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Capítulo 48 de 57

Eloista — parte 17 de 26

Da Bíblia aos Nossos Dias · Mário Cavalcanti de Melo

O Parlamento de Paris confirma a sentença. La Barre é executado; Etallonde se refugia em casa de Voltaire que o recomenda ao rei da Prússia, tornando-se o jovem Etallonde oficial de seu exército. Voltaire não cessa de escrever, de agitar-se para tornar odioso o caso de la Barre, isto é, do suplício a que foi condenado um jovem na flor da idade, cheio de esperanças, e obteve, enfim, o perdão dos dois irmãos. Um gozou, o outro já não podia fazê-lo, uma vez que saciou o ódio e o sadismo daquele cristianíssimo bispo. Por isso, pelo espírito humanitário de Voltaire, no dia de seu centenário, foi saudado pelo maior poeta da França, o grande Victor Hugo, num discurso que procuramos resumir nestes têrmos: "Il y a cent ans un homme mourait.

Il mourait immortel... Le jour oú l'amnistie sera proclamée, je l'afirme, lá-haut dans les étoiles, Voltaire sourira". Poderiamos continuar citando mais exemplos consignados na História, do amor que Voltaire consagrava à liberdade e de seu espírito humanitário sempre pronto à defesa dos fracos e oprimidos; mas o que está escrito é o bastante. Falemos, apenas, de sua contribuição à abolição da escravatura. Os cônegos de Saint Claude, em Franche- Comté, possuiam servos; doze mil habitantes eram escravos de vinte monges, e submissos em toda a extensão do termo, isto é, ao direito selvagem da força e até da morte.

Em qualquer parte em que se encontrava Voltaire, protestava contra a servidão, e isto ele o fazia com energia e com segurança de argumentos. Não venceu, isto é, não conseguiu o que pleiteava em sua integralidade, mas teve a alegria de ver o rei abolir a escravidão em seus domínios; a revolução de 1789, penetrada de seu espírito, decretou a liberdade dos escravos em toda a França. Enfim, Voltaire não teve mais que um cliente, a razão. Para servi-la foi sempre infatigável. Em nome da razão, ele reclama, sobretudo a tolerância, isto é a liberdade de consciência, a primeira das liberdades, contra o fanatismo, que ele apelidava a "raiva das almas", contra a Inquisição, ministro deste fanatismo.

Teve ele a ventura de ver a imperatriz da Rússia, os reis da Dinamarca, da Polônia, da Prússia, e a metade dos príncipes da Alemanha, estabelecer com elevação a liberdade de consciência em seus Estados, e o desarmamento da Inquisição até na Espanha. Em política ele apreciava o govêno inglês, "que conserva tudo o que a Monarquia tem de útil, e tudo o que uma República tem de necessário”; leis uniformes; a economia nas finanças; a supressão da venalidade nos cargos. Ele não era contra a punição, uma vez que dizia: "Puni, mas não cegamente; que a penalidade seja útil". "Se representam a justiça com uma venda nos olhos é necessário que a razão seja seu guia". O que eu quero, dizia ele, é uma legislação escrupulosa sobre a natureza e a força das provas: "A lei tornou-se uma faca de dois gumes, que tanto degola um inocente como um culpado", um Conselho, um advogado sempre posto à disposição do acusado, o Código criminal dirigido para salvaguarda dos cidadãos, como na Inglaterra; não para sua perda como na França - nada de processos secretos, supressão da tortura, "invenção excelente para salvar o culpado forte e condenar o inocente fraco de corpo e espírito".

E são desta espécie as reivindicações de Voltaire. Será necessário dizer mais alguma coisa para redimir em face do mundo, este genio francês, amigo incondicional dos oprimidos, soldado infatigável da liberdade, adversário da intolerância e do fanatismo? Fica assim provado o contrário do que a Igreja de Roma diz de Voltaire, este homem eminente que foi por ela excomungado. Voltaire, era, assim, deista, aceitava a imortalidade da alma e seguia sem esmorecimento os ensinamentos de um verdadeiro cristão. Como se depreende, o que dizem dele é uma infâmia secular, é uma infâmia e nada mais. *** Antes de penetrarmos no terreno da fenomenologia é justo que desfaçamos um falso conceito atribuido aos espíritas.

