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Capítulo 22 de 65
O Regresso À Vida
A Evolução · Carlos Imbassahy
São de um professor estes tópicos: Diz o Sr. Carlos Imbassahy: - Há espíritos que pronunciam a sua volta e dão nos corpos sinais comprobatórios. Isto o Sr. Imbassahy diz mas não prova... Por que não cita fatos de fácil verificação, em vez de dizer que os anais do Espiritismo registram inúmeros? Fala-nos, depois, nos espíritos mentirosos, nos perversos, no subconsciente, na maldade dos homens; e isto significa – afirma - que um espírito reencarnacionista pregará a reencarnação. Expliquemo-nos. O livro é iniciado por uma conferência e aí expusemos o assunto em suas linhas gerais. Seria impossível escorchar nos limites de uma palestra o acervo de fatos que constituem hoje imensa biblioteca. Além disso, supúnhamos falar para pessoas mais ou menos conhecedoras do assunto e a quem deviam ser familiares as grandes obras de Psiquismo, mormente tratando-se de um caso em debate. Quando nos referimos, portanto, aos inúmeros fatos registrados pelos Anais, fizemolo na convicção de que esses Anais não seriam estranhos aos competentes, ou àqueles que se propõem ventilar e esclarecer a matéria.
É balda de nossos adversários, quer se encontre no campo religioso, quer no materialista, falarem nos espíritos mentirosos, nos espíritos enganadores, para fazerem crer que é impossível conhecer-se o que quer que seja, em matéria transcendental. Mas esta escapatória, que se desculparia num sectarista ou num desconhecedor da questão, não se poderá admitir, sem certa estranheza, naqueles que a estudam. Se alguém se lembrasse de afirmar que nos é impossível qualquer conhecimento em que se faça mister o testemunho, a observação, a indagação, porque os homens falseiam, deturpam e mentem; se se disser que não poderemos possuir qualquer informe, porque o espírito de malícia e da mentira faz parte dos predicados humanos, tal asseveração entraria para o rol das alegações risíveis. Ora, nos meios forenses bastam duas testemunhas concordantes para a prova do fato, e isto se admite em jurisprudência pela dificuldade de poderem mentir duas pessoas, quando se ajustam os seus depoimentos, mormente se habilmente interrogadas. Aquela dificuldade subirá de ponto com a multiplicidade dos testemunhos.
Se dez pessoas que não se conhecem, e que passaram pelo mesmo lugar, disserem que viram ali um sujeito caído, será preciso uma forte dose de incredulidade para admitir que eles estejam enganando. Mas, sem vez de dez, forem cem, duzentos, mil, aí a dúvida já se aproxima do absurdo.
É o que se dá em matéria espírita. Os testemunhos já vêm do passado. Sabem os antropologistas, ou, pelo menos, os modernos e desbravadores, no que toca às religiões primitivas e às dos povos selvagens, que as idéias provêm do fato, daquilo que esses selvagens viram, observaram, testemunharam. Eles crêem em espíritos porque viam, porque vêm Espíritos. Ora, nesses povos antigos existe arraigada a crença da Reencarnação. Surge a fenomenologia moderna e os Espíritos nos transmitem os mesmos princípios. Não são vozes isoladas, mas ensino generalizado. Milhares de vozes sopram de todas as partes. Além disso, as indagações têm sido de tal ordem que, para julgar mentirosos os informantes, teríamos de admitir que, além da mentira, possuiriam eles no mais alto grau, a astúcia, a habilidade, a perspicácia, a inteligência. Ora, isso não se encontra na Terra, onde o mentiroso cai logo em contradição, e seria impossível encontrar no Espaço essa falange de seres falsos, ao mesmo tempo dotados de surpreendente talento.
E, para o inteligente que saísse vitorioso dos testes que se lhe apresentassem, encontraríamos dezenas de estúpidos que logo se deixariam apanhar. Os Espíritos, já o deveria saber até o Sr. de La Palisse, são criaturas mortas, ou que deixaram o corpo carnal. Como se poderia prever que essas criaturas, indo para o Espaço, logo se adunassem numa formidável turma de falsificadores, e onde quer que se manifestem, nos venham impingir o carapetão das vidas sucessivas? E até aqueles que em vida foram honestos, para logo se transformariam em mentirosos, mal botassem os pés nos umbrais da Eternidade? Por um fenômeno muito conhecido em Espiritismo, classificado como de identificação, temos certeza do espírito com quem falamos. São por vezes o de pessoas respeitáveis e que nunca passaram por mendazes. Não sabemos se há necessidade de provar o fenômeno. O fato é que essas pessoas que se identificam por todas as maneiras possíveis; vêem-nas os videntes; ouvem-nas os audientes; respondem correta, exatamente, aos mais cerrados interrogatórios; o que dizem só poderia ser dito pelo ser que se afirma presente.
