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Capítulo 48 de 65
A Realidade da Manifestação — parte 1 de 2
A Evolução · Carlos Imbassahy
Principiemos a nossa demonstração sobre a existência da alma desencarnada, com todos os atributos que tinha em vida, e a sua comunicabilidade, pelo fenômeno de bilocação, de que já vimos, aliás, alguns exemplos, quando procuramos provar a independência do Espírito, do mesmo passo que buscávamos mostrar que não era o corpo a sede da memória e de outras faculdades mentais. Bilocação, que quer dizer em dois lugares, ou seja, o ato de estar alguém em dois lugares ao mesmo tempo, o que era tido, até então, como um milagre, é fenômeno de desprendimento, e pelo qual a alma deixa o corpo, e, por circunstâncias várias, se apresenta e manifesta alhures. Esse fenômeno, como diz Ernesto Bozzano, prova que no corpo somático existe imanente um corpo etéreo que, em circunstâncias raras de diminuição vital no indivíduo, sono fisiológico, sono hipnótico, sono medianímico, êxtase, delíquio, narcose, coma, é suscetível de afastar-se temporariamente do corpo somático, durante a existência encarnada.
Inevitável, pois, a inferência, conclui o filósofo, de que, se o corpo etéreo é suscetível de separar-se temporariamente do corpo somático, conservando íntegra a consciência, forçoso será concluir-se pelo reconhecimento de que, quando aquele se separar deste, definitivamente, pela crise da morte, o espírito individualizado continuará a existir, em condições apropriadas de ambiente, o que equivale a admitir-se que o fato da existência imanente de um corpo etéreo no corpo somático, e, conseguintemente, a de um cérebro etéreo, demonstra que a sede da consciência, da inteligência, da memória integral e das faculdades de ordem supranormal é o corpo etéreo, que vem a ser o espírito desencarnado. Era precisamente o que desejávamos deixar definitivamente esclarecido no capítulo a que nos reportamos e que bastaria para destruir a afirmativa de que
certos indivíduos podem descrever fatos passados em civilizações anteriores, porque o indivíduo conserva no seu subconsciente, na mais profunda cripta do eu psíquico, a memória dos ancestrais e é esta que lhe fornece os meios para descrever fatos que ocorreram antes do seu nascimento.
Mas esta memória só pode provir do Espírito, e como não é possível encaixar o Espírito na transmissão genética, nem transformá-lo nos genes hereditários, força é admitir que só pela reencarnação se compreenderá uma cripta do eu psíquico que fornece a memória ancestral. Falar em cripta ou lançar uma abstração como elemento probante é a mesma coisa. Tomaremos como ponto de partida, na demonstração da existência, da independência e da sobrevivência do Espírito, para a tese que temos em vista, como já o fazia Bozzano, o fenômeno de “sensação de integridade nos amputados”, onde o indivíduo se sente ainda com a parte amputada e onde a noção de sua presença é tão real que ele experimenta a sensação exata, perfeita, de que o membro inexistente ainda faz parte de seu organismo. É o membro em estado fluídico, que ali se acha, lembrando a parte física que já não existe. A senhora Hauffe, - a vidente de Prevorst, - conforme relata o Dr. Kerner, via, nos amputados, a forma fluídica do membro que lhes faltava, tal como se ele ali estivesse.
Acompanhando ainda Bozzano, verificamos que se seguem os casos de desdobramento incipiente, nos atacados de hemiplegia, os quais vêem no lado paralítico uma seção do próprio fantasma e afirmam que ele goza da sensibilidade que lhes falta. Há o desdobramento autoscópico em que o indivíduo, vivo, do corpo físico, vê o próprio fantasma, e o caso em que, do fantasma, na posse de todas as suas faculdades mentais, observa o corpo físico na posição em que se encontra, exânime, inerte. Há ainda o fenômeno de desprendimento, no sono, na hipnose, no desmaio, no coma, nos casos de absorção de substâncias anestésica, na convalescença, no esgotamento nervoso, no enfraquecimento orgânico. Há os casos de desdobramento no leito de morte, em que os sensitivos presentes percebem o Espírito desligar-se aos poucos do corpo, tomar a forma desse corpo que deixou, ou que está prestes a deixar, flutuar, e depois desaparecer, muitas vezes acompanhado de vários Espíritos que o vêm buscar nos umbrais da outra vida. Há os fantasmas dos vivos e os fantasmas dos mortos.
