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Capítulo 28 de 65
Confusão de Termos, Erros Gráficos
A Evolução · Carlos Imbassahy
Outras lições afloram à pena de nossos opositores:
Confusões de alma-instinto com a consciência moral que é o espírito de humanidade, de mente com a mentalidade, de psiquismo com Espiritismo são erros de palmatória. E diz mais o Sr. Carlos Imbassahy: O ser que nos aparece morto é tal como aquele que conhecemos vivo. Acha que os espíritos são mortos, isto deve interessar aos que levam a sério o Espiritismo.
Antes do mais parece-nos que tratamos da mente como espírito, e mentalidade como as faculdades do mesmo. Mas, se confusão houvera, teríamos em nosso abono a cumplicidade dos léxicos e tratadistas. E passemos assunto de maior monta.
Quando falamos em morto empregamos o termo usual, aquele com que se designa os que deixaram este mundo. Seria uma questão de dicionário. Vê-se da nossa frase o que queríamos salientar: - “O ser que nos aparece morto é o que conhecemos vivo”. A palavra morto não envolve um princípio doutrinário; quer apenas dizer que o indivíduo já não vive na terra. Não fora assim e não poderíamos usar expressões como as de que os mortos falam, os mortos vivem, os mortos aparecem, os mortos se manifestam, os mortos voltam... Os livros de Bozzano (53) intitulados “Fenômenos psíquicos no momento da morte”, ou a “Crise da Morte” ou “Os fenômenos de telecinesia em relação com acontecimentos de mortes”, seriam verdadeiras heresias e estariam em contradição flagrante com a tese que o grande filósofo defendeu durante tantos anos de muito labor. E assim o Après la Mort, de Léon Denis; o Avant la Mort, o Autour de la Mort e o Après la Mort de Flammarion; o Thirty years among the Dead (Trinta anos entre os mortos) de Karl Wickland; o Man’s Survival after Death (A Sobrevivência do homem após a morte), de Tweedale, e muitos outros. ____________
(53) O jornal espírita O PORVIR, que se publicou em São Paulo, trouxe no seu número 3, de 1952, um estudo de Teixeira de Paula a respeito dos títulos de algumas obras de Bozzano, o qual transcrevemos abaixo por estarmos de acordo com o seu conteúdo: “Fenômenos psíquicos no momento da morte” é o nome que na edição francesa de algumas obras de Bozzano se deu à reunião das seguintes monografias dele: I – Dei fenomeni dei Telecinesia in rapporto con eventi di morte; II – Musica transcendentale; III – Delle apparizioni di defunti al leto di morte. Bozzano não escreveu, propriamente, nem um livro com este título: Fenômenos psíquicos no momento da morte. A edição que nós conhecemos em português com tal denominação é a tradução que Carlos Imbassahy fez da edição francesa. A “Crise da morte”, que todo o mundo conhece em língua portuguesa, é um resumo lacunoso da obra do grande mestre italiano, cujo título completo é: La crise della morte nelle descrizioni dei defunti comunicanti.”
Em todas essas obras se fala continuamente na morte e nos mortos, sem que os seus autores achem que os espíritos são mortos, na acepção que lhes dá o opositor. Morto, defunto, falecido são vocábulos sinônimos, que vemos repetidos a cada passo. Pois Bozzano, traduzindo Hyslop, escrevia:
... Se ottenero prove d’identificazione spiritica implicanti la presenza sul posto del defunto Gifford. (Obtiveram-se provas de identificação espirítica que implicavam a presença, no lugar, do defunto Gifford). (54)
E mais:
Non pare possibile contestare Il fatto dell-intervento spirituale dell’artista defunto. (Não parece possível contestar o fato da intervenção do artista defunto). (55) Notam-nos ainda os seguintes erros:
O ser encarnado é formado de corpo e espírito. Aqui espírito está descrito com um e minúsculo. Mais adiante diz: o verdadeiro ser é portanto o Espírito (agora é com o E maiúsculo). Esses espíritos (novamente com e minúsculo).
Teríamos, pois, empregado espírito, ora com um e pequeno, ora com e grande. Mas esses ee maiúsculos e minúsculos são empregados conforme a determinação. Quando nos referimos a espíritos, em sentido indeterminado, (pode-se dizer abstrato), empregamos E maiúsculo; se tratamos de determinado espírito, do espírito, parte componente do todo, isto é, da pessoa, ou de um espírito que se designa, aí ele vem com um e minúsculo. Foi essa a nossa orientação; fora daí será orientação do linotipista. O E maiúsculo é para dar especial relevo. Seria como se escrevêssemos sobre o Amor, o Medo, a Ira... Já se não daria o mesmo se nos referíssemos ao amor do próximo, ao medo do pecado, à ira contra a reencarnação... E isto pode ser encontrado nas Instruções do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
(54) Ernesto Bozzano – Dei Fenomeni di Ossessione, Roma, 1926. Página 5. (55) Ernesto Bozzano- Idem, idem, pág. 25.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.