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Capítulo 3 de 57

Parte 2 de 29

Da Bíblia aos Nossos Dias · Mário Cavalcanti de Melo

Prefácio da segunda edição A Federação Espírita do Paraná manifestou o desejo de reeditar o nosso livro “Da Bíblia Aos Nossos Dias”, literalmente esgotado. O livro, como era de esperar, suscitou controvérsias. A nossa análise desfavorável à Sagrada Escritura não agradou aos fanáticos e passamos a ser por isso, para os que conservam o ranço de suas vidas pregressas e que ainda não conseguiram despojar-se da fé cega, que continua, ainda, a orientar-lhes os passos vacilantes, um herético das “verdades divinas”. Fomos acusado de demolidor pela imprensa paulista, mantivemos uma polêmica, em nível elevado, com um confrade ilustre, uma das vozes erguidas no pais contra o que escrevemos sobre a Bíblia. Nenhuma objeção séria foi apresentada contra o que se encontra entre as páginas de um livro, escrito Deus sabe como, com que sacrifício, tal o esforço por nós empreendido para suprir as falhas de nossa inteligência.

Além do prefácio, acrescemos mais alguns capítulos a esta segunda edição, todos eles abundantes em argumentos novos, que irão, por certo, reforçar a nossa assertiva de que a Bíblia é um livro inautêntico, cheio de contradições, interpolações, matanças e imoralidades. Muita gente apresenta como argumento, aquele de que a Bíblia é um conjunto de símbolos, cuja chave só pertence aos iniciados; devemos, portanto, por uma questão de escrúpulo, começar por aí. Antes, porém, desejamos perguntar se há simbolismo nas crueldades, nas matanças e nas imoralidades deste livro sagrado. Não somos cabalista, somos espírita. Mas, como há muitos espíritas cabalistas, isto é, que crêem na pseudociência dos símbolos e da numerologia, somos forçado, contra nossos propósitos, a penetrar neste assunto, por demais complexo. O mais interessante é que esses espíritas, não sendo iniciados, nada podem entender de Cabala. Conhecem-na pela rama, naquilo que é permitido ao vulgo.

Não sabem eles que a Bíblia (V. Testamento) sofreu modificações consideráveis e sob os textos modernos a tal ciência dos símbolos e a numerologia dificilmente se acomodarão. Sabemos o quanto é difícil esclarecer. Tentamos, entretanto, apoiado na história, mostrar a impossibilidade de decifrar, à luz da “ciência” cabalística, o enígma do atual livro sagrado dos judeus. Sabemos das dificuldades que teremos que enfrentar. A fé, como muito bem diz César de Vesme, tem uma zona interdita, neutra, é como que uma fortaleza quase inexpugnável. Será a Bíblia que hoje manuseamos a mesma do tempo do rei Joasias? O seu grande sacerdote Hilquias, segundo tudo demonstra, foi seu primeiro autor, uma vez que quase oitocentos anos depois da morte de Moisés é que se começou a falar no “livro da lei”, antes completamente desconhecido do povo judeu. Will Durant, em sua História da Civilização, assim nos fala: Por volta do ano 444 a. C., Esdras, um culto sacerdote, reuniu os judeus em assembléia e começou a ler-lhes o livro da lei de Moisés.

Sete dias durou a leitura dos rolos; no fim, os sacerdotes e os chefes comprometeram-se a aceitar aquele corpo de legislação, como a constituição e a consciência do país, e a obedecer-lhe para sempre. E, desde aqueles tempos até hoje, essa lei se tornou o principal fato da vida judaica; a lealdade dos judeus a esses princípios e as atribulações por que passaram constituem um dos impressionantes fenômenos da História. Que livro de Moisés era aquele? Não mais o mesmo livro que Josias lera, e que podia ser lido duas vezes no mesmo dia; a leitura do novo necessitava de toda uma semana. - (C. VI, “0 Povo e o livro”, pág. 339). Como é fácil verificar, a Bíblia de Esdras não era mais aquela do tempo de Hilquias. Quantas interpolações, quantos acréscimos não foram lançados, com o correr do tempo, neste livro sagrado? Quanta lenda não foi colocada ali, posteriormente à morte dos dois principais autores do “Pentateuco”? Quantos não o acresceram de inovações desconhecidas no passado! Essas considerações não são meros palpites. Muitos historiadores pensam de igual forma.

