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Capítulo 16 de 57

Parte 13 de 54

A História do Espiritismo · Arthur Conan Doyle

Hayden não apareceu em cena antes que os chefes da imprensa, do púlpito e das academias não tivessem contra ela levantado uma tempestade de obscenidades, de perseguições e de insultos, tão deprimentes para os autores quanto humilhantes para o decantado liberalismo e para a acuidade científica de sua época. Acrescenta que o seu delicado espírito feminino deve ter sido profundamente ferido e que a harmonia mental, tão essencial à produção de bons resultados psicológicos, constantemente foi destruída, pelo cruel e insultuoso tratamento daqueles que se apresentaram como investigadores, mas na verdade ardendo de desejo de destrui-la e armando ciladas para falsearem as verdades de que Mrs. Hayden se tornara instrumento. Extremamente sensível ao ânimo de seus visitantes, ela podia sentir, e por vezes se abateu sob a esmagadora força do antagonismo despejada sobre ela — sem que, então, soubesse como repelir ou resistir. Ao mesmo tempo não se achava a nação inteira envolvida nessa hostilidade irracional que, de forma diluída, ainda vemos em torno de nós.

Levantaram-se homens corajosos, que não temeram comprometer a sua carreira profissional ou a sua reputação de equilíbrio, como campeões contra uma causa impopular: eram tangidos pelo simples apêgo à verdade e por aquele espírito cavalheiresco, revoltado contra a perseguição a uma senhora. O Doutor Ashburner, um dos médicos do rei e Sir Charles Isham eram contados entre os que defenderam o médium pela imprensa. Julgada pelos modernos padrões, a mediunidade de Mrs. Hayden parece ter sido estritamente limitada. A não ser para as batidas, pouco se fala de fenômenos físicos, do mesmo modo que não se alude a luzes, a materializações, ou Vozes Diretas.

Entretanto, em harmoniosa companhia, as respostas obtidas pelas batidas eram exatas e convincentes. Como todo verdadeiro médium, era sensitivo às discórdias em seu redor. E o resultado disso era que a multidão desprezível de zombadores e pesquisadores de maus instintos que a visitavam tinham nela uma vítima fácil. Decepção é paga com a decepção e o louco recebe resposta conforme a sua Loucura, embora a inteligência que está por detrás das palavras aparentemente não se preocupe muito com o fato de que o instrumento empregado possa ser tomado como responsável pela resposta. Esses pseudopesquisadores enchem a imprensa com seus relatos humorísticos de como enganaram aos Espíritos quando, na realidade, eles é que foram enganados. 25 George Henry Lewes, posteriormente esposo de George Eliot era um desses 25 George Eliot é o nome literário de Mary Ann Evans, nascida em 1819 e morta em 1880.

Enviuvou em 1878; casou-se pouco antes de morrer, com J. W. Cros. — N. do T. cínicos investigadores. Conta ele com ironia que, tendo perguntado por escrito ao Espírito manifestante: “Mrs.

Hayden é uma impostora?”, este respondeu: “Sim”. Lewes era suficientemente desonesto para citar isto como se fosse uma confissão de culpa de Mrs. Hayden. Qualquer um daí deduziria que as batidas eram inteiramente independentes do médium e, ainda, que perguntas feitas com puro espírito de frivolidade não merecem resposta séria. Entretanto, é pela forma positiva e não pela negativa que perguntas como esta devem ser julgadas; e o autor deve aqui usar citações mais do que normalmente é seu hábito, pois não há outra maneira de mostrar como aquelas sementes foram inicialmente lançadas na Inglaterra e destinadas a atingir tão grandes alturas.

Já aludiu ao testemunho do Doutor Ashburner, o famoso médico e talvez seja bom 26 acrescentar algumas palavras suas. Diz ele: “O sexo deveria tê-la protegido contra as injúrias, se. esses rapazes da imprensa não têm consideração pelos sentimentos de hospitalidade para com alguém de nossa classe, pois Mrs. Hayden é esposa de um antigo editor e proprietário de jornal em Boston, o qual tem a maior circulação na Nova Inglaterra. Eu lhes declaro que Mrs. Hayden não é uma impostora; e quem quer que se aventure a uma conclusão oposta fá-lo-á sacrificando a verdade.” 27 Novamente, em longa carta a The Reasoner depois de confessar que tinha visitado a médium numa disposição de espírito de absoluta incredulidade, esperando testemunhar “a mesma classe de aparentes absurdos”, que tinha encontrado em outros supostos médiuns, escreve Ashburner: “Em relação a Mrs.

