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Capítulo 54 de 87
Parte 54 de 87
A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro
A Cúpula cobre um saguão que é usado para a observação. Este trabalho não é como o que se faz nas alas do Templo do Monte Sagrado para o envio de ajuda e para a manutenção da comunicação, mas é para 288 – Reverendo G. VALE OWEN simples estudo das esferas. Este estudo é elaborado pela classificação numa ciência que é continuamente progressiva, porque as esferas estão sempre se reajustando em seu relacionamento de cada uma com as outras. Portanto não há término na busca do conhecimento nestes reinos celestes.
As quatro Torres têm cada uma um conjunto de prédios próprio. Não posso dar lhe os nomes, mas você pode transcrevêlos como a Torre da Vida Dormente, a qual você chamaria de mineral; a Torre da Vida Sonhadora, que você chamaria vegetal; a Torre da Vida Despertando, a qual você chamaria de animal; e a Torre da Consciência, a qual você chamaria de humana. A Grande Torre é a Torre da Vida Angélica, que observa todas as formas de vida abaixo dela em grau de progresso, e também coroa todas elas. Pois em direção à ordem Angélica está se movendo toda a criação inferior. Estas Torres são servidas pela Casa da Cúpula, e para ela eles se voltam por algum item especial de conhecimento que necessitem em seu trabalho de pesquisa e classificação.
Eles contam com os poderes gerados na Casa da Cúpula para ajudálos naquelas matérias. As quatro Torres são de estilos diferentes, e você saberia rapidamente, quando olhasse para elas da planície, qual ordem da Criação querem descrever. Elas foram desenhadas para este fim. O trabalho realizado dentro delas infusa cada um em sua característica peculiar, e daquela infusão o desenho emerge e tornase o padrão disposto externamente. A Grande Torre é muito agradável de se ver.
É de uma cor que não há na terra; mas chamea de alabastro dourado recoberto de pérolas, e terá uma ideiadela. É quase como uma fonte ampla e esplêndida de gemas líquidas em perpétuo movimento. Mas ao invés da água caindo, ali se dá a harmonia de uma música sussurrada, de tal forma que ninguém pode se aproximar do prédio sem que se modifique, quase para um encantamento em êxtase, pela influência que ela emana sobre tudo. As águas também são lindas, já que dão voltas em torno dos canteiros em flor; e aqui há um córrego, e ali há um lago no qual as Torres, ou a Cúpula, ou alguma preciosidade da arquitetura, é refletida, e permanece em plácida e repousante beleza, como uma criança angelical em seu berço, por assim dizer a você. Vou leválo para a Grande Torre, e perceba um pouco de suas qualidades.
Ela não tem um prédio amplo em sua base, mas lançase por igual desde suas fundações. Ficamos em seu interior e olhamos para cima, e você paralisa pela admiração. Não há chão ou teto entre você e o céu acima. As paredes sobem e sobem e sobem – é quadrada–como um precipício; até o topo parece colocado nos céus entre as estrelas. Bem distante aparece a beira da Torre, quase que além da Torre em si, de tão alta que é.
Mas as paredes não são vazias. A Torre é construída de paredes duplas, e nos quatro lados há salas e saguões e habitações dos Anjos. Assim que se olha para cima, pode se ver uma porta, e então um balcão ou janela suspensa, ou uma ponte ligando uma habitação a outra, numa curva para fora no espaço, ou para dentro novamente para sua destinação. Ou uma linha diagonal na parede mostrará onde um lance de escadas vai de uma casa, ou local de lazer, a outro local. Até mesmo jardins há ali, plantados em amplos canteiros saídos das paredes laterais da Torre.
E tão alta e tão larga é esta grande construção que estes itens, que são de proporção espaçosa quando se aproxima deles, mesmo assim não impedem a visão do céu acima, nem alteram o contorno da abertura no topo. E quando se olha em torno, vêse como a luz altera e se mistura, e intensifica ou desaparece nas diferentes partes da ascensão. Desta forma, em uma casa, conforme o que ela forneça para o bem da Torre, lá parece que brilha o sol do crepúsculo. Em outra, o sol da manhã parece estar surgindo e iluminando o jardim no terraço, com suas belas árvores 289 – A VIDA ALÉM DO VÉU verdes e arbustos, com o lampejo do pôr do sol. Em outra parte da estrutura há um aspecto, um sentimento mesmo, de aurora numa fresca manhã de primavera, com os passarinhos cantando e a ondulação dos córregos na montanha para os prados abaixo –já que a água corrente nãoestá ausente aqui neste lindo lugar.
