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Capítulo 46 de 57

Parte 43 de 54

A História do Espiritismo · Arthur Conan Doyle

Antes de voltar à história do Espiritismo Francês não se pode deixar de atentar para o esplêndido grupo de escritores que o exornam. Fora de Allan Kardec e do trabalho científico de pesquisas de Geley, Maxwell, Flammarion e Richet, houve puros espíritas, tais como Gabriel Delanne, Henri Regnault e Leon Denis, que deixaram pegadas. Especialmente o último teria sido considerado como um grande prosador francês, fosse qual fosse o seu tema. Este trabalho, que se limita às grandes correntes da história psíquica, dificilmente comportaria referências a regatos e meandros de cada região do globo. Tais manifestações seriam, invariàvelmente, repetições ou variantes daquilo que já foi descrito, e pode rapidamente ser verificado que o culto é católico, numa acepção larga, pois não há país em que ele não ocorra. Desde a Argentina até a Islândia, os mesmos resultados se têm espalhado da mesma maneira e devido às mesmas causas.

Essa história exigiria, ela só, um volume. Algumas páginas especiais, entretanto, devem ser dedicadas à Alemanha. Pôsto que moroso até seguir um movimento organizado, pois só em 1865 é que apareceu um jornal espírita — Psyche — e se estabeleceu no país, mais do que em qualquer outra parte, teve aí o Espiritismo uma tradição de especulação mística e de experiência mágica, que deveria ser considerada uma preparação para a revelação definitiva. Paracelsus, Cornelius Agripsa, Van Helmont e Jacob Boehme se acham entre os pioneiros do Espiritismo, sentindo o seu caminho fora da matéria, embora vago o objetivo que tivessem atingido. Algo mais definitivo foi alcançado por Mesmer, que realizou seu maior trabalho em Viena, no último quartel do século dezoito.

Conquanto enganado quanto a algumas de suas inferências, foi ele quem deu o primeiro impulso para a dissociação entre alma e corpo, antes do atual modo de sentir da humanidade; e um natural de Strasbourg, M. de Puységur, levou seu trabalho um passo mais adiante, abrindo as maravilhas da clarividência. Jung Stilling e o Doutor Justinus Kerner são nomes para sempre ligados ao desenvolvimento do saber humano, através desse caminho nevoento, O atual anúncio das comunicações espíritas foi recebido com um misto de interesse e de cepticismo, e custou para que vozes autorizadas se erguessem em sua defesa. Finalmente o assunto foi trazido magnificamente ao tablado quando Slade fez a sua histórica visita em 1877. Depois de assistir e verificar as suas realizações, obteve em Leipzig o endôsso de seis professôres, que reconheciam o seu caráter de autenticidade. Foram eles Zõllner, Fechner e Scheibner, de Leipzig; Weber, de Gõttingen; Fichte, de Stuttgard e Ulrici, de Halle.

Como esses testemunhos tinham sido reforçados por um depoimento de Bellachini, o maior mágico da Alemanha, de que não havia possibilidade de fraude, produziu-se um efeito considerável sobre a opinião pública, que foi engrossada pela subsequente adesão de dois russos eminentes. Aksakof, homem de Estado e o Professor Butlerof, da Universidade de São Petersburgo. Entretanto, parece que o culto não encontrou um terreno adequado nesse país da burocracia e do militarismo. Excetuado o nome de Carl Du Prel, nenhum outro se encontra associado com as mais altas fases do movimento. O Barão Carl Du Prel, de Munich, começou a carreira de estudioso do 191 misticismo e, em seu primeiro trabalho, não trata do Espiritismo, mas antes das forças latentes do homem, os fenômenos do sonho, do transe e do sono hipnótico.

Em outro tratado, entretanto, “Um Problema para Mágicos”, faz um relato minucioso e raciocinado das etapas que o levaram à completa crença no Espiritismo. Nesse livro, enquanto admite que os filósofos e os homens de ciência não são os mais classificados para descobrir as fraudes, lembra ao leitor que Bosco, Houdini e Bellachini e outros hábeis ilusionistas declararam que os médiuns por eles 191 “Philosophy of Mysticism”, 2 Volumes (1889). Trans. C.C. Massey. examinados estavam acima de qualquer suspeita de impostura.

