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Capítulo 47 de 87

Parte 47 de 87

A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro

Nada sabíamos daquilo até aquela hora, mas  agimos, conforme julgamos, no nosso próprio julgamento das circunstâncias que achamos  por ali. Mesmo assim, foi tudo planejado por aqueles que nos enviaram para lá. E agora, se quiser, poderíamos seguir adiante na nossa narrativa para contar­lhe  alguma coisa dos lugares em que agimos, e das pessoas, suas condições e atitudes, e o que  fizemos  por  elas. À  proporção  que  fomos  seguindo,  encontramos  muitos  daqueles  agrupamentos onde as pessoas de mentalidade semelhante procuram estar juntas. Era  triste vê­las vagando de cidade em cidade em procura de uma companhia que aplacasse  sua solidão e, descobrindo rapidamente que esta concordância de uns para com os outros  não seria suportável de jeito nenhum, vagavam novamente nos desertos para saírem de  perto  dos  que  eles  pensavam  que  ofereceriam  alguma  chance  de  tranquilidade  e  companhia agradável.

Encontramos isto quase em todas as colônias em que havia um comando mental  – e aqui e ali mais que do um quase igual em força de caráter – que dominava o resto, e  escravizava­os pelo pavor que endereçava a eles. Eis um a cuja cidade nós viemos uma vez,  depois de uma longa jornada através de uma região desolada e abandonada. A cidade em  si  foi  construída  com  uma  forte  muralha,  e  era  grande  em  área. Entramos  e  fomos  desafiados pelo guarda no portão. Havia uma companhia de dez na guarda, porque o  portão era principal e largo, com duas asas.

Todos estes homens eram gigantescos em  estatura, e tinham desenvolvido muito a sua maldade. Gritaram para que parássemos, e  nos questionaram, “De onde vieram?”  ”Do nosso caminho na selvageria,” respondemos ao  capitão deles. “E que negócios têm aqui, bons senhores e cavalheiros?” disse ele, já que ele  tinha sido educado na vida da terra e isso ainda ressalta do que foi em suas maneiras, mas  agora estava mesclado com alguma malícia e com escárnio, como nos modos da maioria  destes tristes lugares. A esta pergunta nós respondemos – eu, por todos: “Nós temos uma missão junto  aos trabalhadores das minas, os quais seu mestre escraviza”. “Um fim muito atraente para sua jornada”, disse ele com um tom agradável,  procurando nos enganar.

“Estas pobres almas trabalham muito para estarem prontos para  qualquer bom amigo que aja por eles, sua existência e seus problemas”. “E alguns”, eu disse, “estão também prontos para partir em direção à liberdade  do jugo de seu senhor, o qual, cada um em seu degrau, está interligado a vocês todos”. Num átimo sua face mudou de risonha para fechada e carrancuda, e seus dentes  mostraram­se parecidos  com  os  de  um  lobo  faminto. Mais  ainda,  com  a  mudança  de  humor, ali pareceu descer uma névoa mais escura e assentar­se sobre ele. Ele disse, “Você  está dizendo que estou escravizado também?”.

“Um verdadeiro escravo e cativo de seu  mestre, um escravo ele próprio, condutor de escravos”. ”Esta mentira fará de vocês um de 252 – Reverendo G. VALE OWEN  nós, porque vocês todos virão a ser brevemente daqueles que cavam em busca do ouro e do  ferro para nosso senhor”. Com  isto  ele  se  virou  e  ordenou  a  seus  guardas  que  nos  agarrassem  e  nos  levassem à casa de seu governador. Mas eu fiquei um pouco mais perto dele e pus minha  mão sobre seu  punho  direito,  e  este  contato  foi  angustiante  para  ele,  e  abaixou  sua  pequena espada com a qual tinha apontado para nós. Eu ainda o segurava para que a aura  dele com a minha perturbassem sua alma, para sua agonia, mas não para mim, pois, sendo  de  maior  poder  em  força  espiritual,  continuei  incólume  enquanto  ele  se  angustiava.