Hayden tenho tão forte convicção de sua perfeita honestidade que me admiro de que alguém possa deliberadamente acusá-la de fraude”. Ao mesmo tempo fornece detalhes de comunicações verazes que recebeu. Entre os investigadores estava o célebre matemático e filósofo Professor De Morgan. Ele relata suas experiências e conclusões no longo e magistral prefácio ao livro de sua esposa “From Matter to Spirit”, publicado em 1863, dizendo: “Há dez anos passados Mrs. Hayden, a conhecidíssima médium americana, veio sozinha à minha casa.

A sessão começou imediatamente após a sua chegada. Oito ou nove pessoas de todos os graus de crença e de descrença de que a coisa fosse impostura se achavam presentes. As batidas começavam como de costume. Para mim eram limpas, claras, fracos sons que, se tivessem durado, dir-se-iam de uma campainha. Então os comparei ao ruído feito pelas pontas de agulhas de tricô, se largadas de uma certa altura sobre o mármore de uma mesa e que instantâneamente fosse abafado por um processo qualquer.

E a seguir a prova que fizemos mostrou que minha descrição era razoàvelmente aceitável... No último período naquela noite, depois de cerca de três horas de experiência, Mrs. Hayden levantou-se e falando a uma outra mesa, enquanto tomava um refresco, subitamente uma criança disse: ‘Quererão todos os Espíritos que estiveram aqui esta noite bater ao mesmo tempo?’ Nem bem haviam sido pronunciadas aquelas palavras e uma saraivada de batidas de agulhas de tricô foi ouvida durante cerca de dois segundos, ouvindo-se distintamente o ruído forte das dos homens e mais fraco das mulheres e crianças, embora em perfeita desordem na sua produção”. 26 The Leader, 14 de março de 1853. 27 1º e 8 de junho de 1853. Depois de uma observação no sentido de assentar que admite as batidas como produzidas pelos Espíritos, continua o Professor De Morgan: “Solicitado a fazer uma pergunta ao primeiro Espírito, perguntei se poderia fazer tal pergunta mentalmente, isto é, sem a pronunciar, ou a escrever, ou apontar as letras componentes, e se Mrs. Hayden poderia ficar com os braços estendidos enquanto estivesse sendo dada a resposta. Os pedidos foram imediatamente garantidos por duas batidas.

Fiz a pergunta e desejei que a resposta fosse dada numa só palavra que escolhi; tudo mentalmente. Então, tomei o alfabeto impresso, pus o livro de pé à sua frente e, olhando para aquele, comecei a apontar as letras como de costume. 28 Foi dada a palavra ‘chass’ ; foi dada por meio de batidas a cada letra. Eu tinha agora uma raciocinada certeza da seguinte alternativa: ou uma leitura do pensamento de caráter inteiramente inexplicável, ou uma acuidade sobrehumana da parte de Mrs. Hayden, que lhe permitia perceber a letra que eu fixava, muito embora, sentada a cerca de dois metros do livro que escondia o meu alfabeto, nem pudesse ver a minha mão nem os meus olhos nem, de modo algum, como estava apontando as letras. Antes que a sessão terminasse eu tinha sido obrigado a afastar a segunda hipótese.” Outro episódio da sessão, que ele relata, é dado com muitos detalhes, numa carta dirigida ao Reverendo W.

Heald dez anos antes, que fosse publicada no livro de sua esposa “Memoir of Agostous De Morgan”, páginas 221 e 222: “Então veio meu pai (ob. 1816) e, depois de uma ligeira conversa, o seguinte diálogo foi estabelecido: —‘Lembra-se de um periódico que tenho em mente?’ —‘Sim.’ — “Lembra-se das expressões que se referem a você?’ —‘Sim’. —‘Pode dar-me pelas cartas as iniciais daquelas expressões?’ —‘Sim’. “Então comecei a apontar o alfabeto, tendo um livro a tapar as cartas. Mrs. H. se achava do outro lado de uma grande mesa redonda e uma lâmpada forte estava entre nós.

