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Capítulo 1 de 57

Parte 1 de 3

A História do Espiritismo · Arthur Conan Doyle

A História do Espiritismo Arthur Conan Doyle AHISTÓRIA DO ESPIRITISMO Arthur Conan Doyle Tradução do original: The History of Spiritualism (1926) Digitalizada por: L. Neilmoris © 2008 – Brasil www.luzespirita.org A História do Espiritismo Arthur Conan Doyle Índice Conan Doyle e a História do Espiritismo – pag.6 Uma chave-de-abóbada – pag.7 Critério histórico – pag.8 A Nova Revelação – pag.9 O problema da reencarnação – pag.10 A invasão organizada – pag.12 O “preconceito cultural” – pag.13 Nota do tradutor – pag.14 Sir Arthur Conan Doyle – Esboço Biográfico – pag.19 Prefácio – pag.25 1 – A HISTÓRIA DO ESPIRITISMO –AHistória de Swedenborg– pag.27 2 – Edward Irving: os “shakers” – pag.35 3 – O Profeta da Nova Revelação – pag.44 4 – O Episódio de Hydesville – pag.53 5 – A Carreira das Irmãs Fox – pag.67 6 – Primeiras Manifestações na América – pag.83 7 – A Aurora na Inglaterra – pag.97 8 – Progressos Contínuos na Inglaterra – pag.108 9 – A Carreira

de D. D. Home – pag.117 10 – Os Irmãos Davenport – pag.130 11 – As pesquisas de Sir William Crookes de 1870 até o ano de 1874 – pag.139 12 – Os Irmãos Eddy e os Holmes – pag.150 13 – Henry Slade e o Doutor Monck – pag.165 14 – Investigações Coletivas sobre o Espiritismo – pag.179 15 – A Carreira de Eusapia Palladino – pag.191 16 – Grandes Médiuns de 1870 a 1900: Charles H. Foster, Madame d’Esperamce, William Eglinton, Stainton Moses – pag.200 17 – A Sociedade de Pesquisas Psíquicas – pag.217 18 – Ectoplasma – pag.234 19 – Fotografia Espírita – pag.251 20 – Vozes Mediúnicas e Moldagens – pag.263 21 – Espiritismo francês, alemão e italiano – pag.273 22 – Grandes Médiuns Modernos – pag.286 23 – O Espiritismo e a Guerra – pag.300 24 – Aspecto Religioso do Espiritismo – pag.311 25 – O Depois-da-Morte Visto pelos Espíritas – pag.327 APÊNDICE 1 – Notas ao capítulo 4 – Prova da assombração da casa de Hydesville antes de ser habitada pela família Fox –

pag.334 APÊNDICE 2 – Notas ao capítulo 6 – Bico de pena do lago Harris por Laurence Oliphant – pag.339 APÊNDICE 3 – Notas ao capítulo 7 – Testemunho adicional do professor e da senhora de Morgan – pag.341 APÊNDICE 4 – Notas ao capítulo 10 – Os Davenports eram jograis ou espíritas?

– pag.344 APÊNDICE 5 –notas ao capítulo 16 – A mediunidade do reverendo Stainton Moses – pag.345 APÊNDICE6– Notas ao capítulo 25–Escrita automática de Mr. Wales – pag.347 CONAN DOYLE E A HISTÓRIA DO ESPIRITISMO onan Doyle, cujo nome repercute por todo o mundo, é um dos escritores mais lidos da moderna literatura inglesa. O poder extraordinário de sua C imaginação, a comunicabilidade natural do seu estilo, a espontaneidade de suas criações, fizeram dele um escritor universal, admirado e amado por todos os povos. No Brasil, nossa gente o incluiu, há muito, entre os seus ídolos literários. É tanto assim, que ainda agora a Melhoramentos está lançando as obras de Conan Doyle em edições sucessivas, divididas em três linhas de lançamentos: a Série Sherlock Holmes, a Série Ficção Histórica e a Série Contos e Novelas Fantásticas.