Dinâmica espiritual, isto, para ser estudado, se escolher fazê­lo, entre seus companheiros  encarnados. O princípio é o da aplicação universal, como descobrirá se pesquisar. Então eu  disse, “Nós não somos destas esferas escuras, senhor. Viemos de um lugar na luz do sol da  presença Daquele de Cuja Vida você participava e violou tudo por causa de seus propósitos  malignos. Para você ainda não é hora para alcançar a liberdade destas muralhas e da  tirania dos mestres cruéis daqui”.

Então ele saiu da fina casca de seu comportamento e chorou lamentando, “Por  que não posso também ficar livre deste inferno e do diabo que governa aqui? Por que os  outros podem, e eu não?”  E eu respondi, “Você não foi tido como merecedor. Observe o que fazemos neste  lugar, não oponha sua vontade à nossa, ajude­nos a fazermos o que temos à mão para  fazer e, quando nos formos, pondere bem e longamente então, e talvez até você encontre  em nós alguma bênção. Por isso você deveria nos levar às bocas das minas”. “E se não os levar?”  “Iremos sozinhos, e você perderá um benefício”.

Ele  parou  um  pouco,  e  então,  olhando  para  aquilo  que  poderia  ser  uma  oportunidade de um benefício para si, disse: “E por que não? Se há algo que se possa  ganhar, por que não eu aquele que venha a ter esta sorte? E ele será amaldiçoado no mais  profundo de sua maldição se ele apenas se mostrar contra mim ao impedir­me desta vezno  que faço”. Então ele começou a andar e nós o seguimos, ele sempre murmurando, “Ele está  sempre contra meus planos e esquemas. Ele está sempre alerta para me contrariar no que  quero.

Ele não está saciado com tudo aquilo que já fez de maldade contra mim,“ e assim  por diante, até que se virou em nossa direção e disse: “Peço seu perdão, senhores. É o nosso  jeito aqui, frequentemente estamos confusos quando deveríamos estar com as mentes mais  claras. Clima provavelmente, ou trabalho demais, talvez. Sigam­me, por obséquio, e vou  levá­los aonde encontrarão o que procuram”. Leviandade e cinismo e amargura estavam em seu discurso e no que suportava;  mas desde o meu aperto ele estava mais submisso e não mais se opunha a nós, que o  seguimos.

Passamos  por  algumas  ruas  onde  havia  casas  térreas  não  colocadas  em  alinhamento ou padrão, mas com intervalos entre elas, e terrenos baldios onde não crescia  ervas nem vegetação, mas somente uma grama úmida e grossa, ou arbustos com os talos e  galhos retorcidos como se fosse pelo vento siroco que veio sobre nós, agora que estávamos  na  cidade  e  suas  paredes  delimitadoras. Vinha  principalmente  das  minas  das  quais  estávamos nos aproximando. Vimos as cabanas onde os escravos têm um descanso de curta duração, com  longos períodos de labor entre eles. Nós deixamos isto para trás, e logo chegamos a um  lugar onde se abria para nós uma ampla boca de caverna que levava para os lugares  intestinos daquela região. Não andamos quase nada e veio em nossa direção, em rajadas,  um vento de odor tão nojento e quente e fétido que voltamos e paramos por um pouco de  tempo para recuperarmos as forças.

Isto feito, endurecemos nosso coração e fomos para  dentro e para baixo, o Capitão ainda liderando, agora em silêncio e em muita opressão de  espírito, como podíamos saber pelos ombros caídos para frente, mesmo quando descíamos  o caminho. 253 – A VIDA ALÉM DO VÉU  Vendo isto, eu o chamei, e ele parou e olhou para trás e para nós, e sua face  estava agonizante e cinza. Então lhe disse: “Por que você se tornou tão entristecido, meu  guia? Você se pôs num aspecto de dar dó desdeque chegou perto destas minas”. “Senhor”, ele respondeu, e agora submisso, “Uma vez eu fui destes que trabalham  lá com picaretas e pás nestes fornos infernais, e o medo disto vem até mimagora”. “Então procure no mais íntimo de sua alma por um grão de pena por estes que  trabalham aqui agora, onde uma vezvocê sofreu tão dolorosamente”.