Sobre os casos de desdobramento fluídico, ou seja, o desprendimento do Espírito no leito de morte, escreveu Bozzano extensa monografia, com tal robustecimento de provas e tal quantidade de relatos fidedignos, que o fenômeno se acha hoje fora de qualquer dúvida. É de registrar-se o fato de que o aludido fenômeno já era notado pelos missionários ou investigadores da vida selvagem.
Curioso e interessante – escreve um desses missionários – é o fato dos taitanos acreditarem na saída de uma substância real, que tomaria a forma humana. Muitos afirmam que, mal deixa o moribundo de respirar, para logo se lhe desprende um vapor da cabeça, que se condensa, e que permanece ligado ao corpo por uma espécie de cordão; a substância aumenta e se torna semelhante ao corpo donde emana. Afinal, dissolve-se o cordão, e a alma liberta voa para o alto. O corpo acha-se então inerte e gelado. (202)
Nos casos descritos pelos desbravadores das regiões selvagens, nota-se a concordância, nos mínimos detalhes, com os descritos pelos modernos observadores. Tais coincidências nos dão a convicção da objetividade do fato. Nos casos de desprendimento nos leitos de morte, tempos que considerar, para a autenticidade do fenômeno, que os sensitivos descrevem, da mesma forma, as fases do mesmo fenômeno, embora nada saibam de Espiritismo, de Pesquisas Psíquicas e nunca soubessem que tais fatos poderiam acontecer. Afirma ainda Bozzano “que as hipóteses onírica, sugestiva, auto-sugestiva, alucinatória, ficam afastadas, porquanto os fenômenos de bilocação no leito de morte são constantemente descritos pelos videntes de todos os povos da Terra, e bem assim, em todas as épocas da História, como produzindo-se sob idênticas modalidades e com as mesmas minúcias, descrições de que ressaltam particularidades igualmente novas e inesperadas, de modo a não se poder logicamente presumir que surjam idênticas e saiam sempre idênticas das mentalidades de todos os videntes, sejam eles indivíduos civilizados, bárbaros ou selvagens. (203)
(202) The Metaphysical Magazine, out. 1896. (203) Ernesto Bozzano – Animismo ou Espiritismo, Trad. de G. Ribeiro, 1940, pág. 184.
Dentre centenas de casos, destacaremos três. Um é de grande valor, porque narrado pelo percipiente, que é o Reverendo William Stainton Moses, figura acatadíssima não só pelos seus dons supranormais, como por se tratar de um sacerdote de ilibada honestidade. O que ele narra, aqui damos em resumo:
Pela primeira vez na vida tive ocasião de estudar os processos de transição do espírito. Tanto aprendi, que julgo ser útil narrar tudo o que vi: Era um parente de oitenta anos, que se avizinhava do túmulo. Pude notar que em torno e acima do seu corpo acumulava-se a aura com que o Espírito tem que formar o corpo espiritual. Ela aumentava gradativamente de volume e densidade, embora sujeita a contínuas variações, conforme as oscilações de vitalidade do moribundo. Um alimento que ingerisse, um influxo magnético reanimava-lhe o corpo. A aura parecia em constante função de fluxo e refluxo. Mudava de cor e assumia formas cada vez mais definidas à medida que se aproximava o momento da libertação do Espírito. Antes da morte, quando o velho jazia inerte, apareceram seres espirituais amigos, que se acercaram do corpo exausto e sem nenhum esforço retiraram o Espírito. (204)
O segundo caso é narrado por Joy Snell, que mereceu de Haraldur Niellson as mais elogiosas referências quanto ao seu caráter, à sua lisura e aos seus dotes de sensitiva; não duvidou, mesmo, chamar-lhe apóstolo de Jesus. Sobre a obra da autora diz ele que foi um dos mais belos livros que leu. Perlustremos uma de suas muito interessantes narrativas:
Certa noite despertei sobressaltada, dando com o quarto iluminado, embora não houvesse luzes, e vi o fantasma de minha amiga Maggie, que me disse: - Tenho um segredo a comunicar-te. Restam-me poucos dias de vida; quero que fiques comigo até o meu último instante, e confortes minha mãe, depois de minha partida. Antes que me refizesse do medo e do espanto, o fantasma evanesceu e a luz se foi apagando lentamente. Depois de uma semana mandaram chamar-me da parte da família de minha amiga. Encontrei Maggie resfriada, sem febre, longe de causar preocupações. Não tinha ela quaisquer pressentimentos de morte, nem parecia guardar lembranças de sua visita a mim. Uma tarde, Maggie foi tomada improvisamente de uma tremenda crise e expirou nos meus braços. Era o primeiro caso de morte a que assistia. Logo que seu coração deixou de bater, vi distintamente uma espécie de vapor, como os que se desprendem de uma chaleira, sair-lhe do corpo, pairar a certa distância dele, e condensar-se numa forma idêntica, em tudo, à da minha amiga.
