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Capítulo 56 de 65
O Desastre do R-101
A Evolução · Carlos Imbassahy
Caso que também teve grande repercussão na Europa foi o da manifestação do Comandante do R-101, relatado em vários jornais ingleses. J. J. Proudhom, em artigo publicado na Revue Spirite de 1938, apresenta-nos a revelação do Comandante, conforme a extraiu dos periódicos e do laboratório com seus pormenores, cheios de termos técnicos, sendo que a mensagem contribuiu para elucidar, por parte dos técnicos da Aeronáutica britânica, muitos pontos obscuros. O dirigível era comandado por H. C. Irwin, e se despedaçou a 5 de outubro de 1930. Fazia-se uma sessão no laboratório Nacional de Pesquisas Psíquicas com a Sra. Garrett, na esperança de conseguir-se uma mensagem de Sir Arthur Conan Doyle. Acabava de ser recebida a mensagem esperada, quando a voz da médium mudou completamente e ouviuse a do Comandante do R-101, o Primeiro-Tenente H. Carmichael Irwin. Esse oficial explicou as circunstâncias da catástrofe, as falhas do aparelho, as medidas que tomara, e finalmente o local em que caíra com a nave incendiada.
Impossível reproduzir toda a mensagem, que além de longa e minuciosa, contém uma descrição que só os peritos poderiam entender. Uma cópia da ata da sessão foi enviada ao Ministério do Ar, e a 6 de maio uma autoridade oficial, junto à construção dos dirigíveis, teve prolongada palestra com os membros do “Laboratório de Pesquisas Psíquicas”, onde se referiu às concordâncias existentes entre o relatório da sessão e os fatos conhecidos na Aeronáutica. O Ministério do Ar já havia respondido, declarando que o relatório submetido ao seu gabinete pelo “Laboratório” o havia ajudado consideravelmente no inquérito, acrescentando que as precisões que continham só podiam emanar de um técnico, ao corrente dos problemas da Aeronáutica, e que estivesse a bordo do dirigível sinistrado. Segue-se a descrição do sinistro com sua explicação técnica.
Resumindo o ponto essencial, diz o escritor francês, a entidade Irwin e o perito Sr. Spanner estão de acordo em atribuir a causa inicial da catástrofe à “adjunção de um tubo mediano”, com a circunstância de que a entidade deu a conhecer mecanicamente a sua opinião quarenta e oito horas após a catástrofe, enquanto Spanner só o pôde fazer após os resultados do prolongado inquérito. (226) Tal é o caso do R-101, acrescenta Proudhom. Se há telepatia, será entre quem? – indaga. Para a Sra. Garrett toda essa técnica aérea seria uma espécie de chinês. Ela ignorava, como todos, a existência da insignificante aldeia de Achy, a qual só figura nas cartas do Estado-Maior e da Navegação Aérea. Quanto ao conteúdo da comunicação, di-lo o Ministro do Ar, só um técnico, e que estivesse a bordo do dirigível sinistrado, poderia ser dele o autor. Certos detalhes só eram conhecidos de um restrito número de peritos. A entidade dizia-se o Espírito do piloto.
Dessa comunicação medianímica, pois que Spanner só assinalou o fato muito tempo depois, nenhum ser vivo estaria a par; ninguém poderia saber que os esteios de tribordo tinham rebentado em conseqüência da falta de ressalto da fuselagem, devido ao peso excessivo do tubo mediano acrescentado. Quem poderia revelar isso à médium? E o autor declara que prefere pedir a solução à sobrevivência, a ter que viajar até a Lua para descobrir o comunicante vivo que pudesse revelar a Mrs. Garrett o conteúdo do relatório que ajudou o Ministro do Ar Britânico a determinar a causa da perda, corpo e bens do R-101. ________________ (226) Revue Spirite, 1938, pág. 108.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.