Du Prel não estava contente, como muitos outros, de ter provas de segunda mão. Assim, fez um certo número de sessões com Eglinton e, mais tarde, com Eusapia Palladino. Deu especial atenção ao fenômeno da psicografia — escrita nas lousas, e assim se exprime: “Uma coisa é clara — é que a psicografia deve ser aceita como de origem transcendente. Verificaremos: 1) Que é inadmissível a hipótese de lousas preparadas. 2) Que o lugar onde se encontra a escrita é inacessível às mãos do médium. Nalguns casos a dupla lousa é seguramente trancada e deixa internamente um pequeno espaço para um pedacinho de lápis. 3) Que a escrita é feita no momento. 4) Que o médium não está escrevendo. 5) Que a escrita deve ser feita no momento com um pedaço de lousa ou um lápis comum. 6) A escrita é feita por um ser inteligente, de vez que as respostas são exatamente concordes com as perguntas. 7) Esse ser pode ler, escrever e entender a linguagem dos seres humanos, frequentemente uma língua desconhecida do médium. 8) Ele se parece muito com um ser humano, tanto no grau de inteligência quanto nos enganos que comete.

Assim, esses seres são, embora invisíveis, de natureza ou espécie humana. É inútil lutar contra essa proposição. 9) Se se lhes pergunta quem são, respondem que são seres que deixaram este mundo. 10) Quando essas aparências se tornam visíveis parcialmente — talvez apenas as mãos — estas têm forma humana. 11) Quando se tornam inteiramente visíveis mostram a forma e a atitude humanas... O Espiritismo deve ser investigado como uma ciência. Eu me consideraria um covarde se não exprimisse abertamente as minhas convicções.” Du Prel chama a atenção para o fato de que as suas convicções não se baseiam em resultados conseguidos com médiuns profissionais. Declara que conhece três médiuns particulares “em cuja presença não só se verifica a escrita direta no lado interno de duas lousas, mas que é feita em lugares inacessíveis.” “Nessas circunstâncias”, diz ele duramente, “a pergunta ‘Médium ou Mágico?’ ao que me parece, levanta mais poeira do que deve”.

Isto é uma observação que os pesquisadores psíquicos deviam saber de cór. É interessante notar que Du Prel proclama a asserção que as mensagens são estúpidas e triviais apenas para serem inteiramente injustificadas peLa experiência, quando ao mesmo tempo afirma que não encontrou traços de inteligência sobrehumana, mas, naturalmente, antes de se pronunciar sobre esse ponto fora preciso determinar como uma inteligência sobre-humana poderia ser distinguida e até onde seria compreendida pelo nosso cérebro. Falando das materializações, diz ele: “Quando essas coisas se tornam inteiramente visíveis na sala escura, caso em que o médium se senta no meio do círculo formado pelos assistentes, mostram a forma e a atitude humanos. Diz-se muito facilmente que neste caso é o próprio médium que se disfarça.

Mas quando o médium fala de seu lugar; quando os vizinhos que o ladeiam declaram que seguraram as suas mãos e ao mesmo tempo eu vejo a figura de pé junto a mim, quando essa figura ilumina o seu rosto na lâmpada de vácuo que se acha sobre a mesa e cuja luz não é obstáculo aos fenômenos, de modo que eu posso ver distintamente, então a prova coletiva dos fatos que descrevi me impõe a necessidade da existência de um ser transcendente, ainda quando todas as conclusões a que cheguei durante vinte anos de trabalho e estudo tenham que ser derrubadas.

