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Capítulo 9 de 57
Parte 6 de 54
A História do Espiritismo · Arthur Conan Doyle
A seguir, disse: ‘Se seu assassino não pode ser punido pela lei dê sinais.’ As batidas foram ouvidas claramente. Pelo mesmo processo Mr. Duesler verificou que ele tinha sido assassinado no quarto de leste, há cinco anos passados, e que o assassínio fora cometido à meia-noite de uma têrça-feira, por Mr. que fora morto com um golpe de faca de açougueiro na garganta; que o corpo tinha sido levado para a adega; que só na noite seguinte é que havia sido enterrado; tinha passado pela despensa, descido a escada, e enterrado a dez pés abaixo do solo. Também foi constatado que o móvel fora o dinheiro. ‘Qual a quantia: cem dólares?’ Nenhuma resposta. ‘Duzentos? Trezentos?’ etc.
Quando mencionou quinhentos dólares as batidas confirmaram. “Foram chamados muitos dos vizinhos que estavam pescando no ribeirão. Estes ouviram as mesmas perguntas e respostas. Alguns permaneceram em casa naquela noite. Eu e as meninas saímos.
Meu marido ficou toda a noite com Mr. Redfield. No sábado seguinte a casa ficou superlotada. Durante o dia não se ouviram os sons; mas ao anoitecer recomeçaram. Diziam que mais de trezentas pessoas achavam-se presentes.
No domingo pela manhã os ruídos foram ouvidos o dia inteiro por todos quantos se achavam em casa. “Na noite de sábado, 1º de abril, começaram a cavar na adega; cavaram até dar nágua; então pararam. Os sons não foram ouvidos nem na tarde nem na noite de domingo. Stephen B. Smith e sua esposa, minha filha Marie, bem como meu filho David S.
Fox e sua esposa dormiram no quarto aquela noite. “Nada mais ouvi desde então até ontem. Antes de meio-dia, ontem, várias perguntas foram respondidas da maneira usual. Hoje ouvi os sons várias vezes. “Não acredito em casas assombradas nem em aparições sobrenaturais.
Lamento que tenha havido tanta curiosidade neste caso. Isto nos causou muitos aborrecimentos. Foi uma infelicidade morarmos aqui neste momento. Mas estou ansiosa para que a verdade seja conhecida e uma verificação correta seja procedida. Ouvi as batidas novamente esta manhã, terça-feira, 4 de abril.
As meninas também ouviram. “Garanto que o depoimento acima me foi lido e que é a verdade; e que, se fosse necessário, prestaria juramento de que é verdadeiro.” Margaret Fox 11 de abril de 1848 Depoimento de John D. Fox: “Ouvi o depoimento acima, de minha esposa, Margaret Fox, li-o e por isso certifico que o mesmo é verdadeiro em todos os seus detalhes. Ouvi as mesmas batidas das quais ela falou, em resposta a perguntas, conforme disse. Houve muitas outras perguntas, além daquelas, todas respondidas do mesmo modo.
Algumas foram repetidas muitas vezes, e a resposta foi sempre a mesma. Assim, jamais houve qualquer contradição. “Não sei de nenhuma causa a que atribuir aqueles ruídos caso tenham sido produzidos por meios naturais. Procuramos em cada canto da casa, e por diversas vezes, para verificar, se possível, se alguma coisa ou alguém aí estivesse escondido e pudesse fazer aquele ruído; não nos foi possível achar coisa alguma que pudesse explicar o mistério. Isto causou muito aborrecimento e ansiedade.
“Centenas de pessoas visitaram a casa, de modo que nos era impossível atender às nossas ocupações diárias. Espero que, quer causados por meios naturais, quer sobrenaturais, em breve seja esclarecida a matéria. A escavação na adega será continuada, assim que as águas secarem; então serão constatados os vestígios de um cadáver aí enterrado. Então, se os houver, não terei dúvida de que a origem é sobrenatural.” John D. Fox 11 de abril de 1848 Espontaneamente os vizinhos se haviam constituído em comissão de investigação que, por segurança e eficiência, pudesse ser um ensinamento para muitos subsequentes pesquisadores.