Essa forma idêntica, de contornos e princípio indecisos, foi-se delineando aos poucos, até tornar-se inteiramente distinta. Um véu suave a envolvia; o semblante era o da minha amiga, sem já os vestígios dos espasmos da agonia. Quando mais tarde me tornei enfermeira, profissão em que permaneci durante vinte anos, assisti a numerosas ocorrências de morte, e logo após o falecimento do enfermo, observei sempre a condensação da forma etérea por sobre o corpo morto, e sempre idêntica à forma humana. Pouco depois, tudo se me desaparecia da vista. (205) __________________
(204) Staiton Moses – Light, Londres, 9 de julho de 1887. (205) Joy Snell – The Ministry of Angel, Londres, pág. 15.
Recomendamos, para a completa elucidação do assunto, os trabalhos de Ernesto Bozzano, mormente os intitulados – Fenômenos de Bilocação e A Crise da Morte, onde uma série de fatos, cercados da maior garantia, nos dão a certeza de que o Espírito se desprende do corpo em várias circunstâncias da vida, e o deixa definitivamente no momento da morte; vêem-lhe a forma espiritual os videntes que cercam o moribundo, podendo ser ela até fotografada, conforme o conseguiram o eminente Baraduc, o capitão Volpi, os romenos Istrati e Hasden, Stainton Moses, De Rochas, Durville e outros.
Uma demonstração da objetividade do fenômeno é que o espírito desprendido é visto simultaneamente por várias pessoas, como no caso referido por Dorothy Monk, e devidamente verificado por David Gaw, diretor da Light, de Londres. Conta Dorothy que sua progenitora, atacada de grave enfermidade, veio a falecer. Nos seus últimos momentos repetia o nome de parentes mortos como se os tivesse vendo. Começaram os presentes a notar luzes pelo quarto. Estende-se a autora na descrição das luzes e na perplexidade dos assistentes. Transcrevemos o final do relato:
A enferma, em estado de coma, abriu a boca e todos observamos uma nuvenzinha branca a formar-se sobre sua cabeça. Saía da fronte, mas se condensava fortemente ao lado da cama. Permanecia no ar, como densa nuvem de fumo branco, parecendo por vezes tão opaca, que impedia se visse o espaldar do leito. Variava de densidade a ponto de não percebermos o menor movimento da nuvenzinha. Estavam comigo minhas cinco irmãs e todas contemplávamos o extraordinário fenômeno. Chegaram, afinal, meu irmão e meu cunhado os quais, a seu turno, observaram o que nós víamos. A maxila inferior da moribunda continuava a abrir-se lentamente. Por algumas horas não houve alterações notáveis, exceto a formação de uma auréola de raios luminosos amarelados em torno de sua cabeça. Às seis da manhã, uma de minhas irmãs, que repousava, ouviu uma voz que lhe sussurrou: - mais uma hora de vida. Ela se levantou, impressionada, e foi assistir aos últimos instantes de mamãe, que realmente faleceu uma hora e dois minutos depois. Rendemos graças a Deus por haver permitido observássemos a amargura de um eterno adeus. (206)
