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Capítulo 73 de 87
Parte 73 de 87
A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro
Quando sua mensagem de pedido alcançou a disposição dela ao cochilo, ela moveuse, tomou sua mão dentro da dela e, colocandoa em seu colo, disse, “Raul, você veio prazerosamente e também com cuidado. Seguro você assim, Raul, para que possamos nos sintonizar em um só para vermos, eu e você, juntos. Pois, realmente vejo muito claramente minha visão, mas não sou sábia para entendêla. Por isso ajudeme, querido, já que sua idade e a minha são iguais, mas sua sabedoria anda à frente da minha”. 28 Esfera Nove, ou no limite entre a Esfera Oito e a Esfera Nove. 392 – Reverendo G. VALE OWEN Assim estas duas crianças contaram ao Diretor o que viram, ela ainda reclinada, e ele ajoelhado ao seu lado, sua mão direita presa nas dela, e as dela em seu colo.
Arnel, você está falando como se tivesse estado lá e os visse por si mesmo. Era você? Meu filho, mas claro. Eu era o Diretor naquela hora. A história deles foi como lhe conto agora–ahistória da cena que eles viram juntos: Havia uma grande estrada que corria ao longo da lateral de uma floresta, e do outro lado da estrada havia um rio.
Em um lugar ali, descendo rio abaixo, havia uma larga escadaria, e dentro da floresta no lado oposto havia uma casa grande. Uma por uma, as pessoas desembarcavam dos barcos que vinham parar abaixo dos degraus. Estas pessoas subiam para a estrada e, atravessandoa, passavam pelos portões e entravam na rua, que era bordejada por uma floresta nos dois lados. Perto da casa, a rua já não tinha árvores, e a casa se estendia da direita para a esquerda, numa clareira de frente para a floresta. As pessoas entravam, algumas para a casa e outras para os jardins ou para a floresta.
Outras ficavam em grupos conversando. Tudo isto era muito simples e nada espantoso. Mas havia outra coisa e era o que a mocinha não podia interpretar. Era isso: Nos portões estavam dois homens. Eles eram de grande força e beleza.
Olhavam do outro lado do rio e, vez ou outra, um ou outro levantava suas mãos num sinal. Quando ele fazia isso vinha uma coluna de luz através das águas, e permanecia por um momento na casa, ou rua ou floresta. Sua chegada e sua saída era rápida e decisiva, como se quem a mandasse tivesseperfeito conhecimento de onde acharia seu lugar, que lugar deveria ser, e também o por quê. Isto, portanto, deixou a mocinha espantada. Eu vi tudo e entendi.
Note, meu filho, que agora falo pessoalmente. Sua pergunta e minha resposta fizeramme voltar de Diretor para mim mesmo. Portanto o diretor em pessoa desaparece. Bem. Eu estava esperando para ver o que o garoto Raul faria daquilo; ele tinha sabedoria acima de sua idade, como a mocinha havia dito.
Mas ele observava e não disse uma palavra sequer. Eu portanto fui até o jovem casal e, como ele fizera, assim eu coloquei minha mão sobre a cabeça da garota, e também pus minha outra mão sobre a cabeça dele. Então eu soube o que barrou o menino de tal forma que ele, avançando até a porta do mistério, não pôdeabrila e entrar. Então expliquei o problema a eles. A cena foi captada, não em uma daquelas esferas à frente de nós, mas duas esferas para trás.
Isto quer dizer que o rio era o limite entre as Esferas Quatro e Cinco. Aqueles que vivem ali, mesmo sendo boas pessoas, não estão bem livres das influências que de tempo em tempo invadem a Esfera Quatro, vindas da Esfera Três, onde frequentemente os distúrbios chegam, por sua vez, vindos das regiões próximas da Terra. Nada muito prejudicial pode invadir a Esfera Quatro desta maneira. Aquelas influências que são capazes de chegar ali não prejudicam, apenas impedem ou retardam. Elas têm a capacidade de circunscrever a liberdade daqueles que, tendo avançado, ainda têm uma certa afinidade com a Terra.
Tal afinidade é consequência de terem ainda entes queridos na carne, ou algum empreendimento em curso no mundo que ainda seja de seu interesse, ou outra causa ainda. Quando aquelas pessoas, portanto, atravessavam para a Esfera Cinco, tinham a necessidade da observância de guardiães colocados em diferentes partes onde elas primeiramente andariam. Estes nos portões eram dois destes observadores. Vendo algum sinal de fraqueza ou angústia entre estes recémchegados, eles rapidamente sinalizavam, e recebiam instantaneamente informações quanto ao caráter, progresso ou atual estado de tal pessoa sobre a qual fizeram a pesquisa. Também um raio forte era mandado sobre a 393 – A VIDA ALÉM DO VÉU pessoa em questão.