Não se precisaria de mais nada para demonstrar o interesse do público brasileiro pelas obras de Conan Doyle. Nem de mais nada para se demonstrar a grandeza literária desse verdadeiro gigante das letras inglesas. Não obstante, as três séries acima não abrangem toda a obra de Conan Doyle. O famoso precursor dos métodos científicos de pesquisa policial foi também um historiador, tendo escrito obras como “The Great Boer War” e “History of the British Campaign in France and Flanders”. Foi ainda um dos maiores e mais lúcidos escritores espíritas dos últimos tempos, em todo o mundo, revelando admirável compreensão do problema espírita em seu aspecto global, como ciência, filosofia e religião.

Vemos, assim, que há mais duas series de obras — a de história e a de espiritismo — que podem ser consideradas como os afluentes diretos deste verdadeiro delta literário da vida de Conan Doyle, que é a “História do Espiritismo”. UMA CHAVE-DE-ABÓBADA este livro, realmente, todas as qualidades do escritor e do homem estão presentes. Nele confinem os resultados de todos os seus estudos, de todas N as suas experiências. Trata-se, pois, de um livro de interesse fundamental, para o estudo da vida e da obra do grande escritor. E só não o chamaremos básico, porque ele não está no alicerce, mas na cúpula. Ë aquilo a que os engenheiros chamam “chave-de-abóbada”.

Para que o leitor não pense que estamos exagerando, vamos tentar uma rápida explicação desse fenômeno de convergência. Conan Doyle aplica neste livro as suas qualidades de escritores estilo direto, vivo, objetivo, extraordinária capacidade de síntese, precisão descritiva e narrativa, agilidade quase nervosa no encadeamento do enredo, brilho e colorido nas expressões. Aplica ainda a capacidade de análise e a perspicácia sherloquianas, o rigor do método histórico, a capacidade de visão panorâmica dos acontecimentos. Ao lado disso tudo, temos a grande compreensão humana dos numerosos episódios e problemas enfrentados, essa compreensão que o leva a explicar as quedas mediúnicas de alguns personagens e a perdoar generosamente os que não souberam explicá-las. O escritor e o homem, depois de uma vida e uma obra, se fundem neste livro, que é feito ao mesmo tempo de papel e tinta, músculos e sangue, cérebro e nervos.

O historiador está presente neste livro, que é sobretudo uma obra de história, O romancista e o novelista aqui estão, na múltipla tessitura das narrativas que se sucedem, capítulo por capítulo. O autor policial, na perspicácia de apreensão dos fatos, na maneira segura com que vai conduzindo o leitor através dos enigmas do enredo. O criador de ficção histórica, no aproveitamento dos fatos reais para a construção da grande trama do livro, O autor de histórias fantásticas, na capacidade de penetrar o mistério, de invadir o reino do invisível, de enxergar o que apenas se entremostra nos lampejos das manifestações mediúnicas. O espírita se manifesta no interesse pelos fatos e pela sua interpretação, na compreensão da grandeza e da importância do movimento espiritista mundial, O médico Arthur Conan Doyle, o homem voltado para os problemas científicos, o pensador, debruçado sobre as questões filosóficas, e o religioso, que percebe o verdadeiro sentido da palavra religião — todos eles estão presentes nesta obra gigantesca, suficiente para imortalizar um escritor que já não se houvesse imortalizado. Esta, pois, é uma obra de confluência.

Um delta literário, no qual o fenômeno Conan Doyle se consuma, e pelo qual, afinal, se transcende a si mesmo, para se expandir na universalidade do movimento espírita, como revelação divina. CRITÉRIO HISTÓRICO o sair a primeira edição desta obra, a revista inglesa “Light” comentou o equilíbrio e a imparcialidade com que o autor se portou no trato do assunto – Uma extensa nota, assinada por D. N. G., acentuou que os críticos haviam A sido “agradavelmente surpreendidos”, pois Conan Doyle, conhecido então como ardoroso propagandista espírita, não a colorira “com os mais carregados preconceitos a favor do assunto e dos seus corifeus” E acrescentava o articulista: “Uma obra de história, escrita com prejuízos favoráveis ou contrários, seria, pelo menos, anti-artística, pecado jamais cometido pelo autor de “The White Company”, em nenhum dos seus trabalhos”. Essa opinião confirma plenamente o que dissemos acima, quanto ao critério histórico seguido por Conan Doyle na elaboração deste livro. Aliás, ele mesmo acentua esse critério, ao falar do seu desejo de contribuir para que o Espiritismo tivesse a sua história, apontando inclusive as deficiências de tentativas anteriores, como vemos no prefácio.