Ainda há pouco dizia um conceituado professor de Teologia Dogmática: "Para os espíritas a alma é matéria". Ora, neste ponto de vista, os espíritas não diferem dos católicos, é o que iremos provar. O Espiritismo afirma que não conhece a natureza íntima da alma. E se às vezes se adianta que ela é material, é num sentido relativo e não absoluto, porque a imaterialidade perfeita seria o nada; ora, a alma ou espírito é alguma coisa que pensa, sente e quer; é preciso, pois, compreendermos, pela expressão material, que a sua essência é de tal modo diferente daquilo que fisicamente conhecemos, que não oferece analogia alguma com a matéria. Como se pode conceber a alma sem que a acompanhe uma matéria que a individualize?

Como poderia ela sem isso entrar em relação com o mundo exterior? Como explicar a aparição de pessoas mortas, se a alma não possuir um invólucro que será neste caso toda a razão de ser do fenômeno? Será possível que a História, através dos tempos, seja mentirosa, quando consigna aparições de mortos com o mesmo corpo e a mesma fisionomial igual à que possuiam na Terra? Quando o homem morre, se decompõe, se transforma completamente de maneira que quase todo desaparece no túmulo. Como é que se concebe que este mesmo homem apareça, e seja imediatamente reconhecido?

Os primeiros cristãos acreditando na existência de uma substância mediadora, conceberam a teoria, hoje comprovada, da ação da alma sobre o invólucro físico. O apóstolo São Paulo fala inúmeras vezes do corpo espiritual, imponderável e incorruptível (Coríntios XV, 35). Na mesma epístola 44 e 45, escreve ele: "Há corpo animal e corpo espiritual". Orígenes, em seus comentários sobre o Novo Testamento, afirma que esse corpo dotado de uma virtude plástica, segue a alma em todas as suas existências e peregrinações, para penetrar e dar forma aos corpos mais ou menos grosseiros e materiais que esta alma reveste e que lhe são necessários ao exercício de suas diversas vidas. Pezzani, segundo Gabriel Delanne, apresenta a opinião de alguns padres da Igreja; (Pezzani, jornal La Verité, de 5 de abril de 1863).

Orígenes e os padres alexandrinos sustentavam: um, a certeza; outros, a possibilidade de novas provações sucedendo à provação terrena, e tiveram de levantar a questão de saber-se qual o corpo que deveria ressuscitar no juízo final. Resolveram essa questão atribuindo a ressurreição a um corpo espiritual, como fizeram S. Paulo e, mais tarde o próprio Santo Agostinho, e representaram os corpos dos eleitos como incorruptíveis, sutis, tênues e extraordinàriamente ágeis. Bordeau, em "Le Probleme de la Mort", à pág. 36 e seguintes e 62, comenta: Então, uma vez que esse corpo espiritual, inseparável companheiro da alma, representava, por sua substância quintessenciada, todos os invólucros grosseiros de que a alma pudesse estar passageiramente revestida, e que devia deixar à podridão e aos vermes dos mundos atravessados por ela - e uma vez que este corpo havia ponetrado com a sua energia todas as matérias instruidas para um uso perecível e transitório, o dogma da ressurreição da carne substancial recebia, por meio desta sublime concepção, uma confirmação brilhante. O corpo espiritual, assim concebido, representava todos os outros que não mereciam o nome de corpo, se não fosse a sua agregação a esse princípio vivificador da carne real, ao qual os osprritos chamaram perispírito.

Tertuliano declara que a corporeidade da alma é afirmada pelos Evangelhos: “Corporalitas animae in ipso Evangelico relucescit", porque - acrescenta ele, ”se a alma não tivesse um corpo a imagem da alma mais teria a imagem dos corpos". (Tratado de Anima, caps. VII a IX, ed. 1657, pg. 8) São Basílio fala do corpo espiritual, da mesma maneira que Tertuliano. Em seu tratado de Espírito Santo, assegura ele que os anjos se tomam visíveis pelas espécies de seu próprio corpo, aparecendo aos que são dignos disso. (São Basílio, Liber de Spiritu Sancto - XVI edic. Benedict. t. III pg. 32).

