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Capítulo 56 de 57
Parte 53 de 54
A História do Espiritismo · Arthur Conan Doyle
H.G. APÊNDICE 2 NOTAS AO CAPÍTULO 6 BICO DE PENA DO LAGO HARRIS POR LAURENCE OLIPHANT Houve uma notável alternativa de vivacidade e de deliberação acerca dos movimentos de Mr. Massolam. Sua voz parecia armada em duas chaves diferentes, cujo efeito era, quando elas mudavam, dar a impressão do eco distante da outra — uma espécie de fenômeno de ventriloquia, que fosse calculado para dar um choque súbito e não totalmente agradável aos nervos dos espectadores. Quando falava com aquela que chamarei a voz próxima, era geralmente rápido e vivo; quando a mudava pela voz distante era solene e impressionante. Seu cabelo, outrora negro de azeviche, era agora grisalho, mas ainda abundante e caía em ondas abundantes sobre as orelhas e perto dos ombros, dandolhe um aspecto algo leonino.
Suas sobrancelhas eram cheias e os olhos eram como duas luzes a se revolverem dentro de cavernas, numa verdadeira impressão de emitirem raios e então perderem toda impressão. Como a voz, eles tinham uma expressão próxima e outra distante, que se podiam ajustar a um foco adequado, como um telescópio, tornando-se cada vez menores, como se no esforço de projetar a vista alem dos limites da visão natural. Por vezes eram tão falsos de apreciação das coisas exteriores que davam a impressão de cegueta, quando de súbito o foco mudava, as pupilas se dilatavam e raios se despejavam como os relâmpagos através de uma nuvem, dando um extraordinário brilho inesperado a uma face que parecia responder prontamente ao estímulo. A aparência geral, cuja parte superior, a não ser pela profundidade das órbitas, seria extremamente bonita, era decididamente semítica; e em repouso o efeito geral era quase estatuesco em sua calma fixidez. A boca estava parcialmente oculta por um farto bigode e longa barba de um cinzento metálico; mas a transição do repouso à animação revelava uma extraordinária flexibilidade naqueles músculos que um momento antes eram tão rígidos e o caráter da figura era inteiramente alterado e tão subitamente quanto a expressão dos olhos.
Talvez fosse querer penetrar demasiadamente nos segredos da Natureza ou, de qualquer modo nos segredos da natureza de Mr. Masollam, indagar se o brilho e a escuridão de sua atitude seria voluntário ou não. Em mau menor é um fenômeno comum a todos nós; o efeito de uma classe de emoções é, simplesmente, fazer um homem parecer escuro e de outra fazê-lo parecer brilhante. A peculiaridade de Mr. Masollam é que ele podia parecer muito mais escuro ou muito mais brilhante que a gente e fazer tal mudança de expressão com tão extraordinária rapidez e intensidade que pareceria uma prestidigitação facial e sugeriria a suspeita de que fosse uma faculdade adquirida.
Antes disso, havia uma outra mudança que, aparentemente, ele tinha o poder de realizar na sua fisionomia e que afeta outras pessoas involuntàriamente e que, geralmente, principalmente no caso do belo sexo, produz muito efeito, independentemente da vontade... Mr. Masollam tinha a faculdade de parecer muito mais velho num momento, do que pouco tempo depois. Havia momentos em que um estado meticuloso de suas rugas e de seu olhar duro e mortiço levava a gente a supô-lo com cerca de oitenta anos; noutros momentos em que seu olhar brilhante, as narinas acesas, as sobrancelhas grossas e maciças, a boca móvel lhe davam uma aparência de cerca de vinte e cinco anos menos do que antes. Estes rápidos contrastes eram calculados para prender a atenção do mais inadvertido observador e a produzir a sensação que não era realmente agradável quando se o via pela primeira vez.
Não era exatamente desconfiança mais ambas as maneiras eram perfeitamente francas e naturais — tanto quanto perplexidade. Ele dava a impressão de dois caracteres apostos, fundidos em um, e de estar apresentando sem qualquer propósito um curioso problema moral e fisiológico a pedir solução, e que tivesse uma desagradável espécie de atração, porque a gente quase que imediatamente o achava insolúvel, embora não nos deixasse quietos. Ele podia ser o melhor ou o pior dos homens. APÊNDICE 3 NOTAS AO CAPÍTULO 7 TESTEMUNHO ADICIONAL DO PROFESSOR E DA SENHORA DE MORGAN Diz o Professor De Morgan: “Fiz um relato de tudo isso a um amigo que, em vida, tanto era um homem de ologias quanto de ômetros, e sem nenhuma disposição para pensar que isto fosse qualquer coisa que não uma clara impostura. ‘Mas’, dizia ele, ‘isto que você me diz é muito singular; irei em pessoa a Mrs. Hayden; irei só e não direi o meu nome. Penso que não ouvirei nada de ninguém; mas se isto acontecer, descobrirei o truque.