Mas, por outro lado, desde que meus pontos de vista, fixados na minha Filosofia do Misticismo, tomaram um outro rumo, e são justificados por estas experiências, encontro pouca base subjetiva para combater estes fatos objetivos!” E acrescenta: “Tenho agora a experiência empírica da existência desses seres transcendentes, da qual estou convencido pela evidência de meus sentidos da vista, do ouvido, do tato, tão bem quanto de suas próprias comunicações inteligentes. Em tais circunstâncias, levado ao mesmo desfecho por dois métodos diversos de investigação, eu devo ser abandonado pelos deuses se não reconhecer o fato da imortalidade — ou, melhor dito, desde que as provas não vão mais longe — a continuidade da existência após a morte.” Carl Du Prel faleceu em 1899. Sua contribuição para o assunto é, talvez, a maior oferecida na Alemanha. Por outro lado lá surgiu um formidável adversário — Eduard von Hartmann, autor da “Filosofia do Inconsciente”, que em 1885 escreveu 192 uma brochura chamada “Espiritismo”. Comentando-a, escreveu C.

C. Massey: “É de notar-se que Charles Carlton Massey, advogado, e Gerard Massey, poeta, são criaturas distintas, nada tendo em comum a não ser que eram espíritas. “Agora, pela primeira vez, um homem de eminente posição intelectual se nos defronta como adversário. Deu-se ele ao trabalho de considerar os fatos, senão inteiramente, ao menos na medida em que inquestionàvelmente ele se qualifica para um exame crítico. E se, declinando formalmente de uma aceitação sem reserva, da evidência dos fatos, chegou à conclusão que a existência no organismo humano de mais forças e capacidade do que a ciência exata investiga, é suficientemente acreditada pelos testemunhos históricos e contemporâneos.

Também insiste pela pesquisa feita por comissões nomeadas e pagas pelo Estado. Repudia, com toda a autoridade de um filósofo e como homem de ciência, a suposição de que a priori os fatos são incríveis ou ‘contrários às leis da natureza’. Expõe a inaceitabilidade das ‘denúncias’ e dá um golpe de misericórdia no estúpido paralelo entre médiuns e mágicos. E se sua aplicação do sonambulismo aos fenômenos, no seu ponto de vista, serve de controle dos Espíritos por outro lado contém informações para o público que são de grande importância para a proteção dos médiuns.” Diz ainda Massey que do ponto de vista da filosofia de Hartmann a ação dos Espíritos é inadmissível e a imortalidade pessoal é uma ilusão. “A saída da filosofia psicológica agora se acha entre a sua escola e a de Du Prel e Hellenbach”.

Alexandre Aksakof respondeu a von Hartmann na revista mensal Psychische Studien. Aksakof mostra que Hartmann não tinha nenhuma experiência, que prestou insuficiente atenção aos fenômenos que não se adaptavam ao seu modo de interpretar e que havia muitos fenômenos que lhe eram quase desconhecidos. Por exemplo, Hartmann não acreditou na objetividade dos fenômenos de materialização. Com muita habilidade Aksakof cita com muitos detalhes bom número de casos que, decididamente, infirmam as conclusões de Hartmann. Refere-se Aksakof ao Barão Lazar Hellenbach, que era espírita e foi o primeiro investigador filosófico dos fenômenos na Alemanha e diz: “A afirmação de Zõllner da realidade dos fenômenos mediúnicos produziu enorme sensação na Alemanha”.

De vários modos 192 “Light”, 1885, página 404. parecia que von Hartmann tivesse escrito com um imperfeito conhecimento do assunto. A Alemanha produziu poucos grandes médiuns, a menos que Frau Anna Rothe, seja como tal classificada. É possível que ela tivesse recorrido a fraude, quando lhe faleciam as forças, mas que ela possuía tais forças em alto grau é claramente mostrado pelas provas no processo conseqüente à sua suposta “fraude” em 1902. Depois de doze meses e três semanas de prisão antes de ser levada ao tribunal, a médium foi condenada a oito meses de prisão e a uma multa de quinhentos marcos. No processo muita gente de posição depôs em seu favor; entre estas pessoas se achavam Herr Stõcker, antigo Capelão da Corte, e o Juiz Sulzers, presidente da Suprema Corte de Apelação de Zürich.

Sob juramento o juiz declarou que Frau Rothe o havia posto em comunicação com os Espíritos de sua esposa e de seu pai que disseram coisas que à médium era impossível ter inventado, porque diziam com assunto desconhecido de qualquer mortal. Também declarou que tinham sido trazidas flôres de rara qualidade para um salão inundado de luz. Seu depoimento causou sensação. É claro que o resultado do processo era uma conclusão prévia. Foi uma repetição da atitude do juiz Howers, no caso Slade.

