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Capítulo 59 de 65
O Caso Piper — parte 1 de 2
A Evolução · Carlos Imbassahy
Terminemos a nossa lacunosa resenha tratando dos fenômenos produzidos pela Senhora Piper. Conhecemos alguns médiuns que tinham a mesma capacidade medianímica daquela Senhora. Nenhum médium de efeitos intelectuais (ou de fenômenos subjetivos), foi porém tão estudado e observado, durante vários anos, por tantas notabilidades, por tantos homens da Ciência, como a Sra. Piper. Trata-se, portanto, de fatos indiscutíveis, cientificamente comprovados, e, conseqüentemente, sem os motivos de suspeição que poderiam ter quaisquer outros por nós apresentados, onde faltariam as garantias e as provas de que se revestiram as manifestações obtidas por seu intermédio.
(227) Prof. Silveira Bueno – Folha da Manhã, S. Paulo, 30 de maio de 1954.
Dela diz Charles Richet:
Madame Piper, estudado por William James, depois com extraordinária paciência por R. Hodgson, depois, com uma não menor perseverança por Hyslop, depois por Fr. Myers, Sir Oliver Lodge, Sir William Barrett, possui poderes de clarividência que ultrapassam, provavelmente, todos aqueles até então observados. Às pessoas que vêm vê-la, diz, imediatamente, quase sem hesitação, os nomes dos diversos membros de suas famílias, contando a respeito deles episódios que o próprio visitante ignora e de que verifica a autenticidade após longa e laboriosa pesquisa. Ainda que não houvesse como médium (en fait de médium) senão a Senhora Piper no mundo, isto seria bastante para que a criptestesia estivesse cientificamente estabelecida. (228)
Tornou-se muito conhecida e notável a frase do célebre psicólogo William James: - Se quiserdes destruir a lei de que todos os corvos são pretos, não é necessário procurar demonstrar que não há corvos; basta mostrar que há um branco. Meu corvo branco foi a Senhora Piper. (229) A senhora Piper – dizia o eminente filósofo – possuía conhecimentos que nunca lhe foram revelados pelo uso ordinário de seus olhos, dos seus ouvidos ou de sua razão. James estudo-a no caso especial do “controle-Hodgson”, isto é, no período em que por ela se manifestou o conhecido psiquista Richard Hodgson. Se James não chegou a aceitar decisivamente a tese espírita, concluiu, entretanto, por “uma vontade de personificação, vontade essa que poderia provir de várias fontes, ou mesmo da que se dizia o defunto comunicante.” Assim declarava;
A causa ativa das comunicações é, segundo toda a hipótese, uma vontade de certa espécie, quer seja a vontade do Espírito de Richard Hodgson, ou de inteligências sobrenaturais inferiores, ou a do subliminal da Senhora Piper.
Não é exata, portanto, a opinião corrente, entre muitos, de que o psicólogo americano era infenso à comunicação dos mortos. Esclarece ele:
A vontade de comunicar, no exemplo considerado, seria a priori, a vontade do Espírito sobrevivente do Hodgson. A considerar os casos de entidades permanentes, não há a priori razão para que os espíritos humanos e outros seres espirituais não possam cooperar no fenômeno ou produzir alternativamente manifestações diversas. (230)
Verificava ele que “uma das particularidades do fenômeno consistia em ser a personalidade comunicante diferente da normal, chegando, muitas vezes, a convencer a esta que outrem agia em seus órgãos”. E esta uniformidade nas comunicações é de grande valor teórico.
(228) Charles Richet – Traité de Métapsychique, 1923, pág. 39. (229) William James – Discurso pronunciado na Sociedade de Pesquisas Psíquicas, de Londres. (230) William James – Études et Réflexions d’um Psychiste, Trad. De E. Durandeaud, 1924, págs. 307, 311.
