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Capítulo 41 de 57

Eloista — parte 10 de 26

Da Bíblia aos Nossos Dias · Mário Cavalcanti de Melo

impotente para nos dar. [ ] Impureza ocasionada pelos mortos e cuidados de purificações, de acordo com o Levítico (Leis acerca dos sacerdotes) Levítico, capítulo XXI: Depois disse o Senhor a Moisés: Fala aos sacerdotes, filhos de Arão, e dize-lhes: O sacerdote não se contaminará por causa de um morto entre os seus povos. Salvo por seu parente mais chegado a ele; por sua mãe, por seu pai, e por seu filho, e por sua filha, e por seu irmão. E por sua irmã virgem, chegada a ele, que ainda não teve marido; por ela se contaminará. Não se contaminará por príncipe entre seus povos, para se profanar. Não farão calva na sua cabeça, e não rasparão os cantos de sua barba, nem darão golpes na sua carne.

Santos serão a seu Deus; e não profanarão o nome de seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do Senhor, o pão do seu Deus, portanto serão santos. (1 a 6) Levítico, capítulo XXII: Depois falou o Senhor a Moisés dizendo: Dize a Arão e a seus filhos que se apartem das coisas santas dos filhos de Israel, que a mim me santificam, para que não profanem o nome da minha santidade: eu sou o Senhor. Dize-lhes: Todo o homem que entre as vossas gerações, de toda a vossa semente, se chegar às coisas santas que os filhos de Israel santificam ao Senhor, tendo sobre si a sua imundícia, aquela alma será extirpada de diante de minha face: eu sou o Senhor. Ninguém da semente de Arão, que for leproso, ou tiver “fluxo” comerá das coisas santas, até que seja limpo, como também o que tocar alguma coisa imunda, de cadáver, ou aquela de que sair a semente da cópula.

Ou qualquer que tocar algum réptil, pelo que se fez imundo, ou algum homem, pelo que se fez imundo, segundo toda a sua imundícia. O homem que o tocar será imundo até a tarde, e não comerá das coisas santas, mas banhará a sua carne em água. E havendo-se o Sol já posto, então será limpo; e depois comerá das coisas santas, porque este é o seu pão. O corpo morto e o dilacerado não comerá, para nele não se contaminar: eu sou o Senhor. “Guardarão, pois o meu mandamento para que por isso não levem pecado, e morram nele, havendo-o profanado: Eu sou o Senhor que os santifico”. (fs. 1 a 9) Se a Bíblia não fosse um livro lido, sem a preocupação, na maioria das vezes, de se lhe compreender o sentido, há muito tempo estariamos persuadido de que ela não é senão uma mistura dos antigos mistérios, dos mais vulgares, de superstições do Egito e há muito a luz se teria feito sobre este ponto.

Estas duas passagens que acabamos de citar necessitam de algum desenvolvimento antes de as fazer seguir das ordenanças hindus das quais elas decorrem. O capítulo XXI ordena aos padres de não se imiscuirem em cerimonias religiosas, pois, eles se tornarão impuros. Permite, apenas, presidir àquelas de seus parentes próximos, abstendo-se sempre de tudo o que o pudesse tornar impuros. Não abre mesmo, exceção a esta regra geral, nem quando se trate de um príncipe. O capítulo XXII proibe os padres de tocar nas coisas santas enquanto se conservarem impuros, isto é, leprosos, afetados de certas moléstias ou tendo se tornado impuros por um morto ou por um homem que tocasse um morto, ou quando houvesse tocado um animal que rastejasse, e geralmente tudo o que é conservado impuro, segundo as expressões do Levítico.

Isto significa que a "revelação divina" considerava impuro a todo aquele que levasse o seu semelhante a sua última morada; ao padre que contraia uma moléstia independente de sua vontade; ao padre que tocasse um morto ou fosse tocado por um homem que tivesse contato com um morto e também quando este tocasse um animal que rastejasse. Que singular amontoado de superstições ridículas e como teríamos piedade se encontrassemos semelhantes coisas na Teologia de qualquer povoação bárbara da Oceania! Que! Isto teria saido da boca de um Deus? Se Deus se manifestasse seria para