César Cantu, por exemplo, católico, apostólico, romano, não vacila quando em sua “História Universal”, nos diz: Se chegaram até nossos dias algumas leis de Moisés, não chegaram, pelo menos, em sua forma primitiva, bem autenticadas por qualquer modo, o que equivale dizer que não é possível distinguí-las das que pertencem a épocas anteriores, que as substituiram, ou que foram incorporadas com elas nos livros sagrados de Israel. (C. VI lnstituições Mosaicas, pág. 266). Eis mais uma citação de Cantu: Moisés foi na opinião dos hebreus, o autor do “Pentateuco”. Esta opinião passou das sinagogas para a Igreja católica, Que e confirmou com seu veredito: como, porém, este veredito não é obrigado para a Ciência, muitos orientalistas têm sustentado e sustentam, desde o século XVIII para cá, que os supostos livros mosaicos são obras de escritores muitos séculos posteriores à época em que se diz ter existido o fundador da nacionalidade judaica, que compilaram e refundiram documentos e tradições antigas concernentes à criação do mundo, aos primeiros tempos da existência social dos abraamitas.

(Cap. VIII - “0 Pentateuco” - pág. 276) Escreveu-se muito, investigou-se com diligência e empenho, trocaram-se volumes de argumentos e, não raramente, de injúrias e, afinal, é forçoso confessar que no mundo científico ficou riscado o nome de Moisés do frontispício do “Pentateuco” (pág. 276) Assim sendo, quem de boa fé, poderá ter o “Pentateuco” como obra de Moisés? Quem será capaz de dar-lhe autenticidade, pelo menos à luz da História? Lewis Browne, em “Sabedoria de Israel”, não nos esconde a verdade, quando afirma: As escrituras judaicas iniciaram-se com a “Tora” ou “Lei”? Inscritas nos chamados “cinco Livros de Moisés”? É nela que se encontra o cerne da mais antiga sabedoria de Israel. Críticos doutos concordam em que essa “Lei” não é realmente de Moisés, mas antes um mosáico (Notas Sobre a Lei - pág. 4). É um legítimo representante de Israel que assim se manifesta, dando a entender que não repudia a opinião dos doutos que afirmam que os tais cinco livros são um mosaico. O “Pentateuco” incontestavelmente sofreu o concurso de diversos escritores, a começar por Hilquias.

H. P. Blawatsky, diz-nos que o A. T. não é uma composição homogênea: que somente o “Gênesis” é de uma imensa antiguidade; ela é anterior à época em que a balança zodiacal foi inventada pelos gregos, pois se percebe que os capítulos das genealogias foram retocados para adaptar-se ao novo Zodíaco, e eis porque os rabis compiladores repetiram o nome de Enoque e Lemeque na lista caínica. As outras partes parecem de data relativamente recente e foram terminadas lá para o ano 150 a. C. A primeira parte do "Livro de Deus" como eram chamadas as Escrituras - foi feita por Hilquias de parceria com a profetiza Hulda; esta parte desapareceu mais tarde, e Esdras teve de começar uma nova, que só foi terminada por Judas Macabeu. Esta foi, ainda, recopiada, tempos depois, para mudar as letras pontudas em quadradas e foi desta forma, completamente desfigurada; foram os massoretas que terminaram esta mutilação. De sorte que temos hoje um texto que não tem mais de novecentos anos, cheio de omissões, de interpolações e de perversões premeditadas.

Admitindo que o texto original fosse farto em símbolos e coubesse dentro dele a interpretação numerológica, o atual, deformado, cheio de omissões, de interpolações e de perversões premeditadas, certo “não se prestará a tais exercícios”. Acresce, ainda, o fato de o “Gênesis'” não ter sido obra de Moisés, como insinua Mme. Blawatsky e a quase unanimidade dos estudiosos imparciais do assunto. As duas fontes históricas da existência de Moisés, pelo menos as únicas que conhecemos, são a do historiador e geógrafo Estrabão e a do sacerdote egípcio Maneton de Sebanytus. E. Schuré, nome consagrado pelos crentes no Esoterismo, em "Les Grands Initiés", falando sobre a obra de Saint-Yves, diz que discorde dele, quando este pretende dar a Moisés proporções demasiadamente gigantescas e legendárias. Moisés, diz E. Nus, em seu livro “À La Recherche des Destinées", que nunca foi mutilado, mas que fez mutilar os outros teve ao menos a consolação de ser mais ou menos compreendido em sua época, e deixar após ele o povo com o qual havia sonhado.

Um povo muito vil - é verdade. Mas, posto em frente de sua história, qual o povo que se acha belo? Se Estrabão, diz Nus, não foi criação dos gnósticos de Alexandria, o que ele conta a respeito de Moisés, provaria, talvez, que o legislador judeu realmente existiu. A narrativa feita ao geógrafo pelos padres egípcios não é precisamente igual à legenda vulgar. Uma quantidade de tribos limítrofes, disseram os padres a Estrabão, vieram engrossar seus sectários. Seus ensinamentos e suas promessas as arrastaram e ele teve êxito criando um novo Estado de uma importância relativa. Seus sucessores se conformaram com seus preceitos e marcharam direto aos caminhos da sabedoria e da justiça, mas não durante muito tempo. Em breve essa sociedade degenerou e passou da ignorância à superstição e ao fanatismo. O Êxodo, reduzido a essas modestas proporções, diz o filósofo, deixa de pé, como se vê, a personalidade de Moisés, padre de Osiris, iniciado nos Mistérios, e rompendo com os cultos simbólicos, para manter com seu dogma cruel a noção da unidade.

