[user_registration_my_account]
Capítulo 46 de 57
Eloista — parte 15 de 26
Da Bíblia aos Nossos Dias · Mário Cavalcanti de Melo
Negam, pura e simplesmente, a existência da alma, e daí, o pessimismo, o empirismo e o fanatismo. Ela compreende o Positivismo, o Monismo, o Evolucionismo, criadas respectivamente por A. Comte, Haeckel (Ernst-Heinrich) e Herbert Spencer. O Espiritualismo, apesar de possuir ramos diversos, como o animismo, o vitalismo, o idealismo e o espiritualismo científico, está acorde em admitir a existência de Deus e da alma. Em outra parte já tivemos oportunidade de falar sobre as diversas correntes do Espiritualismo.
O que nos interessa, porém, sobremodo, é penetrar fundo no estudo do moderno espiritualismo, que sendo uma filosofia perfeitamente definida pelo notável codificador da doutrina dos Espíritos, através de seus livros básicos, tomou-se uma ciência experimental a preocupar o espírito de sábios eminentes que a ela se têm entregado, apresentando já um farto cabedal de fatos objetivos aos estudiosos do assunto. Como já tivemos ocasião de afirmar, a crença na alma e na sua imortalidade é quase tão velha quanto o mundo. As manifestações do espírito têm-se dado através de todos os tempos, e sem cogitar de religiões, por intermédio dos sensitivos (médiuns) que, no passado, tiveram denominações diferentes. Firmaram desta maneira, a crença na imortalidade, porque do Alto lhe vinham dizer que o espírito volta à Terra para aperfeiçoar-se. Tudo, no entanto, se cingia, apenas, à revelação e nada mais.
É sobre a Reminiscência Platônica que se apoiava principalmente a doutrina das reencarnações. A precocidade dos conhecimentos nas crianças, o desenvolvimento de sua inteligência nos primeiros anos da vida, o conhecimento inato das Ciências e das Artes nas criançasprodígios, não podendo ser explicada pela hereditariedade, nem por um desenvolvimento anormal da caixa craneana, fez dizer a Sócrates e em seguida ao grande filósofo grego que "aprender era recordar-se daquilo que se sabia em uma outra vida". (Phoedon). Depois de Sócrates e Platão, a Metafísica e a Psicologia moderna admitiram que estas manifestações extraordinárias em certas crianças não podem ser explicadas senão por adquiridos em encarnações precedentes. Chegamos, afinal, à experimentação. Com o Coronel de Rochas, muitos outros cientistas se empregaram a fundo na pesquisa objetiva da reencarnação, abandonando, por completo, porque a Ciência não aceita a revelação, o estudo desta doutrina no terreno prático.
E assim, por meio da hipnose, conseguiram. no terreno da ciência experimental, aquilo que se encontra resumido no livro "Reencarnação e suas Provas" que escrevemos de parceria com o eminente mestre Dr. Carlos Imbassahy, o maior escritor espírita, sem favor algum, do mundo contemporâneo. Como se processavam, porém, as provas experimentais por meio da hipnose? O princípio é o seguinte: Por meio de certos processos de hipnose, faz-se remontar os pacientes às suas vidas anteriores, como veremos adiante, passando pelos estados transitórios no outro mundo, e desta forma obtêm-se os detalhes de todas as fases de suas existências passadas. Marchemos cautelosos por este surpreendente terreno.
Ele é apenas, no dizer de Geley, o começo da separação entre o princípio psíquico e o corpo. Diz mais que no princípio da "exteriorização" desaparece a sensibilidade da pele e das mucosas, não se sente fadiga muscular e o indivíduo pode suportar durante muito tempo as mais fatigantes posições do corpo. Ao mesmo tempo, a sensibilidade localiza-se fora do corpo, a pequena distância e em linha de exteriorização muito fixas e regulares (De Rochas). O sentido único torna-se evidente e por meio dele é que o hipnotizado se comunica com o mundo exterior. Vê, ouve e percebe, não ·já pelos sentidos ordinários, mas por este sentido único, sem localização, espalhado pela superfície de radiação periorgânica.
