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Capítulo 43 de 87
Parte 43 de 87
A Vida além do Véu · Osvaldo Polidoro
Mas sobre nós não havia teto, mas a amplidão do infinito – a abóbada dos céus, como vocês dizem. Os pilares tinham um diâmetro e peso grandes, e a viga de cima era muito decorada em sua fachada e nas bases dos pedestais, mas com símbolos que não conseguíamos desvendar. Somente um fator do padrão eu, pessoalmente, reconheci, e era a gavinha e a folha da videira, mas não havia a fruta, o que a mim me pareceu bem apropriado em tal lugar, já que era apenas uma espécie de passagem, como era o todo daquele Templo, de uma Esfera a outra, e não lugar de frutificação. No fim desta passagem longa e larga estavam penduradas umas cortinas, e paramos diante delas enquanto nosso guia seguiu adiante, retornando depois, convidando nos a entrar. Quando passamos para além deste lugar, descobrimos que não estávamos no grande hall, mas numa antecâmara.
Esta seguia o caminho e nós entramos, não em seu final, mas numa entrada lateral. Era muito amplo em área e também em altura, um quadrado estava aberto no meio do teto, bem em frente à porta por onde entramos. Mas todas as outras partes estavam cobertas por telhado. Viramos à direita e fomos ao final deste ambiente, e então nosso guia nos fez parar diante de um trono ou cadeira e dissenos tais palavras: “Meus irmãos, vocês foram chamados para cá para receberem ordens a fim de cumprirem um trabalho que lhes é requerido nas esferas ainda abaixo. Tenham a bondade de esperarem a chegada de nosso irmão, o Vidente, que lhes fará entender o que é requisitado de seu grupo”.
Enquanto estávamos ali esperando, chegou por trás da cadeira outro homem. Era mais alto que nosso guia, e em torno dele, conforme se movia, parecia haver uma névoa azul e dourada, enfeitada de safiras. Ele veio em nossa direção e deunos a mão, 18 OTemplo do Monte Sagradoé descrito por Zabdiel no livro “Os Altos Planos do Céu”. 233 – A VIDA ALÉM DO VÉU cumprimentando um a um, e enquanto tocávamos seus dedos tornávamos mais atentos (de acordo com o que conversamos entre nós depois) para a proximidade de uma esfera, dentro da Esfera Dez, que era uma espécie de essência concentrada de sua condição, de tal forma que, entrando na circunferência daquela esfera mais interna, estávamos em contato com tudo que estava sucedendo adiante em todo aquele amplo reino e em todas as suas partes. Sentamos nos degraus abaixo do Trono, e o Vidente ficou diante de nós encarando o Trono. Ele nos falou de coisas sobre as quais eu não poderia fazer você entender totalmente, porque não é de sua experiência, e mesmo para nós eram fatos dos quais estávamos apenas avançando no entendimento.
Mas então ele nos disse sobre algo que podemos dizerlhe, que lhe trará proveito. Ele nos disse que quando Jesus de Nazaré estava na Sagrada Cruz, ali estava, entre aqueles que O viam, aquele que O vendeu para sua morte. Você quer dizer que ele estava ali encarnado? Sim, na carne. Ele não poderia fugir nem ficar muito perto, mas ficou perto o suficiente para assistir aos fatos que aconteciam ao Homem que morria, o Homem da Tristeza.
A coroa havia sido removida, mas as gotas de sangue estavam sobre Seu peito, e Seu cabelo estava aqui e ali endurecido pelo sangue. E quando o traidor olhou para a Sua face e seu perfil, veio à sua alma uma voz que escarnecia dizendo: “Assim como você iria com Ele ao Seu Reino, ganhando ali um lugar elevado em poder, vá agora ao reino de Seu adversário: lá você terá poder de questionar. Ele lhe fez tombar. Vá agora aonde Ele não estará por perto para advertilo sobre como você serviu a Ele”. Então vozes vieram sobre ele, e ele se esforçou por acreditar nelas e olhar para a face d’Ele na Cruz.
Ele estava ansioso e ainda com medo daqueles olhos os quais nunca tinha sido capaz de encarar com conforto. Mas a visão do Cristo ao morrer estava obscurecida demais e Ele não viu Judas Iscariotes ali. E ainda as vozes zumbiam sobre ele, escarneciam dele e adulavamno mais gentilmente, e no final, na escuridão do lugar, ele correu dali e depositou sua vida num lugar onde ele encontrou solidão e uma árvore. Tirou seu cinto e pendurouse à morte numa árvore. Assim os dois morreram num tronco, ambos no mesmo dia, e a luz da terra foise, dos dois, na mesma hora.