Seu intuito, ao elaborar este livro, não era o de fazer propaganda de suas convicções, mas o de historiar o movimento espírita. Para tanto, coloca-se numa posição serena e imparcial, como observador dos fatos que se desenrolam aos seus olhos, através do tempo e do espaço. Reconhece a amplitude do trabalho a realizar e pede auxílio a outros. Encontra em Mrs. Lesiie Curnow uma colaboradora eficiente e dedicada, e com a sua ajuda prossegue nas investigações necessárias, até completar a obra.

Ë o primeiro a reconhecer que não fez um trabalho completo, pois não dispunha de tempo e recursos para tanto. Mas tem a satisfação de verificar que fez o que lhe era possível, e mais do que isso, o que era possível no momento, diante da extensão e complexidade do assunto e das condições do próprio movimento espírita de então. A NOVA REVELAÇÃO onan Doyle, que nasceu a 22 de maio de 1859, em Edimburgo, faleceu a 7 de julho de 1930, em Cowborough (Sussex). Em junho de 1887 escreveu uma C carta ao editor da revista “Light”, explicando os motivos da sua conversão ao Espiritismo. Essa carta foi publicada na edição de 2 de julho do mesmo ano, daquela revista, que a reproduziu mais tarde, na edição de 27 de agosto de 1927. A 15 de julho de 1929, a “Revista Internacional de Espiritismo”, de Matão, dirigida por Cairbar Schutel, publicou no Brasil a primeira tradução integral dessa carta, que é um documento valioso, mostrando, como acentua a revista, que o jovem médico em 1887 já revelava a mais ampla compreensão do Espiritismo e da sua significação para o mundo.

Alémdessedocumento, Conan Doyle escreveu um pequeno livro, traduzido para a nossa língua por Guillon Ribeiro e já em segunda edição, intitulado “A Nova Revelação”, em que descreve minuciosamente o processo da sua conversão. Posteriormente, escreveu outras obras doutrinárias de grande valor, como “A Religião Psíquica”, na qual revela perfeita compreensão do problema religioso do Espiritismo, afirmando a condição essencialmente psíquica da religião espírita. O leitor brasileiro estranhará que Conan Doyle comece a sua história pela vida e a obra de Swedenborg, e que, depois de passar pelo episódio de Hydesville, só se refira a Allan Kardec ao tratar, no capítulo vinte e um, do “Espiritismo francês, alemão e italiano”. Kardec aparece, assim, como uma espécie de figura secundária, de influência reduzida ao âmbito nacional do movimento espírita francês. É que, no movimento espírita, como em todos os movimentos, as coisas vão se definindo aos poucos, através do tempo, não se mostrando logo com a precisão necessária.

Somenteagora, quase trinta anos depois da morte de Conan Doyle, é que a figura de Kardec, reconhecida há muito, nos países latinos, como o codificador do Espiritismo, vai se impondo também, nas suas verdadeiras dimensões, ao mundo anglo-saxão. Conan Doyle fez o que pôde, como dissemos atrás, procurando traçar a história do Espiritismo de acordo com as perspectivas que a sua posição lhe proporcionava. Hoje, como se pode ver pela excelente edição da revista argentina “Constancia”, comemorativa do primeiro centenário do Espiritismo, a compreensão exata da posição de Kardec se generaliza. Escritores da Inglaterra, da Alemanha, dos Estados Unidos e do Canadá proclamam, nas colaborações para aquele número, a significação fundamental da obra do codificador. O PROBLEMA DA REENCARNAÇÃO bastante conhecida a divergência entre o que se convencionou chamar o Espiritismo latino e o anglo-saxão. Essa divergência se verificou em torno de um ponto essencial: a doutrina da reencarnação.

