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Capítulo 18 de 65
Prenúncio de Reencarnação
A Evolução · Carlos Imbassahy
Há os espíritos que predizem e avisam sua nova encarnação. É preciso notar que não se trata de fato premonitório, dadas as circunstâncias de que se reveste o fenômeno e as concordâncias que se verificam. Refere L. Péjone, em Survie: Brizollara perdera em 1926 uma filhinha de oito anos, inteligente, muito dedicada à música, pois transpunha desde os sete anos. O pai, ateu, tornou-se médium. Em 1927 obteve, pelo lápis, uma comunicação cujo escrito se assemelha à de sua filha, e ela diz: - Não chore; serei substituída a 28 de março de 1928 por um irmão. Brizollara comunica o fato aos amigos e depois de mais de um ano, na data anunciada, torna-se pai de um menino. No curso de 1930, a senhora Brizollara espera uma criança em dezembro, e o marido, pela mesma letra da filha, recebe a frase seguinte: - Voltarei a 12 de novembro e serei ainda uma menina. A 12 de novembro a esposa punha no mundo uma filha. Esta criança, parecida espantosamente com a outra, tem duas pequenas manchas de vinho no pescoço, no mesmo lugar em que a outra tinha manchas idênticas.
A menina, que se chama Poupette, tem cinco anos. Por diferentes vezes manifestou lembrança de sua antiga existência, na qual trazia o nome de Zezette. Certa vez um marceneiro veio à casa dos Brizollara; quando o marido chegou, disse-lhe a mulher - O filho do Pai Peru está aí; e a criança logo exclamou – Ah, é o Pays - sobrenome do pai de Peru. Ora, este morrera havia muito, e Poupette não o conhecera, mas Zezette dele se lembrava porque na precedente existência ia buscar bombons com ele. A mãe abriu o piano, havia muito fechado, e começou a tocar, e a criança logo disse: - Mas Zezette sabe tocar isso. Era a música que a finada preferia. Diz a menina a uma amiga - Eu tive brincos. - E a outra. - Mas tuas orelhas não são furadas. – Sim - Responde a criança, - mas eram antes, e eu tinha brincos. Poupette - diz o pai - tem de Zezette o mesmo físico, o mesmo moral, os mesmos dotes musicais. (13) O senhor Fajardo perde uma filha de cinco anos, chamada Ninie.
Prestes a morrer, e vendo as lágrimas da mãe, ela lhe diz: - Não se aflija; não partirei para sempre; voltarei num domingo do mês de abril. Num domingo de abril nasce uma segunda filha. É o retrato, são os modos da outra. Certa vez disse a menina, inesperadamente: Eu sou Ninie. Que poderia ela saber, aos cinco anos, de renascimento, da volta ao mundo? A narrativa que se segue é feita pelo capitão Florindo Batista. (Ultra, Roma,1912). O casal, nascido na Itália, perde uma filha. Certa noite, a mulher acorda, vê a filha com seu aspecto alegre infantil, que lhe diz: - Vou voltar. Seis meses depois nascia uma criança muito parecida, em todos os sentidos, com a menina falecida. Seguem-se várias coincidências, de que destacamos esta: a finada tinha uma nutriz, suíça, que só falava francês. Ela aprendera nas montanhas uma cantilena - diz o Autor - que devia ter saído do cérebro de Morfeu, tais as virtudes soporíferas. A ama, após a morte da criança, voltou à sua terra, e a cantiga foi completamente esquecida.
(13 ) L. Pejone – Survie, 1926. Revue Spirite, 1936, pág. 416.
Passaram-se nove anos. Há uma semana - refere o pai – achávamo-nos na sala, quando ouvimos no quarto, como um eco longínquo, a ouvidada cantilena. Chegados ao aposento, vimos a criança sentada; e era ela que cantava com a letra e a acentuação francesas, que não conhecia. Perguntou-lhe a mãe quem lhe ensinara a canção. Não sei - respondeu a menina ingenuamente. - Não foi ninguém; eu sei por mim mesma.