Apontei letra por letra até que cheguei a F, que supunha fosse a primeira inicial. Nenhuma batida. Alguém perto de mim disse: ‘Você passou; houve uma batida no começo’. Recomecei e ouvi uma batida distinta no C. Isto me intrigou, mas logo vi o que era.

A sentença havia começado por uma batida mais cedo do que eu esperava. Eu tinha deixado passar o ‘C’ e registrado o ‘D’ ‘T’ ‘E’ ‘O’ ‘C’, iniciais das palavras consecutivas de referência a meu pai, numa velha revista publicada em 1817, das quais ninguém na sala jamais ouvira falar, exceto eu. ‘C’ ‘D’ ‘T’ ‘E’ ‘O’ ‘C’ estava certo e, assim que o constatei, parei, perfeitamente satisfeito que alguma forsa, ou alguém, ou algum Espírito, estivesse lendo os meus pensamentos. Estas e outras coisas se continuaram por cerca de três horas, durante 29 grande parte das quais Mrs. H. estivera lendo a ‘Key to Uncle Tom’s Cabin’ , que nunca tinha visto antes e lhe asseguro que o fazia com tanta avidez quanto v cê pode imaginar numa americana que o vê pela primeira vez. Enquanto isto, nós nos distraíamos por outro lado com as batidas.

Declaro que tudo isto é absolutamente verdadeiro. Desde então tenho visto isto com frequência em minha casa, sob o testemunho de várias pessoas. A maior parte das respostas é dada pela mesa, na qual 28 Xadrez (o jogo). — N. do T. 29 “Chave da Cabana do Pai Tomás.” — N. do T. são colocadas de leve uma ou duas mãos, para apontar as letras. Há muita coisa confusa nas respostas, mas de vez em quando vem algo que nos surpreende.

Não tenho ideia formada a respeito, mas em um ou dois anos pode acontecer algo de curioso. Entretanto estou satisfeito com a realidade do fenômeno. Como eu, muitas outras pessoas conhecem estes fenômenos, experimentando em suas próprias casas. Se você é um filósofo, pense o que quiser.” Quando o Professor De Morgan diz que algum Espírito estava lendo seus pensamentos, deixa de observar que o incidente da primeira letra era prova de qualquer coisa que não estava em sua mente. Assim, da atitude de Mrs.

Hayden durante a sessão, é claro que se tratava de sua atmosfera e não de sua atual personalidade consciente. Outras provas importantes do De Morgans vão para o Apêndice. Mrs. Fitzgerald, a conhecida figura dos primeiros tempos do Espiritismo em Londres, publica no The Spiritualist de 22 de novembro de 1878, a notável experiência feita com Mrs. Hayden, que damos a seguir: “Meu primeiro contacto com o Espiritismo se deu há trinta anos, quando da primeira visita a este país feita pela conhecida médium, Mrs.

Hayden. Fui convidada a vê-la numa reunião dada por uma amiga em Wimpole Street, em Londres. Tendo antes assumido para aquela tarde um compromisso que não podia cancelar, cheguei atrasada, depois de uma cena extraordinária, da qual todos falavam animadamente. Meu olhar de desapontamento foi notado e Mrs. Hayden, que então encontrava pela primeira vez, adiantou-se muito bondosa, exprimindo o seu pesar e sugerindo que me sentasse a uma mesinha, separada das Outras pessoas, e que iria pedir aos Espíritos que se comunicassem comigo.

Tudo isso era tão novo e surpreendente que eu quase não compreendia o que ela estava dizendo ou o que eu devia esperar. Ela colocou um alfabeto impresso à minha frente, um lápis e uma folha de papel. Enquanto isto fazia, senti extraordinariamente as batidas sobre a mesa, cujas vibrações me atingiam a planta do pé, apoiado sobre o pé da mesa. Então ela me ensinou a anotar cada letra indicada por uma batida distinta e, com essa simples explicação, deixou-me entregue a mim mesma. Indiquei, como desejava, e uma batida distinta marcou a letra E; outras se seguiram até formarem um nome que eu não podia ignorar.

