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Capítulo 21 de 57

Parte 20 de 29

Da Bíblia aos Nossos Dias · Mário Cavalcanti de Melo

Concubinato dos Anjos - Lúcifer - Satã E aconteceu que como os homens se começaram a multiplicar sobre a face da Terra, e lhes nasceram filhas. E viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o Senhor: Não contenderá o meu espírito para sempre com o homem; porque ele também é carne; porém, os seus dias serão 120 anos. Havia naqueles dias, gigantes na Terra, e também depois, quando os filhos de Deus entraram às filhas dos homens, e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os varões de fama. (Gên, VI, 1 a 4) Os versículos acima são de estarrecer. Vamos ver o que nos diz César de Vesme sobre o assunto. Pensa o notável acadêmico em sua obra "Histoire de Spiritualisme Expèrimental", que esta passagem seja obscura e surpreendente, sobretudo que a interpolação, ou talvez, o deslocamento do versículo 3 faz pensar, muito naturalmente (tanto quanto na dupla narrativa da Criação), que o texto aramaico foi muito bem ensaiado neste ponto.

Os gigantes reaparecem, mais ou menos, dois mil anos depois do tempo de Moisés, (Deuteronômio C. III, 2), quando ele faz alusão a OG, rei de Basan, e último de sua raça, cuja altura era mais ou menos de quatro e meio metros. Em todo caso, pergunta-se, :ambém, quem poderiam ser esses "filhos de Deus" que, depois de haverem vivamente admirado as obras da Criação, em uma bela passagem de livro de Jó " (quando as estrelas dalva alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam), Canto XXXVIII, se enchiam agora de uma exagerada admiração pelas filhas dos homens? Daí se conclui, pelas expressões citadas, que os filhos de Deus não são senão anjos, ou seres análogos aos anjos. O livro de Enoque é o primeiro a falar nisto detalhadamente (C.VI, 21). Este livro foi citado pelo apóstolo Judas em sua Epístola “(Dos quais também Enoque, sétimo homem depois de Adão, profetizou, dizendo...)" (v. 14), o que evidencia que era anterior ao terceiro século depois de Jesus Cristo.

Segundo o livro de Enoque, atraidos, pois, pela beleza das filhas dos homens, duzentos "Vigias" - uma classe de anjos - coabitaram com as mulheres e lhes deixaram filhos gigantes. Os gigantes oprimiram os homens, puseram-se a devorá-los e terminaram por se matarem mutuamente. Os anjos culpados não se contentaram em transgredir a lei da natureza; eles revelaram, também, às filhas dos homens, e desta forma, a toda a humanidade, os segredos celestes, a arte de trabalhar os metais e de quebrar encantamentos, o conhecimento dos simples e das estrelas. Em punição de suas faltas, foram condenados a ver morrer seus filhos, os gigantes, e a viverem longe do Céu, nas trevas, presos sob as colinas da Terra. Um texto divergente do mesmo Enoque nos dá a entender que eles gozam, ainda, de certa liberdade; "tomando diversas aparências" e que, assim, podem induzir os homens ao erro. Continua Vesme dizendo que os "Jubileus", outro antigo texto hebraico, explicam que os "Vigias" tinham sido enviados à Terra para ensinar os homens a praticar o direito e a eqüidade. Mas, terminaram por se deixar seduzir pela beleza das mulheres.

Quanto a estas, elas foram transformadas em sereias. Se a origem de Satã devia ser atribuida aos "filhos de Deus", conforme o VIIº capítulo do Gênesis, constituiria isso uma nova prova de que o tentador de Eva não foi Satã, pois, nesses tempos não tinha ele filhas ainda. Daí pensarem os teólogos judeus e católicos que há, no mínimo, dois grupos de anjos que foram transformados em diabos, em épocas diferentes. Saint Yves, somos forçado a citá-lo, é dos tais que crêem na fecundação das mulheres pelos deuses (espíritos elevados). Assim, em sua obra "Les Vierges Méres", ele nos dá um sem número de exemplos

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.