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Capítulo 8 de 87
Parte 8 de 87
A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro
Deus o abençoe, querido filho, e a todos os nossos queridos. Mamãe e seus amigos. Sábado, 11 de outubro de 1913. Na noite passada, em nossa visita, pudemos apenas lhe passar um resumo de nossa visita à casa de nosso instrutor, por causa do tempo escasso. Continuaremos agora, e relataremos algumas de nossas experiências naquela região.
É uma região onde há muitas daquelas instituições, e a maioria devotada à melhor maneira de ajudar os da terra que estejam com dúvidas e perplexos pelos problemas que surgem nestes reinos além. Você poderá, pela meditação, ampliar nossas instruções se vir o local e nossa experiência ali, à 49 – A VIDA ALÉM DO VÉU luz de uma parábola. Assim, passamos para outros cenários, e os descreveremos tão bem quanto pudermos. Nossos guias levaramnos a um lugar fora dos limites da região da qual já lhe falamos, e descobrimos que o campo gramado é muito extenso. É uma das planícies do Céu onde as Manifestações dos Céus mais elevados acontecem de vez em quando.
O clamor é dado e enormes multidões agrupamse, e então algumas das glórias das mais altas esferas manifestamse, tanto quanto seja possível nestes reinos daqui. Percorremos este local até que, finalmente, começamos a subir, e encontramonos num planalto onde havia vários edifícios espalhados, uns mais amplos que outros. No centro havia uma construção enorme, e nesta entramos e nos encontramos num amplo e espaçoso hall, o único compartimento do lugar. Era de forma circular, e em torno das paredes havia gravuras entalhadas de um tipo muito interessante. Nós as examinamos e vimos que representavam os corpos celestes, um deles a terra.
Mas não eram fixos, giravam em torno de eixos, metade para dentro e metade para fora da parede. Também havia modelos de animais, árvores e seres humanos, mas todos se movendo, a maioria presos em pedestais, em nichos ou alcovas. Perguntamos o significado de tudo e nos foi explicado que era uma instituição puramente científica. Fomos levados a um balcão em um dos lados do espaço circular. Ele se projetava da parede, e assim podíamos ver a totalidade do local de uma só vez.
Então nos avisaram que uma pequena demonstração seria feita para nosso benefício, a fim de que pudéssemos ter umaideiado uso para o qual foram dispostas estas peças. Sentamonos ali esperando, e finalmente uma neblina azul começou a preencher o espaço central. Então um raio de luz percorreu o entorno do hall e parou no globo que representava a terra. Conforme ele pairou sobre ela, a esfera pareceu absorver o raio e tornouse luminosa e, depois de um tempo, ao ser aquele raio absorvido, vimos que um brilho vinha de dentro do interior do globo terrestre. Aí um outro raio foi projetado sobre ele, de um tipo diferente e mais intenso, e o globo lentamente deixou o pedestal, ou eixo, ou seja lá o que fosse onde ele estava encaixado, e começou a flutuar para fora da parede.
Conforme ele se aproximou do centro do espaço, adentrou na neblina azulada e, imediatamente a este contato, começou a crescer até que se tornou uma enorme esfera brilhante com sua luz própria e flutuando no espaço azul. Era maravilhosa demais. Lentamente, bem lentamente, girou em torno de seu eixo, evidentemente da mesma forma que a terra faz, e pudemos ver os continentes e oceanos. Eles eram de forma plana como nos globos terrestres usados na terra. Porém, à medida que girava, as formas começaram a assumir um aspecto diferente.
As montanhas e as colinas começaram a se elevar, e as águas brotaram e fluíram torrenciais, e nesta hora vimos miniaturas de cidades, e cada detalhe das construções. Ainda mais detalhado tornouse este modelo da terra, até que pudemos ver as próprias pessoas, primeiramente em multidões e depois individualmente. Será muito difícil que você entenda que, num globo de aproximadamente, talvez, oitenta a cem pés de diâmetro, pudéssemos ver os homens e os animais individualmente. Mas isso é parte da ciência desta instituição – permitir que estes detalhes sejam vistos individualmente. Ainda mais distintas tornaramse estas maravilhosas cenas, e, enquanto o globo girava, vimos homens apressados nas cidades e outros trabalhando nos campos.
Vimos os espaços amplos das campinas, desertos, florestas e os animais rugindo nelas. E conforme o globo girava, vimos os oceanos e os mares, alguns muito plácidos e outros revoltos e ruidosos, aqui e ali um navio. E toda a vida da terra desfilou diante de nossos olhos. Assistimos a isso durante muito tempo, e nosso amigo que pertencia a este departamento falou conosco, estando ele embaixo do balcão onde nos sentamos. Ele nos contou que o que víramos era a terra da forma que estava naquele momento.
