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Capítulo 38 de 57
Eloista — parte 7 de 26
Da Bíblia aos Nossos Dias · Mário Cavalcanti de Melo
Os Profetas e as Mulheres da Bíblia Iniciamos este capítulo, de chapéu na mão, pedindo perdão aos veneradores da Bíblia, pela nossa irreverência e mais do que isto, pela nossa incredulidade nas narrativas bíblicas a respeito de profetas e profecias. É que nos habituamos a crer, somente, depois que o nosso raciocínio a isso nos autorize. E estudando a história dos profetas e de suas profecias, a nossa razão nos impele para um campo completamente oposto ao daqueles que se curvam ante a santidade destes "homens de Deus" e ante aquilo que consideram como prognósticos seus a respeito da vinda do Messias. Dito isto, falemos primeiramente dos profetas, pelo menos, dos mais conhecidos, e vejamos se estes homens reverenciados através de séculos, podem ser dígnos de nossa admiração, ou servir de exemplo, aos que, como nós, andam sofregamente em busca de caminhos iluminados pela virtude, para podermos alcançar o reino de Deus, prometido pelo Cristo.
Consideremos, com imparcialidade, se o "amaivos uns aos outros" fez parte da vida destes homens; se a compostura, o decoro, a tolerância e a decência, iluminaram-lhes a existência. Não desejamos falar da vida de matanças e crueldades de Moisés e Saul. Elias, como todos sabem, foi aquela figura venerável, que subiu aos céus em um carro de fogo, com seu corpo, seu espírito e o seu corpo espiritual ou perispírito. Temos meditado muito sobre o destino deste homem extraordinário, sem nunca chegar a uma conclusão definitiva. Ficamos sempre na dúvida se ele chegou ileso de queimaduras aos páramos celestiais, ou se sucumbiu em caminho, consumido pelo fogo do veículo que o conduziu. É o que a Bíblia não esclarece. Este profeta, um dos mais venerados pela cristandade, foi um assassino frio e impiedoso. Degolou com a maior simplicidade, num gesto de profunda intolerância, os seus colegas de Baal, no ribeiro de Kison. E além de ter sido recompensado por Deus, pelos seus crimes, há ainda, quem o considere o precursor de Jesus Cristo.
Elizeu, porque em caminho de Betel topasse com um bando de crianças que, em algazarra, lhe chamou careca, abespinhou-se e agiu como um perverso e um sanguinário. Qual foi sua atitude? Amaldiçoou as pobres crianças e fez que duas ursas saídas do bosque espedaçassem quarenta e dois meninos irresponsáveis. E, entretanto, é este profeta venerado pelos bíblicos. Samuel cortou em pedaços o rei Agag, prisioneiro de Saul, posto a resgate e, segundo Bellangé, em "Judaisme", página 198, fez o mesmo com os prisioneiros, que dividiu, em postas, no altar de Guilgal. Nathan, este homem de Deus, foi aquele que enfrentou Davi para reprová-lo por seu adultério com Bethsabé, pelo assassínio de Urias e pelo casamento que se seguiu a esse assassínio. Pois bem, esta figura respeitável de profeta, a quem os bíblicos reverenciam, foi o mesmo que secundou Bethsabé, em seu trabalho junto a Daví, para colocar Salomão no trono, este homem nascido de um casamento sanguinário e infame. Como vêem os homens de Deus, os profetas, também sabiam usar de dois pesos e duas medidas.
O famigerado Salomão, terceiro rei da Palestina, segundo o livro dos Reis, só subiu ao trono, em virtude de haverem Bethsabé e o "justo" Nathan conseguido de Daví que este deserdasse seu filho Adonias, que além de ser o filho legítimo, era, ainda, o mais velho. Adonias, excluído do trono por Salomão, pediu-lhe, como graça, permissão para desposar a Sunamita Abisague, aquela mesma jovem que servira para esquentar a velhice do patriarca Daví. A Escritura não fala se Salomão e Adonias disputavam a concubina do pai, mas afirma que Salomão, apenas, pelo fato da solicitação de seu irmão o fez assassinar. Ao que parece, Deus que lhe dera o espírito de sabedoria, recusou-lhe o da justiça e de humanidade, como também o de continência. E Salomão, este cananeu cuja fama não se sabe se nasceu de seus livros, de suas riquezas ou de suas mulheres, começou seu reinado com um hediodo fratricídio.
