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Capítulo 40 de 65

Endocrinologia

A Evolução · Carlos Imbassahy

Em o nosso trabalho anterior, agora sujeito a acerada crítica, tratamos das glândulas de secreção interna, visto como eram elas trazidas à baila para demonstrar que o ser moral não era fruto das peregrinações em vidas múltiplas, mas das aludidas secreções. Limitávamo-nos a estranhar o fato e expusemos várias razões. Lembramos que não é de hoje que os homens de Ciência procuram mostrar que o Espírito depende do corpo, de maneira absoluta. Ao mesmo tempo, porém, vemo-los apresentar causas diferentes para as mesmas modalidades e sintomas, donde se percebe que não se acham tão seguros como parece. Lembramos que, provindo os nossos erros e falhas espirituais de fatores orgânicos, eliminados esses fatores, iria a humanidade entrar numa vida angélica, e não víamos, até então, nada que se parecesse com isso.

Mostramos, com a transcrição de vários textos, que os criminalistas, os psicólogos, os filósofos, e vários homens de saber afirmavam existir na alma as raízes do delito; que havia quase sempre no homem uma tendência criminosa, e que necessariamente, seria essa tendência que era alimentada, explorada ou posta a nu pela ação glandular. Rui Barbosa, que além de jurista, tinha qualidades de psicólogo e até de vidente, afirmava: “Há na alma humana detritos perpetuamente renováveis, que não se extinguem nunca, e que irrompem, por vezes, como as lavas de um vulcão”. As glândulas fariam o efeito das convulsões telúricas. As falhas, portanto, seriam do Espírito; e, tal como as lavas no interior das crateras, que surgem por efeito do abalo sísmico, elas se manifestariam por efeito da perturbação orgânica. Fizemos ver, ainda, quanto seria difícil tirar ilações precisas num caso que principiamos, agora, a estudar, e que está sujeito a controvérsias por parte dos próprios cientistas, bem como os erros a que a pressa na conclusão pode dar lugar.

Max Schlopp e Berman notaram a freqüência de hipertireoídeos entre os delinqüentes, e Nidoni viu hiperpituitáricos entre os ladrões. O que conviria saber é se aqueles delinqüentes e estes ladrões seriam anteriormente indivíduos de elevada moral e passaram a ladrões e delinqüentes depois de se tornarem hipertireoídeos e hiperpituitáricos. A não ser assim, não haveria modificação nenhuma de caráter, senão uma coincidência. E esta indagação é necessária em todos os demais casos para a comprovação da tese apresentada. Ora, havendo no mundo milhões de indivíduos delituosos, não seria estranhável, nem era motivo para as ilações dos Mestres, o caso observado pelos doutos endocrinologistas, e isto porque deve haver centenas de hipertireoídeos e hiperpituitáricos que não sejam delinqüentes, e milhares de delinqüentes que não sejam hipertireoídeos e hiperpituitáricos. E destarte não se pode invocar o desequilíbrio como causa moral. Chegamos, ainda, a declarar: - Aceitamos as proposições científicas. E mostramos, em longo arrazoado, que elas em nada destruiriam a hipótese reencarnacionista.

Há indivíduos aparentemente bons. Eles no-lo parecem, e assim se nos antolham, até que uma circunstância qualquer lhes revela o caráter. Quem visse o Marquês de Pombal tomando as humanitárias providências que o celebrizaram por ocasião do terremoto de Lisboa, não previria que, com tão estúpida atrocidade, mandasse supliciar os Távoras e o Padre Malagrida. Sylla, tão afamado na história romana, era um indivíduo calmo, delicado; nada se conhecia dele que o desabonasse como homem de bons instintos e de bom coração. Sobe

ao governo absoluto. Começa-se, então, a saber quem era o homem: praticou uma série de crueldades; ensangüentou Roma. E quando o clamor das vítimas, certa vez, chegou até o Senado, e os Senadores, espantados, perguntavam o que era aquilo, respondia tranqüilo, o abominável tirano: - Não se incomodem; está-se fazendo a justiça que eu ordenei. As glândulas poderiam, em alguns, produzir os efeitos que o Poder desperta em certas almas.

