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Capítulo 10 de 87
Parte 10 de 87
A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro
E foi assim que viemos até a Casa de Castrel, agora você já tem seu nome tão bem quanto eu posso transmitir; e de quem falaremos mais em outra ocasião. Agora você tem que sair, portanto boa noite, querido, e todas as bênçãos a você e aos seus, destes lindos e brilhantes reinos. Querido filho, boa noite. Sábado, 18 de outubro de 1913. Assim ele nos fez entrar, e descobrimos que o interior da casa era alto e muito magnífico.
O saguão de entrada, no qual paramos, era circular de formato e aberto acima para a grande cúpula, a qual não ficava no centro da construção, mas um pouco recuada do pórtico da entrada. A rotunda era ricamente cravejada com pedrarias de cores variadas e cortinados de textura semelhante à da seda, a maioria da cor carmim profundo. Portarias levavam a longas passagens à nossa frente e também em nossos lados. Pombos esvoaçavam sob a cúpula, tinham evidentemente como entrar e sair. O material do que era feita a arcada do teto desta cúpula era de uma espécie de pedra semi opaca, que permitia que a luz penetrasse filtrando uma nuance de um brilho suave.
Quando olhamos por instantes acima de nós, descobrimos que estávamos a sós, já que Castrel havia nos deixado. Aos poucos, de uma passagem em nossa direita, escutamos gargalhadas e vozes alegres, e dali naquela hora saiu um grupo de mulheres com algumas crianças entre elas. Totalizavam umas vinte pessoas, e vieram até nós, e pegando nossas mãos em cumprimento de boas vindas, beijaram nossas faces, sorriram para nós e assim ficamos mais contentes que antes, se fosse possível. Então elas se afastaram, ficando a uma pequena distância, exceto uma delas que ficou ali. Ela veio em nossa direção e nos mostrou um recanto da parede, onde poderíamos nos sentar.
Então, ficando em pé diante de nós, ela dirigiuse a cada uma de nós saudando nos pelos nossos nomes, e disse, “Devem estar imaginando o porquê de terem vindo até aqui, e que Cidade e que lugar seria este a que foram enviadas. Esta casa onde agora estão é o Palácio de Castrel, como, sem dúvida, já sabem. Ele é o governador deste amplo distrito, onde têm lugar muitas ocupações, e muitos estudos podem estar em curso. Ouvi dizer que vocês já foram até a colônia da Música, e mais ainda, para outros departamentos, onde são estudados outros ramos da ciência. Nós estamos em contato com todos eles, e recebemos constantemente seus relatórios quanto ao progresso neste ou naquele ramo da ciência.
Estes relatórios são estudados por Castrel e seus auxiliares, do ponto de vista da harmonia, como vocêschamariam. Coordenação expressaria melhor, entretanto, o que quero dizer. “Por exemplo, um relatório chegará da Universidade da Música, e outro da Luz, e outro do estabelecimento onde a faculdade Criativa é estudada, e de outros ramos de serviços. Todos eles serão muito cuidadosamente examinados, analisados e tabulados e, quando houver necessidade, os resultados serão testados aqui, em um ou outro laboratório relacionado a esta Cidade. Vocês já viram alguns deles à medida que se aproximaram daqui.
Eles estão espalhados sobre o campo, até uma grande distância. Estes não são tão detalhadamente completos como os que já visitaram em outras localidades, mas, quando algum novo aparato tornase necessário, uma missão é despachada para inquirir sobre sua construção, e eles retornam e constroem no local mais apropriado em relação aos outros departamentos deste distrito; ou talvez é acrescentado a outros aparatos que já existem em um ou outro dos prédios. “Vocês entenderão, portanto, que um Super Governador como ele, que controla 60 – Reverendo G. VALE OWEN uma combinação de conhecimento tão variada, deve ser evoluído em sabedoria, e também é muito ocupado em seu trabalho. Este é o trabalho a que foram enviadas para verem, e, enquanto ficam conosco, terão grandes oportunidades de visitarem nossas estações externas.
Não entenderão tudo, claro, ou talvez não muito, do lado científico do trabalho, mas será mostrado o suficiente para ajudálas em seu trabalho futuro. Agora venham, e vou mostrarlhes esta casa, se quiserem”. Respondemos que sim, e agradecemos pela gentileza. Então percorremos as partes principais daquela moradia magnificente. É a única palavra que encontro para ela.