O procurador alemão começou assim o seu discurso: “A Corte não se permite criticar a teoria espírita, porque deve ser reconhecido que a ciência, com a genialidade dos homens de cultura, declara que são impossíveis as manifestações sobrenaturais.” Diante disso nenhuma prova teria valor. Em data recente dois nomes sobressaem em conexão com a matéria em apreço. É um o Doutor Schrenck Notzing, de Munique, cujo esplêndido trabalho de laboratório já foi tratado no capítulo sobre o ectoplasma. O outro é o famoso Doutor Hans Driesch, Professor de Filosofia na Universidade de Leipzig. Recentemente ele declarou que “a atualidade dos fenômenos psíquicos só é posta em dúvida pelo incorrigível dogmatismo”.

Fez essa declaração numa conferência na Universidade 193 de Londres, em 1924, a qual foi posteriormente publicada em The Quest. Prosseguindo disse: “Esses fenômenos tiveram, entretanto, uma luta árdua a fim de serem reconhecidos. E a principal razão por que tiveram de lutar tão estrenuamente foi porque foram redondamente negados pela psicologia ortodoxa e pela ciência cultural, tais quais eram estas pelo menosaté o fim do século passado.” Diz o Professor Driesch que a ciência natural e a psicologia sofreram uma radical mudança desde o começo deste século e continua mostrando como os fenômenos psíquicos. se ligam com as ciências naturais “normais”. Observa que se estas últimas se recusam a reconhecer a sua relação com aquelas, isto nada afeta os fenômenos psíquicos. Mostra, através de diversas ilustrações biológicas, como a teoria mecanicista foi derrubada.

Expõe a sua teoria vitalista “para estabelecer um mais íntimo contacto entre os fenômenos da biologia normal e os fenômenos físicos no domínio da pesquisa psíquica”. Sob determinados pontos a Itália foi superior a outros países europeus no tratamento do Espiritismo — isto a despeito da constante oposição da Igreja Católica 193 9. Julho, 1924. Romana, que sem muita lógica estigmatizou como diabolismo os casos que não receberam a marca especial de santidade. Os Acta Sanctorum constituem uma longa crônica de fenômenos psíquicos com levitações, transportes, profecias, e todos os outros sinais de mediunidade. Entretanto essa Igreja sempre perseguiu o Espiritismo.

Poderosa como é, verificará, a seu tempo, que enfrentou algo ainda mais forte que ela. Dos modernos italianos o grande Mazzini foi um espírita, naqueles dias em que o Espiritismo mal se esboçava e seu companheiro Garibaldi foi presidente de uma sociedade psíquica. Em carta a um amigo em 1849, Mazzini esboça o seu sistema filosófico-religioso, que curiosamente ampara o mais recente ponto de vista espírita. Ele substitui por um purgatório temporário o inferno eterno, que passa a ser uma triagem entre este mundo e o outro, definiu uma hierarquia de seres espirituais, e anteviu um progresso contínuo para a suprema perfeição. A Itália foi rica em médiuns, mas foi ainda mais afortunada com a posse de homens de ciência bastante sábios para acompanhar os fatos, onde quer que eles conduzissem.

Entre estes numerosos investigadores — todos eles convictos da realidade dos fenômenos psíquicos, muito embora não se possa dizer que todos aceitassem o ponto de vista do Espiritismo — encontram-se nomes como Ermacora, Schiaparelli, Lombroso, Bozzano, Morselli, Chiaia, Pictet, Foa, Porro, Brofferio, Bottazzi e muitos outros. Eles tiveram a vantagem de um maravilhoso sensitivo em Eusapia Palladino, como já foi descrito, mas houve uma série de outros médiuns poderosos, entre cujos nomes se podem citar Politi, Caranci, Zuccarini, Lucia Sordi, e especialmente Linda Gazzera. Entretanto, aqui, como em outros campos, o primeiro impulso veio de países de língua inglesa. Foi a visita de D. D.