Não começaram impondo condições; iniciaram, sem prevenções, o registro dos fatos, exatamente como os colhiam. Não só coligiram e registraram as impressões de cada interessado, como tomaram depoimentos escritos durante um mês. Em vão tentou o autor obter uma cópia do folheto original “Relatório dos Ruídos Misteriosos, Ouvidos na Casa de Mr. John D. Fox”, publicado em Canandaigua, Nova Iorque: apenas recebeu de presente um facsimile do original; e é sua opinião que o fato da sobrevivência humana e o poder de comunicação ficou provado definitivamente para qualquer inteligência capaz de examinar um testemunho, desde a ocasião do aparecimento daquele documento.
A declaração feita por Mr. Duesler, presidente da comissão, é um importante testemunho da ocorrência de ruídos verificados na ausência das meninas Fox e afasta em definitivo a suspeita de sua cumplicidade nesses acontecimentos. Como vimos, Mrs. Fox, referindo-se à noite de sexta-feira, 31 de março, disse: “Eu e as meninas saímos”. Parte do depoimento de Mr.
Duesler está assim concebida: “Eu moro a poucas varas da casa em que esses ruídos têm sido ouvidos. A primeira vez que ouvi algo a respeito foi há uma semana, na noite de sexta-feira, 31 de março. Mrs. Redfield veio à minha casa convidar minha senhora para ir à casa de Mrs. Fox.
Mrs. Redfield parecia muito agitada. Minha senhora quis que eu a acompanhasse e eu acedi. Seriam cerca de nove horas da noite. Havia umas doze ou catorze pessoas presentes, quando as deixei.
Algumas estavam tão assustadas que não queriam entrar no quarto. Entrei e sentei-me na cama. Mr. Fox fez uma pergunta e ouvi distintamente a batida de que tinham falado. Notei que a cama tremeu quando se produziram os sons.” 4 O Hon. Robert Dale Owen Descrevendo a noite de 31 de março de 1848, diz ele, à página 287 de “Footfalls”: “Os pais haviam removido as camas das meninas para o seu quarto e as intimaram rigorosamente a não falar de ruídos, ainda mesmo quando os ouvissem.
Mas assim que a mãe as viu acomodadas nos leitos e se preparava para repousar, as crianças gritaram: ‘Ei-los de novo!’ A mãe ralhou com elas e deitou-se. Então os ruidos se tornaram cada vez mais altos e mais impressionantes. As mesmas sentaram-se na cama; Mrs. Foz chamou o marido. “Como a noite era de ventania, ele se capacitou de que deveriam ser estalos das persianas.
“Experimentou diversas, para ver se as taliscas estavam frouxas. A filha menor, Kate, observou que assim que o pai sacudia uma veneziana, o ruído como que o repetia. Sendo uma criança viva, e de certo modo acostumada ao que se estava passando, virou-se para o ponto de onde vinha o ruído, estalou os dedos e chamou: ‘Aqui, velho Pé-Rachado, faça o que faço!’ O ruído respondeu instantaneamente. Isto foi precisamente o começo. 4 Autor de “Footfalls on the Boundary of Another World” (1860) e “The Debatable Land” (1871), membro do Congresso Norte Americano e antigo Ministro Americano em Nápoles, em sua narrativa oferece alguns detalhes adicionais, escritos depois de haver conversado com Mrs. Fox e suas filhas, Margaret e Catherine (Kate). “Quem poderá dizer onde vai terminar?
Mr. Mompesson, na cama com a sua filha, mais ou menos da idade de Kate, a quem, parece, o som acompanhava de preferência, observou que, tamborilando, ele respondia a qualquer coisa que fosse batida ou perguntada. Mas sua curiosidade não o levou mais longe. Não assim Kate Foz. Silenciosamente, uniu o polegar ao indicador, tentando obter uma resposta.
Sim! Ele via, tanto quanto ouvia! Chamou a mãe: ‘Olhe só, mamãe!’ disse ela, unindo o polegar e o indicador, como antes. E tantas vezes repetiu o movimento silencioso, quantas o ruído respondeu. “No verão de 1848 Mr.