Afastar todo o nosso raciocínio, como fazem certos críticos, para afirmar-se que negamos peremptoriamente a ação das secreções; que não queremos admitir que haja relações entre o caráter e as situações endocrinológicas, não nos parece próprio de uma controvérsia entre homens dignos e onde a sinceridade deve ser posta fora de dúvida. Além disso, só nos referíamos ao caráter moral; à moralidade, à honestidade; à bondade do indivíduo. Só estas nos interessam, porque provado que tais atributos são conseqüência de ações físicas, lá se vai por vasa-barris tudo o que um de nossos principais críticos vem pregando como ardoroso cristão que é, e como enfaticamente se intitula. Perguntar-lhe-íamos, então, onde estariam a justiça daquele Inferno de sua Escritura; porque Deus iria mandar uns para a direita e outros para a esquerda, quando a responsabilidade dos deslizes de uns e das virtudes de outros deve correr unicamente por conta das glândulas. Por que uma separação formal e ignominiosa entre bodes e ovelhas, quando os bodes mais não são que indivíduos glandulares e as ovelhas indivíduos não glandulares?

Se vós me amais, guardai os meus preceitos; dizia o Cristo. (João 14:23)

Mas como seria possível amá-lo e guardar os preceitos diante da força imperiosa das glândulas? Em Mateus, 16,27; Lucas, 3:14 e vários outros textos:

Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.

Pois não sabia o Cristo que o pobre iníquo não passava de uma vítima das secreções? Por mim vos juro – diz o Senhor – que não quero a morte do ímpio, mas sim que ele se converta, que deixe o mau caminho e viva.

Mas como pode ele viver sob a ação das glândulas? E qual seria a culpa de Judas, quando o mísero não passava de um simples traidor endócrino? Necessariamente, a doutrina cristã de muitos Mestres não se casa com a doutrina científica que eles expõem, perfilham e entusiasticamente proclamam. Iríamos longe se fôramos a citar a infinidade de textos onde o homem é responsabilizado pelas suas más ações. Vê-se que tudo é letra morta. A salvação pelas obras, conforme Tiago, ou pela fé, conforme os crentes, ou pela graça, conforme Paulo, ou pelo amor, conforme o Cristo, deve ser substituída, cientificamente; e se falará agora, na salvação pelas glândulas. Como se vê, propusemo-nos gratuitamente a defender as idéias dos ilustres cristãos preopinantes, e estamos agora sofrendo as conseqüências desse gesto.

Por maneira que nada temos que ver com as alterações no temperamento, no sistema nervoso, nas erupções, “em que os velhos revivem as loucuras da mocidade”. São manifestações orgânicas, ou explosões de sentimentos, tendências e instintos mais ou menos sopitados pela atividade diuturna, pelas preocupações, pelas conveniências, pela sociedade.

Seria interessante perlustrarmos o seguinte trecho:

Uma menina é aparentemente normal e brinca femininamente com suas bonecas e suas companheiras; ao chegar à puberdade, porém, se viriliza. Adquire formas angulosas, voz masculina, atitudes másculas, crescendo-lhe os pêlos como no homem... ...Às mulheres barbadas vieram destruir os argumentos do Sr. Carlos Imbassahy.

Desejaríamos saber que é que têm as barbas com a moral da pessoa; por que a mulher barbada viria destruir os argumentos supramencionados e mais os que não se mencionaram? Aliás, é comum às pessoas de muito saber ajuizarem mal das que pouco sabem e estenderem demasiadamente os limites da ignorância delas. Assim é que douto endocrinologista nos apresenta como o mais profundo desconhecedor da matéria, já no título dos seus artigos, já nos motejos, já nas referências à nossa inópia, já no espanto que nos iria causar a inopinada e estupefaciente revelação das mulheres barbadas. E, finalmente, nas suas asserções categóricas:

O Sr. Carlos Imbassahy quer pontificar sobre assunto que finge conhecer mas que realmente ignora por completo. Não quer admitir que haja relação entre o caráter e as situações endocrinológicas.