Home a Florença, em 1855 e a subsequente visita de Mrs. Gupsy em 1868 que abriu caminho. O Senhor Damiani foi o primeiro grande investigador e foi ele quem, em 1872, descobriu os dons da Palladino. O manto de Damiani caiu nos ombros do Doutor G. B.

Ermacora, que foi o fundador e coeditor, com o Doutor Finzi, da “Rivista di Studi Psichici”. Morreu em Rovigo aos quarenta anos de idade, assassinado — uma grande perda para a causa. Sua adesão e o seu entusiasmo provocaram os de outros do mesmo porte. Assim, em seu necrológio, escreve Porro: “Lombroso encontrou-se em Milão com três jovens físicos, inteiramente libertos de preconceitos — Ermacora, Finzi e Gerosa — com dois pensadores profundos, que havia esgotado o lado filosófico da questão — o alemão Du Prel e o russo Aksakof — e com um outro filósofo de mente penetrante e de vasto saber, Brofferio; e, finalmente, com o grande astrônomo Schiaparelli e com o fisiologista Richet.” E acrescenta: “Seria difícil reunir um melhor grupo de homens de ciência, que oferecesse as necessárias garantias de seriedade, de variada Competência, de habilidade técnica na experimentação, de sagacidade e prudência no desfecho das conclusões.”

E continua: “Enquanto Brofferio, com o seu livro de peso ‘Per lo Spiritismo’, (Milão, 1892) destrói um a um os argumentos dos opositores, coligindo, coordenando, e classificando com incomparável habilidade dialética as provas em favor de sua tese, Ermacora aplicou na sua demonstração todos os recursos de cérebro robusto e treinado no emprego do método experimental; e sentiu tanto prazer nesse estudo fértil e novo, que abandonou inteiramente as pesquisas sobre eletricidade, que já o tinham colocado entre os sucessores de Faraday e de Maxwell.” O Doutor Ercole Chiaia, que faleceu em 1905, era também um devotado trabalhador e propagandista, a quem muitos homens notáveis da Europa devem seus primeiros conhecimentos sobre fenômenos psíquicos. Entre outros citam-se Lombroso. o Professor Bianchi, da Universidade de Nápoles, Schiaparelli, Fournoy, o Professor Porro, da Universidade de Gênova e o Coronel De Rochas.

Dêle escreveu Lombroso: “Tendes razão para venerar profundamente a memória de Ercole Chiaia. Num país onde há tamanho horror ao que é novo, é necessária uma grande coragem e uma nobre alma para se tornar apóstolo de uma teoria que defronta o ridículo; e o fazer com aquela tenacidade, aquela energia que sempre caracterizaram Chiaia. É a ele que muitos devem — inclusive eu — o privilégio de ver um mundo novo, aberto à investigação psíquica — e isto pelo único meio que existe para convencer homens de cultura, isto é, pela observação direta.” 194 Sardou, Richet e Morselli renderam tributo ao trabalho de Chiaia. Chiaia fez um importante trabalho orientando Lombroso, o eminente alienista, na investigação do assunto. Depois de suas primeiras experiências com Eusapia Palladino, em março de 1891, escreveu Lombroso: “Sinto-me bastante envergonhado e pesaroso por me haver oposto com tanta tenacidade à possibilidade dos chamados fatos espíritas.” Inicialmente apenas aceitava os fatos e se opunha à teoria a eles associada.

Mas. já essa aceitação parcial causou sensação na Itália e em todo o mundo. Aksakof escreveu ao Doutor Chiaia: “Glória a Lombroso por suas nobres palavras! Glória a você, por sua dedicação!” Lombroso oferece um bom exemplo de conversão de um materialista decidido, depois de longo e cuidadoso exame dos fatos. Em 1900 escreveu ele ao Professor Falcomer: “Sou como um pequeno seixo na praia. Ainda estou a descoberto; mas sinto que cada maré me arrasta para mais perto do mar.” Como se sabe, ele acabou se tornando um crente completo, um espírita convicto e publicou um livro célebre ‘Morte...

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.