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Capítulo 29 de 57
Parte 28 de 29
Da Bíblia aos Nossos Dias · Mário Cavalcanti de Melo
Continuação da História de Abraão E partiu Abraão dalí para as terras do Sul, e habitou entre Cades e Sur; e peregrinou em Gerar, onde o patriarca repetiu a façanha vergonhosa que havia praticado com o Faraó. E Abimeleque, certo de que Sara era irmã de Abraão, porque este assim o havia afirmado, tomou-a para si. Vendo Deus o que se passava, veio a Abimeleque, rei de Gerar, em sonho, durante a noite e disse- lhe: Eis que morto és por causa da mulher que tomaste, porque ela está casada com marido. Mas Abimeleque, não se tinha chegado a ela; por isso disse: Senhor, matarás também uma nação justa? Não disse Abraão que Sara era sua irmã? E não confirmou ela o dito de Abraão? Fiz isto com pureza de intenções. E disse-lhe Deus em sonho: Bem sei eu que na sinceridade de teu coração fizeste isso, e eu também te tenho impedido de pecar contra mim; por isso te não permiti tocá-la.
Restitui, pois, a mulher a seu marido, porque profeta é e rogará por ti para que vivas, porém se não lh'a restituires, sabes que certamente morrerás, tu e tudo o que é teu. E levantou-se Abimeleque pela manhã de madrugada e contou aos servos atemorizados o que se havia passado. Depois Abimeleque chamou Abraão e disse-lhe: Que nos fizeste? E em que pequei contra ti, para trazeres sobre mim e meu reino tamanho pecado? O que tens visto para fazeres tal coisa? Respondeu-lhe Abraão: Porque eu dizia comigo, certamente não há temor de Deus neste lugar, e eles me matarão por amor de minha mulher. E na verdade ela é também minha irmã, filha de meu pai, porém não filha de minha mãe, e veio a ser minha mulher. Então tomou Abimeleque ovelhas e vacas, e servos e servas e os deu a Abraão, e restituiu-lhe Sara, dizendo-lhe: eis que a minha terra está diante de tua face, habita onde bom for a teus olhos.
E orou Abraão, e sarou Deus e Abimeleque, e à sua mulher, e às suas servas, de maneira que tiveram filhos; porque o Senhor havia fechado totalmente todas as madres da casa de Abimeleque, por causa de Sara, mulher de Abraão. (Gên. XX, 1 a 17). Nesta época, tinha Sara, apenas noventa anos. Teria Abraão falado a verdade a Abimeleque quando afirmou que Sara era ao mesmo tempo sua esposa e sua irmã? Em caso afirmativo, estaremos em frente de outro incesto e, além do mais, tanto se portou dignamente Abimeleque, como foi indigno Abraão. Incestuoso e proxeneta, eis os títulos que se podem ofertar a homem que procede como este decantado patriarca venerado por católicos, protestamos e judeus. Além de tudo, mentiroso, pois ele escondeu a sua qualidade de marido de Sara. E foi assim que Abraão enriqueceu no comércio que fazia ou pretendia fazer com o corpo da mulher e sempre com aqueles de quem pudesse auferir lucros. E que Deus é este que castiga um homem, sua mulher e seus servos, quando sabe e afirma que ele agia na sinceridade de seu coração?
Vejamos algumas considerações de Voltaire a êste respeito: Eis uma coisa extraordinária, embora seja de outro gênero. Primeiro, vê-se um rei em Gerare, deserto horrível onde desde esse tempo não havia uma habitação. Segundo, Sara é ainda arrebatada por sua beleza, como o foi, no Egito, embora a Escritura lhe dê noventa anos. Terceiro, ela estava grávida, neste tempo, daquele que veio a ser Isaque. Quarto, Abraão se serve do mesmo expediente que no Egito e diz que sua mulher é sua irmã. Quinto, os comentadores dizem que ela era sua sobrinha. Sexto, Deus advertiu em sonho ao rei de Gerare que Sara é mulher de Abraão, e sétimo, este rei ou chefe de árabes beduinos dá a Abraão, como o fez o rei do Egito, ovelhas, bois, servos e servas, e mil peças de. ouro. Oitavo, o Deus dos hebreus aparece a Abimeleque, rei ou chefe dos árabes de Gerare, assim como a Abraão e a Ló. No entanto, Abimeleque, rei de Gerare, não era da religião de Abraão: Deus não havia feito um pacto senão com Abraão e sua semente.