Estes raios eram visíveis apenas aos observadores, e não para quem eram dirigidos. Foram visíveis também para as duas crianças porque eles eram de esfera superior. Eles não entenderam transações como estas que testemunharam porque pensaram que a esfera em que olhavam era mais alta que a deles. Mas era de grau inferior que a deles mesmos. Mas como fizeram esta asneira, Arnel?
Não seria fácil a eles saberem se estavam olhando para frente ou para trás deles? Claro, meu filho, com certeza. Você me questiona cruelmente, meu filho, e tenho humor para me suster, como bem sabe. E você ainda está sério, quando deveria estar rindo comigo. Mas não vou mais ralhar com você.
Apenas visualize nosso ambiente, não tão materialmente. Eu talvez deva contarlhe minha história na linguagem terrena. E devo agora dizer “acima”, e agora “para baixo”, e novamente “para frente” e ainda de novo “atrás”. Mas não são adequadas para conter as mais sutis de nossas condições, como sabe. O espanto destas crianças não estava nas duas direções “na frente”, “atrás”.
Pois quando olharam para outras esferas, olharam para o infinito, ou em direção do infinito atravésdestas esferas. Veja bem, meu filho; a operação que lhe descrevi não era exterior ao ambiente para eles. Eles não foram chamados para cima ou para longe, a esta ou àquela Esfera. Isto conosco, como com você, seria escolher ir por aqui ou para ali para frente ou para trás, como assim desejar. Mas o caminho que eles estavam fazendo agora, era por um processo diferente.
Era o inverso do outro. Porque ao invés de se moverem sobre um ambiente exterior a eles mesmos, fizeram outra coisa. Absorveram o que lhes é de atividade externa, mental e intencional, para dentro deles mesmos, e ali encontraram, naquela hora, seu próprio ambiente. Sua ação foi, note, dirigida para dentro deles mesmos. Ali não há limites tão claros de reinos e esferas como se têm ordinariamente.
Foi o reverter do processo que criou o espanto. Eles pensaram que tinham penetrado na esfera Oito ou Nove, e acharam ali condições que fossem estranhas a estas esferas. Assim foi que erraram. Terça, 10 de fevereiro de 1820. Bem, tudo foi instrutivo, e foi registrado para que estas crianças pudessem receber de seus Pretores, depois, algum conhecimento através de ensino objetivo.
É assim: quando estes jovens escolares fazem tais exercícios de visualização, eles são reproduzidos de alguma forma nos seus salões de reuniões, e o ensinamento é dado ali. Mas ainda não encontrei o que serviria adequadamente para o meu propósito atual. Então andei em torno deles, impondo minha mão sobre a cabeça de um e outro, até que cheguei aonde queria. Havia três deles sobre quem pairava uma formação de névoa cuja coloração era diferente da dos outros, mas bem próxima. Suas auréolas, é isso?
Não precisamente. Isto não era um ingrediente permanente de suas auréolas, mas um acréscimo puxado por eles daquele ambiente no qual penetraram pela visão. O instrumento que eles usaram para este fim foi o halo. A névoa era de uma substância parecida, mas não idêntica. Foi um fenômeno transitório que, em as crianças reassumindo a normalidade, automaticamente gravitaria para sua própria esfera da qual havia sido puxado.
Chamei a mim estes três e, o resto do grupo estando completamente desperto e atento, falei a eles, desta forma: “Minhas crianças, nestes três eu encontrei o que nos servirá agora para nosso 394 – Reverendo G. VALE OWEN exercício da ciência criativa. Eles visualizaram a mesma cena juntos. Agora devem reproduzila e, quando assim eles fizerem, vocês devem agregar sua vontade à deles em uníssono. Sejam sérios em suas atitudes, minhas crianças, e façam as coisas tão perfeitas quanto possam”.
Convidei estes três, portanto, a tomarem seus lugares no círculo, um em cada extremidade de um triângulo. Então começamos a trabalhar, o círculo todo concentrando se sobre o foco onde fiquei, no centro da clareira. Conto a você, em seguida, o que aconteceu na ordem certa e nesta sequência: Ali elevouse sobre mim uma nuvem que gradualmente se condensou, até que assumiu propriedades maleáveis de substância. Vagarosamente o topo tornouse mais denso e mais opaco e aí, do topo, a massa de nuvem caiu em oito correntes até que atingiu o solo, quando então, continuando o processo, cada uma adensouse até transformaremse em oito pilares sólidos eretos, suportando o domo acima. Embaixo de meus pés senti o chão subir até que estivesse no nível de um pé e meio acima do chão deste pequeno pavilhão.
