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Capítulo 57 de 65
A Manifestação do Aviador Brasileiro
A Evolução · Carlos Imbassahy
Caso talvez ainda mais notável é o que se passou com o Tenente Heraldo Teixeira de Paula, ex-oficial da nossa gloriosa FAB. Transcrevemo-lo de Unificação (S. Paulo) número de março de 1954, no relato do nosso confrade João Teixeira de Paula, seu irmão:
O Tenente Heraldo, então pertencente à Força Aérea Brasileira, acabara de chegar dos Estados Unidos da América do Norte, onde estivera juntamente com diversos colegas seus, por ordem e a expensas do Governo Brasileiro para um estágio de aperfeiçoamento técnico de dois anos. Daquele país trouxera um brevê – uma asa representando a Aviação – que lhe fora conferido pelo Governo norteamericano. Tinha-lhe grande apreço, mais por natural satisfação do que por mera vaidade. Numa de suas muitas viagens pelo interior do Estado passou por Araraquara, pernoitando na residência de nossa genitora, com quem, no dia seguinte, ao prosseguir vôo para Bauru, então sua moradia, deixou a farda, em cuja túnica estava o brevê, que não quisera, contrariamente ao que sempre costumava fazer, levar consigo. Decorridos alguns dias, retorna a Araraquara, troca de farda, e, dando pela falta do distintivo, pergunta por ele ao pessoal de casa. Responde-lhe a nossa genitora, entre admirada e já receosa de uma brincadeira de mau gosto ou até de um possível roubo: - Mas como? Você não o mandou buscar ontem?
Entreguei-o a um seu colega, que aqui esteve em seu nome. Vestia farda igual à sua, deu pormenores do brevê e disse até o lugar onde o paletó estava guardado, motivo por que não tive dúvidas em lho entregar, na suposição de que você o tivesse mesmo mandado buscar. E a nossa genitora passou a descrever o porte de um colega dele, vitimado de horrível desastre aviatório de que viera a falecer havia mais de um ano. Ambos eram muito amigos e juntos haviam estado na América de Roosevelt. A estupefação foi geral; ninguém pode conter lágrimas de sentida comoção. Porém a estupefação maior estava reservada para o fim da história: quando o Heraldo retornou a Bauru e abriu o seu guarda-roupa... encontrou na túnica de uma das fardas, colocado com muita correção, como só eles o sabem fazer, o misterioso distintivo! Sim, meus amigos, neste “grande trajeto da sombra para a luz”, como escreveu Elisabeth d’Espérance, nós não enxergamos um palmo diante do nariz. Sim, os mortos voltam. Só há uma única diferença: os mortos não são eles, somos nós com a nossa cegueira, com a nossa incompreensão e com a nossa descrença!
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.