Foi dada a data da morte, que eu ignorava e acrescendo uma mensagem que trouxe á minha memória as últimas fracas palavras de uma velha amiga, a saber: ‘Velarei por ti!’ Então se desenhou vivamente em minha memória a lembrança de toda a cena. Confesso que fiquei estupefata e algo aterrada. Levei o papel no qual tudo isso fora escrito e ditado pelo Espírito de minha amiga ao seu último procurador e ele me garantiu que as datas, etc. , estavam perfeitamente corretas. Não tinham ficado em minha mente porque eu não me tinha preocupado com elas.” É interessante notar que Mrs. Fitzgerald declara que supunha que a primeira sessão de Mrs.

Hayden em Londres tinha sido feita com Lady Cambermere, seu filho, o Major Cotton, e Mr. Henry Thompson, de York. No mesmo volume de The Spiritualist, à página 264, aparece o relato de uma sessão com Mrs. Hayden, realizada em vida de Charles Young, o conhecido ator trágico, escrito por seu filho, o Reverendo Julian Young: “19 de Abril de 1853. Neste dia fui a Londres com o propósito de consultar meus advogados sobre assunto de importância para mim e, tendo ouvido falar muito de uma Mrs.

Hayden, senhora americana e médium espírita, desde que me achava na cidade resolvi descobri-la e avaliar os seus dons por mim mesmo. Acidentalmente encontrei um velho amigo, Mr. H., a quem pedi o endereço dela. Disse-me ele que era em 22, Queen Street, Cavendish Square. Como ele jamais a tinha visto e desejava vê-la, mas não queria gastar um guinéu para isto, convidei-o para ir comigo.

Aceitou com satisfação. As batidas de espíritos tornaram-se tão comuns em 1853 que eu abusaria da paciéncia do leitor se fosse descrever a maneira convencional de comunicação entre vivos e mortos. Desde a data acima tenho assistido muito a batidas de Espíritos; e, con quanto meus órgãos da imaginação sejam muito desenvolvidos, e eu tenha um fraco pelo místico e pelo sobrenatural, ainda não posso dizer que haja testemunhado qualquer fenômeno espírita que não possa ser explicado por meios naturais, exceto o caso que vou relatar, no qual qualquer conluio parece afastado, pois o amigo que me acompanhava jamais tinha visto Mrs. Hayden e ela nem sabia o seu nome nem o meu. Entre mim e Mrs.

Hayden travou-se o seguinte diálogo: Mrs. H.: — O senhor deseja comunicar-se com algum amigo já falecido? J. C. Y.: — Sim.

Mrs. H.: — Então tenha a bondade de fazer perguntas na maneira indicada na fórmula e eu lhe digo que obterá respostas satisfatórias. J. C. Y. (Dirigindo-se a um invisível que admitia estivesse presente): — Diga-me o nome da pessoa com quem desejo comunicar-me.

As letras foram marcadas por batidas à medida que eram pronunciadas e formaram o nome de George William Young. — Em quem estão fixados os meus pensamentos? — Frederick William Young. — De que sofre ele? — Tic doloroso.

— Pode indicar alguma coisa para ele? — Enérgico mesmerismo. — Quem lho poderia administrar? — Alguém que tivesse grande simpatia com o paciente. — Eu teria êxito?

— Não. — Quem teria? — Joseph Ries. Era um rapaz a quem meu tio respeitava. — Perdi algum amigo recentemente?

— Sim. — Quem? Eu estava pensando em Miss Young, uma prima longe. — Christiana Lane. — Pode dizer onde dormirei esta noite?

— Em casa de James B, 9, Clarges Street. — Onde dormirei amanhã? — Na casa do Coronel Weymonth, em Upáginaser Grosvenor Street. Eu estava tão assombrado com a exatidão das respostas dadas as minhas perguntas que disse ao senhor que estava comigo que desejava fazer algumas perguntas íntimas, que ninguém deveria ouvir e, assim, me via obrigado a lhe pedir que passasse á sala vizinha por alguns minutos. Isto posto, retomei o diálogo com Mrs.