Referindo-se à personalidade que se dizia Richard Hodgson:
Nas comunicações dos primeiros dias, que foram adquirindo forças gradualmente, havia algo que trazia a sua marca e de modo tão dramático que todos que delas tiveram conhecimento receberam uma viva impressão. (231)
Hodgson – acrescentava William James – distinguia-se por grande vigor; gostava de ironia, da discussão, das réplicas, da poesia; era gesticulador e ria muito. Pois todos esses traços se notam desde o começo de suas aparições. E a propósito, reforçava do Dr. Bayley:
Tais expressões, tal feição particular marcam, de modo indisfarçável, o gênero de espírito de Hodgson durante sua vida terrestre, e tais como aparecem muitas vezes, dão a impressão, quase irresistível, que é realmente a personalidade de Hodgson que ali está presente com seus caracteres próprios.
William cita ainda uma das testemunhas das sessões, que dizia:
Ele me trazia palavras cheias de afabilidade e de ordem tão íntima, e com tais particularidades, que me deixavam intensamente comovida, e a tal ponto que, no fim da sessão, eu ficava desfalecida. Parecia-me que ele se encontrava ali em carne e osso. (232)
Os fenômenos produzidos por essa médium levaram muito céticos, alguns dos quais acérrimos adversários da hipótese espírita, não só a admiti-la, como a julgá-la irrefutavelmente demonstrada. Assegura-nos M. Sage:
Le Dr. Hodgson, Le Professeur Hyslop et d’autres qui s’étaient engagés dans ces études, aussi sceptiques que n’importe qui, mais sans parti pris, ont fini, après des hésitations qui ont duré de longues années, par se rallier à l’hypothèse spirite. (O Dr. Hodgons, o Prof. Hyslop e tantos outros empenhados nesses estudos, absolutamente céticos, embora sem obstinação, depois de hesitações que duraram longos anos, acabaram por adotar a hipótese espírita). (233)
Do Dr. Silva Melo, que escreveu uma obra negando a realidade dos fenômenos psíquicos, colhemos o seguinte:
A senhora Piper foi estudada por sábios de renome; os Espíritos serviam-selhe da voz e da mão; apresentavam-se como parentes e amigos mortos dos presentes. William James, um dos mais célebres Psicólogos, bate à sua porta, a sogra volta assombrada porque a médium lhe diz nomes e prenomes de membros de sua família; uma cunhada do Psicólogo leva-lhe uma carta, cujo autor só duas pessoas conheciam e Piper descreve esse autor; James procura-a sob falso nome e as informações que recebe são extraordinárias; a médium diagnostica, descreve pessoas, servindo–se dos objetos que lhes pertencem; dava informes quanto a parentes e amigos dos que a procuravam. James perdera um livro e Piper diz onde ele se encontra, e isso se repete com várias outras coisas que o Psicólogo ignorava. _______________ (231) William James – Obra cit. , pág. 183. (232) William James – Obra cit. págs. 222, 223. (233) M. Sage – Madame Piper, pág. 258.
E por essa razão declarava ele: se afirmarem que todos os corvos são pretos, para destruir o preconceito basta um corvo branco; meu corvo branco é a Sra. Piper. E que, se fraude houvesse, seria tão perversa e tão bem sucedida que não poderia haver nada de semelhante. Oliver Lodge, célebre Físico, também lhe envia pessoas sob nomes falsos; havia casos em que as revelações eram confirmadas posteriormente e pareciam totalmente desconhecidas dos presentes. O fato leva Lodge a declarar-se completamente convencido da sobrevivência e da comunicação dos mortos. Newbold e Driesch navegam nas águas de Lodge. (234)
É bem verdade que o ilustre e acatado médico não subscreve os ótimos pareceres dos notáveis psiquistas, porém não teve elementos com que pudesse invalidá-los. Fiados nessas e em outras asserções dos que analisam o vasto campo dos fatos metapsíquicos é que ousamos entrar francamente no estudo das comunicações dos mortos, estudo já achanado pela comunicação dos vivos. Estas preparam caminho para aquelas. Partindo do conhecido, do indubitável, do que não pode deixar de estar claro aos nossos olhos, achamo-nos aptos para aceitar aquilo que se encontra fora dos moldes consuetudinários. Vimos seguindo, ainda, o processo científico onde se preceitua que não devemos pronunciar-nos sobre uma ordem de fenômenos, sem que primeiro tenhamos posto em prática um laborioso processo de análise comparada que abranja toda a gradação fenomênica em que eles se produzem.