Aqui ficou e, olhando para cima, vi que aquele domo era agora de ouro por dentro, e com cinco pés acima além da minha cabeça. Não era minha ideia inicial, quando os pus a trabalhar, que eu me transformasse em estátua elevada num pedestal. Não. Mas, quando os três foram colocados num triângulo, logo senti uma mensagem circulando em torno do círculo e então centralizada em mim. O que ela dizia era, “Fique firme, bom Arnel, onde agora você está.
Nós temos um uso para fazer de você. Dênos, portanto, este prazer”. E então estes jovens palhaços acrescentaram, graças a seu humor, “Não vamos machucálo, gentil Arnel, enquanto estiver firme e destemido. Trataremos carinhosamente de você, por nosso amor a você, bom Arnel”. Este é o jeito deles, meu filho.
Pegam um velho para ensinálos a ciência criadora, e então protegemno maternalmente na primeira oportunidade que aparece. Algumas vezes fico pensando se não sou aficionado demais para conduzilos ordenadamente. Mas ainda, meu filho, novamente penso que o amor é tão forte que não se pode errar muito se for usado em excesso. E duvido que o nosso Pai, e o deles, amaos menos um pouquinho, só pela brincadeira. Mas, por isso ou por aquilo, assim foi.
Acabo aqui com meu palrar e continuo com minha história. Mas foram muito doces, estas crianças, e tão maravilhosas também, tanto dentro como fora deles. Mas de novo isto não é a narrativa. Continuando: O processo continuou, já que eles eram um grande grupo em ação, e logo tudo estava completo. Lá estava o pavilhão de pedra translúcida.
Os oito pilares eram desenhados e os desenhos eram em alto relevo e em ouro. Dentro, lá estava eu, transfigurado de minha figura para um homem vestido em malha prateada, protegido com capacete e amadura completa. Um cinto estava sobre minha túnica, mais ou menos na cintura, e um espada em minha mão direita. Um Cavaleiro Grego, certamente; isto é o que fizeram de mim, estes jovens galhofeiros, e colocaramme num pedestal. Bem, bem, Deus os abençoe, foi uma noção alegre apesar de tudo.
Porque, veja, meu filho. Isto foi uma reprodução do que aqueles três tiveram na visão, trazida por eles da Esfera Oito. Lá, numa clareira na floresta, está erigida uma estátua do Cavaleiro da Inglaterra, mas na panóplia de armas da Grécia. Isto, então, eles chamaram para ser duplicado aqui na Esfera Sete, de acordo com as leis da ciência criadora que, operando desta forma, chegou àprodução de uma Forma Presente. Isto me lembra, de alguma forma, a Nova Jerusalém na Revelação de São João.
Verdadeiramente, verdadeiramente. Como você observará, a Forma Presente pode ser projetada pelo operador em algum lugar distante dele. Ou pode ser puxada de uma distância por uma ou mais pessoas, operando em união. Isto foi alcançado pelo segundo método. 395 – A VIDA ALÉM DO VÉU Aquela Cidade Modelar de Jerusalém, como que aperfeiçoada nos céus, foi também reproduzida por algum grupo de operadores por este mesmo meio, isto é, pelo exercício da vontade em energia criadora. Mas o Vidente não seguiu sua descida quando a cidade veio para baixo, vinda do céu no qual está.
Você devia ler aquilo assim: que ele viu a cidade Salém em Forma Presente, enquanto ela descia da esfera acima para onde ele estava. É bem óbvio que eu acabo de descrever a você, agora, uma peça elaborada num processo de menores e menos detalhes. Foi, como direi, materializada para a visibilidade na esfera onde foi vista, uma reprodução da Salém permanente, cuja localização está na esfera próxima na ordem acima. E os Anjos que ele viu nos portais? Estes são também anjos vivos, mas na Forma Presente; por seu próprio consentimento e cooperação intencional, reproduziramse com a cidade em si, em réplica.
E qual era o significado da estátua de São Jorge na Esfera Oito? Foi colocada em resposta aos que rezaram pedindo ajuda aos que foram mandados para o Oriente na Primeira Cruzada. Estava nos jardins de uma colônia de pessoas cuja missão especial era junto a estes Cruzados. Eles erigiram o ideal de um Cavaleiro, como foi concebido pelos soldados da Inglaterra. Não era somente para ornamento.
Era sensitivo de uma maneira que não posso explicar a você. Mas transcreverei em palavras assim: que os pensamentos e os apelos que os soldados cruzados endereçavam ao Cavaleiro eram atraídos até aqui, onde eram testados e tratados, como é feito com todas as orações. E o foco deste trabalho era a Estátua do Cavaleiro da Inglaterra. E agora, para que é usada? Bem, meu filho, seu uso não está inteiramente no passado até agora.