proibir aos homens estas práticas singulares? [ ] Compreende-se que isto fosse necessário até certo ponto, ao povo de Israel daquele tempo, embrutecido pela servidão, mas que nos queiram hoje fazer aceitar tamanhas frivolidades, quanto a isto, protestamos veementemente. Como se observa nos cinco livros atribuidos a Moisés, ninguém fica impuro pelo pecado e sim pelo toque em coisas materiais, naquilo que eles consideravam impuro. Este sistema de impurezas que cessam com o banho, é o mesmo que inspirou os povos da Alta Ásia, e todos os povos do Oriente. A mesma "revelação" que Moisés recebeu de Jeová, recebeu Maomé. Invenções para ensinar os homens da época a terem uma noção de higiene, daí o espírito de religiosidade de que impregnavam as leis. Impurezas causadas pelos mortos, segundo Manú, os Vedas e o comentador Ramatsariar A impureza causada por um corpo morto, dura dez dias, conforme a lei, para aqueles que presidem os funerais até o momento em que eles forem recolhidos (incinerados). A impureza causada por um morto atinge a todos os parentes.

Um dia e uma noite juntas a três vezes três noites, os parentes próximos do morto que tocaram em seu cadáver ficam purificados; três dias somente são necessários para os parentes distantes. 0 discípulo que cumpriu a cerimônia dos funerais de seu diretor espiritual não fica purificado senão ao fim de dez noites; ele é colocado no mesmo plano que os parentes que levam o corpo. Para as crianças do sexo masculino (da casta dos padres) que morrem antes da tonsura, a purificação é de uma noite. Mas assim que recebem a tonsura, uma purificação de três noites é preciso. Uma criança morta antes da idade de dois anos, sem ser tonsurada, deve ser transportada por seus parentes para a terra benta e sem que a queimem para recolher seus ossos... E seus parentes serão submetidos a uma purificação de três dias. Um dwidja, se seu companheiro de noviciato vem a morrer, fica impuro durante um dia...

Os parentes maternos das jovens noivas, mas não casadas ainda, que venham a morrer, ficam purificadas em três dias; os parentes paternos ficam purificados da mesma maneira... Que eles se banhem durante três dias. Quando um brâhma sábio nas Santas Escrituras é falecido, todo o homem que se aproxima é impuro durante três noites somente. Quando um rei morre, todo aquele que dele se aproxime fica impuro enquanto o sol brilha, se morreu durante o dia; o tempo que dure o clarão das estrelas se sua morte se deu durante a noite. Vejamos, agora, em que consiste a impureza dos padres e de que maneira eles se devem purificar do contato com os mortos. Encontra-se nos preceitos védicos: O brâhmane que recebeu a investidura sagrada, e que por isso é destinado a oferecer os sacrifícios e a explicar as Escrituras Santas, deve se abster de todo o contato com os mortos, pois os mortos transmitem a impureza e o padre oficiando deve sempre conservar-se puro. O único meio de o impuro purificar-se, é depois dos banhos, recitar em voz baixa as orações que apaguem as impurezas.

Mas o brâhmane que faz as cerimônias funerárias na morte de seu pai e de sua mãe não se torna impuro, pois o Senhor de todas as coisas disse: Aquele que honra seu pai e sua mãe nesta vida, e sacrifica em sua morte, que é seu nascimento em Deus, não pode nunca ser impuro. Se ele preside aos funerais de seu irmão ou de sua irmã, que ainda não foi provida de marido, ficará impuro até o fim da cerimônia e ele se purificará com banhos e preces até que o Sol se deite pela segunda vez. Que ele nunca penetre no templo estando impuro para oferecer o sacrifício do sarmawedha ou do I'aswanuda: o sacrifício, assim, oferecido é impuro. Que ele assista aos funerais reais, que o santifique com suas preces, mas que ele se guarde de tocar no corpo. Mostremos como os Vedas são superiores à Bíblia e como se elevam a uma altura nunca atingida por aquela: O verdadeiro sábio duas vezes regenerado, e que vive na perpétua contemplação de Deus, não se torna impuro por coisa nenhuma deste mundo.

A virtude é sempre pura, ele é a virtude. A caridade é sempre pura, ele é a caridade. A prece é sempre pura, ele é a prece. O bem é sempre puro, ele é o bem. A essência divina é sempre pura, ele é uma parte da essência divina. O raio do Sol é sempre puro, e sua alma é como um raio de Sol, que vivifica tudo que o envolve. Sua morte, mesma, não causará impureza a ninguém, pois, a morte para o sábio duas vezes regenerado é um segundo nascimento no seio de Brâhma. Ramatsariar (Comentários sobre o Veda): O corpo se torna impuro pelo impuro contato com os mortos e de tudo que seja declarado impuro. A alma se torna impura pelo vício. Estas leis e impureza do corpo foram estabelecidas por Aquele que existe por seu próprio poder, a fim de que o homem conserve a vida do corpo e lhe dê a saúde e a força pela água, que é soberana purificadora...