Em todos os lugares as cores mesclavamse a outras, nítidas mas harmoniosas, e de tal forma que, em vez de serem fulgurantes, tinham algumas vezes um efeito estimulante e algumas vezes um suave efeito repousante. Joias e metais preciosos e lindos ornamentos, vasos e pedestais e pilares – alguns erigidos apenas para enfeite, uns solitários, outros em grupos –, pendentes de material cintilante que, quando atravessávamos algum pórtico, voltavam ao lugar emitindo um murmúrio musical, fontes com peixes, pátios a céu aberto, nos quais cresciam grama, as mais belas árvores e arbustos floridos, de cores que não são conhecidas na terra. Então subimos ao teto, e aqui havia novamente um jardim, mas de grande extensão, com grama, bosquetes, arbustos e fontes novamente. Era daqui que a maioria das mensagens e mensageiros eram avistados; e também havia aparatos para se manter correspondência com regiões distantes por uma espécie do que vocês talvez chamassem de telégrafo sem fio, mas realmente é diferente, já que as mensagens chegam na maioria de forma visível, e não em palavras. Permanecemos nesta mansão por um período considerável, e visitamos a Cidade e também seus distritos em torno, distritos esses que na terra teriam milhares de milhas, mas todos em contato constante com a Cidade e suas estações de comunicação, e com o Palácio central por si mesmo.
Não teríamos tempo para contarlhe tudo. Por isso, vou lhe transmitir apenas alguns detalhes, e deixarei que imagine o restante que, entretanto, sei que não conseguirá. A primeira coisa que me confundiu foi a presença das crianças, porque eu pensava que todas as crianças estavam recolhidas em Casas especiais destinadas a elas. A senhora que nos recebeu era a Mamãe do local, e aquelas que a atendiam eram algumas de suas ajudantes. Eu perguntei a uma delas sobre estas crianças que pareciam tão felizes e bonitas, e tão à vontade num local tão grandioso.
Ela me explicou que estas eram crianças natimortas, que jamais haviam respirado a atmosfera terrestre. Por esta razão, elas tinham características diferentes das que nasceram vivas, mesmo das que sobreviveram apenas alguns minutos. Elas também requeriam tratamento diferenciado, e eram capazes muito mais cedo de se imbuírem do conhecimento destas esferas. Então eram enviadas a alguma casa como esta, e eram treinadas até que tenham progredido na mente e evolução de tal hierarquia, de tal forma que possam começar seu novo curso de conhecimento. Então, fortes na pureza celeste e em sabedoria, são levadas até as professoras que estão em contato com a terra, e aprenderão o que não puderam aprender antes.
Isso me interessava muito, e então comecei a ver que uma razão pela qual fui mandada para cá era a de aprender estas coisas, para que pudesse ser despertada em mim a consciência do desejo de saber de minha filha que tinha passado para este lado desta forma, e por quem eu não esperava ser chamada de mamãe. Ah, a grande e dulcíssima emoção que se apoderou de mim quando percebi isto. Não ficarei neste assunto, mas confesso que por uns tempos lágrimas de alegria indescritível embaçaram meus olhos por mais esta bênção acrescentada às muitas já recebidas. Senteime na grama diante de uma árvore, e cobri minha face com as mãos, inclinando minha cabeça sobre meus joelhos, e ali fiquei desamparada, pelo estranho enlevo que vibrou e preencheu todo o meu ser, até tomálo por inteiro. Minha querida amiga não falou comigo, mas sentouse ao meu lado e 61 – A VIDA ALÉM DO VÉU colocou seus braços em torno de meus ombros, e deixou que extravasasse minha alegria.
Então, quando me recobrei, ela disse gentilmente, “Querida, eu também sou mãe, a mãe de um, da mesma forma que você encontrará aqui a sua. Por isso sei o que vai em seu coração neste momento, porque já passei por esta sua alegria de agora”. Então levantei meus olhos para ver sua face, e ela leu a pergunta que não pude fazer, e, levandome pelas mãos, ela me conduziu e, ainda com seus braços em meus ombros, ela me conduziu a um bosque onde ouviamse crianças brincando, seus gritos alegres e risadas vindos por entre as árvores – e estava tão abalada por toda aquela alegria que me preencheu, como eu conseguiria me sustentar diante da alegria maior que viria? Querido, não faz muito tempo que isso aconteceu, e ainda está tão claro em mim que acho difícil escrever através de você com a clareza que gostaria. Mas você deve perdoarme se pareço tão prolixa, ou tão desconexa em minhas palavras.
