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Capítulo 35 de 57

Eloista — parte 4 de 26

Da Bíblia aos Nossos Dias · Mário Cavalcanti de Melo

fundada na Grécia. [ ] Quando o nome Filosofia não havia surgido no mundo, ela existia, por certo, e se confundia muitas vezes com a Ciência e a Religião. Quantos, como os filósofos gregos, não morreram em holocausto à verdade que pregavam? Quantos vultos da humanidade não deram suas vidas pelas verdades que queriam transmitir aos seus semelhantes? Homens de Ciência, religiosos, filósofos, foram queimados vivos, em nome de Deus, nas fogueiras da Inquisição. Na introdução desta obra citamos os nomes de alguns mártires que se tornaram imortais e merecedores da gratidão humana, como os desbravadores do pensamento. O Cristianismo, fundado sob os princípios do mártir sublime, última religião que surgiu à face da Terra, dentro de sua essência primitiva, é a que nos parece a mais perfeita. É o Cristianismo o complemento de todas as religiões anteriores, o último resultado dos movimentos religiosos no mundo, sem que, contudo, possa ofuscar aquelas que a antecederam.

Cristna e Cristo, um a continuação do outro, a reencarnação, no mínimo, das grandiosas idéias que eram comuns aos dois iluminados, foram, com Buda, os maiores vultos da humanidade, no caminho das coisas do espírito. Mas não se pense que tudo foi indiferente a uma evolução. O Cristianismo não surgiria se antes dele outras religiões não houvessem surgido no mundo em que vivemos. Para que uma idéia cresça, ela terá primeiro que nascer. Nasceram os Vedas, à sua sombra nasceu o Brahmanismo, o Budismo. Missionários foram espalhados pelos quatro cantos do globo. Plantaram a semente do espiritualismo; pontificaram sobre a evolução do espírito; pregaram o amor ao próximo e ao Pai Supremo e todas elas condicionaram a salvação às boas ações, aos elevados sentimentos de cada ser pensante. O Cristianismo, pela sua simplicidade, agigantou-se ante as demais filosofias religiosas, porque se estas possuiam postulados sublimes, de outro lado, apresentavam concepções científicas profundamente errôneas. A gênesis da Terra, principalmente, foi tratada de uma forma que a Ciência hoje despresa completamente.

O Cristianismo de Jesus foge sabiamente deste terreno, porque se o Mestre tivesse que ensinar Ciência, fosse em que terreno fosse, ele teria que dizer a verdade para os séculos, e como não pudesse faze-lo em face da deficiência dos conhecimentos humanos daquele tempo, preferiu falar de uma ciência que ele conhecia profundamente: a ciência da alma. Cristo optou pela síntese, seguindo um caminho diverso dos que o antecederam. E ninguém neste vale de lágrimas disse tanto em tão poucas palavras: Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos. Para chegar ao Pai é necessário nascer de novo. Aquele que não nascer da água e do espírito não entrará no reino dos Céus; porque o que é carne é carne e o que é espírito é espírito. A cada um segundo as suas obras. E culminou a sua síntese, a sua maravilhosa síntese na primeira citação.

E sabendo que sobre este degredo viviam espíritos de toda a espécie, não quis deixar o mundo sem plantar no coração, principalmente, dos que mais necessitavam, a imorredoura esperança de uma salvação para todos: "Nenhuma ovelha de meu rebanho se perderá". Nesta síntese admirável, o homem encontra tudo o que deseja; nela está concentrada toda a moral humana. Rios de tinta têm corrido da pena de homens eminentes, que procuram desenvolver os conceitos do grande missionário. E o que iremos encontrar nesta meia dúzia de palavras? A existência de um Deus comum a toda a humanidade; a imortalidade da alma; a evolução desta mesma alma pela reencarnação; o modo de o homem encontrar o caminho da salvação, e por último, a advertência de que ninguém se perderá, mas que a evolução de cada um fica a depender da qualidade das ações. Como vimos acima, sofrem todos os pioneiros das grandes idéias. A morte nunca acovardou os luminares do mundo. Todos se entregaram a ela, mas não souberam abdicar de suas convicções.