Música, também, vem de uma ou outra habitação, às vezes de várias ao mesmo tempo, e mesmo porque o interior do prédio é tão vasto, um tema melódico não invade outro. Agora, do que lhe disse – e é apenas um pouquinho do todo – você pode deduzir que se estava em algum lugar onde a inatividade era o principal residente, e a tranquilidade o principal motivo de sua fundação. Mas retome em sua mente ao nome que dei a estas Cinco Torres e verá que não é o caso. Esta Grande Torre supervisiona o trabalho das outras quatro, e a Cúpula puxa daqui o poder requerido para a tarefa. Aqui residem Anjos de elevado grau, num vai e vem de reinos muito altos para darem de sua força poderosa e de sua experiência ampla, para auxiliarem aqueles que agora buscam acertar o passo no caminho que eles trilharam antes, eras atrás.
Estes que habitam nas Quatro Torres e na Casa da Cúpula estão fazendo, na presente eternidade, o que eles mesmos fizeram nas eternidades já passadas, cujos cidadãos passaram pelo ciclo de progresso e deixaram seu lugar para ser ocupado pela raça atual. Você perceberá também que mesmo que seja mais avançado seu trabalho, ainda é o de amparar, e não o de criação de coisas, estando ainda na esfera Dez. Mas conduz para adiante, eeste é um dos lugares mais altos em graduação da Esfera Dez. Você passou por esta Universidade, Arnel? Sim, passei pelos cursos de todas as quatro Torres; este é o caminho usual.
E a Casa da Cúpula? Ali não entrei como estudante, fiz este trabalho em outro lugar. Passei pela Quarta Torre a serviço de um dos Príncipes da Torre dos Anjos. Foi ele que me treinou para atuar no Templo, e ele também, como descobri desde o meu retorno, mandou de seus poderes para ajudar quando estive nos locais mais escuros dos Infernos. Ele prestou este auxílio somando ao dos outros cujo trabalho próprio era este.
As bênçãos de Deus, meu filho. Arnel+ Segunda, 4 de março de 1918. Dentro do distrito da Universidade das Cinco Torres há muito movimento, mas nenhuma pressa. Ao longo dos canais, barcos surgem das alamedas que levam às águas centrais, e levam seus viajantes para as regiões dos vários prédios. Nos terraços e escadarias que descem para o plano das águas há milhares reunindose, cada grupo que chega acrescenta em alegria porque trazem com eles a expectativa de alguma grande Manifestação.
Estes foram convidados para virem até aqui pessoalmente. Pois não são todos os habitantes da Esfera que podem vir a estes confins, mas somente aqueles que estão já evoluídos o bastante. Estando aqueles milhares já reunidos, aí chega uma linha melódica da Torre dos Anjos, e todos prestam atenção para verem o que se seguirá. Eu vou descrever esta Manifestação na ordem. Conforme a música aumentou de volume, a atmosfera acima da Torre formou certa névoa, mas não escureceu tanto que a transformasse.
Tornouse mais transparente, e parecia fluir para cima e para baixo, e para fora e para dentro sobre si mesma, como vidro 290 – Reverendo G. VALE OWEN líquido de muitas cores. Neste instante ouvimos vozes que acompanhavam a orquestra de Anjos. Eles estavam cantando um Te Deum ao Um Único, e para Seu Cristo, Que estava por se manifestar a nós em alguma fase de Seu Ser. Poderia me dar o tema da música deles?
Não, isto não seria possível; vou darlhe uma versão dela, tão boa quanto posso. Aqui está: “Nós, que ouvimos a Vossa Voz distante, conhecemos Vossa arte por Ele, de Quem vem a Melodia, porque, em Vosso Mundo, as eternidades levam em direção à Beleza. “Nós que vimos Vossa Face em Seus olhos, Que sozinho nos mostrou o Senhor, sabemos que Vossa arte é sem forma, e ainda que de Vossa Mente tomou Forma, aquela beleza não deveria seguir nua, mas vestida em roupagens cujo tecido é a luz e sua costura a sombra. “Nós, que sentimos que Vosso Coração está batendo, sabemos que a Beleza é assim concebida para nós porque Vossa arte é a todos Amor; e nenhum amor é, que não seja Vosso. “E de toda a Vossa Beleza apenas podemos conhecer através da Beleza de Vosso Cristo, Que se manifestará a nós, Vossa emanação, na forma que Vós nos destes a ter.
“Inclinamos nossa cabeça em adoração a Vós, pois de Vós somos, e sempre olhamos a Vós, Centro de Vida e Ser. Atrás desta vida exterior Vossa escondese Vosso brilho que jamais nos ferirá. “Assim, o que Vós podeis mostrarnos de Vós, dános agora a nós, que estamos esperando Sua chegada... e... Sua... Paz”.
