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Capítulo 70 de 87

Parte 70 de 87

A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro

Somente quando opuserem sua linha de visão na direção de sua passagem, quando ficarem  neste lado da terra que faz face em direção do sol, realmente dirão que estes raios são  doadores de luz. Naquele quadro, os raios de luz são retratados em todos os seus aspectos. O  resultado foi que vimos aqui o universo como de fato o vemos do lado espiritual da vida. Não há escuridão, mas somente luz em seus diferentes aspectos e fases. E através destas  grandes profundezas de luz e radiação, eu podia ver os sóis e seus mundos em seus cursos  celestes,  movendo­se  na  majestade  de  sua  graça  firme.

Era  muito  informativo,  como  também eram todos os temas naquela pintura; e eu fiquei ali por algum tempo para poder  assimilar seu significado. Descrevi esta experiência em alguns detalhes com um objetivo, meu filho. É para  que pudesse lhe contar sobre o uso para o qual tais pinturas são feitas. São usadas como  modelos para que alunos os estudem. Estes mostraram o trabalho mais íntimo, na terra,  daquelas correntezas de influência geradas aqui por nossos químicos, biólogos e outros  grupos de trabalhadores.

Se os homens estivessem sintonizados adequadamente a nós,  então as várias atividades da terra trabalhariam como aqui retratadas, sempre como os  céus declaram a Glória de Deus; a qual era o motivo do rio amarelo, ou dourado, do  painel. A humanidade está andando neste caminho, mas ainda está longe do ideal. Mas tempo  chegará em que esta pintura arderá e cintilará em toda sua alegria, a luz celeste sensível à  alegria da terra no perfeito serviço do homem no Reino de seu Deus. Quarta, 14 de janeiro de 1920. Quando acabei de ver este quadro, percebi que estava sozinho na Pérgola.

Então  fui adiante, até chegar num arco à minha direita e um lance de escadas além, que levavam  para o jardim abaixo. Podia ouvir as risadas e as vozes de meu grupo. Então desci e andei  ao  longo  das  alamedas  em  sua  direção. Em  ambos  os  lados  havia  cerca  viva,  moitas  floridas e árvores em flor. Cheguei finalmente por um caminho em curva que, do meu lado  direito, dava para um Jardim de Recreio.

Era uma área grande, de quarenta e cinco jardas  de diagonal, um círculo irregular bem cercado de verde como nos passeios. No meio havia  uma Fonte com sua bacia embaixo, cuja beirada ficava na grama que atapetava este  anexo. Perto  desta  Fonte  estavam  os  meus  companheiros  em  grupos  e  algumas  mulheres,  em  um  número  de  aproximadamente  o  dobro  do  nosso. Wulfhere  estava  conversando com outra mulher perto das bordas do círculo, ela também uma líder, como  rapidamente pude perceber pelas roupas e pelo aspecto geral. Agora voltei­me em direção às águas caindo, buscando a causa de tanta alegria.

Era algo que me deixou perplexo. Eu escutei as gargalhadas e, como havia percebido  quando estava chegando pelo jardim, como agora também, entre aquelas vozes de homens  e mulheres também estavam misturadas vozes de crianças. Disto não havia dúvida. Mas  onde as crianças estariam, isso me confundia muito, pois não havia crianças à vista em  todo o Jardim de recreio. Suas vozes vinham de onde a Fonte funcionava, e fui até lá. 375 – A VIDA ALÉM DO VÉU  Quando cheguei perto dos grupos, os membros viraram­se e olharam para mim, e seu  divertimento aumentou quando viram minha expressão de perplexidade.

“Arnel, meu irmão”, disse um de meus amigos, “aqui está o que se fazer. Estas  jovens senhoritas são culpadas de um sério lapso em suas tarefas. Talvez possa vir ajudá­  las a se emendarem”. “Joseph”,  respondi  a  ele  –  ele  era  um  dos  mais  jovens  irmãos –  “você  me  dá,  partindo de seu bom coração, uma tarefa tão agradável que você mesmo, garanto­lhe,  avidamente tentaria. Isto não lhe daria méritos por uma recusa.