Tendo sido o Cristo o maior pensador de todos os tempos, coube-lhe um sacrifício maior, a morte infamante. Mas o vigor de seu pontificado, a essência de sua pregação, malgrado os seus interesseiros desvirtuadores, continua, através dos séculos, a viver no coração dos simples. *** Poderiamos continuar a citar outros autores que contestam seja o "Pentateuco" obra de Moisés. Mas isto seria alongar-nos em demasia. Deixamos para trás figuras eminentes que se pronunciaram em favor de nossa tese. Agora é a própria Bíblia que irá decidir a questão. O "Pentateuco", repetimos, compreende os cinco livros atribuidos a Moisés: o Gênesis, o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronômio. Qual será seu autor? Faremos esta pergunta à Bíblia; esperemos que ela nos responda. Se o leitor folhear o Velho Testamento, no capítulo XXII de II Reis, e lê-lo por inteiro, terá certamente a resposta da Bíblia à nossa pergunta. Nada mais claro que esta exposição. Nela nada se encontra de velado. E o que nos prova esta narrativa?

Ela prova: 1º - Que o "Pentateuco" é obra de Hilquias que, servindo-se da autoridade de Moisés, poria o "Pentateuco" à margem de qualquer discussão, podendo, assim, reformar a religião de Israel. Louis Jacolliot diz, e estamos de acordo, que não há quem acredite que o "Pentateuco" estivesse perdido durante setecentos a oitocentos anos e depois fosse encontrado, por acaso, quando se reparava um templo. 2º - Que até o reinado do rei Josias, até o sumo sacerdote Hilquias, o "Pentateuco" foi uma obra completamente desconhecida. 3º - Que o monoteismo de Moisés não vem de seu tempo, que de autêntico nada mais resta dele, mas do reformador Hilquias. Os atos de demolição aos quais se entregou Josias, evidenciaram de forma absoluta, que a religião judia repousava naquela época sobre as mesmas bases que os cultos fabricados para o povo pelos padres do Hindostão, da Caldéia e do Egito. Como se observou, Josias nada deixou em pé.

Quebrou estátuas e carros; queimou os animais sagrados e os sacrificadorcs sobre os seus próprios altares, atirando ao vento suas cinzas e os seus ossos; exterminou todos os adivinhos, feiticeiros, pitonisas e mágicos, a fim de dar cumprimento ao que estava escrito no livro descoberto pelo sumo sacerdote Hilquias. O "Pentateuco", assim, conforme a própria Bíblia, foi escrito no ano 621 antes de nossa era.

Outras razões que põem por terra a autenticidade do “Pentateuco” – Considerações Por enquanto, ficou provado que a quase unanimidade dos historiadores nega a paternidade do "Pentateuco" a Moisés. Vejamos, agora, se a Bíblia nos auxilia a completar esta prova. Ninguém é capaz de escrever sobre sua própria morte. Em Deteuronômio, C. XXXIV, encontramos: E assim morreu ali Moisés, servo do Senhor, na terra de Moabe, conforme ao dito do Senhor.

E o sepultou num vale na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor, e ninguém tem sabido é hoje a sua sepultura. Isto deve ter sido escrito muito depois da morte do Patriarca. Dirão naturalmente os defensores da Bíblia: esta frase foi interpolada; mas se há interpolação na obra divina, por que consentir que ela subsista? Eis as palavras de Moisés dirigidas a toda Israel "para lá" do Jordão, no deserto, etc... Sabe-se que Moisés nunca atravessou este rio; ele morreu no deserto, no país de Moabe, por haver desesperado um momento.