Há aqui a notar que eram oito os percipientes. Dir-se-ia que adejavam em torno ao leito, como a esperá-la para a partida, parentes seus muito queridos, de quem ela apontava os nomes. Esse fenômeno é comum, e em alguns casos os moribundos exclamam: - Aqui está Fulano... Aqui está Sicrano... Mostra ainda o caso relatado, que antes do suspiro final, já começa o desprendimento do Espírito, que era visto fora do corpo, na nuvem que ora se condensava, ora esmaecia, até separar-se definitivamente. Houve ainda o aviso premonitório de que a doente esperaria uma hora. E todos esses fenômenos, capazes de espantar os indivíduos absolutamente enraizados em outras crenças, deixarem os parentes da morta rendendo graças a Deus pela certeza que lhes deram, a de que a separação era temporária. Em suma, analisamos o fenômeno, a começar pelos casos de sensação do membro amputado até o das visões coletivas e sucessivas de fantasmas dos moribundos, que tomam o aspecto de pessoa viva logo após o desencarne. Estamos assim aptos a descobrir o caminho que nos leva a demonstrar a existência, a persistência e a manifestação dos mortos. ______________
(206) Miss Dorothy Monk – Light, 1922, pág. 182.
Continuemos a ilustrar as nossas afirmações onde o embaraço da escolha, como ponderam os que estudam e conhecem o fenômeno, não está na deficiência dos episódios, senão em sua superabundância. Tomemos alguns exemplos de aparições de mortos e vejamos, como já o fizemos ao tratar da universalidade do fenômeno, casos anteriores ao advento do Espiritismo, e por isso sem qualquer laivo de sectarismo. Os mais suspicazes e desconfiados dos nossos coevos podem aceitá-los sem receios.
Que estas narrativas são velhas e existiam muito antes do Espiritismo, temos, como reforço de prova as que nos são narradas numa obra de Dom Calmet, publicada em 1746, no capítulo que tem por título – Pessoas que prometeram dar, após a morte, notícias do Outro Mundo. Vejamos uma delas. A história do marquês de Rambouillet, que apareceu depois da morte do marquês de Précy, é famosa. Esses dois senhores entretinham-se com as coisas da outra vida; como pessoas que não se acham muito persuadidas de tudo que se diz, prometeram, que o primeiro que morresse, viria comunicar-se com o outro. Rambouillet partiu para Flandres, onde havia a guerra, e Précy ficou em Paris, preso por uma febre. Seis semanas depois, ouviu este puxarem os reposteiros da cama e virando-se percebeu o marquês de Rambouillet com capa e botas. Saiu da cama para abraçá-lo, mas Rambouillet recuou, declarando que viera apenas desobrigar-se de sua palavra, e que tudo que se dizia da outra vida era certo; que ele deveria mudar de procedimento, que sua morte estava próxima.
Précy fez novos esforços para abraçá-lo, mas só abarcou o vazio. Vendo Rambouillet que o outro se conservava incrédulo, mostrou-lhe o lugar em que havia recebido o golpe nos rins, e de onde corria sangue. Précy, pouco depois, recebia a confirmação da morte do amigo, ferido e morto na guerra civil, na batalha de Santo Antônio. (207)
Vejamos outra história ainda mais antiga. Esta é devida à pena de um padre, absolutamente insuspeito, e que chama o Espírito de gênio. Diz ele que o relato lhe foi transmitido pela própria Marechala de Grancey. Eis o caso: Um gênio se apresentou a ela durante o sono, sob a figura do finado esposo. Sua conversa não foi longa. Ele disse apenas: Senhora, mande procurar em meu guarda-roupa uns calções (haut-de-chausses) e veja num bolso uma carta que é de graves conseqüências para um de nossos bons amigos; tenha o cuidado de queimá-la. A marechala quis informar-se das coisas do outro mundo, mas o fantasma desapareceu.