Conforme, eu o descobrirei’. Assim, ele foi e veio a mim referir o progresso. Disseme que havia feito um passo mais que eu, pois tinha insistido em manter o seu alfabeto atrás de um biombo; e, fazendo as perguntas pelo alfabeto e com um lápis, do mesmo modo recebia as respostas. Ninguém além dele e de Mrs. Hayden se achava na sala, O ‘Espírito’ que veio a ele era uma pessoa cuja morte infeliz foi descrita minuciosamente.
Meu amigo me disse que tinha ficado ‘impressionado’ e quase havia esquecido todas as precauções. “Isto que narrei foi o começo de uma longa série de experiências, muitas tão notáveis quanto as que citei; muitas de menor caráter, isoladamente de pouco valor, mas, em conjunto, de muito peso, quando consideradas em conexão com as mais decisivas provas de realidade. Muitas de uma tendência confirmadora como meros fatos, mas de um caráter pouco probante da gravidade e da dignidade do mundo espiritual. A célebre aparição de Giles Scroggins é uma personagem séria, comparada com algumas que surgiram em meu caminho, e também muito lógico. Se estas coisas são ‘Espíritos’, eles demonstram que os mistificadores, os trapaceiros e os mentirosos tanto são encontrados do outro lado do túmulo quanto do nosso lado.
E ‘por que não?’, conforme pergunta Meg Dods. O assunto pode receber tão acurada atenção quanto a paciente investigação da verdade real; ou pode fenecer, obtendo apenas notícias eventuais, até que um novo derrame dos fenômenos traga novamente a sua história a plena luz. Mas parece que isto não vai começar. Já se passaram doze ou treze anos desde que o assunto passou a ser comentado em toda a parte e durante esse período foi muito anunciada a extinção da ‘espírito-mania.’ Mas em muitos casos, como na fábula de Tom Moore, os extintores pegaram fogo. Se isto fosse o absurdo que costumam proclamar, seria muito bom chamar a atenção para as ‘manifestações’ de outro absurdo, a filosofia das possibilidades e das impossibilidades, a filosofia da quarta corte.
Os extremos se tocam, mas o ‘encontro’ é, por vezes pelo propósito de mútua exposição, assim como o de um rapaz estúpido nos dias dos duelos elegantes de linguagem. Isto na suposição de que não passe de impostura e engano. Certamente ele não pode ser mais uma ou outra coisa, do que o pode a filosofia que se lhe opõe. Não tenho relações nem com ‘P’, nem com ‘Q’ Mas tenho certeza de que a decidida convicção de todo aquele que pode ver os dois lados da bainha seja de que é mais provável que ‘P’ tenha visto um fantasma do que ‘Q’ saiba que não pode tê-lo visto. Sei que ‘Q’ diz o que sabe.” Em relação a isto, quando do aparecimento do livro de Mrs.
De Morgan, o Publishers Circular diz o seguinte, destacando o senso crítico do Professor De Morgan: “Os simples literatos e escritores de ficção devem ser perdoados por uma certa tendência para o visionário e o irreal, mas o fato de que o conhecido autor de livros padrões sobre Lógica Formal, Cálculo Diferencial e a Teoria das Possibilidades, deveria figurar com sua senhora na lista dos que acreditam em batidas de Espíritos e em mesas girantes, certamente surpreenderá a muita gente. Talvez não haja maior contribuição para as nossas revistas na demolição de falsidades do que a do Professor De Morgan, como no desmascaramento bem humorado dos pseudo-cientistas. Seu estilo claro, lógico, espirituoso e cheio de surprêsas é apreciado por muitos leitores e literatos em brilhantes artigos em nossos jornais de crítica. Provávelmente é ele o último homem que um céptico em tais mistérios poderia esperar encontrar ao lado de Mrs. Home ou de Mrs.