Somente Deus, sendo incorpóreo, segundo S. Cirilo de Alexandria, só Ele não pode ser circunscrito, enquanto que todas as outras criaturas o podem, se bem que seus corpos não se assemelhem efetivamente ao nosso. Se chamamos aos demônios animais aéreos, como o disse Apulêo, é ainda, na opinião do grande bispo de Hipona, porque eles possuem a natureza corpórea, sendo ambos da mesma essência. (Santo Agostinho, Scep. Ben. ad. litt., I, 111, c. X) A denominação de anjo, de acordo com S.

Gregório é que ele é um animal dotado de raciocínio. (Homelia X, no Evang.) S. Cirilo de Jerusalém escreve: O nome "espírito" é um nome genérico e comum; tudo o que não possui um corpo pesado e denso é de um modo geral denominado espírito. (Catechesis, XVII, edic. benedic. de 1720, pgs.251 e 252) Na obra citada à página 252, Nota do Beneditino Dom. A. Toutée, em outras passagens atribui S. Cirilo, quer aos anjos, quer aos demônios, quer às almas dos mortos, corpos mais sutis que o corpo terrestre.

Eis o que nos diz S. Bernardo: “Somente a Deus concedemos a imortalidade e bem assim a imaterialidade, porque a sua natureza não carece para si próprio, nem para outrem, do auxílio de um instrumento corpóreo”. (Sup, Quantie, Homelia X) Santo Ambrósio de Milão, por sua vez, expressa a sua doutrina nos seguintes termos: Não imaginemos que ser algum esteja isento de matéria em sua composição, execetuando-se tão só e unicamente a substância adorável da Trindade. (Abraão, t. 11. c. XIII, n. 58) Gabriel Delanne, em sua obra já citada, diz que Pedro Lombard, o mestre das sentenças, deixava indecisa a questão, mas, todavia, expunha esta opinião de Santo Agostinho: Os anjos devem ter um corpo, a que não se submetem, mas ao qual governam como submisso que é à sua vontade, transformando-o, dando-lhes as formas que querem para a manifestação de seus atos.

Evódio, bispo de Uzala, escreve em 414 a Santo Agostinho, inquirindo-o acerca da natureza e causa de aparições, de que lhe dá muitos exemplos, e para lhe perguntar se depois da morte: Quando a alma abandonou este corpo grosseiro e terrestre, não permanece a substância incorpórea unida a um outro corpo, não composto dos quatro elementos como este, porém, mais sutíl, e que participa da natureza do ar ou do éter?. E assim conclui ele sua missiva: Acredito, portanto, que a alma não poderia existir sem corpo algum. (Obras de S.

Agostinho, edic. 8enedict. de 1679, t. II, carta 158, col. 560 e seguintes) Preciso também se torna conhecer a carta de S. Agostinho a Nebrido, escrita em 390, em que o bispo de Hipona assim se manifesta: Necessário é te recordares de que agitamos muitas vezes, em discussões que nos punham excitados e sem fôlego, essa questão de saber se a alma não tem por morada alguma espécie de corpo, ou alguma coisa análoga a um corpo, que certas pessoas, como sabes, denominam o seu "veícu! o". (S. Agostinho, op. cit., t. II, carta 14, cols, 16 a 17) Vejamos S.