Quando entraram nas esferas espirituais, ambos estavam conscientes e lá encontraramse mais uma vez. Mas nenhum falou ali – somente da forma que Ele olhou para Pedro, desse mesmo jeito ele olhou para Judas agora, e o deixou por um tempo em sua tristeza e angústia, até que isto fizesse efeito, quando então Ele viria novamente com seu perdão. Como fez com Simão, quando ele veio à noite para lamentar, fez novamente com Judas, que se virou e fugiu d’Ele com suas mãos nos olhos, para a noite dos infernos. E do jeito que agiu com Simão em sua penitência e tristeza e necessidades pela dor, também agiu com aquele que O havia traído em sua solidão, como Simão fizera. Ele não o deixou sem conforto todos os seus dias, mas buscouo e deulhe a bênção de Seu perdão na amarga angústia de sua dor.
Isto foi o que o Vidente nos disse, e ainda mais que isso. E pediu que ficássemos um pouco no Templo e na Capela, e meditássemos no que havia dito, e também para que ganhássemos poderes para seguirmos adiante com a história até o fim, contandoa – aos outros, como ele nos contou – onde quer que fosse necessário que pecadores escutassem na, os que na escuridão do desespero tivessem perdido a esperança do perdão de seu Mestre traído, pois pecar é trair. Mas de que maneira nossa tarefa foi cumprida falaremos em outro dia, porque você agora está exausto. E temos outras coisas a fazer em vez de fazer você ir tão longe. Assim, possa o Salvador dos pecadores, o Piedoso, estar com todos os que estão na escuridão, irmão, pois há muitos na terra assim como em espírito que precisam 234 – Reverendo G.
VALE OWEN dolorosamente de Seu conforto. Possa sua Graça estar com você também. Terça, 18 de dezembro de 1917. Daquele Lugar Elevado fomos para a sala de Audiência, onde recebemos as palavras do Vidente. Ele falou a nós com muito amor, mais do que eu lhe contei, e nos fortaleceu para a nossa missão.
Fomos em direção ao Pórtico e paramos para ver a extensa amplidão diante de nós. Abaixo estava a planície gramada que se estendia para longe em ambos lados. Então elevavamse as colinas em torno, delas rios desciam à planície e juntavamse num lago ao nosso lado direito. À esquerda abriamse, e além do portal, podíamos ver entre elas a montanha que se elevava entre a Esfera Dez e a próxima inferior. E enquanto ali permanecíamos, o Vidente ficou no meio de nós e, pelo seu poder que nos envolvia, pudemos ver o que estava além de nossa visão normal, e olhamos aquelas esferas que estavam na estrada que tínhamos que tomar.
Brilhantes e menos brilhantes, elas desfilavam diante de nós, depois então a treva e ainda mais treva, até que penetraram em uma névoa na qual, de nosso lugar, não podíamos penetrar. Pois as maiores trevas eram as que estavam sobre a terra e abaixo daquele estágio, e de onde aqueles que vinham da terra tinham que subir, enquanto estes que, tendo vivido suas vidas em erro, vão por atração natural para baixo, aos lugares que mais lhes trarão benefícios. A estes lugares vocês chamam de Inferno. Bem, isto são, meu filho, se inferno significar angústia, tormento e remorso de alma. Tendo pego nosso estoque de coisas e as especificações da tarefa que esperava por nós no trabalho que tínhamos adiante, ajoelhamonos e ele nos abençoou, e fomos embora.
Tomamos o rumo da esquerda e viemos para além da abertura, lançandonos em direção a nossa longa jornada. As primeiras poucas esferas foram transpostas por voo aéreo, indo por cima dos picos das montanhas e sem descermos, até que chegamos à Esfera Cinco, onde ficamos um pouquinho de tempo, contamos nossa história nas palavras mais apropriadas, as quais ajudariam na resolução de alguma dificuldade que aqueles que lá habitavam tivessem em seu coração. Antes de continuar, deveria dizer‐me como sua missão foi recebida na Esfera Cinco, se puder. Foi a primeira de nossa série de encontros e a primeira esfera onde nosso trabalho começou. Nós éramos os convidados do Chefe Senhor, o Governador daquela esfera, porque ele era também de um plano mais alto que a esfera Cinco, como é de costume.
Mas ficamos no Colégio dos Pretores, que estão bem versados nos estudos das confusões surgidas nas mentes daqueles que permanecem ali, e que poderiam nos apontar onde procurar por temas para serem trabalhados e que pontos evidenciar em nosso ensinamento. Estes agruparamse em uma assembleia no Grande Hall do Colégio. Era um hall enorme e oval em sua forma, mas uma das pontas mais estreita que a outra. Como uma pera? Mas esta é uma fruta de que havíamos nos esquecido, bem parecida, para descrevêlo.