O mais interessante é que esta figura venerável, que nunca escreveu livros, ou que, pelos menos, seus livros não chegaram até nós, que nunca foi possuidor de riquezas fabulosas e de cujo serralho abundante muita gente boa duvida, uma vez que seu palácio não daria para abrigar 700 rainhas e 300 concubinas, é justamente engrandecido por estas fantasias, nunca aceitas por homens sérios e que raciocinem normalmente. Junte-se a tudo isto a impiedade com que ele castigava seus súditos, ultrapassando, como diz a Bíblia, de muito, o rigor de seu pai, e digam se esse homem pode merecer o respeito e o acatamento daqueles que presam sua inteligência e os elevados postulados morais de uma doutrina sadia, como a nossa. Temos, ainda, alguns profetas, cujas atitudes estranhas bem podem servir de exemplo, àqueles que têm a Bíblia como farol. Isaías recebeu ordem de Jeová de retirar o cilício dos ombros e "de andar nú com as nádegas de fora". Jeremias, cumprindo ordem do mesmo Deus, andava com uma canga ao pescoço.
Ezequiel, obediente às ordens do Senhor, fez-se amarrar, comeu um livro de pergaminho, deitou-se 390 dias sobre o lado direito e quarenta sobre o esquerdo e depois se banqueteou comendo seus próprios escrementos com bolo. Será êste um exemplo para os que exaltam a Bíblia? Oséias, por determinação de Jeová, amasiou-se com uma prostituta e gerou nela três filhos, depois com uma mulher adúltera procedeu de igual forma. Será possível que Deus incentivasse a prostituição e o adultério? Jonas foi engolido por um monstro marinho, alguns dizem uma baleia, onde passou três dias e três noites; mas, como conseguiu, sem asfixia, arrepender-se no ventre do mostro, Deus teve piedade dele e fez com que fosse vomitado ou defecado em uma praia. Duvidar disto deve ser uma grande heresia. Como é possível negar-se um fato histórico desta natureza? Depois, não está o inferno eterno à espera dos que não crêem nas narrativas milagrosas da Bíblia? Que Deus se apiede de nossa incredulidade. Miquéias, como protesto pelos pecados de seu povo, resolveu andar nú pelas ruas, uivando como um dragão e pranteando-se como avestruzes.
Para imitar, o uivo do dragão, este monstro fabuloso e o prantear de avestruzes, o que deve ser extraordinàriamente comovente, este profeta deve ter convivido com dragões e avestruzes. Tudo isto é muito edificante para a Bíblia. Balaão, um profeta caldeu, muito citado pelos bíblicos, manteve interessante palestra com sua montaria e dela recebeu conselhos de alta moralidade. É que no tempo de Miquéias as bestas falavam. Hoje, quando se trate de bestas devemos andar sempre de cima. Eis alguns dos profetas do Antigo Testamento! Quanta beleza! Quanta coisa edificante e digna de ser imitada! Tudo isto é um poema de doçura, de justiça, de equilíbrio mental! Os que criticam estas coisas não têm bom senso, nem inteligência, nem discernimento. A Bíblia queiram ou não os heréticos, apesar dos pesares, continua sendo sempre um monumento imperecível e inatacável... E aqui ficamos, sem nenhum desejo de seguir os exemplos dos profetas citados, e sem nenhuma disposição de aceitar que suas profecias sejam destinadas a Jesus Cristo.
Isto não significa que pretendamos insinuar aos bíblicos, principalmente aos que entendem de Bíblias, que não se espelhem em seus profetas; advertimos, apenas, como espírita e como irmão, que tenham muito cuidado com a Polícia quando pretenderem imitar Elias, Elizeu e Samuel; com o Hospício quando sentirem desejos de andar como Isaías, Jeremias, Miquéias e Balaão; com a Saúde Pública, quando tiverem de banquetear-se seguindo o "menu" de Jeremias. Cuidado com a língua do povo se tiverem de agir como Oséias, ou das mulheres se agir como Salomão. Saindo, agora, do terreno do humorismo, o único com o qual nos sentimos capacitado a encarar os profetas e as suas profecias, perguntaremos, com o máximo de circunspecção: pode um homem que preza seus princípios austeros, e dá valor à sua inteligência, que tem a moral em sentido muito elevado, tomar a sério coisas desta natureza?
E, mesmo assim, e apesar de tudo o que se vê e que salta em borbotões de entre as páginas do livro sagrado, em matéria de absurdos, incoerências e ridículos, continua a Bíblia sendo um monumento inatacável e imperecível. É a palavra de Deus, é o livro escrito por Deus, é o documento que opõem à doutrina espírita. E o mais interessante é que há até espíritas que, fazendo coro com os nossos adversários, saem a campo para nos atacar, quando procuramos evidenciar que o baluarte dos inimigos do Espiritismo não tem qualquer valor probante, além de difundir erros de toda a espécie e ser um repositório de imoralidades. *** Onde se encontra a moral do "Pentateuco" que só nos apresenta mulheres prostituidas? Rute se entrega a Boos; as filhas de Ló a seu pai; Sara se entrega a Abimeleque e ao Faraó, mediante, é certo, ricos presentes; Tamar se disfarça com os vestuários das prostitutas e, viúva, se entregava a seu sogro, e o levita de Efraim, para amainar o furor de alguns ébrios, não vacila em lhes ceder a mulher, durante toda uma noite.