Bernardo: Atribuiremos, pois, com toda a segurança unicamente a Deus, a verdadeira incorporeidade, assim como a verdadeira imortalidade; porque, único entre os espíritos, ultrapassa toda a natureza corporal, o suficiente para não ter necessidade do concurso de corpo algum para qualquer trabalho, pois, que só a sua vontade espiritual, quando a exerce, tudo lhe permite fazer. (Sermão VI in Cantica, ed. Mabillon I, col. 1277). E S. João de Tessalônica resume nestes termos a questão, em sua declaração ao segundo concílio de Nicéia (787), o qual adotou as suas opiniões: Sobre os anjos, os arcanjos e as potências, - acrescentarei também - sobre as almas, a Igreja decide que esses seres são na verdade espirituais, mas não complementamente privados de corpo, ao contrário, dotados de um corpo tênue, aéreo ou ígneo. Sabemos que assim têm entendido muitos santos padres entre os quais Basílio, cognominado o Grande, o bem-aventurado Atanásio e Metódio e os que ao lado deles são colocados.

Não há senão Deus, unicamente, que seja incorpóreo e sem forma. Quanto às criaturas espirituais, não são de modo algum incorpóreas. (Hist. Universal da Igreja Católica, pelo abade Bohrbacher, doutor em Teologia, t. XI págs. 209 e 210) Em "Cristianismo e Espiritismo", obra magistral de Léon Denis, vamos encontrar o seguinte: Um concílio, realizado no Delfinado, na cidade de Viena, em 3 de abril de 1312, sob Clemente V, declarou heréticos os que não admitissem a materialidade da alma. (O Espiritualismo na História, de Rossi de Giustiniani) Acreditamos, diz Denis, dever lembrar essas opiniões, porque constituem outras tantas afirmações em favor da existência do perispírito. Este não é realmente outra coisa senão esse corpo sutil invólucro inseparável da alma, como ela indestrutível, entrevisto pelas autoridades eclesiásticas de todos os tempos.

Essas afirmações são completadas pelos testemunhos da Ciência atual. As sucessivas pesquisas da Sociedade de Investigações Psíquicas, de Londres, evidenciaram 1.600 casos de aparições de "Fantasmas" de vivos e de mortos. A existência do perispírito é, além disso, demonstrada por inúmeras moldagens de mãos e de rostos fluídicos materializados, pelos fenômenos de exteriorização e desdobramento de vivos, pela visão dos médiuns e sonâmbulos, por fotografias de falecidos, numa palavra, por um imponente conjunto de fatos devidamente comprovados. (L. Denis, "Christianisme et Spiritisme", pg. 315) Esta questão, pois, do clero católico, sobre a ressurreição da carne, cai por terra, em virtude de sua impossibilidade! Raciocinemos: As moléculas que compõem o nosso corpo atual pertenceram num passado a um sem número de corpos humanos, vegetais e animais, e pertencerão a milhares de outros corpos.

No dia do Juízo qual seria o verdadeiro dono dessas moléculas, uma vez que elas pertenceram a tantos outros corpos? Para acreditar na ressurreição, necessário seria acreditar no milagre, e pensar que, para satisfação de uma religião qualquer, Deus revogasse suas leis imutáveis. E os casos de bilocação, poderão, por ventura, ser explicados sem o recurso do perispírito. E esses casos não são tão comuns no Catolicismo? Afonso de Liguori, Santo Antônio, S.

Francisco Xavier constam dos anais do Catolicismo romano, como tendo sido vistos ao mesmo tempo em lugares diferentes. Como foram reconhecidos estes santos pelas pessoas que os viram? Única e exclusivamente pelo perispírito. Se a nossa opinião de nada vale, devem valer as opiniões de papas que excomungam ou consideram heréticos aqueles que não acreditarem ou negarem a materialidade da alma e, com mais forte razão, devem pesar na balança das convicções católicas as afirmativas sem discrepância das criaturas por ela canonizadas como santos. S.