Há ainda alguns destes Cruzados, ligados lá embaixo nas esferas mais escuras. E estes, em algumas ocasiões, ainda clamam por seu Patrono. Tais orações não têm os méritos que alcançam as oferecidas aos que estão nos planos mais altos, e têm menos virtude de poder que um suspiro em Nome do Cristo. Mas são orações, apesar de tudo. E nenhuma oração a Deus, Pai de Todos, ou ao Seu Cristo, ou ao Seu Espírito Operativo, ou ao Seu Príncipe Angélico, é jamais feita em vão.
E São Jorge é uma pessoa real–oSanto Patrono da Inglaterra? Eu não diria isso, meu filho. Eu o mencionei sem nomes. Mas, se quer, não estarei em falta ao fazêlo. Mas tenha em mente que Jorge não foi sempre o patrono da Inglaterra.
Há outros cujo trabalho era esse, de tempos em tempos. Este grupo de quem lhe falei, e que erigiu aquela estátua – chamoa de estátua, mas era mais do que palavras possam traduzir a você –este grupo era o que foi autorizado na Esfera Oito, estando em contato com eles, por aqueles cujo encargo especial nas Altas Esferas era a Inglaterra e a bênção da Inglaterra. Não um Anjo Cavaleiro somente, mas formam um grupo brilhante, meu filho, e penso que sustentaram o encargo bem regiamente, e não com pouca força de propósito e de habilidade. Eu avalio este tema justamente, não pensa assim? Bem, deixemos isto de lado.
Por Jorge da Inglaterra, ou pelos Cavaleiros de outros nomes, a Inglaterra tem sido muito favorecida em bênçãos. E Amém a isso digo eu, seu narrador Arnel. + 396 – Reverendo G. VALE OWEN IX O PORTAL DO REINO DE CRISTO Quarta, 11 de fevereiro de 1920. Você agora, meu filho, verá o que quis dizer quando lhe contei de como o elemento lúdico e instrutivo, e também de reverência, entram nos exercícios aos quais estas crianças são enviadas. Contarei agora mais um evento, já que sinto em sua mente uma relutância em deixar os campos nos quais estas crianças se divertem tão alegre e docemente.
Mas será um no qual o elemento da reverência predomina sobre todos. Nos prédios do Hall dos Pilares há um saguão onde, quando o número de crianças é grande, nós os agrupamos. É uma grande rotunda. Tem seu domo, e não é aberto, acima, como é o Hall dos Pilares e a Arcada Dourada. Mas o domo não é contínuo nem intacto sobre toda a sua superfície.
Há quatro cortes que, saindo das paredes circundantes, sobem para cima e para dentro, e dividem o teto em quatro folhas pontudas. E estas não se tocam umas às outras na parte mais alta no centro acima. Elas chegam a ter uma ponta pontiagudacada uma, a quatro pés do meio do domo acima. E, sendo de ouro, e não muito espessas, elas ondulam para cima e para baixo conforme as vibrações das adorações sobem ou descem, correspondentes. Elas respondem, como quero explicar, à música da reverência, e tingem com sua ressonância vibrante, e assim somam à sua profundidade de doçura.
Pois sobre estas quatro folhas douradas são dirigidas as vibrações mentais dos que estão fora da rotunda, alguns da esfera Sete, próximos ou distantes, e alguns de esferas superiores, para nos ajudar na reverência e para nos abençoar. Os lugares são dispostos em círculo em torno do espaço aberto que está bem embaixo do meio do domo, e elevamse até as paredes circundantes, com caminhos em galerias aqui e ali, como muitas construções na terra teriam. Mas no espaço aberto, e algo fora do centro, há um dossel azul, prateado e vermelho, todo estampado de amarelo e verde. Ele está apoiado em cinco pilares feitos de uma liga de bronze. Mas toda a substância é opalescente, tanto o dossel quanto os suportes.
É também altamente magnético e de aspecto mutante, tanto em coloração quanto em substância. Eu os vi, em ocasiões, tornaremse invisíveis em algumas partes, ou totalmente desaparecidos da visão. Então reaparecem novamente ao estado visível, como se suas partículas tivessem estado suspensas na atmosfera e chamadas de volta mais uma vez ao lugar. Meu filho, paro para responder a alguma dúvida surgida em sua mente. Não seja curioso em prover aos que indevidamente exaltam o que é material.
Transcreva sem hesitação o que lhe coloco em sua mente. Pode ser encarado com desprezo por aqueles que ainda estão imersos profundamente na matéria. Mas há outros que realmente compreendem tanto destes reinos, que não colocarão tudo de lado, mas raciocinarão sobre isso, se talvez puderem receber instrução sobre quais leis dominam isto que, para nós, é como é a matéria para vocês. A substância das coisas nestes reinos é de conteúdo mais vivaz que na terra. É menos inerte e mais próxima de uma sensibilidade que vocês veem na vida vegetal.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.