Ora, se ele não atravessou o Jordão, como pôde ele ter falado a Israel "para lá" deste rio? Esta frase se tornaria clara, se se admitisse que o "Livro da Lei" foi redigido do outro lado do Jordão, durante o período da civilização hebraica: desta forma, entre ele, o rio e o deserto onde Moisés morreu, pôde o historiador dizer: Eis as palavras de Moisés dirigidas a Israel, "para lá" do Jordão, etc... Vemos mais uma vez a expressão "para lá" do Jordão, em Detereunômio III, 8: Assim naquele tempo, tomamos a terra da mão daqueles dois reis amorreus, que estavam além do Jordão, desde o rio de Armon, até o monte de Hermon. Moisés não poderia ter escrito isto. O Hermon é chamado Suriom pelos sidônios, e Senir pelos amorreus (Det.

III, 9). Esta explicação só podia ter partido de um escritor que escrevia muito tempo depois da morte de Moisés, e que expunha a seus contemporâneos um ponto de Geografia e de História, reportando-se à vida de seus antepassados no deserto. No Gênesis, XII 6, lê-se: E tendo lá chegado; atravessou Abraão este país, até chegar ao lugar chamado Siquém, até o vale ilustre, Era então o cananeu que habitava esta terra. O que se conclui, sem esforço, do versículo citado, é que no tempo em que ele foi escrito, os cananeus não habitavam mais êste país: assim, este escritor escrevia depois de Josué que foi quem expulsou os cananeus desse lugar. Moisés, portanto, não é este historiador.

Em Gênesis XVI, 14, está escrito: Ouvindo, pois, Abraão que seu irmão estava preso, armou os seus criados, nascidos em sua casa, trezentos e dezoito, e os perseguiu até Dan. Ora, o Livro dos juízes, C. XVIII, v. 29 nos diz que até o tempo dos Juízes, a cidade assaltada pela tribo de Dan chamava-se Laís, e que só depois deste fato é que recebeu aquele nome. Moisés, que não mais existia no tempo dos Juízes, não podia ter dado nome àquela cidade, justamente na época em que ela passou de Laís para Dan. Deduz-se, assim, que o narrador foi muito posterior a Moisés, uma vez que era, também, posterior aos Juízes.

Ainda em Gênesis, C. XXXVI v 31 e seguintes, falando da posteriormente de Isaú, vimos o seguinte: E estes são os reis que reinaram na terra de Edom, antes que reinasse rei algum sobre os filhos de Israel. Israel só teve reis depois de Saul, é, pois, impossível que Moisés pudesse escrever esta frase. Eis a razão pela qual a crítica séria nega a paternidade do "Pentateuco" a Moisés. Nesta obra fala-se do Patriarca, como de outros personagens, sempre na terceira pessoa.

Não se encontra o pronome "EU" se não quando se faz expressamente falar Moisés, e isto da mesma forma com relação aos demais personagens. Diante de tanta contradição, de tantos erros históricos, poderá a Cabala, com a sua ciência de símbolos e a sua numerologia penetrar fundo no Antigo Testamento? *** Há outra impossibilidade, ainda. Nada ou quase nada é original no Antigo Testamento. Com referência à legislação hebraica, ela está exposta neste livro ao lado da brahmânica. Ninguém de bom senso será capaz de negar que a legislação hindu é muito anterior à mosaica.

Quem foi, pois, que copiou? Se alguma lei judaica fosse igual à brahmânica, poder-se-ia falar em coincidência; mas quando se trata da quase totalidade das leis, sendo que muitas delas copiadas quase literalmente, não se pode negar que aí andou papel carbono e do bom, A Judéia, a mais nova nação do mundo antigo, não podia esquivar-se à influência destas velhas tradições que se encontram no berço de todos os velhos povos asiáticos. Façamos aqui um estudo comparativo entre a gênesis de Manu, de Moisés e de outros, para evidenciar aos que lerem nosso livro que não afirmamos de oitiva, que os autores do "Pentateuco" foram buscar em povos mais antigos motivos para sua história da Criação. Citemos da Gênesis brahmânica, apenas, a parte essencial para não alongar-nos demasiadamente: Quando chegou a hora do despertar, Aquele que existe por si mesmo, que não está ao alcance dos sentidos exteriores, desenvolvendo a natureza com os cinco elementos e os princípios sutis, apareceu brilhante de luz e sua presença expulsou a noite. Aquele que só a inteligência concebe, que escapa aos sentidos, que é invisível, eterno, alma universal, que ninguém pode definir nem compreender, desenvolveu seu poder.