Tomás de Aquino, o expoente jurídico do Catolicismo, afirma que "uma doutrina só se revela justa quando está em harmonia com a razão". (S. Tomás, 1ª e 2ª q 98, 1) Sejamos, pois, já que não podemos ser justos no sentido absoluto do termo, ao menos coerentes. *** Poderíamos continuar citando nomes de individualidades de projeção no mundo intelectual, resumindo as suas profissões de fé, para conhecimento dos leitores, mas o trabalho se alongaria demasiadamente. O historiador Josefus, segundo Léon Denis, fez a sua profissão de fé rencarnacionista; Benjamim Franklin, o filósofo Fichte, Proudhom, Shakespeare, Fourrier, Pierre Leroux, Esquiros, Godin, Charles Bonnet, Jean Reynaud, Eugene Nus, Charles Fauvety, Alfred de Vigny, Gérard de Nerval, Coronel Albert de Rochas, Sauvag, Ely, Lomon, Michelet, Victorien Sardou, Camille Flammarion, Louis Jacolliot, George Sand, Honoré de Balzac, Alexandre Dumas Pai, Theophile Gautier, Auguste Vacquerie, Conde de Gasparin, a rainha Vitória da Inglaterra, Luiz, rei da Baviera, os dois últimos imperadores da França e da Rússia, o sultão Murad, o grande juiz Edmond, dos Estados Unidos, os dois presidentes Lincoln e Thiers, Huxley, Wallllcc, Leibnitz, Gustave Geley, Oliver Lodge e uma infinidade mais que se torna fastidioso citar, como partidários da paligenesia.

Há uma lógica profunda na doutrina dos Espíritos. Enquanto as religiões dogmáticas se encerram em seus dogmas e não admitem discussões, os espíritas explicam ao mundo o porquê de suas crenças, e de uma forma tal, que impossibilita à inteligência dos que o combatem, refutá-los com dignidade.

Surgem, apenas, dos antagonistas, argumentos que não são dignos do nome, e a filosofia espírita vai triunfando e se apossando da razão e das consciências. Sente-se que o Catolicismo declina dia a dia. Na época atual, quando se imagina que do alto do papado venha uma orientação mais condizente com o século em que vivemos, surge um dogma aureolado sempre de milagre e de mistério. O dogma da ascenção de N. Senhora causou espécie ao mundo científico.

É o credo quia absurdum a ressurgir quando se pensava que não haveria de aparecer em século de tantas luzes, mais uma incoerência. É por isso que as inteligências mais cultivadas se distanciam dos cultos revelados. Não falamos senão na maioria delas; porque há quem se apegue a crenças em via de desaparecimento, o que constitui, hoje, uma minoria, quando se pretende falar com sinceridade. Diz J. Maxwell, que mesmo as inteligências menos cultivadas, já começam a compreender a insuficiência da revelação.

Ou pelo menos de algumas, achamos nós. Elas se espantam que a divindade tenha podido encarnar e morrer para resgatar uma humanidade tão pouco digna de tamanho benefício. Elas estranham uma solicitude semelhante para com os habitantes de uma esfera das menos importantes do universo. Elas estarrecem ainda, da inexorável severidade deste Deus que, para perdoar os homens, exige a morte de seu próprio filho; que, para ofensas desprezíveis de seres sem uma medida comum com Ele, exige uma eternidade de sofrimentos como castigos de efêmeros ultrages. Tudo isto não pode satisfazer as almas sedentas de verdade e de justiça.

Estes dogmas, diz Maxwell, dão aos homens uma importância cósmica que eles não têm, e emprestam a Deus uma susceptibilidade e uma crueldade indignas do Ser Supremo. Porque o povo se vai integrando mais no século em que vivemos e abandonando essas frivolidades que não mais se ajustam aos nossos tempos, queixa-se o clero da indiferença dos fiéis ou da indiferença crescente de nossas sociedades. Serão indiferentes, em realidade? Não cremos. Encontram-se indiferentes nas classes ricas, nas classes abastadas ou cultivadas.

Uns vão atrás do prazer, outros da Ciência; no fundo eles procuram fazer aquilo que mais lhes agrada. Mas aqueles que não têm recursos, que vivem atormentados, cheios de privações, sob o peso de uma vida de agruras, aqueles que se espantam com a idéia da morte, aqueles que necessitam de consolação e de esperança, estes não podem ser indiferentes. Se eles abandonam as igrejas e os templos, é porque lá não encontram o que procuram. O alimento espiritual que lhes oferecem não lhes satisfaz mais o paladar, querem alimentos mais substancias e menos constestáveis. É isto o que não acontece com o Espiritismo.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.