Além do mais, Joseph, meu  filho, estas jovens senhoritas parecem­me encarar seus problemas muito bravamente. Qual  é o crime de vocês, minhas jovens pecadoras, que nem Joseph pode remediar, e do qual  também vocês mostraram sinais tão incomuns de penitência?”  Então uma delas veio me minha direção e, colocando sua mão em meu braço,  virou  seu  lindo  rosto  cheio  de  ironia,  e  disse,  encenando  choro,  “Por  favor,  senhor,  incorremos em uma grave falta. Perdemos as crianças”. “Que crianças são estas?” eu disse, zombando com severidade. “As que tínhamos ao nosso encargo, senhor”. disse ela.

“Estavam brincando por  aqui depois das aulas. São boas crianças e não desobedecem. Então, quando passeávamos  em volta deste jardim, descobrimos que elas não nos seguiram. Corremos para cá e não as  achamos”. “Mas, quando vinha para cá escutei suas vozes muito claramente”, eu disse.

“Isto é verdade, senhor”, respondeu ela, também nós escutamos. Mas onde estão  as crianças?”  Desde  que  havíamos  começado  nossa  conversa,  nenhuma  risada  de  criança  interrompera­nos. Mas eu sabia que elas estavam perto e estavam escutando tudo que  dizíamos. Indubitavelmente, depressa percebi que de vez em quando um sussurro abafado  vinha da direção da Fonte e, agora e novamente, uma risada de criança, baixa e irresistível,  rapidamente sufocada. Então eu disse, “Com sua licença, boa senhorita, este problema me agrada e sinto­  me desejoso de tentar uma solução.

Por isso, dê­me tempo para pensar um pouco sobre isto  e farei o que possa, já que seria uma vergonha para minha idade madura se não fosse  capaz de desvendar este mistério, como penso que fizeram”. Então, enquanto ela voltou para suas companheiras, eu me aproximei da base da  bacia para tentar minha sorte neste jogo. A Fonte, você deve saber, foi projetada e mantida  pela instituição da qual este anexo fazia parte. Um dos departamentos ocupava­se em  ensinar crianças de alguma forma mais adiantadas. Era o que chamariam, um Colégio  misto.

O desenho da Fonte, então, expressava uma fase de seus estudos. Era feita para  representar uma colina em miniatura encaixada em um gramado e uma pequena floresta,  onde se escondiam grupos de animais e pássaros. Conforme inclinei­me para ficar mais próximo, pude examinar de mais perto este  santuário. Era bem concebido, mas a execução carecia de acabamento. Verdadeiramente,  eu poderia nomear a maioria dos animais que o escultor esforçara­se por expressar; mas  foram rudemente feitos, e alguns eram quase que grotescos, e a parecença ao original era  sofrível.

Mas fiquei cauteloso em tirar minha conclusão. Eu sabia que um trabalho tão mal  feito na Esfera Sete era, no mínimo, incomum. Devia haver uma razão para isto. Justamente quando eu estava pensando bem profundamente, veio da boca de um  jacaré bem em frente de mim, do outro lado da água, um alto e terrível urro. Mas a voz não  era de nenhum lagarto jamais criado.

Era uma imitação passável do urro de um tigre. “Ai, há cinco neste um aqui, dizem­me eles, e pelo estrondo que saiu quase posso  acreditar nisto”, disse Joseph em meu cotovelo. Antes que ele me dissesse, eu já havia desfeito meu enigma. As crianças estavam 376 – Reverendo G. VALE OWEN  dentro daqueles monstros de pedra.

Virei para o interlocutor com um sorriso. “Joseph, meu  jovem amigo”, disse­lhe eu, “você disfarça mal. As que lhe disseram isto, percebo, são as que  tão tristemente lamentam a perda de seus jovens encarregados. Então há cinco jovens  tigres dentro deste pobre jacaré? É?

Bem, e quantos há, pense, naquele avestruz?”  “Irei  agora  mesmo  perguntar  para  o  senhor”,  ele  respondeu  com  mansidão  perfeita demais para ser real, e voltando­se, andou sisudo para um dos grupos de moças  um pouco apartadas. Bem, tudo foi satisfatório, mas não resolveu meu enigma. Também aqui faço  minha  confissão  que  fiquei  estancado  naquele  ponto;  porque  não  tinha  dados  para  trabalhar neste assunto. Isto foi superado quando o grupo voltou a mim com Joseph e,  ficando com pena demeu espanto, explicaram o caso desde o começo. Parecia que estas crianças, um grupo de uns cento e cinquenta, tinham, como  seria a contagem na terra, idades entre dez e dezesseis, meninos e meninas.