Ele  despencou  sentado  nos  pedregulhos  no  lado  da  trilha,  alquebrado  pela  fraqueza, e replicou às minhas palavras com suas próprias palavras estranhas: “Não, de  forma alguma, não há necessidade de terem pena de mim, nem eu deles. Seu destino foi o  inferno, mas a minaé o inferno dez vezes dobrado”. “Como foi que escapou da escravidão, saiu das minas e veio para um tipo melhor  de trabalho para aquele a quem chamamos de seu senhor?”  “Pensei que vocês eram alguém grande em sabedoria”, ele respondeu num sorriso  amargo, “e ainda não entendem que voar de um estado de servidão para outro de maior  grau de autoridade é trocar de camisa com espinhos esarça por outra com teias e trama”. E  então  envergonhei­me  porque  acabara  de  aprender  aquela  lição  além  das  outras já aprendidas na nossa experiência naqueles obscuros tratos no inferno. Eles que  moram ali na escuridão da morte estão sempre procurando porum destino mais brando, e  vasculham qualquer chance de escapar da servidão pela promoção para algum posto de  autoridade.

E quando são promovidos para aquele posto percebem que o encanto se vai  com o miasma do medo, estando mais em contato com o satanás que alcançou o poder  principal por sua brutalidade e sua maldade sem remorsos. Sim, o encanto se vai, e a  esperança morre junto com a ilusão. E contudo mantêm­se na procura de promoções e,  alcançando sua ambição, torcem­se mais em sua loucura desesperada deagonia que antes. Bem,  eu  soube  disto  agora,  porque  estava  incorporado  no  homem  que  se  sentou  ali,  acovardado e enfraquecido diante de mim, com sua miséria de tantas memórias daquele  lugar terrível. Portanto eu disse a ele, sendo muito doloroso vê­lo assim em tão grande  sofrimento:  “Meu  irmão,  a  masculinidade  merece  esta sua  vida?”.

“Masculinidade”,  ele  respondeu, “eu a deixei para trás quando entrei neste serviço aqui – ou foi arrancada por  aqueles que me empurraram para cá. Não sou mais homem, hoje, mas um diabo cujo  prazer  é  ferir,  e  cuja  riqueza  é  somar  uma  crueldade  à  outra,  e  ver  como  os  outros  suportam o que eu suportei”. “E isto lhe dá prazer?”  Por um longo tempo ele ficou silencioso, e finalmente disse, “Não”. Então coloquei minha mão sobre seu ombro, desta vez não opondo minha aura  contra a dele, mas emsimpatia, e disse, “Meu irmão”. Com isto, ele despertou e olhou para mim selvagemente e gritou: ”Você já não  disse  esta  palavra  antes?

Estará  também  escarnecendo de mim como os outros fazem  comigo,ecomo fazemos uns aos outros?”  “Absolutamente não”, eu disse, “você chama aquele a quem serve aqui de seu  senhor. Mesmo assim o poder dele é apenas vão, como é vão o que você recebeu dele em  suas mãos. O remorso está à sua porta agora, mas no remorso não há muito mérito, salvo  aquele  que seja  a  porta  que  dá  para  a  sala  do  arrependimento  pelo  pecado. Quando  tivermos terminado nosso trabalho aqui e o deixarmos, pense em tudo isto que houve entre  você e eu, e que, sabendo de tudo, eu clamei por irmandade a você. Se nesta hora chamar  por mim, mandarei ajuda a você ­esta é a minha promessa.

E agora nos deixe descer ainda  mais para baixo nas minas. Devemos concluir nosso trabalho e seguir adiante novamente. Estar aqui nos oprime”. “Oprime a vocês? Mas vocês não podem sofrer; certamente vocês não sofrem, pois  vieram livremente por sua escolha, enão na esteira de seus crimes”. 254 – Reverendo G.