Deveremos, por ventura, olhar com bons olhos este patriarca venerado pelos católicos, protestantes, judeus e espíritas, que se chama Abraão e que já em idade provecta, obriga Sara a colocar-lhe concubinas no leito, depois a cedeu aos reis de Gerare e do Egito, fazendo-a passar por sua irmã e recebendo no final dos dois atos de sua representação indigna um preço régio pelo corpo de sua esposa? Haverá alguma moralidade na História de Sodoma e Gomorra? Será justo rendermos homenagem ao incestuoso Ló, que coabita com as suas duas desavergonhadas filhas, as desvirgina ao crepitar do fogo que ainda se alastrava por Sodoma e Gomorra, e depois, cinicamente, vem dizer-nos que não sentiu nem quando elas se deitaram com ele? Poderemos de sã consciência, venerar a esse Jeová insensato que premia esses dois monstros com a fecundidade tão desejada pelas judias, a ponto de fazê-las tronco de duas gerações importantes? E o que poderemos dedicar a Jacó, que passa de Raquel para Lia e destas duas irmãs para suas escravas, maculando o ato sagrado do casamento?
Que referência poderemos fazer ao pai de Judá em homenagem ao comércio ilícito que manteve com Tamar, viúva de seus dois filhos? Poderemos espelhar-nos no sábio Salomão, que desposou 700 mulheres, tendo já 300 concubinas, entre elas muitas filhas de reis; e que mandou assassinar seu irmão Adonias, porque este por intermédio de sua mãe Bethsabé, pleiteou que o rei lhe cedesse uma de suas mulheres, a sunamita Abisague? E nesta seqüência de fatos, consignados pela própria Bíblia, chegaremos à dolorosa conclusão, de que este livro venerado há muitos séculos, não nos pode servir de farol, uma vez que os seus principais personagens não podem servir de espelho a ninguém, nem mesmo aos seus poetas exaltadores e fanáticos.
A India - mãe da legislação Hebraica Penetramos em um capítulo que, para nós, será a última prova de nossas constantes afirmativas, isto é, que nada há na Bíblia que seja original. Conforme diz o eminente Louis Jacolliot, os hábitos e costumes da Judéia recordam de tal forma os da lndia que isto já é o suficiente para apagar todas as dúvidas de que haja sido o Hindustão o colonizador do mundo pelas constantes emigrações vindas de lá. Os elevados princípios desta velha civilização dominaram a Pérsia, o Egito, a Grécia e Roma. A Judéia vai mostrar-nos a mesma influência até nos menores detalhes de uma organização social. Colheremos várias provas, ao acaso, sem preocupação de ordem, e logo nos assaltarão à vista as chocantes, as impressionantes semelhanças de textos e tópicos, de sorte que será impossível negar a identidade ou unidade de origem. Casamento das viúvas entre Hebreus e Indús Lemos na gênesis bíblica: Judá fez Her, seu filho primogênito, esposar Thamar.
Her, filho primogênito de Judá, foi um mau homem e o Senhor o fulminou com a morte. "Judá disse, pois, a Onam, seu segundo filho: Desposai Thamar, a mulher de vosso irmão, e vivei com ela a fim de que susciteis filhos para vosso irmão. Ora, este coabitando com a mulher de seu irmão sabia que os filhos que nasceriam dela não seriam seus filhos, mas, sim, de seu falecido irmão, " semen fundebat in terram". (Gên. C.XXXVIII, vs. 6 a 9) Lemos, ainda, no livro de Ruth: Boaz disse: Tomo por mulher Ruth a moabita, mulher de Mahaton, a fim de fazer reviver o nome do defunto em sua herança e que seu nome não se extinga na família, entre seus irmãos e entre seu povo. (C. lv. v -O) Entre os hindus, um pai não podia chegar à morada celeste por sacrificios expiatórios, e as cerimonias que seu filho fazia sobre o túmulo deviam ser renovadas em cada aniversário do morto. Era, pois, necessário, que cada pai tivesse um filho para que as portas do Céu lhe fossem abertas.
Então a lei apelava para o devotamento do irmão ou do mais próximo parente do defunto, considerando infame aquele que se negasse a esse dever sagrado. O filho do novo marido era considerado filho do defunto. O texto bíblico, como se vê, é colocado no costume hindu. Entre os hebreus, segundo Jacolliot, todos os filhos que nascessem da viúva pertenciam ao marido defunto, o que é absurdo, pois, para continuar a posteridade de um homem, apaga-se a posteridade do outro. Entre os hindus, ao contrário, o primeiro filho que nascia tinha por pai o primeiro marido de sua mãe, dele herda e deve cumprir as cerimônias mortuárias; mas todas as outras crianças que surgirem em seguida, pertencem ao irmão ou ao parente próximo que desposou a viúva, e desta maneira, seu devotamento não constituirá mais a ruina de seus interesses. Se depois de haver procriado um filho, não for possível obter outro, a lei permite ao hindu adotar um qualquer que será portador de seu nome e sacrificará em seus funerais.
