma.
Mas agora eu o conhecia como nunca antes. Sentio tocarme quando atingi o cume. Volteime e olhei para o brilho da sua esfera através do vale, mas não o vi no outro lado. Exatamente quando estava me virando para partir, entretanto, olhei de novo, e vi uma forma veloz atravessar sobre os picos das montanhas além; não numa forma sólida, 148 – Reverendo G. VALE OWEN como ele tinha estado, mas uma forma quase transparente.
Como um raio de luz do sol, ele se foi de mim visivelmente, ou em parte; aquela visão, também, lentamente desapareceu. Mas ali senti sua presença comigo, senti que ele sabe de mim e o que penso e faço. E virei me para descer com muita alegria e maior força para trabalhar. Como daquela esfera mais brilhante tanta bênção é dada para mim, não deveria eu, em retorno, distribuir àqueles que necessitam tanto quanto eu? E assim fazemos, meu tutelado.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.