Newton Crosland. Devemos ainda registrar o fato que Mr. De Morgan se declara ‘perfeitamente convicto de que tanto viu quanto ouviu, de modo que afasta qualquer possibilidade de engano, coisas chamadas espirituais, que não podem ser tomadas por um ser racional como capazes de explicação pela impostura, pela coincidência ou pelo engano’.” Acrescentemos o depoimento de Mrs. De Morgan: “Há dez anos comecei a observar atentamente os fenômenos do Espiritismo. Minha primeira experiência ocorreu em presença de Mrs.
Hayden, de Nova Iorque. Jamais tinha eu ouvido qualquer palavra que pudesse abalar minha convicção da honestidade de Mrs. Hayden. Assim, o resultado de nosso primeiro encontro, quando meu nome lhe era quase desconhecido, foi suficiente para provar que eu não era, no momento, vítima de sua impostura ou de minha credulidade. Depois de descrever a visita de Mrs.
Hayden, a quem não havia sido dado o nome de nenhuma das pessoas presentes, diz ela: ‘Sentamo-nos pelo menos durante um quarto de hora e começávamos a sentir o fracasso, quando foi ouvida uma como que delicada pulsação, aparentemente no centro da mesa. Grande foi a nossa satisfação quando Mrs. Hayden, que antes parecia ansiosa, disse: ‘Eles estão chegando’. Quem estava chegando? Nem ela, nem nós poderíamos dizê-lo.
Quando os sons se tornaram mais fortes, o que parecia acontecer na medida de nossa convicção em sua autenticidade, fosse qual fosse a sua origem, disse Mrs. Hayden: ‘Há um Espírito que deseja falar com alguém aqui, mas eu ignoro os nomes dos cavalheiros e das senhoras. Assim, apontarei um por um e, ao chegar à pessoa certa, peço que o Espírito dê uma batida’. Isto foi aceito por nosso hóspede invisível, que bateu concordando. Então Mrs.
Hayden apontou um por um dos presentes. Com surpresa para mim e um certo constrangimento, pois não desejava isto, enquanto muitos o desejavam, nenhum som foi ouvido até que ela apontou para mim, a última da roda. Eu estava sentada á sua direita; ela tinha começado pela esquerda. Então fui designada para apontar as letras de um grande alfabeto e devo acrescentar que, não desejando obter o nome de nenhum amigo ou parente querido e morto, não demorei, como é geralmente recomendado tantas vezes, sobre nenhuma letra. Contudo, com grande surpresa para mim, o nome incomum de um parente querido, que tinha deixado este mundo há sete anos antes e cujo sôbrenome era o de meu pai — e não o de meu marido — foi deletreado.
Depois esta sentença: ‘Sou feliz, e com F. e G. (nomes por extenso). Então recebi a promessa de futuras comunicações com os três Espíritos. Os dois últimos tinham deixado o mundo respectivamente há vinte e há doze anos. Outras pessoas presentes então receberam comunicações por batidas. Destas, algumas eram tão singularmente verídicas e satisfatórias quanto fora a minha, ao passo que outras eram falsas e, até, indignas’.” Mrs.
De Morgan observa que depois das sessões com Mrs. llayden ela e seus amigos experimentaram em particular “e foi verificado que umas tantas pessoas, parentes ou não, possuíam a faculdade mediúnica em maior ou menor grau.” APÊNDICE 4 NOTAS AO CAPÍTULO 10 OS DAVENPORTS ERAM JOGRAIS OU ESPÍRITAS? Como parece que Mr. Houdini duvidava de que os Davenports jamais se tivessem dito espíritas, o assunto se esclarece com a seguinte passagem de uma carta por eles escrita em 1868, a Banner of Light, vanguardeiro jornal espírita dos Estados Unidos. Referindo-se à afirmação de que não eram espíritas, assim escreveram: “É original que uma pessoa, céptica ou espírita, pudesse aceitar uma tal afirmação, após catorze anos das mais amargas perseguições e violenta oposição, culminando com as agressões de Liverpool, de Hudders fiel e de Leeds, onde nossas vidas se encontraram em perigo pela fúria da massa brutal, nossos bens foram destruidos e onde sofremos uma perda de setenta e cinco mil dólares — e tudo porque não renunciávamos ao Espiritismo — acusando-nos de jograis, quando maltratados pela massa, para isso estimulada.