Estaria tudo muito certo, se não fossem dois erros capitais: o de que “fingimos conhecer” e o de “não querermos admitir...” Ora, nós, porque somos leigo no assunto, citamos. E entre outros, citamos talvez o maior dos entendidos, que é Pende, citação de que se lembra um Professor, quando exclama:

Não sei como o Sr. Carlos Imbassahy deixou escapar a opinião de Pende.

Logo, não fingimos nada. E regozija-se, porque Pende está de acordo com seus pontos de vista. Citamos Pende porque, ventilando um assunto, muito ao contrário do que se afirma, teríamos que apresentá-lo e estudá-lo por todas as suas faces; seria improbidade deixar de lado a feição moderna por que é encarado o problema. Mas estas citações desmentem o juízo que expende o Mestre, no que toca ao nosso desconhecimento sobre o pé em que se acha a questão. Além disso, muito antes do extraordinário descobrimento que agora nos apresenta, em matéria de sexo, já Allan Kardec ventilara o assunto:

- Têm sexo os Espíritos: - Não como o entendeis, porque os sexos dependem da organização. (Livro dos Espíritos, 200). Nota – Os Espíritos encarnam como homens ou mulheres, porque não têm sexo. Haja vista que cumpre progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, lhes proporciona provações e deveres especiais, e com isso, ensejo de ganharem experiência”. (Kardec, id. Id.)

Logo, já estava prevista a questão de sexo. As glândulas viriam adrede e previamente preparadas para os devidos efeitos. Isso não é negar a ação das glândulas, é explicá-las. Os caracteres masculinos revelados nas mulheres ou os femininos nos homens, são resultados de diferentes sexos em encarnações passadas. Os Espíritos, segundo o ensino, tomam, ora corpo de homem, ora de mulher. Que os atributos revivam de um no outro, por uma influência qualquer, e nela pode achar-se a glandular, não tem isso a menor importância para a tese ventilada. Veja-se ainda este valioso trecho:

O saudoso Arídio Martins produziu um proveitoso trabalho sobre Endocrinologia e Crime. W. Bernardinelli mostrou a relação íntima existente entre as situações endocrinológicas e os chamados pecados mortais. São homens que viveram estudado estas coisas.

Mas, outros homens que também viveram estudando estas coisas, ou não concordam com os colegas, ou lhes acham exageradas as conclusões. Tínhamos, em uma pasta, várias revistas onde se tratava desse assunto. Por felicidade do leitor, perderam-se as revistas, a pasta inclusive. Um médico amigo nos telefonou dizendo: “Tenho aqui um livreco que trata disso”. Quando fomos ver o livreco, ele havia desaparecido. Quem quiser decifre o mistério. Felizmente esse material não nos vai fazer falta, como veremos. Há muito que notar a respeito. Vejamos por exemplo o que diz um acatado professor da Universidade de Coimbra: É a parte fisiológica, o temperamento, que mais determina o caráter, mas não se admite influência decisiva e tirânica, isto é, não se cai no erro frenologista.

As incertezas e dúvidas não param aí:

No ramo biológico das ciências experimentais, a incerteza e a variabilidade das noções são maiores do que nas ciências da matéria inanimada.

E finalmente: Atenda-se que só com grandes números poderemos tirar alguma conclusão, que o conceito de delinqüência varia muito, e, por outro lado, que só um número restrito de delinqüentes é tido como tal, porque grande parte escapa às malhas da justiça. (95)

Vê-se, portanto, que em matéria criminal a Ciência não se acha tão segura, haja vista que não há influências decisivas; no ramo biológico enxameiam a incerteza e a variabilidade; e, para concluir, é preciso grande número de dados, o que não se pode obter pelo restrito número dos que são submetidos a exame. ________________ (95) Luis Duarte Santos – Biotipologia Humana, 1941, págs. 122, 140, 180.