Nono, Ló, que Deus salvou milagrosamente do incêndio milagroso de Sodoma, não era tão pouco da semente de Abraão. Ele é pelo seu duplo incesto, pai de duas nações idólatras. Eis outras tantas e novas dificuldades para os doutos; e outros tantos
motivos de docilidade e submissão para nós. [ ] Não se contenta Voltaire com essas considerações; ele continua analisando com mais profundidade o assunto. Assim é que diz: Se a conduta de Abraão parece extraordinária, se o seu temor de ser assassinado por causa da beleza de uma mulher nonagenária parece a coisa mais quimérica do mundo, a conduta do chefe dos árabes de Gerare parece bem generosa, e o seu discurso muito sábio. Mas por que Abraão falou em deuses e não em Deus; Eloim e não Eloi? Os comentadores afirmam que foi porque três eloins lhe apareceram, e não um só Eloi ou Eloa. Para que as mulheres de Gerare se apercebessem de que estavam todas com as matrizes fechadas e impossibilitadas, portanto, de conceber, era necessário que este rei do deserto houvesse retido Sara por muito tempo. Quanto à doença que as afligiu não foi especificada. Não se sabe se Deus se contentou em torná-las estéreis, o que só poderia verificar ao fim de alguns anos; ou se Deus as tornou indiferentes aos transportes amorosos de Abimeleque.
Esta expressão fechar a vulva pode perfeitamente significar as duas coisas. Mas, nos dois casos, parece que Abimeleque quis devolver ou mesmo lhes devolveu a obrigação conjugal, uma vez que ele não estava tentado a dar preferência a uma mulher de noventa anos. Tudo isto é mais uma vez grande motivo de surpresa. E o Senhor visitou a Sara, como tinha dito; e fez o Senhor a Sara como tinha falado. E concebeu Sara, e deu a Abraão um filho na sua velhice, e ao tempo determinado, que Deus lhe tinha dito. E chamou Abraão o nome de seu filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, Isaque. (Gên. XXI, 1 a 3) Assim, cumpria-se a profecia. Sara deu à luz a um filho em sua velhice, que Abraão circuncidou com oito dias de nascido, conforme recomendação do Senhor. Tinha o patriarca, conforme o texto bíblico, a idade de cem anos. Diz o grande escritor francês que, computando o tempo em que Abraão nasceu, ele devia ter cento e sessenta anos, mais ou menos, conforme os cálculos de Santo Estevão, e segundo a letra do texto.
Mas, de acordo com a natureza humana, é raro gerar filhos com cem anos e com mais forte razão aos cento e sessenta. Assim o nascimento de Isaque é um milagre evidente, uma vez que Sara não tinha mais regras quando engravidou. A história continua. Isaque está em pleno crescimento. Já foi desmamado. Agar, por imposição de Sara, é despedida com seu filho. Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e tomou pão, e um odre dágua, e os deu a Agar, pondo-os sobre seu ombro, também lhe deu o menino, e despediu-a; e ela foi-se andando errante no deserto de Bersabá. E consumida a água do odre, lançou o menino debaixo de uma árvore. E foi-se, e assentou-se em frente, afastando-se a distancia de um tiro de arco porque dizia: Que não veja eu morrer o menino. E assentou-se em frente, e levantou a sua voz, e chorou. (Gên.
XXI, 14 a 16) Se Abraão era um Senhor tão poderoso, se ele havia sido o vencedor de uma guerra contra cinco reis, com trezentos e dezoito homens da elite de seus servos, se a sua mulher lhe havia trazido tanto dinheiro dos reis do Egito e de Gerare, parece muito duro e muito desumano enviar sua concubina e seu primogenito ao deserto, com um odre d'água, sob pretexto de que seu primogenito zombava do filho de Sara. Ele expôs um e outro a morrerem no deserto, apesar do pedido de Deus de deixar viver Ismael. Foi necessário que o próprio Deus mostrasse um poço a Agar para impedi-la de morrer. Mas como tirar a água deste poço? Cada vez que os árabes vagabundos encontravam uma fonte salobra sob a terra daquelas solidões arenosas, tinha o grande cuidado de cobrí-la e de marcar o lugar com uma estaca. Que preocupação esta do Criador do mundo, diz M. Boulanger, de descer do alto de seu trono eterno para ir mostrar uma fonte a uma pobre serva em quem fizeram um filho num país bárbaro que os judeus chamam Caná!
Voltaire acrescenta que nós poderemos dizer aos detratores que Deus quis com isso ensinar-nos o dever de caridade. Mas, a resposta mais curta é que não nos compete criticar nem explicar a Santa Escritura, e que é necessário crer em tudo sem nada entender. Passam-se os tempos e Jeová exige de Abraão o sacrifício de seu filho. Amargurado, o velho patriarca pretende cumprir a determinação de Jeová; este, porém, no momento decisivo, impede que Abraão o sacrifique. Abraão é acusado de uma nova mentira, quando disse aos seus criados: "Ficai-vos por aqui com o jumento, e eu e o moço iremos até alí; e havendo adorado, tornaremos a vós". (Gên. XXII, 5) “E tomou Abraão a lenha do holocausto, pô-lo sobre Isaque seu filho; e ele tomou o fogo e o cutelo na sua mão, e foram ambos juntos”. Desta feita a mentira foi de um bárbaro, pois, as outras foram mentiras de avarento, de homem inescrupuloso.