VALE OWEN  E aí dei­lha a resposta que o ajudaria, se ele a percebesse: “Acredite em mim, meu  irmão, que O vi. Enquanto um de vocês aqui embaixo nestas prisões do Inferno realmente  sofrer, há Um que usa um rubi em Seu ombro, vermelho como sangue. Quando olhamos  para aquele símbolo, e de lá para Seus olhos, sabemos que Ele sofre também. E nós, que em  nosso grau seguimos realmente adiante em nosso empreendimento de salvar os homens,  estamos felizes por Ele nos dar licença para que possamos estar com Ele pelo menos nisto;  que possamos sofrer também, apesar de que não compartilhamos da mesma aflição que a  d’Ele. Então não se espante por sua dor ser a nossa dor, ou que o chamemos de irmão  agora.

Ele, por Seu amor, derramado sobre nós todos num grande mar, fez­nos assim”. Sexta, 11 de janeiro de 1918. Assim continuamos nossa descida, o Capitão indo um pouquinho à nossa frente,  encorajado pelas minhas palavras. E agora chegamos a uma escadaria talhada na terra  rochosa, e no fundo dela a um pesado portal. Ele bateu neste portal com a ponta do chicote  que  carregava  enfiado  no  cinto,  e  através  da  grade  uma  face  horrenda  apareceu  e  perguntou quem era que estava ali batendo.

Era uma face humana, mas com muito de  animal selvagem nela, boca larga, dentes enormes e longas orelhas. Nosso guia deu alguma  resposta curta, falando como alguém que comanda, e a porta foi aberta para dentro, e nós  passamos por ela. Aqui nos encontramos numa ampla caverna e, diante de nós, havia uma  abertura com uma luz fraca e avermelhada que apenas mal iluminava as paredes e o teto  do lugar onde paramos. Seguimos adiante e olhamos através desta abertura e vimos que  havia uma descida íngreme com aproximadamente a altura de seis homens. De nosso  ponto de vista observamos e, quando nossos olhos ficaram mais acostumados à escuridão,  vimos que diante de nós havia uma grande extensão de território, todo subterrâneo.

Não  podíamos ver até onde ia, mas havia passagens saindo da caverna principal, aqui e ali, que  desapareciam no que parecia ser uma escuridão negra. Figuras vinham daqui e dali, cá e  acolá, com passos furtivos, como se amedrontados por algum horror que pudesse aparecer  nesta trilha quando menos esperassem. Agora por ali o som do chacoalhar de chaves  chegou a nós, enquanto alguns pobres camaradas arrastavam­se acorrentados em seu  caminho; então soava um estranho grito de agonia e frequentemente uma risada sádica e  selvagem e o som de chicotadas. Tudo era triste de se ver e ouvir. A crueldade parecia  flutuar, já que um sofredor parecia dar vaza à sua agonia torturando outro mais indefeso.

Virei­me para o guia, o Capitão, e disse: “Este é o nosso lugar de destino. Qual trilha  usaremos para descer?”  Ele rapidamente notou o duro tom de minha voz e respondeu: ”Faz bem em falar  assim comigo, não é tão doloroso de suportar como quando me chama de irmão. Fui desses  que trabalhou aqui embaixo, e então daqueles a quem foi dado um chicote para fazer  outros trabalharem, e então, afinal, por minha dureza, tornei­me Inspetor­Chefe de uma  seção além da próxima porta. Vocês não podem vê­la daqui deste ponto. Ela dá para  trabalhos mais baixos e mais profundos que este, que é apenas o primeiro da série.