Um dos mais assíduos e meticulosos observadores dos fenômenos produzidos pela célebre médium foi o Dr. Richard Hodgson, que se transportou da Inglaterra aos Estados Unidos, especialmente para estudar a sua mediunidade e que, segundo os relatores, não poupou canseiras para observá-la, nem deixou de espreitá-la. – “Il ne l’a pour ainsi dire pas perdue de vue un seul instant”, diz Sage. A sua competência no caso era insofismável. Basta dizer que o conheciam como o caçador-de-fraudes. Parece que sua grande preocupação consistia em desmascarar médiuns farsantes. Considerado como um dos grandes pilares da S. P. R. de Londres, tornara-se especialista em descobrir fraudes “Especially qualified for the detection of fraud”. A Sra. Blavastky estava no apogeu da fama. Ele foi especialmente à Índia para observá-la e voltou à Inglaterra com um minucioso relatório onde declarava os truques empregados e os meios de que ele se serviu para apanhá-los. Data daí, segundo muitos pensam, a animosidade dos teosofistas para com os fenômenos espíritas, que eles têm como prejudiciais e perturbadores.
Continuando sua caçada, “ce terrible ennemi de la fraude” adquiriu extraordinária prática em descobrir médiuns embusteiros; e com tal empenho se iniciou nessa habilidade que chegou a adquirir a arte de consumado prestidigitador. Este hábil cientista e cético inveterado é que foi um dos garantidores da autenticidade das manifestações da Sra. Piper. Outro psiquista de relevo nas experiências é James Hyslop, professor de Lógica e de Ética da Universidade de Colúmbia, no Estado de Nova York, a cujos trabalhos nos reportaremos mais adiante.
(234) Silva Melo – “Mistérios e Realidades deste e do Outro Mundo”.
Um dos primeiros guias a apresentar-se durante o sono ou o transe da médium dava o nome de Phinuit. Esse Espírito deveria proceder como certas pessoas de nossos conhecimentos; ele, desejoso de aparecer, ou metediço, ou convencido de sua importância, mas sem o preparo necessário para o alto mister a que se propôs, costumava atrapalhar-se e a cometer cincas que teriam tornado apagado o caso Piper, ou contribuído para o desmerecimento da sensitiva, se não fosse a intromissão de outros guias e os demais fenômenos que se sucederam. Um tanto ignorante, um tanto presunçoso, um tanto mentiroso, cometia falhas, caía em contradições, o que tanto bastou para que os desconhecedores do assunto, incapazes de perceber os fatos, logo vissem ali os indícios de burla, irrealidade, ou, na melhor hipótese, simples manifestações do subconsciente. Cumpre, ainda, ter em vista que se tratava de espírito pouco adiantado e que são inúmeras as dificuldades da manifestação.
Assim, os guias afirmam que o fato de o espírito desencarnado mergulhar na atmosfera de um organismo é o suficiente para reproduzir momentaneamente a perturbação de que se achava possuído anteriormente. Phinuit queixava-se de que, quando ia comunicar alguma coisa, outros o interrompiam, e então procurava ele falar como podia e não como queria. E Sage acrescentava: - Os Espíritos para se comunicarem colocam-se em um meio muito incômodo, o qual os perturba extraordinariamente. Diz Rector: - Imaginai o comunicante mergulhado numa atmosfera pesada que, em pouco tempo, lhe dá uma espécie de delírio, e ele fica como que metido num intenso nevoeiro. Robert Hyslop declarava freqüentemente: - Vou retirar-me, que me estou sentindo fraco. Mas, como Espírito que era, podendo ver o que nós não conseguimos, Phinuit, por vezes, dava algumas impressionantes demonstrações, de que foram testemunhas vários pesquisadores. Assim, por exemplo, ele dissera à Sra. Pittman, membro da Sociedade de Pesquisas de Londres, que ela iria ficar muito doente, que viajaria para Paris, teria um grande mal no estômago, doença na cabeça... Um senhor louro, pálido, seria o seu médico.