Daí as manifestações sensorias bizarras que os hipnóticos têm comprovado e que em vão alguns pretendem explicar por simples hiperestesia do passivo. (G. Geley). As fases superiores da exteriorização são suficientes e permitem o exercício das faculdades transcendentais: .Então, já não há cérebro para a percepção ou para o pensamento, mas a percepção e o pensamento podem ser exercidos por todo o organismo do indivíduo. Neste estado e graças ao éter ambiente, cujas vibrações se exercem em uníssono no seu éter anímico exteriorizado, o pacienfe pode dar fé de uma série de fatos passados, presentes e até me atreveria a dizer, também futuros... (Analise des Choses - Dr. Paul Gibier).
Durante esta separação relativa do organismo, a personalidade normal desaparece; as recordações reaparecem em tropel e a subconsciência desempenha um papel preponderante. O valor da subconsciência explicar-se-á pelo grande número de existências vividas. As faculdades superiores, isto é, a própria clarividência, explicar-se-ão pela superioridade do "eu real" exteriorização sobre a personalidade normal que constitui a sua união com o corpo atual. Quanto à comprovação das personalidades múltiplas no mesmo Indivíduo, quer nos estados hipnóticos, quer na vida ordinária, principalmente tratando-se de pessoas predispostas, ela nada tem de estranho, segundo a doutrina das vidas anteriores. Notemos, ainda, o esquecimento dos fatos verificados durante o "sono hipnótico", que provam claramente a obnubilação da alma que resulta da sua união com o corpo.
A alma ao entrar de novo no corpo, perde a lembrança dos fatos realizados, da mesma forma que a lembrança do passado, quando toma conta de novo corpo. Insistimos, sobretudo, nas observações relativas às "personalidades múltiplas no mesmo indivíduo", que se manifestam em períodos sucessivos de duração variável e que de tal maneira se "ignoram reciprocamente", que o paciente, permanecendo num desses estados, nada sabe do que fez em qualquer dos anteriores. Além disso, apresenta várias consciências e não tem noção de sua situação real. Ninguém deve, portanto, admirar-se de que, ao apoderarmo-nos de novo organismo, esqueçamos o passado que vivemos anteriormente". (G. Geley).
Façamos aqui ponto final sobre este assunto, no terreno experimental. A literatura clássica do Espiritismo é farta em documentação desta natureza. Fica, apenas, evidenciado que o pensamento intuitivo de um sem número de filósofos da antiguidade sobre a reencarnação, tem hoje a comprovação da Ciência, por intermédio de vultos eminentes, cujo saber e cuja idoneidade nunca foram postos em dúvida pelos sábios seus colegas. Nestas transcrições e principalmente na de Gustave Geley, estamos respondendo à pergunta muitas vezes feita por pessoas que não conhecem a doutrina dos Espíritos, o porquê do esquecimento do homem quanto às suas vidas pregressas. Nenhum outro processo mais que o hipnotismo veio comprovar com tanta força a razão do esquecimento de nos as vidas anteriores.
O nosso organismo atual é novo, o outro, o do passado, já se diluiu em proveito de outros seres que, como nós, se exercitam no caminho infindável do aperfeiçoamento, da evolução. E sendo novo este organismo, a alma se solidariza inteiramente com ele, não podendo, assim, manifestar as coisas, os fatos, as ocorrências de um passado vivido. Depois da morte o consciente e o subconsciente se ajustam e se confundem. * * * Antes de continuarmos na faina trabalhosa de revelar aos leitores, principalmente, àqueles que não estão familiarizados com este assunto, o moderno pensamento sobre as vidas anteriores, seja-nos permitido voltar a um passado distante, muito distante mesmo, para evidenciar que a idéia reencamacionista existe desde as mais remotas eras e se perde na noite dos tempos. Na antiguidade havia um acordo quase unânime concernente à Metempsicose. Anteriormente falamos nos povos que admitiam a imortalidade da alma e sem que necessite repetir seus nomes e seus livros sagrados, apenas acrescentaremos que todos eles eram partidários da metempsicose, transmigração, reencarnação ou palíngenesia.
