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Capítulo 14 de 65
Simpatias e Antipatias
A Evolução · Carlos Imbassahy
Um fato que a psicologia tem procurado desvendar inutilmente é o das simpatias e antipatias entre certas pessoas, sem que haja causa que as justifique. Simpatizamos ou não, sem saber por quê. O móvel de tais sentimentos terá a sua raiz no bem ou mal que nos fizeram essas criaturas em passadas eras, nas desavenças ou na convivência que com elas tivemos. Ocorre-nos um caso ilustrativo: Henri Sausse (Des preuves, en voilà) conta o seguinte: Uma senhorita, de nome Sofia, pedira ao autor que a fizesse adormecer, a fim de verificar se ela possuía, em estado latente, faculdades de lucidez. Para fazê-la desprender, pediu ele o auxílio de uma sonâmbula, a senhorita Luísa. E esta respondeu, nervosamente, em voz baixa: - Não, não quero... Não posso... No dia seguinte, ao visitar Luísa, o experimentador indagou motivo de sua recusa e ela, em transe sonambúlico explicou: - Opus-me porque essa pessoa foi a causa da minha desgraça em outra existência; juramo-nos um ódio eterno; eu a desprezo e nunca lhe perdoarei o mal que me fez.
Disse o experimentador, que não o acaso, mas amigos invisíveis as tinham posto no mesmo caminho para devida reconciliação. Em outra seção, adormecidas ambas, Sofia e Luísa, os Espíritos exortam-nas a reconciliação, secundado pelos presentes. Luísa toma, então, a inimiga pelo braço e lhe diz: - Veja, lembre-se... Sofia, estupefata, chora e exclama: - Você não me pode perdoar, fiz-lhe muito mal. Tenho vergonha, não sei como esconder-me... Luiza, porém, declarou que, já que os amigos pediam, estaria tudo apagado desse sinistro passado. Foi um custo acordá-las. Era epílogo de um ódio prolongado. Provas, eilas, disse Henri Sausse.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.