A senhora perguntou quais as conseqüências da doença; ele disfarçou, deu respostas evasivas e depois de algumas reticências, premido pela interlocutora, declarou: - Uma vez que termine a doença, tudo irá bem... A Sra. Pittman, que não sentia mal algum, contradisse Phinuit em todos os pontos. Este, agastado, retirou-se. Ela, pouco depois, caía enferma. Foi tratada pelo Dr. Herbert, que diagnosticou – inflamação do estômago. Depois procurou o Dr. Charcot; foram atingidas as suas faculdades mentais e veio finalmente a falecer. Agora, diz o relator, não está mais doente e tudo deverá ir bem. Outro caso. Numa sessão, presente a Sra. Howard, diz Phinuit que um Espírito queria falar-lhe. Esse se apresentou, declarava chamar-se Farnworth, tendo estado a serviço de sua tia Ellen. Feitas as indagações, disse a tia que conhecera Farnworth, jardineiro, a serviço de seu pai durante trinta e cinco anos.
Depois de Phinuit veio George Pelham, antigo filósofo que falecera jovem, e aí então é que começa a descortinar-se a maravilhosa mediunidade da Sra. Piper. Honesto, esclarecido, surgiu como certos administradores, que procuram com suas medidas, seus esforços, reparar os erros e os desmandos das administrações passadas. Tratou de afastar
Phinuit e outros, assenhoreando-se das faculdades da médium e cercando-se de Espíritos adiantados e competentes, com a habilidade de um estadista quando compõe o seu Gabinete de bons auxiliares. Depois de Pelham, ou com ele, veio o grupo de “Imperátor” onde figuravam seres de extraordinária elevação moral, e já conhecidos pela mediunidade de Stainton Moses. Os informes, as provas de identidade, as comunicações eram de tal ordem, que os experimentadores tomaram precauções fora do comum. Até detetives foram contratados, a fim de que acompanhassem a médium para ver onde ela hauria os seus conhecimentos. Os consulentes se apresentavam da América e de vários pontos da Europa; disfarçavam-se, mudavam os nomes, punham até máscaras, e só vinham à sala depois que a médium já estava em transe. E as manifestações, não obstante, continuavam admiráveis. Se a Sra. Piper – diz Sage – obtivesse os informes por meio de espiões a seu serviço, eles deveriam enviar-lhe pormenores a respeito de todas as famílias dos Estados Unidos e da Europa, pois que ela não sabe com quem vai ter uma sessão.
Finalmente, a médium é pobre e não teria recursos para estipendar auxiliares. Houve mais: sendo americana, fora convidada a vir à Inglaterra. Recebeu-a Frederico Myers, que a levou para a casa de Oliver Lodge e depois para a sua; ambiente, portanto, absolutamente estranho e seguro. Suas malas foram inspecionadas, sem que ela pusesse a isso a mínima objeção. Em suma, as experiências duraram quinze anos e nunca se pôde descobrir o menor indício de embuste, por maior que fosse a vigilância e mais hábeis os investigadores.