Os anglo-saxões, É particularmente os inglês e americanos, aceitaram a revelação espírita com uma restrição, não admitindo o princípio reencarnacionista. Por muito tempo, esse fato serviu de motivo a ataques e críticas ao Espiritismo, o que não impediu que o movimento seguisse naturalmente o seu curso. A codificação kardequiana, cujos princípios giram praticamente em torno da lei da reencarnação, foi repelida pelos anti-reencarnacionistas. Veja-se como Comam Doyle se refere ao Espiritismo francês, logo no início do capítulo vinte e um deste livro: “O Espiritismo na França se concentra na figura de Allan Kardec, cuja teoria característica consiste na crença da reencarnação”. Não obstante, o próprio Conan Doyle, e outros grandes espíritas ingleses e americanos, admitiam a reencarnação.

E a resistência do meio tem sido bastante minada, na Inglaterra e nos Estados Unidos, principalmente depois da última guerra. Em “A Nova Revelação”, Conan Doyle se coloca numa posição curiosa, que dará ao leitor brasileiro uma ideia exata da sua atitude neste livro. Logo no prefácio, declara que muitos estudiosos têm sido atraídos pelo aspecto religioso do Espiritismo, e outros pelo científico, acrescentando: “Até agora, porém, que eu saiba, ainda ninguém tentou demonstrar a exata relação que existe entre os dois aspectos do problema. Entendo que, se me fosse dado lançar alguma luz sobre esse ponto, muito teria eu contribuído para a solução da questão que mais importa à humanidade”. Isto era escrito entre 1927 e 28, cerca de sessenta anos após o passamento de Kardec.

E todos sabemos que Kardec deixou perfeitamente solucionado o problema, ao apresentar o Espiritismo como uma doutrina tríplice: filosófica, científica e religiosa. Vemos, assim, que Conan Doyle, neste ponto como em tantos outros, pensava paralelamente a Kardec, esperando, por assim dizer, o momento em que a codificação kardequiana aparecesse no mundo, sem suspeitar que ela já existia e estava ali mesmo, ao seu lado, para lá do Estreito da Mancha. Em nada, porém, esses fatos prejudicam o valor e a significação desta obra. Servem mesmo para documentar uma fase do imenso processo de desenvolvimento do Espiritismo. Os estudiosos da doutrina e da sua história terão neste livro uma visão panorâmica desse fato histórico extraordinário, ainda não compreendido pelo mundo, que é o aparecimento e a propagação de uma nova revelação espiritual, nos tempos modernos.

E nada melhor para exprimi-lo do que a admirável imagem usada por Conan Doyle, logo no capítulo primeiro, ao comparar as modernas manifestações espíritas a “uma invasão devidamente organizada”, invasão do mundo por um exército espiritual, incumbido de dominá-lo pela força do bem e orientá-lo para os rumos finais da perfeição humana. A INVASÃO ORGANIZADA onan Doyle se defronta, nesse capítulo, com a dificuldade de fixar uma data para o aparecimento do Espiritismo. Lembra que Os fatos espíritas existiram C desde todos os tempos, e que os espíritas ingleses e americanos costumam indicar como data inicial do movimento moderno a de 31 de março de 1848, que assinala o episódio mediúnico de Hydesville. Prefere, entretanto, começar a sua história por Swedenborg, considerando que “uma invasão pode ser precedida pelos exploradores de vanguarda”. Reconhece, assim, a existência de uma época a que podemos chamar a pré-história do Espiritismo, com os fatos da Antigüidade e da Idade Média, e uma época de preparação do advento do Espiritismo, já nos tempos modernos. Nessa época aparecem os patrulheiros, os elementos que exercem a função de pontas-de-lança, os que efetuam uma espécie de reconhecimento do terreno e de preparação da “invasão organizada”, que virá logo mais.