Se desejássemos, ele nos mostraria agora a regressão das eras desde o presente até o início do 50 – Reverendo G. VALE OWEN ser humano como um ser inteligente. Respondemos que realmente ficaríamos felizes se víssemos mais deste fenômeno maravilhoso e belo, e ele nos deixou para ir, suponho, até o aparelho pelo qual controlava estas cenas. Devo parar por aqui para explicar um tema que vejo presente em sua mente. O local não era escuro, mas iluminado em todos os lugares.
Mas o globo em si brilhava com uma intensidade extra tal que, apesar de não ser uma sensação desagradável, obscurecia tudo que fosse exterior à nuvem azul, nuvem esta que parecia ser a circunferência da radiação refulgente emitida pelo globo. Logo, então, as cenas começaram a mudar na esfera girando, e fomos levados de volta a milhares de anos na vida da terra, com as gerações dos homens, dos animais e da vida vegetal que existiram, desde o presente até a época em que os homens acabavam de sair da floresta para assentarem–se em colônias nas planícies. Devo explicar aqui que a história não seguiu como os historiadores fazem. Estes fenômenos não foram de nações ou séculos, mas de aeons e espécies. Os períodos geográficos desfilaram diante de nós, e foi muito interessante observar aquilo que os homens chamam de Idade do Ferro e a Idade da Pedra, a Glaciação, as enchentes, e assim por diante.
E aqueles de nós que conheciam o suficiente para seguilas, perceberam que estas idades foram arbitrariamente chamadas desta forma. A Glaciação, por exemplo, deve descrever corretamente o estado das coisas em uma ou duas regiões da terra, mas não significa que houve gelo em todos os lugares, como verificamos enquanto girou a esfera. Também percebemos que muito frequentemente um continente estava em uma era, e outro em outra era, na mesma época. A exibição terminou, entretanto, quando a terra já estava bem evoluída, e, como já disse, o advento do homem já era um fato consumado. Quando já satisfizéramos nossos olhos por uns tempos, vendo a beleza desta joia multicolorida e mutante, e percebêramos que ela era de fato a velha terra que pensávamos conhecer bem, e vimos que conhecemos tão pouco, o globo gradualmente tornouse menor e flutuou de volta para o nicho da parede, e então a luz desapareceu dentro dele e ficou como um alabastro encravado, exatamente como havíamos visto no começo, como um ornamento.
Ficamos tão interessados naquilo que havíamos visto, que questionamos nosso bondoso guia, e ele nos contou muitas coisas sobre este hall. A esfera terrestre que acara de ser usada poderia ser colocada para servir a outros propósitos mais do que aquele que havíamos visto. Mas este uso foi selecionado por ser pitoresco para nós que não éramos conhecedores de ciências. Entre os demais usos estava o de ilustrar a relação entre os corpos celestes um com o outro e sua evolução até o presente estágio. Nesse uso, claro, o globo que acabamos de ver funcionando desempenharia seu papel apropriado.
Os animais nas paredes eram também usados para um propósito semelhante. Cada um seria vivificado por estes raios poderosos e trazido até o centro do hall. Quando estivesse pronto, poderia andar por si mesmo, como um animal vivo, o que de fato estaria, por certo tempo, e de uma certa forma restrita. Quando ele subia numa plataforma no espaço central, era tratado pelos raios amplificadores – como posso chamálos, já que não sei o seu nome científico – e por outros que o tornariam transparente, e todos os órgãos internos do animal tornavamse plenamente visíveis aos estudantes reunidos. Os que eram daquele departamento disseram que era uma visão muito bonita observar todo o âmbito dos sistemas ativos de um animal, ou de um homem, assim dispostos.
Também era possível promover uma mudança no modelo vivo, para que ele começasse a evoluir para trás – oudeveria dizer “involuir”? – até seu estado mais simples e primário, e assim por diante. A história estrutural dos animais como um todo era mostrado neste processo ao vivo. E frequentemente quando o primeiro período de sua existência como uma criatura distinta era alcançado, o processo revertiase, e passava através de eras diferentes de desenvolvimento, desta vez em sua ordem e direção corretas, até que 51 – A VIDA ALÉM DO VÉU chegasse novamente a ser o que é hoje em dia. Também era possível para qualquer estudante se encarregar disso e continuar o desenvolvimento de acordo com suas ideias, e isto não só com os animais, mas com os corpos celestes e também com as nações e povos, que são tratados em outra ala, entretanto, adaptada especialmente para tal estudo.