David Fox, auxiliado por Mr. Henry Bush, Mr. Lyman Granger, de Rochester, e outros, retomou a escavação da adega. A uma profundidade de cinco pés encontraram uma tábua; cavando mais, acharam carvão e cal e, finalmente, cabelos e ossos humanos, que foram declarados por um médico que testemunhava como pertencentes a esqueleto humano. Só cinquenta e seis anos mais tarde foi feita uma descoberta que provou, acima de qualquer dúvida, que alguém realmente havia sido enterrado na adega da casa dos Fox.” Esta constatação aparece no Boston Journal — uma folha não espírita — de 23 de novembro de 1904, e está assim redigida: “Rochester, Nova Iorque, 22 de novembro de 1904: O esqueleto do homem que se supõe ter produzido as batidas, ouvidas inicialmente pelas irmãs Fox, em 1848, foi encontrado nas paredes da casa ocupada pelas irmãs e as exime de qualquer sombra de dúvida concernente à sua sinceridade na descoberta da comunicação dos Espíritos.
“As irmãs Fox haviam declarado que tinham aprendido a comunicar-se com o Espírito de um homem, e que este lhes havia dito que tinha sido assassinado e enterrado na adega. Repetidas escavações deixaram de localizar o corpo e, assim, oferecer prova positiva do que diziam. “A descoberta foi feita por meninos de escola, que brincavam na adega da casa de Hydesville, conhecida como ‘A casa assombrada’, onde as irmãs Fox tinham ouvido as batidas. William 2º. Hyde, respeitável cidadão de Clyde, e dono daquela casa, fez investigações e encontrou um esqueleto humano quase completo entre a terra e os escombros das paredes da adega, sem dúvida pertencente àquele mascate que, segundo se dizia, tinha sido assassinado no quarto de leste da casa e cujo corpo tinha sido enterrado na adega.
Mr. Hyde avisou aos parentes das irmãs Foz e a noticia da descoberta será mandada à Ordem Nacional dos Espíritas, muitos dos quais se lembram de ter feito peregrinações à ‘Casa Encantada’, como é chamada geralmente. O achado dos ossos pràticamente corrobora a declaração feita sob juramento por Margaret Foz, a 11 de abril de 1848”. Foi descoberta uma lata de mascate, bem como o foram os ossos. Essa lata é agora conservada em Lilydale, a sede central regional dos Espíritas Americanos, para onde foi transportada a velha casa de Hydesville.
Essas descobertas resolvem a questão de uma vez por todas e provam conclusivamente que houve um crime cometido na casa, e que esse crime foi indicado por meios psíquicos. Quando se examinam os resultados das duas escavações, as circunstâncias podem ser restabelecidas. É claro que no primeiro caso o corpo foi enterrado com cal virgem no meio da adega. Depois o criminoso se alarmou pelo fato de ser o local muito exposto às suspeitas e desenterrou o corpo, ou parte do mesmo, e o enterrou sob a parede, onde ficaria mais fora da passagem. O serviço foi feito tão apressadamente ou com tão pouca luz, que alguns traços foram deixados, como vimos, da sepultura original.
Havia outras provas daquele crime? A fim de as encontrar temos que voltar ao depoimento de Lucretia Pulver, que serviu como empregada de Mr. e Mrs. Bell, ocupantes da casa quatro anos antes. Ela informa que o mascate veio para a casa e ali passou a noite com as suas mercadorias. Seus patrões lhe disseram que naquela noite podia ir para casa.
“Eu queria comprar apenas umas coisas do mascate, mas não tinha dinheiro comigo; ele disse que me procuraria em nossa casa na manhã seguinte e mas venderia. Nunca mais o vi. Cerca de três dias depois eles me procuraram para voltar. Assim, voltei... Eu diria que esse mascate de quem falei deveria ter uns trinta anos.
Ouvi-o conversando com Mrs. Rell a cerca de sua família. Mrs. Rell me disse que era um velho conhecido deles e que o tinha visto muitas vezes antes disso. Uma noite, cerca de uma semana depois, Mrs.