Quanto às impurezas da alma, elas desaparecem com o estudo das Santas Escrituras, com os sacrifícios expiatórios e com a prece, etc. E como disse o divino Manú: Um brâhmane torna-se puro quando se afasta de todas as afeições mundanas. Proibição aos levitas de beber licores fermentados antes de penetrar no templo Disse, ainda, o Senhor a Arão: Vinho nem bebida forte tu e teus filhos não bebereis, quando entrardes na tenda da congregação, para que não morrais, estatuto perpétuo será isso entre as vossas gerações. E para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo; E para ensinar aos filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem falado pela mão de Moisés. (Levítico C. X - vs. 9 a 11).

Proibição aos brâhmanes de beber licores fermentados antes de penetrar no templo Extraído do livro de preceitos brahmanicos - Os Vedas: Que o brâhmane oficiando, antes de afrontar a majestade do Mestre do Universo para lhe oferecer no templo o sacrifício da expiação, se abstenha de todo licor espirituoso e dos prazeres do amor. Que os licores espirituosos causam a embriagues, o esquecimento dos deveres; eles profanam a prece. Os divinos preceitos da Escritura Santa não podem sair de uma boca empestada pela embriagues. A embriaguês é o pior de todos os vícios, pois ela mancha a razão, que é um raio de Brâhma. Os prazeres do amor permitidos aos homens, tolerados no dwidja, são proibidos aos padres quando eles se preparam para contemplação do dominador dos céus e dos mundos... ... O brâhmane não pode se aproximar do altar do sacrifício senão com a alma e o corpo puros.

Casamento dos padres - defeitos que excluem do sacerdócio Em Levítico C. XXI: Não tomarão mulher prostituta ou infame, nem tomarão mulher repudiada por seu marido; pois santo é a seu Deus. E ele tomará mulher na sua virgindade. (C. XXI - vs. 7 e 13). Depois falou o Senhor a Moisés dizendo: Dize a Arão e a seus filhos: Se um homem dentre as famílias de vossa raça tem uma mancha no corpo ele não oferecerá sacrifício a seu Deus. Ele não se aproximará do ministério do altar se for cego, manco, se tem o nariz muito pequeno, muito grande ou torto. Se tem pé ou mão estropiados. (C. XXII - vs. 17-18). Resumamos o que disse o Levítico. Ele estende, ainda, suas proibições ao corcunda, ao remelento, ao que tenha vilide nos olhos, ao sarnoso cronico, ou ao que sofre de hérnia. Todo o homem da raça de Arão que tiver uma mancha qualquer não se aproximará para oferecer vítimas ao Senhor, ou pães consagrados, nem tão pouco poderá comer dos pães oferecidos no santuário.

Casamento dos padres, segundo os Vedas e as instituições brahmânicas Que o brâmane despose uma jovem brâmanica virgem e sem mancha, assim que atingir o fim de seu noviciado e receber a investidura sagrada. Que ele não procure uma viúva, uma moça doente ou de maus costumes, ou qualquer outra pertencendo a uma família que não estude a Escritura Santa. A mulher que ele escolher deve ser agradável e bem feita, que seu caminhar seja pudico e tímido, sua fisionomia doce e sorridente, sua boca virgem de beijos, sua voz seja melodiosa e acariciante como a voz da datyhoua, que os seus olhos transpirem a inocência no amor. Pois é assim que uma mulher enche uma casa de alegria e de felicidade e que atrai a prosperidade. Que ele se guarde de toda a mulher de raça impura e vulgar; ele se tornaria impuro por seu contato e assim seria ele a causa da degradação da família. A mulher cujas palavras, pensamentos e corpo são puros, é um bálsamo celeste. Feliz será aquele cuja escolha seja ratificada por todas as pessoas de bem.

Manú, livro III - id.: É prescrito ao dwidja escolher uma mulher de sua classe... Que ele prenda uma virgem bem feita, cujo nome seja agradável, que tenha o andar gracioso do cisne ou do elefante novo e cujo corpo seja revestido de uma leve penugem, cujos cabelos sejam finos, os dentes pequenos, e os membros de uma doçura encantadora. Que evite aquela cuja família negligência os sacramentos, que não produz crianças do sexo masculino, ou não estudam as Santas Escrituras... ou aquela cujos parentes são perseguidos por doenças vergonhosas. Ramatsariar (Comentários), id.: o brâhmane que casa com uma mulher que não é virgem, que é viúva, que foi repudiada por seu marido ou que não seja conhecida como mulher virtuosa, não pode ser admitido para oferecer sacrifrcios, pois é impuro, e nada pode lavar a sua impureza. Não há caso, diz o divino Manú, nem da história, nem da tradição, que um brâhmane, mesmo à força, haja casado com uma mulher de baixa classe. Que o brâhmane despose uma mulher de sua classe, diz o Veda.

