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Capítulo 52 de 65
O Drama Real
A Evolução · Carlos Imbassahy
Flournoy descreve as atitudes da médium Helena Smith, quando revive a encarnação de Maria Antonieta, e diz-nos:
Quando é completo o transe real, a graça, a elegância, a distinção, a majestade brilham nos modos, nos gestos de Helena. Ela tem, na verdade, um porte de rainha. O movimento, cheio de desenvoltura, sem que ela se esqueça, jamais, a cada passo, de jogar para trás a cauda imaginária, tudo isso, impossível de descrever, é perfeito na sua naturalidade, na sua simplicidade. Não pára aí sua perfeição de jogo, que uma atriz não atingiria sem estudo. A ortografia corre também, naturalmente, de sua pena: instans, enfans, j’étois... A mudança de voz se faz normalmente, e nesse estado ela ignora que é a senhorita Smith. (221)
O mesmo acontece, ou melhor ainda, no episódio em que a mesma sensitiva se diz a reencarnação da princesa Simandini. Tem sido muito citado o longo trabalho de Flournoy, e por isso não nos demoramos nele. Basta dizer que no caso da princesa, Helena não só rememorava os fatos daquele longínquo passado, como imitava, de forma empolgante e maravilhosa, os gestos, os modos, a fala daquela de quem se dizia a reencarnação. Se, no caso de Maria Antonieta seria possível justificar a revivescência de lembranças daquela época, por muito conhecidas na história francesa, impossível é dizer o mesmo quando se trata da evocação do episódio hindu, tão fracamente conhecido, que o ignoravam geógrafos e historiadores, e só depois de exaustiva pesquisa encontrou-o o psicólogo na velha História de Marlès, enfurnada numa biblioteca.
(221) Th. Fournoy – Des Indes à la Planète Mars, 4ª Ed. Pág. 326.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.