Rell mandou-me a adega fechar a porta externa. Atravessando-a, caí perto do meio da adega. Pareceu-me desnivelada e cavada naquela parte. Quando subi Mrs. Rell me perguntou porque havia gritado e eu lhe disse.
Riu-se de meu susto e disse que só ali é que os ratos tinham cavado o chão. Poucos dias depois Mr. Rell carregou uma porção de entulho para a adega, exatamente à noite, e lá esteve trabalhando por algum tempo. Mrs. Rell me disse queele estava tapando os buracos dos ratos.
"Pouco tempo depois Mrs. Rell me deu um dedal, que disse haver comprado do mascate. Cerca de três meses depois eu a visitei e ela me disse que o mascate havia voltado e me mostrou outro dedal, que disse ter comprado a ele. Mostrou-me outras coisas que, disse, também, tinham sido compradas a ele." Digna de registro é a declaração feita por uma tal Mrs. Lape, de que em 1847 tinha visto uma aparição naquela casa, e que era de um homem de estatura mediana, que usava calças pardas e casaco e barrete pretos.
Lucretia Pulver no depoimento afirmou que o mascate em vida usava casaco preto e calças claras. Por outro lado, não devemos esquecer que Mr. Bel, que então ocupava a casa, não era um homem de caráter notório e fácil seria concordar que uma acusação inteiramente baseada numa prova psíquica seria incorreta e intolerável. Entretanto já se torna bem diferente quando as provas do crime foram descobertas, restando apenas provar quem era o inquilino naquela ocasião. O depoimento de Lucretia Pulver assume uma importância vital no que se refere a este caso.
Há um ou dois pontos que merecem discussão. O primeiro é que um homem com umnome tão notável como Charles B. Rosma jamais foi citado, apesar da publicidade que o caso mereceu. Então a coisa teria tido uma formidável objeção, embora, com os nossos conhecimentos atuais, possamos avaliar quanto é difícil nas mensagens ter os nomes corretos. Aparentemente um nome é puramente convencional e, como tal, muito diferente de uma ideia.
Todo espírita praticante tem recebido mensagens corretas, associadas a nomes trocados. É possível que o nome verdadeiro fosse Ross, ou mesmo Rosner, e que esse erro tivesse possibilitado a identificação. Além disso, é curioso que ele não soubesse que o seu corpo tinha sido removido do meio da adega para a parede, onde então foi encontrado. Podemos apenas constatar o fato, sem o explicar. Ainda mais, garantindo que as meninas eram os médiuns, e que a força era retirada delas, como se produzia o fenômeno quando as mesmas se tinham ausentado de casa?
A isto apenas é possível responder que, conquanto ao futuro coubesse demonstrar que na ocasião a força emanasse das meninas, nem por isso deixaria de inundar a casa e de ficar à disposição da entidade manifestante, ao menos quando as meninas estivessem ausentes. A família Fox estava seriamente abalada com os acontecimentos; numa semana Mrs. Fox ficou grisalha. E como parecia que a coisa estivesse ligada às duas meninas, estas foram afastadas de casa. Mas em casa de seu irmão, David Fox, para onde foi Margaret, e na de sua irmã Leah, cujo nome de casada era Mrs.
Fish, em Roehester, onde Kate estava hospedada, os mesmos ruídos eram ouvidos. Foram feitos todos os esforços para que o público ignorasse essas manifestações; logo, porém, se tornaram conhecidos. Mrs. Fish, que era professora de música, tornou-se incapaz de continuar as lições e centenas de pessoas enchiam a sua casa para ver as novas maravilhas. Deveria ter sido verificado se aquela força era contagiosa ou se vinha descendo sobre muitas pessoas independentemente de uma fonte comum.
Assim, Mrs. Leah Fish, a irmã mais velha, a recebeu, embora em menor grau do que Kate e Margaret. Mas não se limitou por muito tempo à família Fox. Era como uma nuvem psíquica, descendo do alto e se mostrando nas pessoas susceptíveis. Sons idênticos foram ouvidos em casa do Reverendo A. 2º.
Jervis, ministro metodista residente em Rochester. Poderosos fenômenos físicos irromperam na família do Diácono Hale, de Greece, cidade vizinha de Roehester. Pouco depois Mrs. Sarah A. Tamlin e Mrs.