Nesta idade, se  as  crianças  vieram  para  cá  na  época  de  bebês,  ou  se  vieram  mais  tarde  e  são  de  excepcional habilidade, são evoluídas o suficiente para começarem o curso mais intrincado  de  estudos  da  criação. Em  outras  palavras,  tendo  sido  ensinados  a  eles,  nas  escolas  inferiores,  os  princípios  criadores  da grama,  árvores  e,  finalmente,  flores  e  frutas,  eles  começam a aplicar seus conhecimentos no mundo animal. Este grupo de estudantes tinha trabalhado nos mamíferos e tinham tido uma  lição prática dos métodos criadores, antes de serem mandados para sua demonstração no  Jardim de recreio. Aqui eles tinham arquitetado um projeto audacioso e puseram­no em execução  imediatamente. Era nada menos que a desmaterialização de toda a Fonte e a recriação  dela com eles mesmos dentro dos animais.

Na primeira parte saíram­se maravilhosamente bem, porque todos eram bem  habilidosos e práticos. Mas quando a tarefa de reconstrução começou, viram que tinham se  esquecido de uma dificuldade. Teriam que recriar estes animais, eles mesmos estando em  seus interiores. Isto foi o que os incomodou. Eles perseveraram, contudo, e focaram seus  esforços  evidentemente  muito  orgulhosos  de  seu  empreendimento.

Porque  os  barulhos  destes pobres animais que emitiam de suas bocas, seja lá o que se dissesse a respeito de sua  verossimilhança, não falhava em vigor nem no tom de completa satisfação por tudo estar  bem, e também de orgulho pelo empreendimento. Você vê, meu filho, estando dentro dos  animais,  eles  não  tiveram  noção  de  que  cada  animal  não  era  uma  peça  perfeita  de  trabalho, como desejaram que fosse. Este fato entretanto, somou muito em divertimento a nós, seus adultos, e também  foi adotado e usado mais tarde em seus próprios estudos para somar em conhecimentos e  habilidades. Quinta, 15 de janeiro de 1920. Outro  contratempo  nos  esperava  para  aumentar  de  tamanho  o  nosso  divertimento.

Quando as crianças se fartaram de se divertir e percorreram todo a gama  vocal dos mamíferos, e outros do reino animal, pararam para descansar. De um barulho  como o que eles fizeram, penso que aquele ponto de recreio nunca tinha tido notícia antes. Tendo realmente nos entretido com seus duetos ou quartetos, ou um ocasional solo, de  acordo com sua própria ideiapeculiar de que voz de algum animal em particular teria, eles  nos deram um longo e alto acorde em concerto, para reunir todos os procedimentos. Isto terminado, para o pesar deles mas não o nosso, iniciaram ali o próximo ato. Era de desmaterializar o conjunto de bichos para saírem dali, por assim dizer, e então  recolocar o grupo na ilha pela rematerialização.

A primeira parte foi facilmente realizada. 377 – A VIDA ALÉM DO VÉU  Os animais começaram a derreter e sumir na invisibilidade. O primeiro a ir­se foi o jacaré. Havia cinco dentro dele, concentrados em sua  destruição, e tinham que ser os mais velhos, e portanto os mais adiantados nesta ciência. Por isso ele dissolveu rapidamente, em obediência às suas vontades. Todos nós estávamos  em torno da Fonte, próximos à base, esperando pela saída destes jovens cientistas.

Bem,  como eu disse, o jacaré foi o primeiro a ir. Mas quando os jovens levantaram­se livres –  eram dois meninos e três meninas – olhamos pasmados e boquiabertos de espanto por  alguns momentos. Então, percebendo a razão de seu apuro, caímos na risada. Eles estavam  nus, sem nenhum trapinho, nem um pedacinho de pano sobre suas formas ossudas. A princípio eles nos sondaram com alguma hesitação, imaginando o que estaria  errado.

