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Capítulo 29 de 65
Inteligência e Memória: Indiferença do Criador
A Evolução · Carlos Imbassahy
Denúncia grave é a de que não sabemos distinguir a inteligência da memória:
Nos seus pulos intelectuais o Sr. Carlos Imbassahy passou do hospital planetário para o nirvana e deste para gênios e cretinos. Aí, porém, confunde inteligência com memória: Esta facilidade na apreensão é que constitui inteligência! Puro engano, ser inteligente não é aprender as noções, é vivê-las conscientemente. A inteligência é um atributo que permite relacionar as causas com seus efeitos e os atos às suas conseqüências.
Ora, referimo-nos à inteligência como o resultado de longo aprendizado. O indivíduo que, em existências pretéritas, se aprimorou em tais ou quais ofícios, em tais ou quais estudos, acumula o saber no espírito; na vida terrena, esse material acumulado vem à consciência e temo-lo mostrando aptidões que outros não conseguem. Pela prática do passado, ele compreende, aprende e percebe facilmente. Chamamos a isso inteligência. Vejamos um exemplo. Um tal, que desde a infância acompanhou o pai, piloto, em suas viagens; o filho do carpinteiro que, desde cedo, freqüenta uma oficina, conservam conhecimentos que o neófito não possui. Transporte-se o exemplo às vidas sucessivas, e compreenderemos que as demonstrações da inteligência não são mais do que a nossa bagagem, que vai aos poucos saindo dos porões da alma. Pode-se dizer que a inteligência é a memória acumulada, como se diz que o capital é o trabalho acumulado. Mas, assim como não se confundirá, por isso, o trabalho com capital, também não se irá deixar de distinguir a memória da inteligência. Chega o contraditor à nossa interrogação: - Por que a infinita diversidade na sorte dos indivíduos? – E responde:
São os efeitos dos fatores pré-natais, a influência do meio, as dificuldades sociais, os desajustamentos; o sentido das reações. A descendência dos alcoólicos é degenerada por que as células sexuais deste acham-se desvitalizadas pela intoxicação alcoólica. Pergunta o Sr. Carlos Imbassahy as causas das desigualdades humanas. A resposta é simples: a exploração do homem. O mistifório é da reencarnação, do hospital planetário.
Indagando o porquê da variedade na sorte humana; da razão do conforto de uns e do sofrimento de outros; da miséria física e social, ao lado da saúde e da riqueza, procurávamos um motivo transcendente, nunca o motivo material, que este toda a gente conhece e vê. Buscávamos saber, precisamente, porque este nascera filho de um hígido e aquele de pais com as células sexuais desvitalizadas; porque uns surgiram em bons meios e outros em meios detestáveis; porque viriam uns entre os exploradores e outros entre os explorados. E replicam-nos com a nossa própria interrogação: - É porque há os desajustados, o meio, as células... Com as objeções mostrávamos que, fora da reencarnação, as explicações não passavam de um mistifório, haja vista que a causa de tais desconformidades estaria na vida
pregressa. Os “acasos” orgânicos e sociais tinham origem remota. A culpa estaria no próprio indivíduo. Ilude-se portanto, a matéria, dando-nos como resposta aquilo que se quer saber. O que perguntávamos, pois, era a razão porque faria o Senhor nascerem os indivíduos vítimas de desajustes, das células, das explorações, dos meios... E replica-se: - é por causa dos meios, das explorações, das células, dos desajustes... Além disso, apresentamos várias desgraças humanas onde não entravam aqueles fatores. Fiquemos por aqui.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.