Parece-nos insuspeito o Autor. Não percamos, por mais tempo, as nossas considerações, haja vista que temos do nosso lado o próprio contraditor. Vejamos:

Se o homem fosse somente a alma animal, o caráter seria, apenas, uma questão de seringa. Tal porém não sucede. A vontade é uma força que, usada inteligentemente, pode modificar o temperamento. As secreções dependem de influências nervosas e psíquicas que a mentalidade e as auto-sugestões podem modificar. Educando a mentalidade, o sentimento e vontade, o homem consegue as forças necessárias para vencer as taras do seu caráter e as fatalidades de suas condições endocrinológicas.

Teríamos cá as nossas dúvidas sobre a influência da mentalidade, dada a força que se atribui à ação endocrinológica. Que poder de vontade poderia ter o imbecil, vítima da glândula tiróide? Em todo o caso, fala o Mestre, e fala, sobretudo, de cadeira, pelo menos da cadeira de Biologia. Chegou às nossas conclusões. Se o indivíduo, pela sua mentalidade, pela sua vontade, pela sua razão, pode fugir ao império da ação estranha, física, fisiológica ou mórbida, dá-se com a secreção glandular o mesmo que com o vinho, que com as condições climáticas, que com a hipnotização, onde o indivíduo repele o que lhe é contrário aos ditames do caráter. E temo-lo portanto, ainda como senhor inatingível em sua moral, capaz de repelir a fatalidade das condições endocrinológicas, como repeliria as insinuações de um perverso, as sugestões de um malfeitor, os conselhos desonestos, as situações físicas e morais da vida, tudo, enfim, que leva o homem ao mal, seja o exemplo, o contubérnio, os arrastamentos, a necessidade, as convenções sociais. As secreções glandulares seriam, apenas, uma causa predisponente. E é o que queríamos demonstrar.

Há umas ponderações mais sérias, que desenvolveremos e provaremos em capítulo especial. Trata-se da autonomia do Espírito e de sua ação sem o corpo, conseqüentemente sem as glândulas. Contra as doutrinas que notam nos predicados da alma efeitos orgânicos, ergueram-se para desmenti-las os fatos da Ciência Psíquica. Esta Ciência, baseada nos fenômenos, mostra-nos que o Espírito, quando separado do corpo, quando estão aniquilados todos os órgãos e funções, quando já não existem secreções e glândulas, apresenta-se com o mesmo caráter que tinha em vida. Sublata causa, tollitur effectus. Assim, deveria desaparecer o efeito com o desaparecimento da causa. E não é isso o que se vê. A ser verdadeira a tese dos nossos antagonistas, o ser espiritual deveria tornar à condição angélica, talvez à pré-adâmica, ou à situação divina que lhe emprestam, a do espírito que não peca, ou que peca por efeito das glândulas, da hereditariedade, do meio, das condições sociais... O espírito do morto, quanto à sua moral, é idêntico ao do vivo.

Ele se apresenta com os mesmos caracteres morais e intelectuais, com as mesmas paixões, com as mesmas idéias e os mesmos ideais, os mesmos erros, as mesmas virtudes e os mesmos vícios, os mesmos hábitos, a mesma cólera ou a mesma tranqüilidade, a mesma bondade ou a mesma perversidade, com o mesmo afeto ou desafeto, honesto ou desonesto, perfeito ou imperfeito, hipócrita ou sincero, como ao tempo em que pisava o solo planetário, salvo os

casos de uma evolução rápida. Nem os tiques, as tinetas, os preconceitos, as esquisitices, as manias e idiossincrasias, as simpatias e antipatias se somem, nessa passagem, por vezes, trágica, da vida para a morte. É o ser psíquico integral que se nos entremostra, quando logramos abrir as portas que dão para os outros planos da existência. No livro da Sra. Dawson Scott há, entre outras, uma comunicação do seu defunto marido, em que ele diz:

Quando chegamos ao meio espiritual, ficamos algum tempo dominados pelos preconceitos, inibições sensoriais adquiridas... (96)

Por seu turno esclarece Raimundo, o filho falecido de Sir Oliver Lodge:

Ao chegarem aqui os Espíritos são influenciados pelas tendências que os dominavam na Terra. (97)

É de Carl Wickland os seguintes ensinos:

