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Capítulo 33 de 65
A Ressurreição Segundo a Igreja
A Evolução · Carlos Imbassahy
Falam ainda os textos na ressurreição, e os bons amigos bíblicos os têm muito a peito, como o tiro de misericórdia na malsinada doutrina palingenésica. A ressurreição é o absurdo de ordem religiosa, filosófica e científica. Ela supõe a reunião neste planeta de todos os indivíduos que o habitaram, desde o seu começo, e o habitarão até ultimo século, a fim de prestar contas de suas ações. Se a estupidez humana ano surgir um invento que faça o mundo ir pelos ares, numa guerra pavorosa, esse fim do século deve ser a Eternidade. Cumpre, desde logo, indagar onde ficariam mofando as criaturas até o dia desse tribunal a que elas deverão comparecer, ressuscitadas. E que papel estarão representando o Céu e o Inferno, se elas ainda não foram julgadas? Estarão vazios?... Será um logro pedir-se o Céu para uma alma ainda sub judice. E se já foram julgadas, o Juízo Final, na ressurreição, não passará de uma formalidade desnecessária na melhor hipótese, e na pior, de refinada burla.
Seria uma espécie desses julgamentos na Terra, verdadeiras farsas, na sua generalidade, para iludir o povo, sabendo-se de antemão o que aguarda os réus. Imaginemos agora todas as gerações, do começo da vida ao fim das eras, metidos em nosso pequeno orbe. Calculemos que já existem regiões superlotadas; reúna-se agora todas as pessoas, de todas as épocas; toda a gente que já nasceu e que ainda vai nascer, até o termo dos séculos, meta-se isto num orbe, e veja-se como será interessante a compressão de todos os povos neste mundículo, e teremos, muito longe, a idéia de sardinha enlatado, ou viagem em trem de subúrbio do Rio ou de São Paulo, nessa espremedura universal. Há ainda a notar que os corpos e se desfazem, se transformam, passam a constituir outros corpos, muitos dos quais deverão existir ao tempo do Juízo Final. Como se irá reunir as suas moléculas para comporem organismos extintos, será um misterioso prodígio da mágica divina.
Estamos, portanto, diante de um fenômeno fantástico, filosoficamente incompreensível, geograficamente impossível, cientificamente inadmissível, a mais completa negação de um fato lógico. Pois é tudo o que os eminentes teólogos opõem à doutrina das vidas sucessivas. Fiquemos nestas alturas, que a ampulheta corre, e não queremos que o dia de Juízo ainda nos apanhe com a palavra, e a sentença final acabe condenando-nos pela falta de juízo em meter-nos nesse problema tão intrincado...
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.