Nas sessões em que o Espírito manifestante foi o pranteado psiquista Richard Hodgson, que em vida tomara parte tão saliente nas experiências da Sra. Piper, o principal experimentador foi William James, que escreveu memoráveis trabalhos sobre assuntos psíquicos, condensados na obra Estudos e Reflexões de um Psiquista. A maior parte da obra cabe aos fenômenos observados com aquela médium. Hodgson dir-se-ia um Espírito neófito em tais experiências do outro lado; a sua memória enfraquecia, cansava-se com facilidade, sentia-se mal, perdia o fôlego e retiravase. Daí, talvez não tivessem as suas mensagens e as suas provas o brilho a que se chegou com outros “controles”, e por isso ficassem no espírito do filósofo que as descreve, as reticências e as dúvidas que se lhe notam. Entretanto, não pôde eximir-se de narrar-nos muitos fatos interessantes nas sessões:
Quando a Sociedade Americana entrou em dificuldades financeiras – escreve ele – os seus membros procuraram resolvê-las. As atas mostram que, nesse período, os guias tinham conhecimento dos principais fatores daquelas perplexidades. Como quer que seja, e ainda que houvessem indiscrições capazes de chegar ao ouvido de Piper, o que é certo é que Rector e Hodgson compreendiam toda a situação. Eles se entretiveram de modo pertinente com Dorr a respeito de certas atas não publicadas; com Henry James sobre a disposição dos livros de Hodgson e outros bens; com Piddington e Dorr sobre os desejos de Hyslop e a melhor maneira de os satisfazer; com Hyslop sobre suas responsabilidades e os médiuns por quem Hodgson e ele se tinham interessado; com Dorr, James, Piddington e Lyman sobre a questão de saber as intervenções inoportunas e perturbadoras de certas pessoas; em suma, cada experimentador tinha a sensação de que as questões que o preocupavam eram percebidas distintamente pela inteligência animadora do organismo adormecido da médium.
Referindo-se às sessões em que tomara parte a senhorita Bergmann, diz ainda o notável Psicólogo:
O conhecimento minucioso assim revelado das conversações de Richard Hodgson nos hotéis de Boston onde estavam aquelas damas, parece-nos um dos fatos mais probantes da série. É improvável que palestras tão triviais pudessem ser levadas por Hodgson vivo à Senhora Piper.
Os textos dos Anais ingleses consagrados ao caso Piper ocuparam quinhentas páginas em tipo pequeno. O Professor Lodge levantou um mapa das questões reveladas pelos Espíritos, umas já esquecidas, outras inteiramente ignoradas, e outras, ainda, das quais era impossível ter conhecimento.
Pelham conseguira identificar-se. Vivera em Boston e Nova York, fizera parte das Sociedades de Pesquisas inglesa e americana. Amigo de Hodgson, sustentara contra as idéias espiritualistas deste, a da improbabilidade da sobrevivência, num vivo debate, e prometia que se morresse primeiro, e sobrevivesse, viria penitenciar-se do erro. Cumpriu a palavra. A princípio Pelham e Phinuit se apresentavam simultaneamente, um pela voz direta, outro pela psicografia. Pelham teve ocasião de manifestar-se a cento e cinqüenta pessoas, todas por ele reconhecidas, sem que houvesse qualquer engano, ou tomasse por amigos os que o não eram. E não só os reconhecia, como os nomeava, dirigia-lhes a palavra no tom com que costumava falar-lhes, com as nuanças típicas, de acordo com a idade, a intimidade, o grau de afeição, e lhes dizia particularidades só por eles conhecidas. E eram tão íntimas as palestras que muitos dos seus amigos não consentiram que fossem publicadas. O pai e a sua segunda mulher vieram à presença de Pelham com supostos nomes. Ele, porém, foi dizendo: - Ó meu pai e minha mãe, sou eu George...
Muito ligado a James Howard, com quem debatia problemas filosóficos, logo o reconheceu e entabulou interessante palestra. Outro amigo vem à sua presença, M. Vance. Pelham o identifica e pergunta pelo filho. - Onde o conheceu? – indaga Vance. - No Colégio, foi meu condiscípulo; estive com ele ultimamente em sua casa de campo, rodeada de árvores, com um pórtico na frente, uma vinha ao lado, um balanço do outro... Era tudo exato. Helena Vance pertencia, juntamente com Pelham, a uma sociedade que tinha por fim instruir as pessoas na arte de escrever. Pelham lhe perguntou: - Como vai a Sociedade? E se travou um diálogo onde não falharam as reminiscências de George. Conhecera ele, aos três anos, a menina Warner. Havia oito que a perdera de vista. A menina crescera. Na primeira sessão, George não a reconheceu. Na segunda perguntou quem ela era. - Mas o senhor visitava minha mãe – lhe diz ela – e eu o vi muitas vezes. O senhor vinha à nossa casa com Rogers. - Ah, então a menina mudou, porque não posso recordar-me.
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