Há as comunicações dadas nos centros espíritas. Tal espírito diz que vai encarnar. Às vezes menciona a família em que deve aparecer, apresenta sinais, diz o sexo, dá indicações e faz previsões exatas. Pouco depois cessam, no centro, as manifestações de seu espírito. Nasce uma criança na casa e na família indicadas; os sinais e tudo o mais correspondem ao que fora prenunciado. Consta dos anais do Psiquismo o caso dos gêmeos do Dr. Samona. Esse médico e sua senhora são pessoas muito conhecidas e de distinta linhagem italianas. Em 1910, o Dr. Samona perdia uma filha de cinco anos, de nome Alexandrina. Três dias depois do falecimento, a Sra. Samona sonhou que a filha lhe dizia - Eu voltarei, assim pequena... A progenitora, incrédula, continua inconsolável; tendo sofrido uma operação, julgara impossível nova maternidade. Quando, em certa ocasião, chorava e lamentava a perda de sua filha, ouviu três pancadas na porta. Para ela se dirigiram os filhos do casal, gritando - É a tia Catarina; mas grande foi a surpresa quando não viram ninguém.
Resolveram os pais ir a sessões espíritas. Na primeira se apresenta duas entidades; uma se disse Alexandrina; tinha a mesma linguagem infantil; a outra se exprimia corretamente. Disse Alexandrina que fora ela que aparecera em sonho, e que dera as pancadas para que a mãe, numa hora de angústia, tivesse sinal de sua presença. Por fim, afirmou, insistentemente, que voltaria pelo Natal. Em abril houve as primeiras suspeitas de gravidez; em maio novo aviso da volta da menina, que declarou viria com outra. A mãe parecia decepcionada quanto a um futuro parto, dadas as condições em que se achava. Dir-se-ia impossível a realidade da gravidez, e mais, que se ela houvesse, chegasse a termo; duvidava ainda que pusesse no mundo dois seres, porque nunca lhe sucedera, nem a pessoa de sua família; e que fossem duas meninas. No quinto mês, o Dr. Vincent Cordeiro diagnosticava, com reservas, um parto duplo, o que era confirmado pelo afamado Dr. Giglio, dois meses depois. Perto do Natal, nasciam as duas meninas. Eram muito diferentes, porém uma delas dir-se-ia a cópia fiel de Alexandrina.
Entre outras, havia uma particularidade: tinha como a finada irmã, hiperemia no olho esquerdo, seborréia na orelha direita e ligeira assimetria na face. O caso está cheio de farta documentação e provas testemunhais. Em 1913, o Dr. Samona volta ao assunto para declarar que, do ponto de vista físico e moral, era frisante a dessemelhança das gêmeas, o que fazia ressaltar a semelhança de uma delas com a finada Alexandrina. Assim, por exemplo, ela é calma, enquanto a outra gêmea é viva e inquieta; brinca tranquilamente, fala só, à meia voz, fica muito tempo ocupada; é cuidadosa, trata das roupas, e tudo isto se diriam uma repetição exata do que fazia e de como procedera a morta. É muito agarrada com a mãe; a outra era assim, o que já não se dá com a irmã viva. Ao ouvir um ruído mais forte oculta-se no seio materno, dizendo -Alexandrina si spaventa, tal como fazia a outra. Não brinca com bonecas, prefere as crianças de sua idade, é asseada, não gosta de queijo nem de sopa, tudo como Alexandrina. E ainda como Alexandrina, abre os armários,
tiras as botinas, brinca com elas, e sai com um pé calçado e outro descalço, atrapalhandose, com riscos de cair. Há um fato que a irmã do doutor aguardava sem nada revelar. A primeira Alexandrina, por capricho ou graça, aos dois anos, trocava os nomes das pessoas. Grande foi a alegria da tia, vendo na nova sobrinha, quando aprendeu a falar, a mesma facécia. Finalmente, diz Samona, o desenvolvimento da vida de Alexandrina atual é para nós, como um mesmo filme cinematográfico, já desenvolvido na vida da outra. Em 1921, Lancelin publica em La Vie Posthume mais algumas notas: a atual Alexandrina fica apavorada à mais ligeira dor de cabeça: a outra morrera de meningite; os pais falaram de uma ida à Monréale, em que, diziam, havia a mais bela igreja Normanda e onde as filhas iriam ver o que nunca viram. Elas já estão crescidas. Mas Alexandrina replicou: - Já estive lá. - E descreveu a estátua que existia no templo, as pessoas que a acompanharam a essa visita, em sua primitiva encarnação, uns padres de roupas vermelhas e azuis e uma senhora com chifres.
Os pais recordaram tudo aquilo, salvo os chifres da senhora. Até que se lembraram ter havido, de fato, na companhia deles, uma senhora com excrescências na cabeça; ela pretendia ir à Palermo, a fim de consultar um médico. Esta narrativa, aliás muito resumida, já nos dá a idéia, diante dos incidentes que a rodeiam, da base sólida em que os reencarnacionistas se firmam.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.