Sim, era como uma pera na planta baixa, mas não tão pontuda. As pessoas entravam pela entrada estreita, que estava sem cobertura abaixo do grande Pórtico do prédio. A tribuna estava equidistante à outra ponta e das paredes esquerda e direita. E aqui nos sentamos. Tínhamos um cantor conosco, e ele primeiramente deu voz a um ar muito magnético, o que fez a propósito.
Ele começou a cantar baixo, e seu tema era a Criação. Ele nos contou no ritmo daquelas coisas – algumas das quais já lhe contamos – de 235 – A VIDA ALÉM DO VÉU como o Máximo projetou Seu poder, o amor primeiro nasceu, e foi de uma doçura tão perfeita que os Filhos de Deus banharamse em amor, e do seu contato veio a beleza. Assim é porque toda a beleza é amável, e todo o amor é simples e puro, e em qualquer fase em que se manifeste, é cheio de beleza. Mas quando a vontade daqueles que deviam agir e cumprir a sua parte no desenvolvimento do Reino do Ser opôsse à principal corrente da Beleza impulsionada pelo amor, então resultou num pequeno destacamento que, tendo nascido de um ato de querer não consonante com a santidade original, foi envolvendo seres que eram belos, mas não completamente, e no seu ímpeto, uma vez misturados com a eterna corrente do caos desenvolvendose, ali também evoluíram outros que eram menos e menos belos, mas nenhum deles com falta completa de beleza, num estilo obscuro, muito encoberta e escondida aos olhos dos que continuaram na estrada ampla numa fila reta para baixo, vinda de sua fonte. Assim ele cantava, e o grande número das pessoas estava muito atento e ouviam suas palavras, pois a música delas parecia vir de onde a beleza e o amor nasceram, e as palavras eram tais que mostravam que o Supremo e o Máximo era Único e não diverso em Si, e que a diversidade que veio só era permitida que existisse por seu sustento, onde a oposição pode ser encontrada sendo expressa em multiplicidade, podendo ser elevada para mais alto e em direção à Unidade uma vez mais.
Bem, tendo ele acabado, um grande silêncio caiu sobre eles e estavam ainda imóveis. Moveramse ligeiramente, e aqueles que tinham ficado em pé assim continuaram, e aqueles que tinham se sentado em bancos e tamboretes permaneceram assim, silenciosos, e aqueles que se reclinaram no chão, assim continuaram. Eu notei isto, que ninguém alterou sua posição e lugar, porque a letra da música com sua origem longínqua é de grande poder de elevação, e então pulsações de vida e energia envolveuos e os fez tentar analisar tudo no foco atual do ambiente e da ciência cósmica. Em um instante eu, que devia falar a eles, comecei. O cantor começara num tom baixo e doce, mas conforme as eras começaram a trabalhar no nascimento dos mundos, sua voz elevouse em timbre, e as elevações potentes de energia e força pareciam estar na sua alma e saíam dela num intenso e emocionado volume.
E então, quando o caos estava moldando a si próprio para tornarse o Cosmos em múltiplas emanações do pensamento único do Criador, o imponente ritmo de sua voz e das frases, em sequência ordenada e progressiva, gradualmente equilibrouse num nível, até que terminou numa tonalidade só, parecendo querer deixar em suspenso no meio do Céu para mostrar que o processo das eternidades havia apenas começado e ainda não terminara. Então eu parei, antes de falar em seguida, para dar a eles tempo de agruparem seus pensamentos, para armaremse, tirálos para fora da nuvem luminosa no ar a envolvêlos como um capote, já que eu podia ver e notar o que cada um sentia em seu coração, e entendia seu caráter, seus desejos e o que eu poderia dar de melhor para ajudá los. Então comecei, e falei a eles todos juntos, mas a cada um por sua vez, e ainda a todos, continuamente. E conteilhes da reassembleia daquelas diversidades e o ajuntamento das centelhas de amor espalhadas num único grande sol de beleza, que deveria absorver e dar em retorno o brilho e a luz do Máximo Que é todo Amor, Que é todo Beleza. Assim faleilhes do traidor Simão e do traidor Judas, e do arrependimento deles; o do primeiro em sua vida na terra, onde viveu seu pequeno inferno para bom propósito, no qual o remorso de milhares de anos foi resumido num mês de dias, e clamou o que era seu, que era, como é até hoje, perdão e recolocação na família ordenada do Pai.