Ele resolveu em seu pensamento tirar de sua própria substância todos os seres e depositou nas águas que criou, em primeiro lugar, o germe da vida universal. Este germe estava contido em um ovo de ouro, tão brilhante quanto o astro resplandescente do dia, no qual Brahma, o Senhor de todos os seres, depositou uma parcela do seu pensamento imortal fecundado por sua vontade. “As águas receberam o nome de “naras” porque elas eram a emanação do Espírito Divino “Nara”, E as águas tendo sido o primeiro lugar do movimento “ayana”, de Nara, o Espírito Divino Criador, foi chamado Narayana, ou aquele que se move sobre as águas”. Façamos, agora, uma interrupção na Gênesis brahmânica, para provar sua influência nos demais povos antigos. Vejamos a "Gênesis" do "Pentateuco": No começo os deuses criaram os céus e a Terra.

E a Terra era informe e vazia e o Espírito de Deus se movia sobre as águas. O Espírito Divino Criador, dizia o velho legislador hindu, foi chamado Narayana - Aquele que se movia sobre as águas A cópia quase textual deste versículo pela gênesis do "Pentateuco" é impossível negar. A mesma lenda preside o princípio da gênesis egípcia: Primitivamente não havia nada no vácuo. Pouco depois uma sombra prodigiosa, terminava em tortuosidades oblíquas e se revestia de uma natureza úmida, e se agitava com um estrondo terrível, um vapor escapava dela com barulho. Uma voz saiu deste barulho e me parecia a voz da luz.

Este Verbo era carregado por um princípio úmido, e dele saiu o fogo puro e leve que se perdeu nos ares. O ar leve semelhante ao Espírito ocupa o espaço entre a água e o fogo, e a terra e as águas eram de tal forma misturadas, que a superfície da terra, envolvida pelas águas, não aparecia em ponto algum. Foram ambos agitados pelo Verbo do Espírito, porque ele era carregado neles. (Hermes Trimegiste) A mesma lenda na Caldéia: Nouah, a Inteligência, nós diriamos vontade do Verbo, que anima a matéria e a torna fecunda, que penetra o Universo, o dirige, o faz viver, e que é ao mesmo tempo o rei do ”elemento úmido” e o Espírito carregado sobre as águas. (François Lenormand - La Magie chez les Chaldéens ) . Na Oceania a mesma gênesis, eis como principia: No princípio não havia nada e Juoiho, o Deus Supremo, habitava no vácuo: houve aí em seguida uma massa líquida cobrindo os abismos. E o Deus tipo, fonte da raça humana, planava sôbre as águas. (Do Bovis - "Notes sur la Polynésie") E nesta seqüência de citações, que poderia ser aumentada, observa-se a gênesis do "Pentateuco" em todas as demais do mundo antigo.

A lenda de Adão e Eva hebraica é a lenda de Ádima e Heva brahmânica, copiada, com algumas modificações, por inúmeros povos da antiguidade. O paraíso terrestre dos hebreus foi calcado no Paraíso terrestre dos hindus e de outros povos de grande antiguidade. E assim, a história do Dilúvio, de Noé, do sacrifício de Isaque, copiado do Ramatsariar, e que já consta deste livro. Como pode, pois, a Gênesis, ser uma revelação de Deus a Moisés, quando não é mais que uma cópia de outras gênesis existentes em religiões mais antigas? E como pode ser ela honestamente explicada pela Cabala com a sua ciência de símbolos e a sua numerologia?