As últimas palavras foram cantadas muito lentamente, cadenciadamente, e então todos fizeram silêncio e, inclinando a cabeça, esperaram. Então ouvimos Sua voz dizendo, “Paz”, e elevamos nossas cabeças e vimos que Ele estava em pé diante da entrada da Torre dos Anjos. Diante d’Ele estendiase uma longa escadaria, muito ampla, para baixo até o nível da água, e, ajoelhados nos degraus, havia uma grande número de Anjos. Estes residiam na Torre. Eram muitos milhares no total.
Só Ele estava em pé, bem distante do grande arco redondo que dava para a Torre, e, atrás d’Ele, estava outra multidão de Anjos de mais alto grau ainda, que esperavam por Ele em Sua chegada. A Torre agora cintilava como uma chama viva, e lançava chispas de seu fogo para a atmosfera, até que as águas tremeluziram, luzindo como a Torre, parecendo ser iluminada com seu calor. Então Ele elevou primeiro um pé, e depois o outro, e ficou suspenso. E olhamos para o topo da Torre e vimos que a coroa havia mudado, já que agora parecia uma coisa viva. O trabalho em filigrana estava todo em movimento e, ao olharmos, vimos que a coroa de folhas de palmeiras estava rodeada por grupos de anjos.
Eles sentaram em filas ao longo das folhas, e ficaram em curvas sobre o círculo da base, reclinaram sobre os relevos de pedras preciosas. Cada fio da coroa tinha um grupo de anjos, e cada joia seu grupo de serafins, brilhando e flamejando como labaredas de fogo. Lentamente, todo o topo da Torre destacouse e moveuse em direção ao espaço acima do ponto onde Ele e Sua companhia estava. E aí flutuou devagar para baixo, até que permaneceu sobre o pavimento do terraço. Dentro havia milhares de Anjos já, e também fomos convidados para atravessar o córrego de água e entrar.
Quando cheguei à ponta da escada encontrei uma corrente de pessoas, elevadas num êxtase de alegria, entrando no palácio recém disposto. Agregueime a eles e entrei nada temendo, tudo era calma e tão pleno de paz e alegria. Dentro, a Coroa era como um grande hall, muito alto e adornado com pedras 291 – A VIDA ALÉM DO VÉU preciosas e joias da base ao teto. O espaço aberto estava agora coberto com uma névoa iluminada, a qual fez o ambiente sustentarse. As paredes subiram verticalmente para um espaço, e então arquearam sobre si formando arestas entre as abóbadas, e encontraramse no centro em seu ponto mais alto numa joia grande da cor da safira.
Ela era de cristal transparente e tinha a formidável qualidade de refletir os céus de fora, mostrando quem vinha vindo para a esfera e quem saía. A Coroa foi assim remodelada à proporção que descia, porque das outras vezes era quase aberta ao céu acima. Quantos estavam presentes? Não sei dizer. Mas os que vieram com Ele devem ter sido pelo menos um milhar e meio, e nós, convidados, não éramos menos que seis vezes este número.
Lá estavam os moradores da Torre, que eram em número de uns três mil, geralmente. Era uma grande assistência. O objetivo desta Manifestação foi a instrução como a ciência daquela Universidade. Eu havia dito a você o que era. Havíamos procurado nosso trabalho de pesquisa, e acumulamos muito material, e agora Ele viera para mostrarnos como tudo era coordenado com a sabedoria de Deus, conforme se progride para as esferas acima.
Poderia ser mais explícito, Arnel? Isto é muito genérico. Sim, é, meu filho, e sinto muito; mas temo que não possa tornar isto mais simples a você. Tentarei. Para não cansálo demais, direi de uma vez, Ele veio daquela vez como Verbo Divino manifestado.
Você sabe que Verbo foi Quem, quando os mundos estavam sendo criados, foi constituído como o Meio por Quem a energia da Vida de Deus tornouse modificada e condensada naquela via láctea afora, na qual a matéria foi trabalhada e estes mundos foram modelados. O Verbo foi o Agente de Criação. O Pai pensou através do Verbo, e Seu pensamento, em sua passagem através do Verbo, tomou forma de matéria. Este foi o nosso estudo por um longo tempo atrás, e era para que nos ligássemos inicialmente ao estudo do parentesco, mas mais profundo, nos reinos sobre nós, que o Cristo veio agora para nos explicar um pouco mais do que aprendêramos do Verbo em Sua relação como o trabalho do Pai na criação do Universo. Mas mais que isto não posso transmitir a você.
Poderia dar‐me a descrição d’Ele, como Ele veio desta vez? Ficou suspenso no meio do Hall da Coroa da Palmeira, e assim ficou. A princípio não entendi porque teria de ser assim. Mas conforme a Manifestação continuou, vi que qualquer outra posição não poderia estar harmonizada com Seu tema. Não foi meramente uma pose para ensinar pela visão.