Mas, quando olharam uns para os outros, entenderam a fonte de nossa surpresa. Apesar disso, embora perplexos pela aparência, participaram de nossa risada ao saberem  que o que acontecera logo poderia ser remediado. Por isso ajuntaram­se a nós com suas  gargalhadas e assim, tendo substituído os mais velhos no lugar de vítimas, ficamos todos  muito alegres. Aqui devia ensinar­lhe muitas lições, meu filho, tomando todo o acontecimento  como se fosse uma parábola. Mas não o farei, entretanto, apenas passarei duas que o  ajudarão em seu conhecimento da vida e da ciência por aqui nos céus, aonde chegará um  dia.

Deixe­me reproduzir a cena para você. Havia uma Fonte no meio do Parque. Em  torno da beira da água estava agrupado um bom número de jovens e moças com alguns  mais velhos entre eles. Sobre a ilha ficaram cinco jovens de idades entre dezesseis ou  dezessete anos. E eles estavam nus.

Provavelmente a primeira palavra que vem à cabeça do leitor comum da vida  terrestre  seria  “Vergonha”. Quero  falar  disso  bem  clara  e  enfaticamente. Não  ficou  enrubescido nem pensou em vergonha nenhum de todo o grupo dos dois lados da água. Não há pecado aqui na esfera Sete. Onde não há o pecado, a vergonha não tem base e não é  encontrada.

Não temos pessoas pudicas na Esfera Sete. Não; quando estes cinco viram o  que havia acontecido em seu experimento atrevido numa ciência há pouco aprendida, eles  primeiramente ficaram atônitos e um pouco chocados, depois divertiram­se muito. E então,  vendo que foram os primeiros a se livrarem de suas prisões, sorriram e fizeram sinais uns  aos outros para ficarem em silêncio. Assim observaram os outros saindo para a luz do dia  enquanto os  animais  viravam  nada,  um por  um. Enquanto  cada  grupo  chegava,  cada  criança no mesmo estado de nudez, eles esperavam ansiosos pelo olhar de assombro que  denunciaria as mentes de seus companheiros neste infortúnio quando eles dessem nossa  reprimenda aos seus amigos.

Eles não ficaram desapontados. Enquanto grupo após grupo  vinham  voltando,  eles  esperaram  cada  um  e  primeiro  deram  uma  pausa,  mas  depois  irromperam  em  gargalhadas,  uma  mais  alta  que  a  outra,  conforme  a  fila  dos  mais  adiantados era aumentada pelos retardatários a cada instante. Finalmente estavam todos livres, uns cinquenta ou mais deles. Então as crianças  mais velhas levaram os menores pelas mãos e vadearam pela água e vieram até o nosso  lado. E agora ficaram pouco à vontade por causa da perda de sua roupagem.

Você  pode ficar imaginar o por quê, já que eu eliminei da contagem uma das razões que seria  obtida na terra. Explico­me. Você  sabe  que  o  vestuário  aqui  não  é  o  que  é  para  vocês. É  parte  de  nossa  personalidade; é, num sentido muito real, nosso caráter, expresso e visível. Mas é mais que  isso.

Naquele Jardim, com lazer com sua única ocupação, estas crianças seriam desvestidas  quase  completamente,  ou  nuas  como  estavam. Mas  quando  um  trabalho  mais  sério  estivesse  sendo  realizado,  ou  se  suas  obrigações  levassem  todos  para  fora,  então  descobririam  esta  falta  de  cobertura  como  sendo  um  obstáculo  bem  real. Não  posso 378 – Reverendo G. VALE OWEN  explicar adequadamente isto a você, é uma das coisas que diferenciam em condição entre  nós e vocês que fica inexplicável. Pense nisto, entretanto, depois desta colocação.

Cada um de vocês no corpo de carne têm uma aura. Se ela fosse tirada, logo  sentiriam sua falta. Ficariam confusos em sua consciência, e sua atividade mental seria  mais  retardada. Também  sentiriam  uma  indiferença  esquisita  em  relação  às  outras  pessoas, comose elas e vocês não estivessem juntas na mesma esfera de atividade. Ou, para falar em materiais mais densos: Imagine sua epiderme sendo removida  de seu corpo.

A perda de uma cobertura externa não seria agradável de se contemplar,  mas,  se  seu  ambiente  fosse  suficientemente  quente,  e  compatível  em  outras  formas,  nenhum dano mais  grave atingi­lo­ia. Pois  a  derme  serviria. Mas  se  você  tivesse  que  realizar alguma tarefa mais rude num clima diferente, isto seria seriamente inconveniente. Em algumas formas, entretanto, a condição de desvestidos destas crianças da  mesma forma afetá­los­ia. Por esta razão nosso primeiro cuidado foi arrumá­los diante de  nós e, somando nossas vontades às deles, tornamos a revesti­los como estavam antes de se  aventurarem nesta tão grandiosa empreitada.