Vamos, agora, a uma fonte insuspeita, tal a do autor de "Les Grands Initiés": Hosarsiph, primeiro nome egípcio de Moisés, era primo de Menephtah, e filho da princesa real, irmã de Ramsés II. Filho adotivo ou natural? É o que ninguém sabe até hoje. A narrativa bíblica (Êxodo II, 1 a 10) faz de Moisés um judeu da tribo de Levi, recolhido pela filha do Faraó das margens do Nilo, onde a astúcia materna o colocara para comover a princesa e salvar o menino de uma perseguição idêntica à de Herodes. Contrariando a narrativa Bíblica, Maneton, o padre egípcio ao qual devemos os esclarecimentos hoje confirmados pelas inscrições dos monumentos, afirma que Moisés foi um padre de Osíris. Estrabão, que recebeu esclarecimentos da mesma fonte, isto é, dos padres egípcios, o atesta igualmente.

A fonte egípcia tem aqui mais valor que a fonte judia, pois, os padres do Egito não tinham nenhum interesse em fazer crer aos gregos e aos romanos, que Moisés era um dos seus, enquanto que o amor próprio nacional dos judeus os impelia a fazer do fundador de sua nação, um homem do mesmo sangue. A narrativa bíblica reconhece que Moisés foi estabelecido no Egito, enviado pelo seu governo como inspetor dos judeus de Gossen. Eis aí o fato importante, capital que estabelece a filiação secreta entre a religião mosaica e a iniciação egípcia. Clemente de Alexandria acreditava que Moisés era profundamente iniciado na ciência do Egito e de fato a obra do criador de Israel seria incompreensível sem isto. (C. II - “Iniciação de Moisés no Egito”, pág. 169). Se quisermos tirar desta citação alguma coisa de substancial, descobriremos, lendo-a atentamente, pelo menos três falsidades no A. Testamento:

1. Moisés era egípcio e não judeu, como nos diz a Bíblia; 2. O recolhimento de Moisés pela filha do Faraó das margens do Nilo é uma lenda e nada mais, mormente quando lemos em “Les Grands Initiés” que os padres egípcios afirmavam que Moisés era de sangue real; 3. Se Moisés, como diz sua crônica, era filho da princesa real, irmã de Ramsés II, o monarca que reinava no tempo do patriarca, a Bíblia falta à verdade, quando diz que este Faraó foi tragado pelas águas do mar Vermelho. Ramsés II morreu com a idade de cem anos e sua múmia foi encontrada em um esconderijo de Deir-el-Bahari, em 1881, e se acha atualmente no museu do Cairo. Qualquer que seja o Faraó, em cujo reinado se queira colocar Moisés, nenhum deles foi tragado pelas águas do mar Vermelho. Estas afirmativas infantis foram obra de algum poeta exaltador e de grande imaginação. É positivamente o contrário do que nos diz a História.

A iniciação hebraica se relaciona diretamente com a iniciação egípcia, e isto não foi um mistério para os judeus, pois que vemos nos Atos dos Apóstolos, Cap. VIII, V. 22: Moisés tendo sido instruído em toda a sabedoria dos egípcios era um homem poderoso em obras e palavras. Estrabão visitando o Egito recebeu dos sacerdotes a mesma revelação e lhe afirmaram que Moisés fôra um padre de Osiris. Eis mais um texto de Estrabão, na palavra de Durville: Moisés era um padre de Osiris que ocupava uma parte do país meridional. Em dissidência com o culto exterior, deixou o “nomo”, seguido de uma multidão de homens que adoravam a Divindade à sua maneira. EIe professava que o simbolismo zoológico mantinha o povo no erro, a respeito das coisas sagradas; que o simbolismo andrológico dos líbios e dos gregos tinha o mesmo inconveniente; que se Deus vivo se manifesta através do Universo inteiro, é uma razão para não particularizá-lo, emprestando-lhe uma das formas parciais do Cosmos.