Foi por causa do Seu tema que Ele ficou levitado no espaço e, enquanto continuava, Ele se elevou mais até que ficou ali, no meio entre o chão e o teto. É da dinâmica destes reinos, não um caso de escolha, mas de ordem científica. Mais ainda, os Anjos que preenchiam a Coroa do lado de fora eram agora vistos sobre tudo, paredes e Cúpula, dentro, joias vivas que cobriam as paredes como uma tapeçaria viva. Você quer que eu o descreva a você. Sua roupa era uma túnica até os joelhos, de verde líquido, Seus braços nus, sem roupa nem joias.
Uma joiasomente Ele usava. Seu cinto sobre Sua cintura era fechado com uma fivela, e a fivela era uma pedra vermelhosangue brilhante. Ficava no meio de Seu quadril, e nisto há uma poderosa significação, se pensar nisto. Pois, apesar de jamais apartado do Um de onde Ele veio, mesmo assim, em Seu trabalho nestas esferas distantes da Presença do Pai, é uma verdadeira separação. Ele sai adiante, como se de Seu próprio poder, para a batalha com mundos, e deve forçosamente virar Sua face para fazêlo.
Pois Sua vontade deve ser projetada para fora do espírito para 292 – Reverendo G. VALE OWEN a matéria. Isto é o mistério da colocação do rubi. Eu não teria dito isto, mas vi a pergunta em sua mente. Não tinha manto.
Suas pernas estavam nuas abaixo da túnica, e Seus membros e face eram os de um jovem príncipe no pleno poder da masculinidade juvenil. Seu cabelo era solto, partido ao meio, e caíam sobre Seu pescoço em madeixas castanhas onduladas. Não; não posso dizer a cor de Seus olhos – nenhuma que conheçam. Sua mente está cheia de perguntas sobre Ele, meu filho. Estou tentando me manter emparelhado com você nisto.
Bem, quando fala d’Ele sempre sinto que quero saber mais de Sua aparência, como se pudesse ajudar a mim e a outros a conhecê‐lo melhor–Eleem si. Entendo bem. Mas, acrediteme, meu filho, chegará a saber apenas pouco do todo que Ele é enquanto você estiver na esfera da carne, e um pouco mais quando estiver onde estou agora, tão grande Ele é, tão distante de qualquer fórmula que sua limitada teologia do Cristianismo ensina. Eles tentaram aprisionáLo e confináLo em palavras e frases, porém Ele não pode ser assim contido. Ele é livre nos Céus de Deus, e todo o mundo é apenas um grão de areia no chão de Seu Palácio.
Contudo há alguns de vocês que não dariam a Ele a liberdade, nem mesmo a de um pequeno átomo. Não seguirei adiante com isto. Mas, Arnel, em que acreditava quando esteve aqui na terra? No que acabou de escrever eu acredito. Mas acreditava nisto quando esteve aqui, senhor?
Não, para minha vergonha; pois os homens não tinham então libertado a si mesmos das correntes das palavras, nem mesmo o tanto que agora fizeram. Entretanto, meu filho, acrediteme, fui além do âmbito de minha igreja, e preguei o amor numa extensão mais ampla da que eles permitiriam. E por isto sofri. Eles não me mataram, mas insultaramme e fizeram com que me sentisse muito só, mais só do que às vezes você se sente, meu filho. Pois há agora mais o que o mantenha acompanhado do que havia para mim.
E embora eu não tenha alcançado tão longe quanto você agora, ainda assim era muito o que alcancei naqueles dias obscuros. O sol começa a aquecer o horizonte hoje. Era inverno então. Quando foi isso, e onde? Foi na Itália, meu filho, na linda Florença.
E não me lembro quando, mas foi no tempo quando Deus estava fazendo as coisas serem conhecidas, e os homens estavam começando a pensar pensamentos estranhos e audaciosos, e a Igreja fazia carrancas com uma sobrancelha, e o Estado fazia com a outra, e – bem, morri na meia idade e assim escapei de sua inimizade futura. O que você era? Um pastor? Não, meu filho, não fui nenhum pastor. Ensinei música e pintura – eram frequentemente ensinadas juntas naqueles primeiros dias.
Os primeiros dias da Renascença, você quer dizer? Não chamamos assim entre nós. Mas foi o que foi, sim! Deus começou a fazer as coisas conhecidas como Ele está fazendo hoje; e quando Ele estende Sua mão para fazer isto, significa que o homem terá que ajudar, com muito trabalho. Mas eles, no trabalho de renovação, não estão sozinhos –pense na pedra de rubi em Seu cinto, meu filho, e ponha no coração para Sua companhia.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.