Os hábitos, os desejos e as inclinações se acham arraigados no Espírito e acompanham o indivíduo depois que ele se liberta do corpo físico, até que os possa eliminar pela vontade. Os espíritos de muitos criminosos, assassinos, que executaram vinganças ou procuram executá-la, permanecem na esfera terrestre e se esforçam por continuar em suas antigas atividades... (Habits, desires and inclinations are rooted in the mind and remain with the individual after he is freed from his physical body). (98)

Numa sessão com a senhora Piper, um Espírito, o de Hannah Wild, declarou que ela devia retirar-se porque era hora do “ofício” e não queria faltar a ele. A Sra. Blodgett, presente, viu nisso mais um traço do caráter da falecida irmã. Era dia de festa e a Senhorita Hannah Wild jamais faltaria nesse dia ao ofício cristão. Esse incidente é bizarro – diz Sage – mas encontram-se muitos análogos nas sessões da Sra. Piper. Em outra sessão, o pai do Prof. Hyslop pede o chapéu. Era esse um inveterado costume do velho. Se perguntarem ao comunicante o que ele faz, muitas vezes fica surpreso e pretende que continua em suas ocupações habituais... (99) Disse Conan Doyle: Achamo-nos em comunicação aparente com os mortos e eles parecem ser exatamente o que eram antes da separação. (100) Os espíritos guias disseram a Staiton Moses que as almas partem deste mundo com os seus desejos e seus apetites. (101) Como se explicará tudo, se já não existe a ação das glândulas, as dirigentes de nossas ações? ________________

(96) Dawson Scott – From four who are dead – (Mensagens de quatro mortos), pág. 156. (97) Oliver Lodge – Raymond, pág. 197. (98) Carl A. Wickland – Thirty years among the Dead, California, pág. 121. (99) M. Sage – Madame Piper, 1902, pág 87. (100) Apud Barrett – Au Seuil, pág. 188. (101) Staiton Moses – Spiritualist Teachings.

Ainda que supuséssemos se houvessem fixado na alma as ranhuras que as ações orgânicas ou ambientais produzissem, ainda assim, estaríamos diante de um grande problema filosófico, que são as sanções. Nesses outros planos, o indivíduo responde pelo mal que praticou. É o que notamos no sofrimento que ele não pode esconder e com os quais se apresenta pedindo clemência, perdão e preces. É de tempos imemoriais que “as almas penadas”, como lhes chama o vulgo, suplicam o auxílio dos vivos para as suas dores e imploram que peçam a Deus por elas. Não se trata de lendas nem de princípios forjados em misteriosas e impenetráveis oficinas; não se trata de dogmas, nos quais devemos depositar uma fé incondicional. Estamos em pleno domínio do fato. É a História, são os anais de todos os povos, é a observação colhida em toda a parte, são, enfim, as experiências dos tempos modernos que nos impõem uma convicção. Essas dores, sendo o indivíduo uma vítima apenas do mal endócrino, na Terra não passaria de uma garabulha jurídica; no Além seria uma divina iniqüidade. Iremos esmiuçar tudo isso.

Encarado o problema por vários prismas, verifica-se que não é tão sólida a posição dos endocrinologistas neste particular:

1. O assunto, mesmo pelo lado científico atual, não está fechado. As dúvidas, as vacilações e ainda as negações não faltam ao debate. 2. Não se sabe, nem disso ainda se cogitou, se as secreções têm o poder de transformar o caráter, isto é, de fazer que uma pessoa absolutamente bondosa passe a perversa; que um indivíduo reconhecidamente honesto se torne reconhecidamente desonesto. 3. Demonstrada a ação glandular sobre a moral, resta saber se não havia já no indivíduo os germes da falta ou do crime que a ação veio desenvolver e desencadear, e nesse caso a glândula seria apenas o elemento deflagrador. 4. Finalmente, encarado o problema pelo seu lado psicológico, filosófico, metapsíquico ou religioso, não se poderiam compreender as ações repressivas, o sofrimento do malfeitor, quer ele vá para o Inferno, conforme as seitas cristãs ortodoxas, quer o encaremos nos planos espirituais, de acordo com o fenômeno psíquico, pelo qual o morto nos descreve a sua situação no Espaço.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.