Naturalmente que não iremos exigir de todos eles as nossas idéias mais modernas. A infância não pode produzir aquilo que o homem obtém na maturidade. Segundo as "Leis de Manú" (XII, § 41 até o § 51), o sistema da transmigração é dividido em três classes principais. Estas três classes são conforme as três qualidades principais da alma, a saber: 1º - A bondade, cujo caráter distintivo é a Ciência; 2º - A paixão; 3º - A Obscuridade, a ignorância ou a maldade. (Leis de Manú, XII § 24, 26, etc). "O ateismo ou o materialismo denotam ignorância ou obscuridade" (Tamas).
Segundo os Vedas e de acordo com a escola de Sankhya, há quatorze esferas de transmigrações onde o espírito espia os seus pecados e se purifica, a fim de se despojar, no futuro, definitivamente da matéria; sete esperas são superiores ao homem, a oitava é o estado humano e as seis últimas são inferiores ao homem. Estas quatorze esferas ou ordens constituem os três mundos que representam no espírito dos hindús o império das três qualidades da alma. Nesses mundos, nessas esferas, a alma experimenta o mal que nasce da decadência, até que ela fique completamente livre de sua união mesmo com o corpo etéreo e com os elementos sutis, e até que seja transformada na condição de puro espírito. Todas as almas cuja contemplação haja sido parcial ou restrita, que não cumpriram as obras pias e desinteressadas, expiam suas faltas nas sete regiões destinadas à retribuição das obras. Isto se assemelha um tanto ao purgatório dos católicos, ao Hades dos gregos e ao Amenthés dos egípcios.
Além destes mundos ou esferas intermediárias ou expiatórias, há ainda, os lugares onde os maus sofrem por suas culpas, tais como o Yamma-loca e o Atam tappes (pontos de obscuridade) - (Roger La porte ouverte pour parvenir à la connaissance du paganisme caché, - traduzido em francês por Le Grüe. Amsterdam, chez Jean Schipper - 1671 - T. 11. C. 21). Podemos comparar esses lugares, onde os maus sofrem toda sorte de penas e tormentos, ao inferno. Não obstante, depois de haverem passado numerosas séries de anos nestas terríveis moradas infernais, os grandes criminosos são condenados, no fim deste período, às transmigrações penosas para término da expiação de seus pecados. (Leis de Manú - XII, § 75, 76 e 80).
Segundo as Leis de Manú, não há penas eternas; a alma cujas manchas foram apagadas voltam a encarnar no corpo de um homem. Os cinco elementos do corpo etéreo concorrem para a formação do corpo grosseiro que está destinado a sofrer as torturas do inferno (Leis de Manú - XII, § 21). Quanto às almas bem-aventuradas, há para os indianos, duas classes principais, levando em consideração a metempsicose: 1º - Os santos, cuja meditação piedosa foi dirigida sobre o puro Brahma, e que vê a alma suprema em todos os seres (Leis de Manú - XII, § 90); 2º - As almas daqueles cuja contemplação foi parcial e restrita. Estas almas inferiores à dos Santos são obrigadas a reencarnar na Terra (Brama-Soudra, 11). Estes espíritos não vão além das regiões da lua, ou segundo o seu grau de perfeição, podem atingir o reino de Varouna, o regente da água.
É de lá que eles voltam a ocupar um novo corpo, trazendo consigo a influência resultante de suas primeiras obras. (Brama-Soudra, III, C. I. § 4-6). Estas transmigrações da alma dependem da virtude e do vício, pois, o destino da alma é principalmente influenciado pelos pensamentos que ele experimenta no momento da morte. (Brahma-Soudra – I, C. 2, § 1; Leis de Manú, XII, § 23). Isto que acabamos de escrever se refere à lndia cujas doutrinas não podem ser citadas integralmente, pois, dariam para um livro assaz volumoso. Os chineses, da mesma forma, admitem a metempsicose.