Está, pois escrito que o brâhmane não pode desposar uma mu! her de baixa condição ou de classe servil. O divino Manú diz ainda: O brâhmane que compartilhar do leito de uma mulher soudra será rejeitado na mansão celeste. Nenhuma purificação se encontra prescrita pela lei para aquele cujos lábios se tornaram impuros por uma mulher soudra e que respirou seu hálito impuro... Defeitos que excluem os padres dos sacrifícios à divindade, segundo as instituições brahmânicas O brâhmane adquirindo moléstias vergonhosas, como a lepra, a elefantiásis ou a sarna, não pode entrar no templo para oferecer o sacrifício, pois, é impuro e Deus não receberia a sua oferenda. Esta impureza durará enquanto durar a moléstia, e dez dias depois, ele se purificará pelas abluções no tanque sagrado do templo e por três vezes se fará aspergir de água lustral.

Se a doença é incurável, ele será excluido para sempre dos sacrifícios, mas ele terá sua parte nas oferendas de arroz, de mel, de manteiga clarificada, de grãos e de animais degolados para o sacrifício, pois, o divino Manú disse que será castigado de morte em todos os seus sucessivos nascimentos, o brâhmane que usar um alimento não consagrado. Diz Jacolliot que, assim como se pode ver, os livros sagrados e os teólogos da India não distanciam dos templos e dos sacrifícios senão o brâhmane atacado de moléstia contagiosa, e isto, somente enquanto durar a moléstia. Depois de haver copiado este princípio, a Bíblia o exagera em suas aplicações e, como sempre, com uma estreiteza de idéias vizinha do ridículo. Que pensar deste Jeová que afasta do templo todos aqueles que têm uma vilide no olho, ou que têm a infelicidade de nascer com um nariz pequeno, muito grande ou torto? Mormente sabendo-se que foi Ele mesmo que os fez assim?

Como ficou evidenciado, a sociedade judaica foi pelo Egito uma emanação hindu, como todas as demais civilizações da antiguidade. A India, ninguém, hoje, se atreve a negar, é uma civilização antiquíssima, incomparavelmente mais velha que aquela em que viveu Moisés. Logo, foi Moisés que se inspirou na multimilenar India dos Vedas. Prevenimos ao leitor, que todo este subsídio foi pedido de empréstimo, entre outros, a Louis Jacolliot, de seu livro "La Bible dans l'Inde" das páginas 162 a 202. Queriamos provar à sociedade aquilo que desde o início vimos afirmando, isto é, que nada de original se encontra entre as páginas dos livros atribuidos a Moisés, nem mesmo, a sua legislação. E estamos a crer que o conseguimos.

A antiguidade da India Os antigos asiáticos - disse Moisés de Chorene, cinco séculos antes de nossa era - e especialmente os hindús, os persas e os caldeus possuíam uma multidão de livros históricos e científicos. Estes livros foram parte extraída em língua grega, sobretudo depois que os Ptlomeus estabeleceram a biblioteca de Alexandria e encorajaram as literaturas por suas liberalidades, de maneira que a língua grega

foi um repositório de todas as ciências. [ ] A Pérsia e a Caldéia viviam em comunicação constante com a mãe pátria e a seguiam em seus movimentos literários e científicos. Amien-Marcellin nos ensina segundo L. Jacolliot, com Agathias, o quanto eram estreitos os liames de filiação que uniam a Pérsia e a Caldéia à India. Posteriormente a Zoroastro, o rei Hystasp tendo penetrado em certos lugares retirados da India superior, chegou a matas solitárias, cujo silêncio favorece os profundos pensamentos dos brâhmanes. Lá, ele aprendeu com eles tanto quanto lhe foi possível. Os ritos puros dos sacrifícios, as causas dos movimentos dos astros e do Universo, dos quais, logo após ele comunica uma parte aos magos. Estes transmitiram aqueles segredos de pais a filhos, com a ciência de predizer o futuro, e é depois dele (Hystasp) que, em um longo seguimento de séculos até nossos dias, esta multidão de magos, compuseram uma só e mesma casta, consagrada ao

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