Ajuntava que se devia limitar a adorar o Inefável em um templo digno dEle, circundado de um território consagrado, mas desprovido de qualquer imagem representativa, de qualquer signo e de qualquer atributo figurado. Recomendava que homens escolhidos dormissem no Templo, para receber as comunicações oneiróticas ou outras que interessassem ao indivíduo ou à sociedade. Segundo Moisés, o homem da Sabedoria e da Justiça merecia esta graça, e devia colocar-se sempre em estado de receber o benefício, sempre digno de ser honrado pela manifestação da Suprema Vontade. Nada em Moisés indicava intolerância. Deus e a Ciência que se ligavam a seu culto, eis qual era a sua força. Um território neutro para fundar um Templo, uma Universidade de Deus, eis qual era seu objetivo. Prometia instituir uma religião, uma síntese social, sem exação sacerdotal, sem fantasias imaginativas, sob pretexto de revelação, sem sobrecarga de formalismos, sem o impudor das práticas. Moisés adquiriu um grande poder sobre a opinião pública destas paragens. “Ciência Secreta”, Vol. “Moisés”, pág. 293, 294). Será este o Moisés do A. Testamento?

Houve algum sacerdote egípcio que falasse nos prodígios de Moisés? Onde o Deus iracundo, ciumento, vingativo e sanguinário de que nos falam as páginas do “Livro de Deus”? Se nada em Moisés indicava intolerância, como acentua o texto de Estrabão, tudo o que desmente esta assertiva e que se encontra na Bíblia é pura invencionice. Salomão Reinach, em sua "História das Religiões”, fala deste modo: A existência de Moisés, (Mose - talvez “Mesu” - menino) não está demonstrada pelos livros bíblicos que, sem razão, lhe são atribuídos; não temos, no entanto, o direito de negá-la. Ela continua simplesmente duvidosa. Moisés pode ter sido um adorador de Javé, que fez triunfar por algum tempo o culto de seu deus entre as tribos submetidas a sua influência, pode ter sido um homem de Estado, que reuniu as tribos e as inflamou com o seu entusiasmo. Quanto às minúcias de sua história, elas são míticas. A legenda do menino abandonado sobre as águas se encontra desde a Germânia ao Japão, passando pela Babilônia.

Diante do Faraó desce ao papel de um vulgar feiticeiro, armado de uma varinha mágica, cujos exercícios fazem sorrir. A passagem do Mar Vermelho a pé enxuto e o afogamento do Faraó são incidentes românticos, desconhecidos não somente dos textos egípcios, mas, ainda, dos mais antigos profetas de Israel. A promulgação de lei do Sinai, pode ter um fundo histórico, se Javé fosse verdadeiramente o deus local da montanha, o deus do clã de Moisés (não um Deus universal); mas, quem, pergunta Welhausen, pode crer seriamente que Javé escreveu com sua mão os dez mandamentos sobre a pedra? E quais são os “verdadeiros”, os do Êxodo XX ou os do Êxodo XXIV, textos que oferecem diferenças notáveis? Enfim, a demora de quarenta anos no deserto já parecia pouco crível aos escrivães judeus, que inventaram, para atenuar o inverossímil, as histórias do maná e das codornizes caídas do Céu, invenções estas que provam que a tradição era muito antiga.

Alguns milhares de pastores hebreus, e não 600.000 homens, como quer a Bíblia, possivelmente erraram durante algum tempo no deserto, antes de conquistarem Caná? O chefe político e religioso desses beduínos era Moisés, é o máximo que podemos reter e afirmar. (História das Religiões - “Moisés”, pág. 280). Como se vê, Salomão Reinach não fala em Estrabão, nem em Maneton; talvez não aceite tais fontes, como não as aceita G. Oncken em sua “História Universal” e, por isso, põe aquele primeiro escritor, em dúvida a existência de Moisés. Outros historiadores são mais precisos, como Maurice Vernes: Moisés, diz ele, libertador e legislador do povo hebreu, é menos ilustre por haver arrancado os seus à dura opressão que os egípcios faziam pesar sobre eles, do que por haver dado um conjunto de leis destinado a regular sua conduta no país de Caná, no seio do qual os conduziu. Tal é, em duas linhas, a grandiosa figura que o “Pentateuco" exalta e que subsistiu mais ou menos intata até uma época aproximada de nós.

Os trabalhos de críticos estabeleceram definitivamente, desde há pouco, que a pessoa de Moisés é mais lendária que real, e que o legislador cuja honra se lhe atribui é obra de homens que viveram oito ou dez séculos após a tomada de posse da Palestina pelos hebreus. (Enc. de Berthelot). Como se pode observar, os historiadores são unânimes em afirmar que o “Pentateuco” não é obra de Moisés e alguns chegam a considerá-lo mais uma figura legendária que real. Muitos bíblicos negam aos outros o direito de duvidar daquele legislador que a Bíblia nos pinta, sem atentarem para os argumentos fortes que nos apresentam. Como é, pois, que a Cabala, depois de tudo o que vimos, pode, em bases falsas, constituir uma ciência? Como pode ela atribuir a Moisés uma coisa que lhe não pertence e que se encontra clara no “Pentateuco"? Deixamos a resposta aos que souberam mais e melhor. O autor

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.