O livro das recompensas e das penas, escrito pelo doutor Lao-sse, traduzido, como já dissemos anteriormente, por Julião (§ 136), diz que os maus são atirados em um braseiro, cuja intensidade do fogo é proporcional à gravidade dos crimes, ou do mal que fizeram aos seus semelhantes. O homem mau é obrigado, depois da morte, a percorrer uma das três carreiras infelizes que se chama San-tou: 1º - a voltar ao mundo como besta de carga; 2º - a sofrer em um braseiro Os suplícios do inferno; 3º - a ser um demônio de fama. Segundo as "Mémoires des missionaires" (XV, 250), concernentes à China, as prisões dos maus espíritos ficam nos limites extremos do universo, bem longe, não só das habitações dos bons espíritos, mas, ainda, separadas dos lugares de expiação, onde os espíritos bons que não cumpriram seus deveres integralmente expiam suas faltas cometidas em suas passagens na Terra. O sistema de várias encarnações foi adotado também pelos egípcios (Heródoto, liv. II, C. 123), que diziam que as almas se desalojavam de um corpo para outro, tanto de homem como de besta; e quando elas houvessem percorrido toda a escala da animalidade existente neste planeta, que passariam então a possuir um corpo humano para depois atingir o Céu, isto depois de um curso de três mil anos.
A Grécia e Roma admitiam também a doutrina da metempsicose. Os gregos certamente beberam nos egípcios estas idéias. Os mais sábios dentre os gregos, Lycurgo, Solon, Thales, Pitágoras e Platão, estiveram no Egito e aí conferenciaram com os seus padres. Diz-se que Solon foi instruido por Sonchis de Sais, e Pitágoras por Enuphis o Heliopolitano, Pitágoras, sobretudo, cheio de admiração por estes padres, a quem ele havia inspirado os mesmos sentimentos, imitou sua linguagem enigmática e misteriosa, e envolveu seus dogmas com o véu de alegoria. (Plutarco, d'!sis et d'Osiris; Ricard, V. 328). No livro "Reencarnação e suas Provas" falamos sobre as reencarnações de Pitágoras e sobre a memória de suas vidas passadas.
A felicidade da vida eterna consiste, sobretudo, segundo os antigos, na faculdade de conservar a memória do passado. Separarse a imortalidade do conhecimento e do saber não será mais uma vida, mas uma longa duração de tempo. (Plutarco d'Isis et d'Osiris trad. de Ricard, V. 319). Platão era crente na palíngenesia (Timée 42, 90, tec.; Phaedon, 34); pois não é senão pelas reencarnações sucessivas e diversas que a alma atinge as moradas celestes e eternas, depois de haver expiado nos corpos terrestres os seus pecados. Píndaro (Olymp. Od.
II) disse: que segundo a doutrina da escola de Pitágoras, a alma não atinge o gozo do repouso celestial e eterno junto aos deuses senão depois de haver encarnado três vezes na Terra para expiar seus pecados. Sabe-se que, segundo a tradição, Orpheu foi transformado em um cisne depois de sua morte; Ajax filho de Telamon, em leão, e Agamenon em uma águia. Segundo Philon, as almas descem continuamente à Terra, outras sobem ao Céu para voltarem novamente. As almas despojadas do corpo habitam nos ares; há algumas que se revestem de corpos terrestres; outras de uma natureza mais elevada desdenham da reencarnação (Philo quod a Deo mittant somn., 568; ed. Mag., I. 641).
Os romanos, seguindo as pegadas dos gregos, crêem da mesma forma na metempsicose. Todos os letrados conheciam os versos de Ovídio (Metamorph., lib. XV): Morte earent animoe, semperque priôre relicta Sede, novis domibus vivunt, habitantque reeeptoe. Omnia mutantur, nihil interit, errat, et illinc Hue venit, hine illue, et quoslibet oeeupat, artus, Spiritus eque feris humana in eorpora transit, Inque feras noster, nee tempore deperit ullo. Em Vergílio e ainda em Horácio vamos encontrar a metempsicose.