Benedict, de Auburn, desenvolveram notável mediunidade. Mr. Capron, o primeiro historiador desse movimento, descreve Mrs. Tamlin como uma das médiuns mais controláveis que jamais encontrou e diz que embora os sons ouvidos em sua presença não fossem tão fortes quanto os da família Fox, as mensagens eram igualmente fidedignas. Então e rapidamente, tornou-se evidente que essas forças invisíveis não estavam ligadas às meninas.
Em vão a família orou, com os seus irmãos metodistas, esperando alívio. Em vão foram feitos exorcismos pelos padres de vários credos. Além de cobrir os “Améns” com batidas fortes, as presenças invisíveis não ligavam a esses exercícios religiosos. O perigo de seguir às cegas a orientação de um pretenso Espírito ficou patente poucos meses depois, nas vizinhanças de Rochester, onde um homem havia desaparecido em circunstâncias suspeitas. Um espírita fanático recebia mensagens pelas batidas, anunciando o seu assassinato.
Estava sendo aberto um canal e foi ordenado à esposa do desaparecido que entrasse por ele, o que quase lhe custou a vida. Alguns meses mais tarde o ausente apareceu: tinha fugido para o Canadá, para evitar uma prisão por dívida. Como bem se pode imaginar, isto foi um golpe no culto nascente. Então o público não entendeu aquilo que, mesmo agora, ainda é pouco compreendido: que a morte não opera mudanças no espírito humano, que abundam as entidades malévolas e brincalhonas e que o investigador deve utilizar os seus instintos e o seu bom senso a todo o instante. “Experimente os Espíritos a fim de os conhecer”.
No mesmo ano e no mesmo distrito a verdade dessa nova filosofia, por um lado, e suas limitações e perigos, pelo outro, acentuaram-se ainda mais. Esses perigos persistem. O homem ingênuo, o arrogante e enfatuado, o convencido, são sempre presa segura. Cada observador tem sido vítima de ciladas. O próprio autor teve a sua fé dolorosamente abalada por decepções até que algumas provas compensadoras lhe vieram assegurar que não era mais demoníaco nem mais admirável que inteligências desencarnadas fossem mistificadoras, do que as mesmas inteligências revestidas de corpos humanos se divertissem da mesma maneira maluca.
O curso geral do movimento estava, então, mais amplo e mais importante. Já não era um assassinado que pedia justiça. Parece que o mascate havia sido usado como um prisioneiro e agora, achada uma saída e um método, miríades de inteligências formigavam às suas costas. Isaac Post havia criado um método de deletrear pelas batidas, através do qual estavam chegando mensagens. Conforme estas, todo o sistema tinha sido inventado pelos artifícios de um bando de pensadores e inventores no plano do Espírito, entre os quais se destacava Benjamin Franklin, cuja inteligência viva e cujos conhecimentos sobre eletricidade na vida terrena o qualificavam para tal empreendimento.
Como quer que seja, o fato é que Rosna saiu do cartaz e as batidas inteligentes passaram a ser dadas pelos falecidos amigos dos investigadores que estavam preparados para tomar um sério interesse no assunto e se reunir de modo reverente para receberem as mensagens. Que eles ainda viviam e ainda amavam, foi a mensagem constante do Além, acompanhada por muitas provas materiais, que confirmavam a fé vacilante dos novos aderentes ao movimento. Quando inquiridos sobre os seus métodos de trabalho e as leis que os governavam, as respostas foram, de início, as mesmas de hoje: que se trata de um assunto relacionado com o magnetismo humano e espiritual; que alguns, ricamente dotados com essa propriedade física, eram médiuns; que esse dom não se achava, necessàriamente, aliado à moralidade ou à inteligência; e que a condição de harmonia era especialmente necessária para assegurar bons resultados. Em setenta anos pouco mais aprendemos. E, depois de todos esses anos, a lei primacial da harmonia é invariavelmente quebrada nas chamadas sessões experimentais, cujos membros imaginam ter dado um cheque na filosofia, quando obtêm resultados negativos ou discordantes, ao passo que, atualmente, a confirmam.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.