O  outro  fato  que  vou  lhe  explicar  é  como  esta  involuntária  perda  de  roupa  aconteceu. Posso fazer isto com muita rapidez. A tarefa a que se propuseram estava na  vergência  da  circunferência  de  seus  poderes. Ela  requis  esforços  tão  extenuantes  e  sustentados que eles extrapolaram seus recursos normais e, em sua intensa preocupação  de continuarem em seus esforços, pressionaram suas vestes espirituais também. Pois, como  já disse, estas roupas são uma extensão de nossas corpos e inerentes à sua composição.

A próxima coisa a ser levada em conta era a rematerialização – ou, como você  diria, a reereção – do grupo na ilha. Não vou detalhar isto a você. Foi feito com a nossa  ajuda, dos mais velhos. Mas não foi feito na sua perfeição anterior, em linhas e curvas. Então chamamos o escultor original e ele suprimiu nossas falhas. 379 – A VIDA ALÉM DO VÉU VI CRIAÇÃO E CRESCIMENTO  Terça, 20 de janeiro de 1920.

Há  um  caramanchão  naquele  Jardim  de  Recreio,  muito  repousante  e  aconchegante. Nele,  Wulfhere  então  chamou  suas  moças  e  elas  sentaram  nos  lugares  gramados que havia em três lados do quadrado, o quarto era aberto para o Jardim. Ela  mesma sentou­se próxima ao lado aberto, e do lado direito, se visto de dentro. As crianças  deitaram­se sobre a grama da entrada, na extremidade dolimite. Ela dirigiu­se desta maneira a eles, “Vocês se comportaram regiamente, meus  pequenos.

Invadiram o Reino de outra pessoa, desmancharam e demoliram o seu trabalho  manual, e reconstruíram­no a seu bel prazer. Tão gentilmente o perigo trabalhou em seu  encalço, que segurou acorrentados os seus desejos e, apesar de que a experiência trouxe­  lhes conhecimento, os desastres não puderam se aproximar de vocês esta noite. Agora vou  dar­lhes mais outras interpretações e, quando o problema estiver resolvido diante de vocês,  escutarei de sua sabedoria então. “Há muito, muito tempo atrás, um grupo de senhoritas veio até aqui de uma  região distante, desta mesma esfera. Tinham sido mandadas para que pudessem procurar  por um local onde estabelecer uma nova colônia de estudantes exatamente como vocês.

Disse uma delas, quando chegaram, ‘Penso, minhas irmãs, que a beira da praia seja o lugar  mais adequado, porque o que estes jovens têm que aprender é sobre o começo da Ciência  da Criação. E em primeiro lugar, foi dali, para fora das águas, que saíram os primeiros  seres viventes que, evoluindo, povoaram a terra com a humanidade’. “Então  foram  para  a  praia. Mas  embora  tivessem  feito  buscas  cuidadosas,  nenhum bom lugar pôde ser descoberto. Porque não poderiam construir sua escola sobre o  fundo do mar, já que os jovens que tutelavam não eram animais das profundezas onde  aquele início poderia ser estudado com facilidade e perfeição.

“ ’Entretanto’, disse outra, ‘aconselho que busquemos as florestas onde há águas  de riachos e tanques nos quais a vida aquática pode ser encontrada e estudada. Pois lá  também  as  árvores  mostram  a  vida  de  sua  espécie,  e  pássaros  e  animais  silvestres  acrescentarão algo aos seus estudos das águas’. “Então elas foram para a floresta, e viram que, para construir sua escola e casas,  teriam que derrubar as árvores e desviar os cursos d’água para perto das clareiras. A  colônia deveria ser grande e destruiria tanto o crescimento da floresta, que o toda a vida  florestal seria perturbada e as características principais seriam modificadas. “Então  elas  sentaram­se  ali,  entre  as  árvores,  para  falar  de  tudo  aquilo  e,  enquanto estavam sentadas ali, veio um passarinho que, parando num galho de árvore,  começou a cantar.

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