Essa concepção de Conan Doyle está de pleno acordo com as explicações que os Espíritos deram a Kardec, a respeito do assunto. Só faltou a Conan Doyle, portanto, para bem colocar o problema, o conhecimento completo da codificação. Com esse conhecimento, o grande escritor não teria dúvidas em admitir que o Espiritismo, como doutrina, só apareceu no mundo a 18 de abril de 1857 — numa data exata — aquela em que surgiram nas livrarias de Paris os primeiros volumes de “O Livro dos Espíritos”. Fazendo justiça a Swedenborg, a Eduardo Irving, a André Jackson Davis, “o profeta da nova revelação”, às irmãs Fox, cuja dolorosa história é contada nestas páginas de maneira compreensiva e ampla, Conan Doyle historia, a seguir, a propagação do movimento espírita nos Estados Unidos, na Inglaterra, na França, na Alemanha, na Itália e nos demais países, dedicando várias páginas a médiuns notáveis como Home, os irmãos Davenport, Eddy e Holmes, Slade, Eusapia Palladino e outros. Acompanha o desenvolvimento do interesse pelos fatos espíritas nos meios científicos, a realização das grandes experiências de repercussão mundial, como as de Crookes, e trata, por fim, do papel do Espiritismo em face da guerra, do seu aspecto religioso e das descrições do Além pelos Espíritos.

Temos, assim, uma obra monumental sobre o Espiritismo e o movimento espírita, escrita por um dos mais notáveis autores do nosso tempo. A publicação desta obra em português virá contribuir grandemente para maior compreensão do Espiritismo em nosso país, inclusive nos meios espíritas. O “PRECONCEITO CULTURAL” olançarem, pois, esta edição, os editores estão prestando um grande serviço ao público brasileiro em geral e aos espíritas em particular. As campanhas de difamação que se têm feito no Brasil contra o Espiritismo, a atitude A sistemática de oposição assumida pelos religiosos e pelos cientistas, e as próprias deficiências culturais do nosso meio, fazem que ainda prevaleçam entre nós Os preconceitos antíespíritas, que muitas vezes se manifestam de maneira aguda. Obras como esta, escritas por homens da envergadura intelectual de Conan Doyle, contribuirão forçosamente para modificar essa situação, quebrando, com o seu poderoso impacto, sedimentações e cristalizações mentais pouco recomendáveis entre povos civilizados.

Diante do vasto e variado panorama que Conan Doyle nos apresenta neste livro, a começar pelas ideias ainda delirantes de Swedenborg, que, não obstante, era um dos homens dotados de maior cabedal de conhecimentos que o mundo já viu, até às experiências rigorosamente científicas de sábios da envergadura de Crookes, o leitor minado pelas ideias feitas, pelos preconceitos religiosos ou científicos, terá de reconhecer a importância do movimento espírita.

Existe um tipo especial de preconceito que dificulta a compreensão do Espiritismo em nosso país. É o que podemos chamar “preconceito cultural”. Numa nação nova como a nossa, sem tradição cultural suficiente, com imensa massa de analfabetos, pontilhada aqui e ali de pequenas ilhas culturais, é grande o receio dos intelectuais, de caírem no ridículo perante os seus colegas do exterior. Por outro lado, a difusão das doutrinas materialistas, como o marxismo, em meios de insuficiente formação filosófica e a difusão, nem sempre em condições adequadas, de princípios científicos objetivos — erroneamente considerados materialistas — afastam muitas pessoas do conhecimento espírita. Um livro como este servirá, e muito, para mostrar que os homens cultos, no mundo inteiro, não o são menos por se interessarem pelo Espiritismo. NOTA DO TRADUTOR ai para mais de um século, os fenômenos espíritas, antes esporádicos, mal interpretados e causadores de perseguições religiosas, entraram numa V segunda fase — a das manifestações acintosas e sistemáticas, públicas e teimosas, abalando cépticos, acordando consciências e amedrontando criminosos impunes e marginais do Código Penal.

Foi em 1848, nos Estados Unidos. O contacto entre dois mundos, antes separados pela divisória da Morte, deixava de ter o aspecto macabro, que lhe emprestaram folhetinistas e criadores de fantasias, para revestir o de suave conversa entre criaturas queridas de um e do outro lado da Vida. Começou, entretanto, pelas chamadas mesas girantes e falantes que, infelizmente, se prestaram à zombaria dos que tudo procuram denegrir ou cobrir de ridículo — inclusive o sentimento que nutrimos pelos que nos deixaram. Transportadas para a Europa, as mesas girantes e falantes constituíram, durante algum tempo, um divertimento de salão, nas longas e frias noites de inverno. Um homem sisudo, entretanto, não via nelas mero divertimento, mas uma coisa muito séria.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.