Segundo alguns exegetas e entre eles Adam Franck, a Cabala tem a sua origem em duas fontes diversas. Os adeptos desta "ciência", entre os quais estão diversos místicos cristãos, como Raymundo Lulle, Pic de La Mirandola, Reuchlin, Guilherme Postel, Henri Moros, olham-na como uma tradição divina tão antiga quanto o gênero humano. Eles supõem que um anjo chamado Raziel, isto, é, o anjo dos mistérios, veio por ordem de Deus ensinar a Adão, no momento em que este era expulso do paraíso terrestre, acabrunhado por sua queda, quando tinha mais necessidade de socorro sobrenatural, esta "ciência" extraordinária. Assim, para estes místicos cristãos, Adão ao sair do paraíso, já levava no bolso a tão decantada Cabala. Outros, menos ambiciosos, a fazem remontar ao tempo de Moisés, sustentando que ela lhe foi revelada no Monte Sinai, ao mesmo tempo em que a lei.

É conservada em estado de tradição entre um pequeno número de sábios, até a volta do cativeiro de Babilônia. Enfim, como um excesso provoca sempre outro excesso, vários críticos viram na Cabala uma imitação servil do misticismo árabe, deste misticismo bizarro, exaltado, que se desenvolveu no começo do IX século pelo contato das idéias de Alexandria com o espírito muçulmano, e do qual Avincenne (lbn-Sina) é a expressão mais completa. Quanto à primeira hipótese é até ocioso comentar. Nenhum espírito sério poderia, hoje, em pleno século XX, acreditar em tão excessiva antiguidade A segunda hipótese é a mais aceita pelos cabalistas modernos, sem apoio na História e simplesmente por uma questão de fé. Em face de tudo o que verificamos, pomo-nos de perfeito acordo com César de Vesme, quando em sua "História do Espiritualismo Experimental", nos diz: Não seria eu reprovado silenciando sobre a Cabala?

Com efeito todo o mundo a conhece de nome, mas ninguém, sabendo exatamente o que ela é, pois ela não é coisa nenhuma, poderá supor que ela tem qualquer ligação com o espiritualismo experimental. Na realidade, ela é sobretudo julgada como uma interpretação oculta da Escritura Santa e se serve para seus misteres de três operações especiais: o “Themurah" ,o “Notarikon" e a "Gematria" que são expostas nesta obra por um galimatias incompreensível. Tudo isto é misturado a uma doutrina metafísica à qual se atribui a mais remota antiguidade, mas que, sob a forma escrita, data do VIII ou IX século de nossa era. Estes “aegri-sommia" foram estudados e comentados, no curso do último século, por Adam Franck, "A Cabala ou a Filosofia Religiosa dos Hebreus", 1842; por S. Karppe, "Estudos sobre as Origens e Natureza do Zohar", 1901; por Joel e Jellinck, e outros autores israelitas, com o inegável resultado de mostrar nela o "vaccuum" absoluto.

Temos em nosso poder o estudo sobre a Cabala, de A. Franck, a que se refere César de Vesme; é uma história muito complicada e muito longa para ser contada, e nós, honestamente, não a saberiamos resumir. Cito, apenas, uma de suas notáveis passagens: 0 que se aplica em primeiro entre os cabalistas e faz mesmo parte de sua originalidade, é a forma pela qual eles expõem geralmente sua doutrina. Como eles não ousam confessar-se ou para dissimular aos outros toda petulância, se esforçam ou se dão ares de tirá-la da Escritura Santa, e como a Escritura Santa não se presta de modo algum a este intento, tomam com ela as mais estranhas liberdades. Não tendo em conta o valor das palavras, nem as leis de linguagem, eles substituem em toda parte o sentido natural por um sentido alegórico que, como se deve esperar, é a expressão de suas opiniões preconcebidas.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.