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Capítulo 27 de 65
Corpo e Espírito
A Evolução · Carlos Imbassahy
Reprocham-nos acharmos que o homem é formado de corpo e espírito. Convém acentuar, quanto ao corpo e espírito, ou seja, o célebre binômio, que a nossa ignorância, no caso, deve ser o reflexo da ignorância universal, porque o que se conhece no indivíduo são as duas partes essenciais, o corpo perecível, e o espírito, substância imaterial. O próprio perispírito é parte do Espírito, ou da Alma. Tomemos um exemplo em Ernesto Bozzano, que não faz mais do que repetir o que dizem filósofos, psicólogos, espíritas, religiosos e espiritualistas, vários.
La Mort doit consister dans la séparation definitive entre l’organisme somatique d’un côte, et l’esprit pourvu de son envelope fluidique, de l’autre. (A morte deve consistir na separação definitiva entre o organismo somático de um lado, e o espírito provido de seu invólucro fluídico do outro). (45)
Com Léon Denis, o que se conhece é o organismo físico e a alma, ou o soma e o espírito:
A dissolução das formas materiais prova que a alma é separada do organismo por meio do qual comunicava com o meio físico. (46)
E para que não se pense que o perispírito é um terceiro elemento distinto, ouçamolhe a definição:
Constitui o princípio intermediário entre a matéria e o espírito, o meio de união entre alma e corpo, a condição necessária para as relações entre o moral e o físico. (47)
E depois de examinar vários autores e várias escolas, vamos a um materialista. É Binet, que chegou a escrever um tratado sobre a alma e o corpo, como as partes distintivas do ser. Depois de nos descrever a matéria, que constitui o corpo, diz-nos o que é o Espírito; este se traduz no fenômeno psicológico: - “as sensações, as percepções, as idéias, as lembranças, o raciocínio, as emoções, os desejos, as imaginações, os atos de atenção e a vontade.” (48) Leibnitz descobriu o sistema das mônadas, segundo o qual existe uma harmonia preestabelecida entre a alma e o corpo. E declara: Creio, com a maioria dos antigos, que todas as almas estão unidas a um corpo. (49) ________________ (45) Ernesto Bozzano – A propos de l’introduction à la Metapsychique humaine, Paris, 1926, pág. 243. (46) Leon Dénis – Le Problème de l’être, de la destineé et de la douleur, Paris, Ed. Durville, pág. 63. (47) Gustave Geley – Essai de Revue Générale, Paris, 1925, pág. 14. (48) A. Binet – L’Ame et le corps, Paris, 1905, pág. 54. (49) Leibnitz – Nouvelles recherches sur la raison humaine – Trad.
Censuram-nos por dividirmos a fenomenologia psíquica em espírita e anímica. Esse fato, entretanto, não impede que toda ela se enquadre no Espiritismo. Para Ernesto Bozzano, os fatos provenientes da alma dos vivos servem de ponto de partida para compreendermos e demonstrarmos a ação dos mortos, por maneira que não podem estar dissociados. Eles se entrosam de tal jeito, que formam um todo coeso, único. Dizia ele: As comunicações medianímicas entre vivos constituem a fundamental base fenomênica das pesquisas metapsíquicas, uma vez que somente por meio de tais comunicações se chega a penetrar na gênese da fenomenologia supranormal. (50) E em outra obra: Muitas manifestações metapsíquicas ordinariamente anímicas podem ser, em realidade, espiríticas, como ordinariamente manifestações espiríticas podem ser anímicas. Animismo e Espiritismo representam o duplo aspecto pelo qual se manifesta a mesma fenomenologia. (51) E Dellane: Impõe-se a convicção de que o espírito ou a alma existem realmente. (52).
Em suma, a noção de corpo e espírito, o chamado binômio que forma o ser humano encarnado, é a que consta dos ensinos de religiosos de várias espécies, de espiritualistas e materialistas, de espíritas e céticos. É um velho conhecimento demonstrado pelos fatos, pois o que notamos, no ser, é a parte material, o organismo, que se desfaz, que perece; e uma parte imaterial, que conhecemos por suas manifestações, que impressiona os nossos sentidos por seus efeitos, manifestações que se observaram em todas as épocas, que vemos nas experiências de todas as nações, que se encontram entre civilizados e selvagens. Estamos diante da evidência. Essa parte imaterial é a alma ou o espírito, e se nos apresenta com os característicos que tinha em vida, com os mesmos predicados morais e intelectuais, sem que se lhes note essa divisão de almas, conforme alguns credos e escolas ocultistas estabelecem. Esse ser, essa entidade espiritual é a que reencarna. Coisa simplíssima, clara, comprovada.
(50) Ernesto Bozzano – Animismo ou Espiritismo, Trad. De Guillon Ribeiro, 1940. (51) Ernesto Bozzano – A propos de l’introduction à la Métapsychique humaine, Paris, 1926, pág. 52. (52) Gabriel Delanne – Le Spiritisme devant la Science, 1923, pág. 81.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.