Vejamos o que fez Abraão para cumprir as ordens do Senhor: E vieram ao lugar que Deus lhes dissera, e edificou Abraão alí um altar, e pôs em ordem a lenha, e amarrou Isaque, seu filho, e deitou-o sobre o altar em cima da lenha. E estendeu Abraão a sua mão, e tomou o cutelo para imolar seu filho; Mas o anjo do Senhor lhe bradou desde os Céus, e disse: Abraão, Abraão! ele disse: Eis aqui. Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus e não me negaste teu filho, o teu único.. (Gen. XXII, 9-12) Outros críticos audaciosos demonstram sua surpresa, por Abraão, com a idade de cento e sessenta anos ou pelo menos cem, ter cortado a madeira na base da montanha Moria para queimar seu filho, depois de imolado. É necessário para queimar um corpo, pelo menos uma grande carroça cheia de madeira seca; apenas, um pouco de lenha não poderia bastar.
Afirma que pôs esta lenha sobre o dorso de seu filho Isaque. Esta criança não tinha ainda, treze anos. Pareceu a estes críticos impossível que esta criança levasse toda a lenha necessária, que teria sido difícil a Abraão de cortá-la. O rescaldo que levou Abraão para acender o fogo não podia conter mais que algumas brasas que se teriam apagado antes de chegar ao lugar do sacrifício. Enfim, levou-se a crítica até o ponto de dizer-se que a montanha Moria não é mais que um rochedo completamente pelado, onde nunca nasceu uma árvore; que toda a campanha que circunda Jerusalém foi sempre cheia de calhaus e que sempre se foi buscar lenha em lugares muito distantes para abastecer a cidade. Analisai o sacrifício da filha de Jephte, e em seguida observai as reprovações de Isaías aos judeus que imolavam seus filhos aos deuses, e lhes esmagavam santamente a cabeça sobre as pedras nas torrentes ( C. LVII). Depois, então, ficareis convencidos de que os judeus foram em todos os tempos uns sagrados parricidas. Por quê?
É que eles abandonavam a Deus constantemente, e Deus, por sua vez, os abandonava, também, sem reprovação. Esta lenda do sacrifício de Isaque foi copiada do Rhamatsariar, livro dos indianos. Não é mais que a repetição da lenda do patriarca Adgigatha. Adgigatha é um homem probo, predileto de Brahma, que não tem filhos, até que este faz conceber sua mulher de um modo milagroso. Um dia, Brahma ordena-lhe que sacrifique seu filho, e se bem que tal ordem lhe apunhale o coração, dispõe-se a obedecer, quando Brahma, tomando a forma de uma pomba, lhe aparece, ordenando-lhe que guarde o filho e acrescenta que este viveria largo tempo, porque dele haveria de nascer a Virgem, que conceberia o germe divino. E a história continua.
É chegada a hora da morte de Sara e esta narrativa está contida no Gênesis, C. XXIII, vs. 1 a 20. Se Sara morreu com cento e vinte e sete anos, se ela morreu imediatamente após pretender Abraão degolar seu filho único, este filho tinha, pois, trinta e sete anos, e não treze, quando seu pai o quis imolar ao Senhor, pois, sua mãe, segundo a própria narrativa bíblica, o concebeu com a idade de 90 anos. Se fizermos a conta, verificaremos a exatidão de nossos cálculos: 127-90 é igual a 37. Assim, a fé e a obediência de Isaque superou de muito a de Abraão, uma vez que se deixou amarrar e estender sobre a fogueira por um velho de cento e muitos anos. Todas essas coisas, tal como acontece hoje, estão muito acima da natureza humana. O que mais causa admiração à crítica é ter sido Abraão um príncipe tão extraordinário, não possuir terras de sua propriedade, e não se concebe tampouco, fosse ele possuidor de tão grandes rebanhos e tantas riquezas e não tivesse podido adquirir campos para sustento de sua grande tropa.