E também lhes disse daquele outro, cujo arrependimento não viera até o Qual apunhalara, tão apressadamente em seu frenesi de desespero, vendendoo para a morte, e de como ele, ainda com pressa, sempre desesperado, lançouse para fora do mundo onde nada aconteceu como ele planejara; e como ele não se arrependeu até que o Cristo Manifestado, 236 – Reverendo G. VALE OWEN Jesus de Nazaré, foi até ele e os outros, naquelas ravinas de montanhas escuras do inferno, como se vai atrás de uma ovelha perdida, e falou a eles que lá habitavam na treva e na escuridão tangível da Redenção sendo forjada, oferecida e aceita por Ele Que é Luz e Amor, e Que, através do Ungido, projetou suas irradiações de amor para o espaço vazio da imensidão, de medida além da compreensão, e também para aqueles mesmos infernos escuros. E conforme olhavam, seus olhos não conseguiam ver a primeira luz que muitos viam em muitos, muitos anos, tão acostumados que estavam com a longa noite, esquecidos do que seria a luz e de como ela era. Mas Ele estava vestido com uma radiação pálida, suave e doce, adaptável para ser vista por eles naquele presente estado, e um, depois outro, todos se ajoelharam a Seus pés, e suas lágrimas caíam como se fossem diamantes de orvalho à luz, à medida que recebiam a luz d’Ele. E eu lhes disse que no meio destes viera o traidor Judas e ele estava perdoado, da mesma forma que Simão fora mais tarde comunicado de Seu perdão amoroso também.
Assim, meu filho e amigo, eles escutaram e começaram a ver como eu estava falandolhes das consequências da chegada a uma harmonia com Deus, Seu Amor e Soberania, daqueles que saíram do caminho da obediência a Ele, os que têm sido autores frutíferos de muitas confusões que perturbaram os filhos dos homens. Então terminei em silêncio, e em silêncio deixamolos ali, e saímos pelo hall e do colégio e continuamos a nossa jornada. E assim fizemos, e os pretores despediramse de nós com palavras gentis de gratidão, ao que respondemos com nossas bênçãos. Assim, partimos dali. Quarta, 19 de dezembro de 1917.
Chegamos suavemente e sem pressa, porque começamos a chegar perto daquelas regiões onde não nos sentíamos muito à vontade por estarmos ali, até que pudéssemos sintonizar nossas condições às deles. E assim, finalmente, chegamos à Terra do Umbral, onde inicia a Esfera Dois, como é considerada a partir de sua terra, a qual numeraremos zero, para o propósito de demarcação. Líder, antes que continue, poderia fazer‐lhe uma pergunta? Não foi na Esfera Cinco que você permaneceu um pouco mais tempo que nas outras, porque teve algum problema que o manteve ali? Quero dizer, no período mais anterior, no de sua subida?
Você gostaria que eu lhe explicasse o que me aborrecia e que me prendeu ali um tempo a mais. Foi isto. Eu sabia que todos os homens vêm finalmente a entender que Deus é o Senhor, e isto todos os que vinham d’Ele diziam aos que estão afastados de Seu Trono e Santuário. Então, se fosse assim, por que havia tantas miríades deixadas para trás nas esferas mais escuras, onde a miséria e a angústia surgiam e pareciam desmentir todo o amor, pleiteando sua presença universal? Este era o meu problema.
Era o antigo ponto crucial da existência do mal. Bem, eu não podia entender nem reconciliar estas duas forças oponentes, quando apareciam na minha mente. Se Deus era TodoPoderoso, por que, então, permitiria Ele que o mal existisse, mesmo que por um momento e no menor grau? Por muito tempo pensei isto, e fiquei muito preocupado por causa da desconfiança que veio de tal contradição no Reino de Deus e que me levou embora toda a fé em seguir em direção a estas vertiginosas alturas para frente, para que não perdesse meu equilíbrio e me machucasse dolorosamente pela queda nos precipícios mais profundos que até então havia conhecido. Finalmente eu estava pronto para a ajuda que sempre nos é dada em seu tempo 237 – A VIDA ALÉM DO VÉU certo.
Mesmo eu não sabendo, fui controlado em meus raciocínios todo o tempo até que amadureci para o esclarecimento, e então a visão que me foi dada varreu todas as minhas dúvidas para o esquecimento, nunca mais voltando a me perturbar novamente. Um dia, como vocês diriam, eu sentei sobre uma encosta forrada de pequeninas flores vermelhas, sob uma espécie de caramanchão formado por árvores. Eu não estava pensando na minha principal confusão, pois tinha mais coisas em que pensar, mais prazerosas que esta. Estava bebendo toda aquela beleza da floresta – suas flores, folhas e pássaros, e as músicas que eles cantavam um ao outro – quando me virei e vi sentado ao meu lado um homem de aspecto grave e muito amável. Seu manto era de rica púrpura e abaixo dele usava uma túnica de tecido através do qual podia ser visto seu corpo brilhando como o sol refletido do centro de um cristal.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.