Hayden. — Levei o meu amigo a afastar-se porque não desejo que ele saiba da pergunta que desejo fazer; mas, também, estou ansioso por que a senhora também não a saiba e, se bem compreendo, nenhuma resposta me pode ser dada senão por intermédio da senhora. Em tais circunstâncias, como deveremos proceder? — Faça a sua pergunta de maneira que a resposta possa ser dada por uma palavra que focalize a ideia que o senhor tem em mente. — Tentarei.

Realizar-se-á aquilo que me ameaça? — Não. — Isto não satisfaz. É fácil dizer sim ou não, mas o valor da afirmação ou da negação dependerá da convicção que tenho de que a senhora saiba em que estou pensando. Dê-me uma palavra que mostre que a senhora tem a pista dos meus pensamentos.

— Testamento. — Na verdade, um testamento pelo qual eu seria beneficiado estava ameaçado de contestação. Eu desejava saber se a ameaça seria levada a efeito. A resposta recebida era correta”. Deve notar-se que Mr.

Young, antes ou depois da sessão, não acreditava na manifestação dos Espíritos e que, certamente, depois dessa experiência, a assimilação de novos conhecimentos não depõe muito em favor de sua inteligência ou de sua capacidade. A seguinte carta de Mr. John Malcolm, de Clifton, Bristol, publicada em The Spiritualist, menciona como são os assistentes pessoais muito conhecidos. Discutindo a questão levantada: onde teria sido realizada a primeira sessão na Inglaterra e quem a teria assistido, diz ele: “Não me lembro da data; mas, visitando 30 a minha amiga Mrs. Crowe, autora de “The Night Side of Natitre” esta me convidou para acompanhá-la a uma sessão espírita em casa de Mrs.

Hayden, em Queen Anne Street, Cavendish Square. Informou-me que Mrs. Hayden acabava de chegar da América para exibir os fenômenos espíritas ao povo da Inglaterra, que deveria interessar-se pelo assunto. Estavam presentes Mrs. Crowe, Mrs.

Milner 31 Gibson, Mr. Collej Grattan, autor de “High Ways and Bye Ways” , Mr. Robert Chambers, Doutor Daniel, Doutor Samuel Dickson e muitos outros cujos nomes não ouvi. Algumas manifestações notabilíssimas ocorreram nessa ocasião. Posteriormente tive oportunidade de visitar Mrs.

Hayden e, con quanto de início inclinado a duvidar da autenticidade dos fenômenos, tive prova tão evidente da comunicação dos Espíritos que me tornei um firme crente nessa verdade”. Na imprensa inglesa desencadeou-se furiosa luta. Pelas colunas do jornal 32 londrino Critic, Mr. Henry Spicer, autor de “Sights and Sounds” , respondia às críticas do Household Worlds, do Leader e do Zoist. Seguiu-se no mesmo jornal uma longa contribuição de um clérigo de Cambridge, que usava as iniciais M.

A., e que era admitido como sendo o Reverendo A. W. Hobson, do St. John’s College, de Cambridge. A descrição desse cavalheiro é forte e expressiva, mas demasiadamente longa para ser transcrita.

A questão é de alguma importância, na opinião do autor, por se tratar do primeiro clérigo inglês interessado no assunto. É estranho e, talvez, característico da época, quão pouco as conseqüências religiosas chocaram os vários 30 “O Lado Obscuro da Natureza”. — N. do T. 31 “Estradas reais e caminhos secretos” — N. do T. 32 “Visões e ruídos” — N. do T. assistentes e como ficaram eles inteiramente absorvidos em saber o segundo nome da avó ou o número de seus tios. Mesmo os mais zelosos faziam perguntas fúteis e ninguém demonstrava haver compreendido as reais possibilidades de um tal intercâmbio ou que se poderia estabelecer uma base firme para a crença religiosa. Contudo aquele clérigo, de maneira acanhada, viu o lado religioso da questão.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.