Então  cheguei a ser do palácio do Chefe, e depois aquele Capitão da guarda do Portão Principal. Mas conforme olho para trás agora, penso que, se tivesse havido escolha, eu sofreria menos  como uma alma perdida nas cavernas das minas que no cargo de autoridade ao qual  cheguei. E agora, não poderia voltar novamente–não–novamentenão,não!”  Ele estava perdido no pensamento agonizante, e caiu em silêncio, desconhecendo  nossa presença até que eu disse: “Diga­me, meu amigo, o que é este amplo lugar diante de  nós?”  E  ele  respondeu:  “Este  é  o  departamento  onde  o  metal,  tendo  sido  derretido  e  preparado nas galerias além daqui, é transformado em armas e ornamentos e artigos para  o uso do Chefe. Isto terminado, eles são içados através do teto para uma região externa e 255 – A VIDA ALÉM DO VÉU  então levados aonde ele mandar que sejam levados. No próximo compartimento em ordem  de sequência, os metais serão enrolados e aparados; a seguir serão fundidos e moldados.

Quanto mais longe se vai, mais funda é a mina. Qual é o seu desejo, senhor? Quer descer?”  Eu  disse  que  deveríamos  descer  e  ver  o  que  havia  adiante,  através  de  uma  inspeção mais minuciosa do salão a seguir. Então ele mostrou uma porta escondida na sala  onde estávamos, e descemos por um curto lance de escadas e ao longo de uma curta  passagem, emergindo numa pequena passagem desde lá de baixo do buraco que vimos. Passamos pelo primeiro salão, cujo chão inclinava­se para baixo conforme andávamos, e  através daqueles de que ele havia nos contado, até que chegamos à mina propriamente  dita, porque eu estava resolvido a sondar a miséria desde estas regiões escuras até as que  são mais ainda.

Estes salões interligados eram todos como ele nos havia dito, e de uma imensa  largura,  altura  e  extensão. Mas  os  muitos  milhares  que  trabalhavam  ali  dentro  eram  estritamente prisioneiros, e mantidos sob guarda por longos intervalos, e em pequenos  grupos,  apenas  mantidos  vivos. Parecia­me  que  o  motivo  não  era  clemência,  mas  por  crueldade e utilidade. Primeiro, aumenta certamente seu desespero no retorno para baixo. Mas também serve como advertência para aqueles que mais dificilmente são escravizados  ou não são obedientes.

O ar era fétido e pesado onde quer que fôssemos, e a desesperança  estagnada  parecia  estar  pesando  nos  ombros  daqueles  a  quem  encontramos,  tanto  inspetores quanto trabalhadores, porque todos eram escravos. Finalmente chegamos à mina em si. Um portal pesado e amplo dava para um  platô. Aqui eu não vi teto. Sobre nós havia a escuridão.

Parecíamos estar agora, não numa  caverna, mas num profundo desfiladeiro ou numa cova, as laterais rochosas altas de forma  a não vermos o fim, de tão profundo era o lugar, longe da superfície da terra. Mas túneis  aqui e ali penetravam mais para o fundo ainda e em lances mais escuros, exceto em alguns  lugares onde uma luz bruxuleava e sumia novamente. Havia um som como se um vento  soprasse sobre  nós,  o  som  de  um  longo  e  perpétuo  suspiro. Mas  o  ar  não  estava  em  movimento. Havia cabos presos no chão, com os quais os homens vinham escalando para  baixo as laterais verticais por degraus cortados na rocha, indo buscar o minério, trazendo­  os para cima dos túneis e galerias ainda mais profundos, escavados na pedra bem embaixo  do nível onde estávamos.

Do platô desciam trilhas em direção às aberturas, que por sua vez  davam para trabalhos mais distantes, ou no próprio desfiladeiro, ou através de corredores  cortados em suas laterais. Era uma ampla região profunda abaixo daquele plano de treva,  que por sua vez estava bem abaixo da Ponte ou do chão abaixo da Ponte. Oh, a desesperada  angústia da desesperança daquelas pobres almas – perdidas naquela imensidão escura  sem ter quem os guiasse para fora. Mas apesar de que devem se sentir dessa forma, assim mesmo cada um está  contado e registrado nas esferas de luz, e quando estão prontos para a ajuda, então a  ajuda émandada a eles, como foi agora. Tendo olhado para cima e recebido informações do Capitão, nosso guia, ordenei  que abrisse todos os portões na nossa frente e os que davam para a caverna pela qual  viemos.

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