Foi um estudante de um destes estabelecimentos, na mesma região, que construiu o globo no jardim das crianças, do qual já lhe falei. Mas é, claro, uma forma mais simplificada, ou pelo menos assim nos pareceu, depois que visitamos esta colônia de belezas e maravilhas. Isto tudo deverá ser suficiente por agora, apesar de haver muito mais além do que vimos enquanto estivemos lá. Mas não recomeçarei, senão vou ocupálo por tempo demais. 3 Você tem uma pergunta . Sim, eu estava presente na segundafeira em seu Círculo de Estudos.
Eu soube que ela me viu, mas não consegui fazêla ouvirme. Boa noite, querido. Estaremos juntos amanhã. Segunda, 13 de outubro de 1913. Nós tivemos mais uma experiência naquela colônia que eu gostaria soubesse.
Foi sobre uma coisa que era nova para mim, e muito interessante. Estavam sendo mostrados para nós os estabelecimentos diferentes que formavam um completo conjunto, quando chegamos a uma espécie de pavilhão a céu aberto. Era composto principalmente de um domo circular alto, apoiado em elevados pilares, e o espaço interior era aberto. No centro da plataforma, à qual subimos por um lance de escadas que estava em torno de todo o prédio, havia uma espécie de altar quadrado, de quatro pés de altura e três pés de aresta na base. Ali estava uma placa, algo como um relógio de sol, enfeitado com linhas, símbolos e figuras geométricas diferentes.
Sobre o centro do domo havia uma abertura que levava, como nos disseram, a uma câmara onde os instrumentos usados ali eram controlados. Pediramnos que ficássemos em torno do mostrador (desta forma eu o chamarei) e o nosso guia nos deixou ali e, saindo, subiu em cima do domo, entrando no compartimento acima de nós. Não sabíamos o que ia acontecer, e por isso ficamos encarando o disco. Nesta hora o lugar mudou de aspecto, oar pareceu mudar de cor e intensidade. E quando olhamos para cima de nós, vimos que a abóbada desaparecera, e entre os pilares estendeuse o que pareceu ser uma textura em forma de cortinados.
Eles eram de matizes variados, todos entrelaçados, e, quando olhamos em torno, pareceu que se separaram por cores e então tomaram formas mais definitivas. Isto continuou até que nos vimos numa floresta, cercados de árvores balançandose gentilmente pela brisa. Então os pássaros começaram a cantar, e vimos sua plumagem brilhante, à 3 A referência ao Círculo de Estudos pede uma nota de explanação. Foi na segunda‐feira anterior. Sentei‐me no Santuário, entre as grades, e os membros encaravam‐se uns aos outros nas cadeiras do coro.
A senhorita E... sentou‐se à minha direita no final do Santuário da manjedoura. Ela depois havia me contado que, quando eu assumi o debate, viu minha mãe vindo do altar até chegar atrás de mim, com os braços abertos e o rosto expressando uma saudade imensa e amor. Estava bem brilhante e linda, e seu corpo parecia tão materializado quanto o de qualquer um dos presentes. A senhorita E. achou que ela ia me tomar em seus braços, e estava tão vívida que ela esqueceu, por momentos, que a forma não era de carne e sangue, apesar de não ter sido vista pelos outros. Ela esteve por gritar quando rapidamente se recompôs, tendo que disfarçar sua exclamação.
Era sobre isto que desejei fazer uma pergunta – George Vale Owen. 52 – Reverendo G. VALE OWEN medida que voavam de uma a outra árvore. Gradualmente vimos a distância aumentar entre as árvores e pudemos enxergar a floresta por dentro. O domo havia sumido também, e o céu estava aberto sobre nós, exceto onde as árvores cobriamnos comoum dossel. Voltamos ao altar e ao disco.
Estavam ainda em seus lugares, mas as figuras e os signos do altar estavam agora brilhando com uma luz que parecia vir de dentro dele. Então ouvimos a voz de nosso guia dizendonos, lá de cima, que observássemos e tentássemos ler a placa. Quase nada pudemos fazer a princípio, mas finalmente um do nosso grupo que era mais inteligente que os demais disse que os signos eram verdadeiramente representações dos vários elementos que compunham os corpos animais e vegetais dos reinos espirituais. É difícil explicar o modo pelo qual a conexão entre os dois apareceu a nós. Mas uma vez desvendado, tornouse claro que assim era.
Agora nosso guia ajuntouse a nós mais uma vez, e explicou o uso do edifício. Pareceu que antes que os estudantes pudessem progredir bastante na ciência da criação, como é estudada aqui nesta região, eles devem penetrar no conhecimento dos elementos fundamentais com os quais lidarão. Isto, claro, é bem natural. Este prédio é um dos primeiros aonde eles vêm estudar; na mesa, ou mostrador, há uma espécie de registro dos elementos nos quais o estudante lá em cima, na câmara onde os instrumentos de controle estão, pode ver a combinação dos elementos que ele fez, e também a proporção de cada elemento pertinente a esta combinação. Nosso guia era bem adiantado nesta ciência, e idealizou a cena da floresta com muita perícia.