Nos povos Indo-Germânicos, vemos, ainda, traços desta doutrina (Coesar, de bello gallico, liv. VI). Segundo os druidas, a alma do morto vai revestir um novo corpo em outra esfera, mas não na Terra. (Lucan, Pharsal, lib. I, v. 454, etc.). Os israelitas, isto é, a seita dos fariseus admitia igualmente a metempsicose e havia entre os rabinos doutores que acreditavam na transmigração das almas humanas em corpos de animais, de vegetais e de minerais. (Josefus.
Antic. Jud. lib. XVIII, c. 2). Segundo São Pedro (1ª. Epístola C.
III, 19), o Cristo, depois de sua morte, foi pregar aos espíritos que se encontravam em prisão. A apóstolo Paulo em sua Epístola aos Hebreus (XI, 39, 40) Calando dos Santos do Velho Testamento diz: "E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa; provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados". Em Homero (Ilíada V, 395, XXIII, 72; Odisséa XI, 57), encontra-se: "Há segundo as tradições sagradas da antiguidade, no Bades, uma variedade infinita de esferas mais ou menos felizes ou infelizes". O Hades dos indianos foi o reino de Yama. Os antigos egípcios acreditavam, também, no Hades (inferno), que eles chamavam Amenthés.
Esta palavra significa receber e dar, porque neste lugar os espíritos expiam as faltas que cometeram durante a vida terrena (Plutarco, d'lsis et d'Osiris; trad. de Ricard V, 347). Os antigos persas (Anquétil, III, 585) admitem também, além da morada celeste dos bem-aventurados, os lugares de expiação Hamestan, para onde vão almas cuja conduta não foi nem boa, nem má. O Hamestam é o Hade (inferno) dos persas. Entre os que aí habitam, existe os que têm conhecimentos espirituais e são mais perfeitos e que foram mais limpos de coração. E:stes últimos sobem mais depressa, passando pelas diferentes esferas intermediárias até o reino dos Céus.
Antes de encerrarmos a nossa série de longas citações, seja-nos permitido dizer algumas palavras sobre a diferença entre a doutrina de várias encamações humanas e das transmigrações das almas em corpos de animais. Este último sistema, inadmissível em nossos dias, contou com adeptos muito numerosos na antiguidade, sobretudo entre os hindus, egípcios e chineses. A maior parte das tradições religiosas atribui germes de uma inteligência quase humana aos animais. Esta teoria seria admissível, não levando em conta a metempsicose, mas, encarando com acêrto a teoria evolucionista, ou aquela que admite que a alma evolui paralelamente com a espécie. Em nossos dias, por exemplo, certos não surgiriam as lendas, criação dos poetas antigos, baseadas nessas crenças primitivas.
Plutarco, em "Dos nomes dos rios e das montanhas". (Ricard V, pg. 401), conta o fenômeno notável de um elefante salvando o famoso rei Porus: Quando Alexandre, rei da Macedônia, penetrou na India, à frente de seu exército, e os habitantes do país tomaram a resolução de enfrentá-lo, o elefante de Porus, rei desta região, entrando de repente em fúria, subiu à colina do Sol, e pronunciou distintamente estas palavras, com uma voz humana: “Ó rei, meu mestre, filho de Gegasius, guarda-te de nada empreender contra Alexandre, pois ele é filho de Júpiter". Acabou o elefante de falar, expirou. Porus prevenido, tomado de pavor, foi procurar Alexandre e lançando-se-lhe aos pés, implorou a paz; ele a obteve nas condições que havia proposto; e mudando o nome da montanha, lhe chamou monte Elephas. A Bíblia nos narra um fenômeno análogo, tratando do asno de Balaão (Números XXII, 27-34). Eis os versículos: E vendo a jumenta o anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão: e a ira de Balaão acendeu-se e espancou a jumenta com o bordão.
Então o Senhor abriu a boca da jumenta, a qual diz a Balaão: Que te fiz eu, que me espancaste estas três vêzes. E Balaão disse à jumenta: Porque zombaste de mim, oxalá eu uma espada na mão, porque agora te mataria. E a jumenta disse a Balaão: Por ventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste desde o tempo que eu fui tua até hoje? Costumeime alguma vez fazer assim contigo? E ele respondeu: Não.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.