Eu não conhecia estas verdades, e quando me foram reveladas tão repentinamente, e todo significado – para mim – tremendo de tudo – bem, devo deixálo tentar entender. Basta dizer que encontrei naquele bosque aquilo que eu não sabia que possuía, e por estes lugares dádivas como esta são ofertadas mais rapidamente do que somos capazes de nos controlar para recebêlas. Devo acrescentar, antes que terminemos, o que deveria ter dito antes, mas estive sendo levada por minhas lembranças daquele momento tão doce. É isso: Quando crianças pequeninas chegam aqui, primeiramente elas são ensinadas nesta vida, e depois têm que aprender a experiência que lhes faltou na terra. Quanto mais treinamento tiverem na vida terrena, mais cedo são enviadas para completarem tudo.
Os que são natimortos não tiveram treinamento terrestre nenhum. Apesar disso, são crianças da terra e, como tais, devem retornar e adquirilo. Não antes da hora em que seja seguro fazêlo, entretanto, e apenas sob a guarda apropriada até que sejam competentes para seguirem sozinhos. O retorno deles às vizinhanças da esfera terrestre é consequentemente adiada por mais tempo, e alguém que tenha vivido uma vida longa e ocupada na terra tem menos o que aprender da vida terrena quando chegar até aqui, e por isso passa para outros estudos mais elevados. Claro, estes são os amplos princípios gerais, e, aplicandose aos indivíduos, tem que se levar em conta suas características pessoais, e a regra será modificada e adaptada se o caso particular requer ou merece.
Mas tudo está bem para os que vivem e amam, e os que amam mais vivem a vida mais amorosa. Isto soa repetitivo, mas deixe assim, porque é a verdade. Deus o abençoe, querido. Boa noite. Segunda, 20 de outubro de 1913.
Estávamos caminhando pela avenida principal daquela linda cidade numa viagem de inspeção. Queríamos entender por que estava disposta em tantas quadras, e qual seria a utilidade de alguns daqueles edifícios que percebêramos nos dois lados daquela ampla avenida. Quando chegamos à rua mais distante, vimos que a Cidade estava acima das planícies vizinhas. Nossa guia explicou que a razão para isso é que a visão daquelas torres deveriam alcançar o mais distante possível, e também serem vistas pelos que estavam nos assentamentos mais distantes daquela região. Esta era a Cidade Capital daquela região, e todos os fatos que aconteciam tinham seu foco aqui.
Em nosso caminho de volta visitamos vários destes prédios, e fomos gentilmente recebidas. Encontramos poucas crianças, outras que não as que estão na casa de Castrel. Aqui e ali havia, entretanto, grupos nas praças, onde as fontes tocavam e eram 62 – Reverendo G. VALE OWEN circundadas por espelhos d’água que recolhiam as águas que caíam. Elas eram coletadas numa corrente maior que partia de um lado da Cidade e caía na planície abaixo, uma cascata brilhante de muitas colorações e de um brilho cintilante.
Ela continua atravessando a planície, uma correnteza bem larga suavemente fluindo sobre as areias, e vimos, aqui e ali, algumas crianças banhandose nelas, jogando água em seus corpos lindos com imensa alegria. Não pensei muito nisto até que minha guia fez com que notássemos que estas crianças eram encorajadas a banharemse nestas águas, pois são carregadas eletricamente e dão força a elas, pois muitas delas vem para cá bem fraquinhas, requerendo estetipo de nutrição. Expressei minha surpresa diante disso, e ela replicou, “Mas o que queria? Você sabe que, apesar de não serem de carne e sangue, mesmo assim nossos corpos são sólidos e verdadeiros como os que deixamos para trás. E você sabe que estes corpos do nosso estado atual correspondem ao espírito intimamente, muito mais acuradamente que os outros antes.
Agora estes pequenos espíritos estão, na maioria, apenas começando a desenvolver e necessitam de nutrição corporal para ajudar nisso. Por que não?” Por que não, sem dúvida! Evidentemente, eu era lenta para aprender tudo que a frase que eu já lhe transmiti implicava, “Terra aperfeiçoada.” Temo que muitos de vocês, quando vierem para cá, ficarão muito chocados ao verem quão naturais são todas as coisas, mesmo que mais bonitas que as da terra. Pois muitos esperam encontrar um mundo vago e sombrio por aqui, totalmente diverso da terra em todas as formas possíveis. E ainda assim, pense nisto, e com bom senso, o que traria de bom para nós um mundo como esse?