Foi necessário comprar uma caverna para enterrar sua mulher. Adquiriu-a por 400 siclos e o siclo, diz Voltaire, foi avaliado em três libras e quatro sous de nossa moeda. Assim, 400 siclos valeriam 1.280 libras. Isto nos parece imensamente caro para um país estéril e pobre como o de Hebrom, que faz parte de um deserto rodeado pelo lago Asfaltite, onde não havia comércio de espécie alguma. Afirmam que ele pagou esses 400 siclos em boa moeda corrente. O interessante é que não havia moeda em Caná naquele tempo como também nunca os judeus cunharam moedas próprias. Entende-se, assim, que estes 400 siclos tinham o valor da moeda que corria no tempo em que o autor sagrado escrevia. Eis, ainda, um problema insolúvel, uma vez que não se conhecia moeda no tempo de Moisés. É muito longa a história do patriarca Abraão. Não é nosso intuito criticar a Bíblia integralmente, isto significaria fazer obra volumosa, e hoje em dia, com a vida dinâmica que vivemos, não nos sobra tempo para leitura de obras desta espécie. Fica, assim, apenas, uma pequena amostra.
O legislador da Bíblia é um copista fiel das antigas mitologias, diz Jacolliot, em seu livro "As Verdadeiras Origens da Bíblial" e historia de que modo Manú, legislador hindu, transformou-se em Manés para os egípcios, Minos, para os gregos e Moisés, para os hebreus. Quatro nomes a dominarem todo o mundo antigo, aparecidos no alvor de quatro povos diversos, para representarem o mesmo papel. Todos são legisladores, grandes sacerdotes, fundudores de sociedades sacerdotais e teocráticas. Manú, Manés, Minos e Moisés. E quando se averigue, como evidentemente está averiguado, que a India é a origem de todas as lendas da antiguidade, já não se estranhará o dizer-se que a Bíblia nasceu na Alta Ásia. Na Bíblia judaico-cristã, os personagens correspondem, segundo E. Bossi, a outros entes mitológicos, por exemplo, Elias, que com seu carro de fogo e seus cavalos inflados, reproduz o Apolo grego. Sansão e Jonas são cópias do mito pagão de Hércules que, também, como Jlonas, permanece encerrado três dias no ventre de um monstro marinho e que, como Sansão, também significa pequeno sol.
O conde de Corbera, em sua epístola aos romanos (1768), assim nos fala: Estes plagiadores da antiguidade tomaram a água lustral dos hindús, romanos e gregos, suas procissões, a confissão praticada nos mistérios de Céres e Isis, o incenso, as libações, os hinos, tudo, até a vestimenta dos padres! Eles se prosternam, ainda, hoje, diante das estátuas e das imagens de homens desconhecidos, reprovando constantemente aos Péricle, aos Solon, aos Cipião, aos Catão, de haverem dobrado os joelhos ante os emblemas da Divindade. Que digo? Haverá um só acontecimento do Antigo e Novo Testamento que não tenha sido a cópia das antigas mitologias, hindús, caldéias, egípcias e gregas? O sacrifício de Idoméia não é visivelmente a origem do sacrifício de Jefté? A corça de Efigênia não é o carneiro de Isaque? Não vedes Eurídice na mulher de Ló? Minerva e o cavalo de Pégaso, escavando os rochedos e fazendo brotar água deles não reproduzem o episódio prodigioso de Moisés?
Bacchus atravessou o Mar Vermelho a pé enxuto, antes do patriarca dos judeus e fez parar o Sol antes de Josué. As mesmas fábulas, as mesmas extravagâncias de todos os lados... Enfim, mesmo nesta história de Abraão, o velho patriarca, não puderam os judeus escrevê-la sozinhos e mais uma vez se foram socorrer da velha India misteriosa, berço incontestável de todas as religiões.
Os Mandamentos Quanto aos mandamentos, o que é de admirar, é que havendo Moisés, segundo refere a Bíblia, recebido as tábuas da lei, em lugar de cumprílas, não lhes deu nenhuma importância. E aconteceu que chegando ele ao arraial, e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se o furor de Moisés, e arremessou as tábuas de suas mãos, e quebrou-as ao pé do monte. (Gên. XXXII, 19) E desprezando um mandamento importante contido nas tábuas Sagradas, o "não matarás", ele manda exterminar os idólatras. E disse-lhes: Assim diz o Senhor, o Deus de Israel: Cada um ponha a sua espada sobre a sua coxa; e passai e tornai pelo arraial de porta em porta, e mate a cada um a seu irmão, e cada um a seu amigo, e cada um a seu próximo. (Gên. XXXII, 27) Conselho maravilhoso próprio de um Deus, ordem admirável partida de um missionário, que apenas terminava de falar com Jeová proibindo as matanças.
E, se ficasse nisto, no desrespeito de Moisés para com o seu Deus, quebrando as tábuas da lei, e no morticínio dos idólatras, seriam, apenas, dois crimes, mas o pior é que Moisés continua ordenando o morticínio, o roubo, a pilhagem e os mais degradantes atos de violação. Depois, segundo reza a História, os tais mandamentos não são do patriarca, antes foram copiados da religião de Brahma pelos autores do "Pentateuco".
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