Em suma: a senhora acordou, chamou o criado, mandou que ele fosse procurar a veste, e depois de longas e cansativas pesquisas foram achados os calções, em cujo bolso estava a carta comprometedora. A senhora, consoante o pedido do marido, fê-la queimar. (208) ______________ (207) Dom Calmet – Dissertations sur les apparitions des anges, des demons et des esprits et sur les revenants, 1746, pág. 375. (208) Abbé de Villars – Le Comte de Gabalis, les génies, assitants, 1742, pág. 87. Flammarion – La Mort et son Mystere, III, pág. 94.
O Espírito conserva os seus preconceitos, as suas idéias, sejam quais forem, nunca é demais salientar. Haja exemplo no seguinte caso que o General Berthaut comunicou ao astrônomo Flammarion e que se encontra também no Essai de Psychologie Physiologique de G. Chardel: Durante os distúrbios da Bretanha, morreu na aldeia de Garenne, perto de Chèse, um tecelão, de nome Jean Goujon. Viúvo, sem filhos, deixou sua choupana deserta e abandonada. Era tempo de colheita. Voltava do campo uma jovem de dezenove anos e ia entrar na herdade vizinha, quando recuou, dando um grito; é que viu, disse ela, Jean Goujon, que a olhava, sentado à ombreira da porta. Ele pediu que mandassem dizer missas em sua intenção, e indicou, para esse fim, o dinheiro que tinha oculto num canto da chaminé, atrás de uma pedra. Encontraram o dinheiro e as missas foram ditas. (209)
Deleuze conta o caso seguinte, recolhido por Charpignon, e que tem a vantagem de ser breve: Uma senhorita sonâmbula, que perdera o pai, vira-o duas vezes. Vinha sempre darlhe importantes conselhos. Depois de havê-la elogiado por seu comportamento, disse que se lhe apresentariam dois bons partidos, mas que recusasse o primeiro, e aceitasse o segundo, que era o conveniente. Apareceu o primeiro, que foi recusado, em vista do aviso paterno. Chegou o segundo, que foi aceito e o casamento logo se realizou. Se quisermos ir mais longe, remontemos a Cícero:
Dois amigos chegaram a Mégara e alojaram-se em cômodos separados. Um deles, mal adormeceu, viu o outro diante de si, anunciando-lhe que o hospedeiro tinha o intuito de o assassinar, pelo que lhe pedia fosse imediatamente socorrê-lo. Impressionado, chegou a levantar-se, mas persuadido de que tudo era sonho, readormeceu. De novo lhe aparece o amigo e pede que se apresse, haja vista que os assassinos lhe iam invadir o quarto. Ainda desta vez se impressionara, mas torna a deitar-se. Eis que o outro lhe aparece, ainda, e lhe diz: - Desgraçado, não foste quando te implorei. Ao clarear do dia verás uma carreta de esterco parada à porta da cidade; manda descarregá-la e lá encontrarás meu corpo. Providencia para meu sepultamento e pune os assassinos. Tamanha a persistência e tantos pormenores não admitiam hesitações. O homem levantou-se, foi ao local indicado, lá encontrou a carreta, deteve o carreteiro, que logo se perturbou, e assim descobriu o cadáver do amigo. (210)
Camilo Flammarion cita esta passagem em duas de suas obras: Casas malassombradas e Urânia, declarando, a respeito do autor das Filípicas, “que era escritor justamente reputado pela integridade do julgamento e cuidado que dispensava a tudo quanto redigia.” Foi o mais eloqüente dos oradores romanos; dizem os seus biógrafos que era a suprema expressão do gênio latino, e tinha pela honestidade e pela verdade sincero culto. Vemos, pois, assim, pela exposição já apresentada, como pelos pareceres dos mais autorizados investigadores, que o fenômeno metapsíquico não só data de épocas recuadas como se encontra em todos os povos da Terra, a começar pelos selvagens. _______________
(209) Camille Flammarion – Après la Mort, pág. 100. (210) Cícero – De Divinatione, 1, 27.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.