Não significaria um progresso gradual para nós, mas uma transição brusca, e este não é o caminho de Deus. As coisas por aqui, logo que chegamos, estão certamente muito diferentes de quando eram os velhos tempos, mas não tão diferentes para nos fazerem ficar pasmos de tão estranhas. De fato, aqueles que vêm para cá, depois de terem vivido na terra uma vida sem progresso, vão para uma esfera de características tão grosseiras que se torna, para eles, impossível de se diferenciar da própria terra. Esta é uma das razões pelas quais não conseguem perceber que mudaram de estado. Conforme se progride das esferas mais baixas em direção às mais elevadas, estas características gradualmente dão lugar a condições mais sublimadas, e quanto mais alto se sobe, mais sublime é o ambiente.
Mas poucos, ou nenhum, passam para aquelas esferas onde não se vê nenhum traço terreno, ou onde não há nenhuma semelhança com a vida na terra. Duvido que, como regra, alguém o faça. Mas a respeito disso não comentarei nada dogmaticamente, porque por mim mesma ainda não lá cheguei, nem visitei, a uma esfera onde não haja absolutamente nenhuma semelhança com a maravilhosa terra de Deus. Pois ela é linda, e temos que aprender sobre suas belezas e maravilhas por aqui, como parte de nosso treino. E, aprendendo isto, vemos que a terra é apenas uma manifestação exterior de nossa própria esfera, e em sintonia conosco e nosso atual ambiente, em várias formas bem íntimas.
Se não fosse assim, não poderíamos estar nos comunicando com você neste momento. Também... e eu meramente falo da forma que tudo aparece diante de mim, que não sou muito aprofundada nestes temas, não vejo como as pessoas que passam para cá vindas da terra poderiam chegar aqui se houvesse um enorme hiato entre nós, um gigantesco vácuo. Como poderiam atravessálo? Mas é simplesmente um raciocínio meu, e ele pode não conter nada. Somente de uma coisa tenho certeza: se as pessoas mantivessem em mente a Unidade de Deus e Seu reino, e o progresso gradual que, por Sua Inteligência, Ele ordenou que assim fosse para nós, então poderiam entender muito melhor o que é a morte e o que há além.
Seria, posteriormente, absurdo para muitos, se lhes falassem que aqui nós temos verdadeiras casas sólidas, ruas, montanhas, árvores e animais e pássaros; e que os animais aqui não são apenas para ornamento, mas também têm sua utilidade; e que os cavalos, bois e outros animais são utilizados. Mas estes gostam do trabalho de uma 63 – A VIDA ALÉM DO VÉU forma que ficamos felizes ao observálos. Observei um cavalo e seu cavaleiro que estavam caminhando pela rua certa vez, e imaginei qual dos dois estaria gostando mais da cavalgada. Mas temo que muitos não aceitem isso, então mudarei de tema. Um dos prédios na ampla avenida era uma biblioteca, onde se mantinham os registros de estações externas.
Outro era um laboratório onde alguns dos registros poderiam ser testados num experimento real. Outro era um saguão de conferências onde os mestres apresentavam os resultados aos que são do mesmo ramo de ciência e a outros. Outro ainda tinha uma história curiosa. Ficava bem afastado da rua e era construído em madeira. Parecia mogno polido, com fios de ouro no cerne.
Foi erigido há muito tempo, para ser uma Câmara de Conselho para o Diretor daquela época, bem antes de Castrel assumir o posto. Aqui costumavam reunirse os estudantes, para que cada um pudesse demonstrar seus conhecimentos de forma prática. Um jovem levantouse, numa ocasião, e, indo ao centro do auditório, ficou ali e estendeu seus braços, encarando o Presidente. Enquanto permanecia ali, suas formas pareciam mudar e tornaremse mais radiantes e translúcidas, até que ficou completamente envolto num largo halo de luz, e ali foram vistos muitos Anjos das mais altas esferas. Seu sorriso era enigmático, e nele o Príncipe estava tentando ler algo, mas não conseguia.
Quando ele (o Príncipe ou Chefe) estava quase falando algo, entrou pela porta aberta um menino, e olhou surpreso em torno da grandeplateia. Ele parou na beira do círculo e olhou para a multidão de faces dos que ali estavam sentados em fileiras, uma após outra, em torno do círculo, e parecia abatido. Ele estava se voltando para ir embora novamente, quando viu aquele que estava no centro, agora cintilando em luz e glória. Imediatamente o pequeno garoto esqueceu todos à sua volta e, correndo tanto quanto puderam suas pernas, seguiu diretamente ao centro do círculo com braços abertos e um olhar de alegria em sua face. Aquele que estava ali abaixou, então, seus braços e, abaixandose, tomou o pequeno e o acomodou em seus ombros, e então, aproximandose do Príncipe, gentilmente colocou o pequeno companheiro em seu colo e começou a andar para trás, em direção ao lugar onde estava anteriormente.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.