Num fato, porém, único, haviam de mentir, na reencarnação. E isto ser dá em quase todas as regiões. Na própria Inglaterra, onde o vulgo não crê na Palingenesia, onde as criaturas morrem na persuasão de que não voltarão mais a este triste planeta, são inúmeras as manifestações contrárias à opinião geral. O grande psiquista e filósofo Ernesto Bozzano, em interessante trabalho, como veremos, demonstrou que as principais mensagens de origem inglesa, célebres pelo seu conteúdo ou pelos médiuns que as receberam, são clara ou veladamente reencarnacionistas. O mesmo argumento expendido acima para os casos gerais de identificação, ter-se-á que invocar no caso particular da codificação de Allan Kardec. Quem conhece espiritismo sabe que Kardec foi um missionário, isto é, o escolhido para apresentar o verdadeiro ensino dos espíritos. Temos a prova disso na permanência desses ensinos. Eles ainda estão de pé, apesar do tempo decorrido, apesar de forte campanha contra eles desencadeada, e mais que tudo, apesar do trabalho insano dos antagonistas em lhes provar a falsidade e o erro.
E o tempo e as campanhas, em vez de apagá-los, confirmam-nos. Verifica-se a exatidão de tudo o que vieram dizer ao mestre os prepostos da Nova Revelação. Num ponto, porém, havia ainda todos de falhar, sem qualquer exceção, segundo a opinião adversa: na afirmação de que voltaremos à Terra, de acordo com o princípio da evolução universal, para o fim de nosso progresso e de nossa felicidade.
Haveríamos ainda de perguntar por que seriam reencarnacionistas esses espíritos, quando ainda não se falava, em França, ou mesmo em todo o Ocidente, na doutrina das existências múltiplas. Temos, pois, que acreditar nesse fenômeno assombroso: - Espíritos de toda a parte dizem-nos coisas edificantes; apresentam-nos fatos comprováveis e comprovados; relatamnos casos fora de toda a dúvida; identificam-se por todos os meios; convencem-nos da verdade por todas as provas a seu alcance; os enviados para a grandiosa tarefa de Kardec trazem os ensinos magistrais que devem encaminhar a humanidade para os destinos da fraternidade e do bem. Há um lance, porém, em que haviam de mentir, segundo a extraordinária doutrina dos oponentes, e mentir grosseira, deslavada, reiteradamente - na referência à reencarnação!
Temos, ainda, as provas cumulativas, e por isso não nos referimos aos diversos fenômenos comprobatórios, como o dos sinais futuros, ou das semelhanças entre o antigo ser e o reencarnado; o das lembranças infantis, o das simpatias e antipatias; o das criançasprodígios, o do já visto, já sentido, já ouvido; o das cenas vivas, palpitantes, em que o ser é transportado a uma fase da vida passada e a reconhece, e sabe que já a viveu; o da sensação de que o indivíduo já esteve em outro corpo; o dos sonhos em que aparecem, ou em fragmentos ou por inteiro, a vida anterior; os prenúncios da reencarnação; a transfiguração, onde se vê, diante da figura atual, a figura do passado, e se notam as semelhanças entre o antigo e o novo corpo; as revelações, por onde se verifica a identidade de caracteres, hábitos, pendores, gostos, inclinações, idéias, entre os dois seres, o ser presente e o ser passado; o da dupla personalidade; o da regressão da memória, que culminou nas célebres experiências do professor Albert de Rochas.
É esta série impressionante de documentos, é este entrosamento de demonstrações, esta seqüência de fatos, são estas provas acumuladas, de diversos gêneros, todas conducentes à mesma finalidade, todas levando à mesma conclusão, que chamamos a prova crucial, conhecida em direito como a prova robusta. Convém lembrarmos este interessante trecho que nos apresentam, a título de argumentos: O Espírito de um reencarnacionista pregará a reencarnação, o de um cristão, porém, pregará o arrependimento e a regeneração conforme os ensinos evangélicos. Em primeiro lugar se vai fazendo crer que há uma distinção entre cristãos e reencarnacionistas, novidade esta que não pode deixar de ser anotada. Depois, valeria indagar qual o Espírito superior que não prega a regeneração e o arrependimento. Aqueles que trouxeram as edições que formaram o Livro dos Espíritos cansaram-se de nos aconselhar o arrependimento e a regeneração, temas que não são apanágio dos espíritos cristãos, senão de todos aqueles, quaisquer que fossem ou sejam as religiões professadas em vida, que se conseguiu elevar aos altos planos da Espiritualidade.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.