Conforme os alunos vão progredindo, capacitamse gradualmente a atingir o resultado que esperam sem o aparato científico que no início foi necessário. Instrumento após outro são deixados para trás até que finalmente sejam capazes de dependerem somente de suas vontades. Perguntamos ao nosso guia qual seria o propósito prático aplicado quando esse conhecimento fosse atingido. Ele nos respondeu que o primeiro uso era treinar a mente e a vontade do aluno. Este treino era excelente e muito extenuante.
Quando o aluno se tornasse perito, mudaria para outro colégio nesta região, onde outro ramo da ciência era ensinado, então teria que passar por muitos outros estágios de treinamento. O verdadeiro uso deste conhecimento não lhe apareceria até que passasse por muitas esferas de progresso. Na mais alta destas esferas, serlheá permitido que acompanhe algum grande Mestre, ou Arcanjo, ou Poderoso (não conheço o título correto e exato) em uma de suas missões de serviço na Criação Infinita do Pai Único, e ali testemunhará o sublime processo de trabalho. Pensamos que poderia ser a criação de algum novo cosmos ou sistema, material ou espiritual. Mas este reino é tão acima do que estamos agora que temos apenas uma ideia genérica das obrigações destes Seres Elevados, e é para algumas eras de progresso daqui até lá, se nossas estradas estiverem na direção deste sistema particular dos Céus.
E as chances indicam que, para nós cinco mulheres que visitamos o lugar que estou descrevendo, nosso caminho progressivo levanos a outros rumos. Mas amamos saber sobre coisas diferentes sobre as esferas diferentes de serviço, mesmo que estejamos destinadas a nunca sermos escolhidas para eles. Não poderemos ser criadoras dos cosmos, suponho, e há outras coisas da mesma forma necessárias, grandiosas e gloriosas, sem dúvida, nestes longínquos alcances além de nós, mais próximos do Trono e da habitação d’Ele Que é tudo em tudo para tudo. Conforme retornamos através do amplo campo gramado, encontramonos com um grupo destes mesmos estudantes que haviam estado em outro colégio, para estudarem outros ramos de ciências. Não eram todos homens, alguns eram mulheres.
Perguntei a elas se seus estudos seguiam a mesma linha que de seus irmãos, e elas responderam afirmativamente, mas acrescentaram que enquanto os alunos visavam principalmente a parte puramente criativa, a elas era permitido somar e contornar o trabalho com seu apelo de maternidade, e estes dois aspectos mesclados evidenciava a beleza do trabalho 53 – A VIDA ALÉM DO VÉU terminado–isto é, terminado tanto quanto possível, condicionado pelas limitações de suas esferas atuais. Porque aqui não eram esferas de muita perfeição nas realizações como eram, com o progresso, estas esferas mais altas. Nesta hora voltamos para a primeira colônia onde encontramos nosso instrutor da região circular. Por que não me dá seu nome? 4 Seu nome era Arnol , mas estes nomes soam estranhamente aos ouvidos terrestres, e as pessoas estão sempre tentando descobrirlhe algum significado, eis o porquê de ficarmos sempre constrangidos ao dálos. Os significados são na maioria incompreensíveis a vocês, por isso diremos apenas o nome no futuro, como você assim deseja, e deixaremos assim.
Bem, isso economiza muito vocabulário, não é? Sim, e se vocês tivessem entendido as condições sob as quais nós lhes passamos estas narrativas, provavelmente diriam que quanto mais longe, mais certa seria a rota. Lembremse de nossa experiência e dos ensinamentos da região de Arnol. O que torna tão difícil a vocês darem seus nomes? Ouvi dizer desta dificuldade mais de uma vez.
Há também uma dificuldade na explanação desta dificuldade – do seu ponto de vista um tema tão aparentemente simples. Coloquemos desta forma. Você sabe que entre os antigos egípcios o nome de um deus ou deusa era muito mais que um nome, como entendido pelos duramente materialistas anglosaxônicos, de cuja raça veio o questionamento: “O que há em um nome?” Bem, do nosso ponto de vista, e também dos antigos sábios do Egito, baseados nos dados obtidos deste lado do Véu, há muito em um nome. Mesmo na mera repetição de alguns nomes há poder real, e algumas vezes perigo. Isto sabemos agora, o que não sabíamos na terra.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.