O hábito hebraico é destituido de bom senso, pois ele declara filhos do defunto todos aqueles que vierem a nascer de sua mulher, sem se inquietar com o verdadeiro pai, que ele priva, desta forma, de toda a descendência. O costume hindu é racional e lógico, pois salvaguarda o interesse dos dois, e, ainda, dá um motivo a este ato, que seria incompreensível sem a crença religiosa, enquanto que a Bíblia não se crê obrigada a esclarecimentos e, naturalmente, ela se encontraria em grande embaraço se dela o exigissem. Percebe-se, assim, com muita clareza, que isto não é mais que uma tradição hindu conservada, muito embora houvesse perdido de vista a finalidade que a legitimava e a tornava aceitável. E Onam não teria certamente que pensar em prolongar a esterilidade de Thamar, se a lei atribuisse a seu irmão, apenas o primeiro filho nascido que pudesse vir à luz da sua união com a viúva. A dedução que se pode tirar, ainda, é que não crendo os judeus na imortalidade da alma, na confecção desta lei ficaram impossibilitados de seguir a lógica dos hindus.
Animais impuros proibidos de comer, de acordo com Manu e as proibições brahmânicas Todo dwija (em sânscrito: homem puro, homem santificado, regenerado) deve abster-se de quadrúpedes de casco não fendido, exceto, entretanto, aqueles que a Santa Escritura permite. O porco doméstico (por oposição ao javali, que é permitido), é declarado impuro, tenha embora o casco fendido. Todos os pássaros carnívoros sem exceção, tais como o milhafre, o abutre e a águia são proibidos. Todos aqueles igualmente que atacam com o bico e rasgam com suas garras. A mesma proibição atinge o pardal, que é dito, coisa notável, protetor das ceifas, pois ele destroi os insetos nocivos. Assim, o cisne, o papagaio, o corvo, o titibá, as aves com crista, o picanço, e todos aqueles cujas línguas atraiam insetos. Todos os peixes, exceto aqueles da espécie patina e roita, isto é, tendo como eles, escamas e barbatanas, não podem fazer parte da alimentação dos que seguem a regra prescrita. Todos os animais enfim que se arrastam sobre a terra ou a cavam com as unhas, são proscritos como mais impuros ainda que os outros.
Toda a impureza ocasionada ao homem por seu contato com um corpo morto dura dez dias e dez noites, ou quatro dias, ou um dia somente, segundo a reputação de sabedoria e a virtude que ele desfruta. O vaso de cobre, de prata ou de ouro que conteve ou simplesmente foi tocado por corpos impuros, deverá ser purificado segundo o modo estabelecido. O vaso de barro deve ser quebrado e enterrado profundamente no solo, pois nada o purifica.
[ ] Para que não nos alonguemos em demasia, uma vez que não iremos fazer ponto final, quando, apenas, começamos a provar a influência que a India exerceu sobre os hábitos e costumes dos hebreus, pedimos aos leitores que consultem o Levítico e verifiquem se no capítulo II, que deve ser lido inteiramente, não se encontram as mesmas proibições da India. Os livros hindus, é bom que se observe, têm uma idade que demasiadamente se avantaja àquela do segundo livro atribuido a Moisés. O que poderemos objetar em face de tanta coincidência, pergunta Jacolliot. Dirão, talvez, que todas essas proibições de animais não são mais que regras de higiene, comuns a todos os povos do Oriente. Isto não impedirá de forma alguma, seja a India a iniciadora, a primeira a indicar o caminho...
Não resta senão um meio de justificar o caso é negar a antiguidade da India. Para isso seria necessário provar primeiro que o sânscrito nasceu do hebraico... Será que alguém terá a arrojo de pretender provar o impossível? A prova da mulher suspeita de adultério Em Números, um dos livros atribuidos a Moisés, vamos encontrar: Então aquele varão trará a sua mulher perante o sacerdote e juntamente trará sua oferta por ela; uma décima de efa de farinha de cevada, sobre a qual não deitará azeite, nem sobre ela porá incenso, porquanto é oferta de manjares de ciúmes que traz a iniqüidade em memória. (v. 15) E o sacerdote tomará água santa de um vaso de barro; também tomará o sacerdote do pó que houver no chão do tabernáculo... e ele dirá à mulher: se ninguém contigo se deitou... Destas águas amaldiçoantes e amargas, serás livre...
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.