Em conclusão, devemos apenas dizer que denunciamos tais acusações como falsidades.” APÊNDICE 5 NOTAS AO CAPÍTULO 16 A MEDIUNIDADE DO REVERENDO STAINTON MOSES Descrevendo uma experiência de levitação, escreve o Reverendo Stainton Moses: “Eu estava sentado no ângulo interior da sala; minha cadeira foi empurrada para trás até o canto e então levantada do solo cerca de um pé, ao que me parece e então deixada cair no chão, enquanto eu era carregado para o canto.
Descrevi meu aparente movimento ao Doutor e à Mrs. S., e tirei um lápis do bolso com o qual, quando fiquei parado, fiz uma marca na parede oposta ao meu peito. Esta marca está mais ou menos a seis pés do soalho. Não penso que minha posição tivesse mudado e fui arreado muito delicadamente até me achar novamente na cadeira. Minha sensação era de ser mais leve que o ar.
Nenhuma pressão em qualquer parte do meu corpo; nenhuma inconsciência ou transe. Pela posição da marca na parede é claro que minha cabeça deve ter estado perto do teto. Minha voz, disse-me depois o Doutor S., soava desigualmente no canto, como se minha cabeça estivesse voltada da mesa, conforme minha observação e a marca que fiz. A ascenção, da qual eu era perfeitamente consciente, era gradual e lenta e não como de alguém que estivesse num elevador, mas sem nenhuma sensação perceptível de qualquer movimento além do de sentir-me mais leve que a atmosfera. Minha posição, como disse, era imutável.
Eu era apenas levitado e descido ao meu lugar inicial.” Passando de assunto a assunto, temos a seguinte descrição: “A 28 de agosto de 1872 sete objetos de diversos aposentos foram trazidos à sala das sessões; no dia 30, trouxeram quatro e entre estes uma pequena campainha, da sala de jantar contígua. Sempre deixávamos a lâmpada de gás bem acesa naquele aposento e no hall externo, de modo que se as portas fossem abertas, ainda que por um instante, um jato de luz teria penetrado no aposento onde nos reuníamos. Como isto jamais aconteceu, temos plena certeza de que o Doutor Carpenter considera a maior autoridade, o Bom Senso, de que as portas permaneceram fechadas. Na sala de jantar havia uma sineta. Ouvimo-la soando, e podíamos notar quando a mesma se aproximava da porta que a separava de nós.
Que admiração quando notamos que, a despeito de estar a porta fechada, o som mais se aproximava de nós! Evidentemente era fora do aposento em que nos sentávamos, pois a campainha era levada ao redor da sala, tocando alto o tempo todo. Depois de completar o circuito do aposento, foi trazida para baixo, passou por baixo da mesa, aproximando-se de minha cabeça, então rodeou o grupo, soando perto dos rostos de todos. Finalmente foi colocada sobre a mesa. Não quero erigir teorias, mas parece que disponho de argumentos que conduzem à teoria de que fomos hipnotizados ou de que os objetos vieram pela chaminé, para explicar esse difícil assunto.” Assim descreve o Doutor Speer o aparecimento da luz de um Espírito e a materialização de uma mão, a 10 de agosto de 1873: “Um grande globo de luz ergueu-se ao lado da mesa, em minha frente e movimentou-se até a altura dos nossos rostos, então se extinguindo.
Foi seguido por diversos outros, todos eles se erguendo do lado oposto ao meu, às vezes à direita, outras, a esquerda do médium. A pedido a luz seguinte foi colocada lentamente ao centro da mesa. Aparentemente 241 era do tamanho de um shaddock e era envolvida por um panejamento. Nessa ocasião o médium se achava em transe e o Espírito guia me informou que tentaria pôr a luz na mão do médium. Falhando a tentativa, disse que bateria na mesa em minha frente.
Quase imediatamente veio uma luz e ficou sobre a mesa, junto a mim. ‘Veja; agora escute — eu baterei’. Muito lentamente a luz se ergueu e deu três batidas distintas sobre a mesa. ‘Agora eu lhe mostrarei a minha mão’. Então apareceu uma grande luz brilhante, de dentro da qual surgiu a mão materializada do Espírito. Moveu os dedos junto ao meu rosto. A aparição era tão distinta quanto se pode imaginar.” Um exemplo de poderosa força física é assim registrado por Stainton Moses: “Certa vez, contrariando a orientação, tínhamos nos aventurado a admitir um estranho em nosso grupo.
Ocorreram alguns fenômenos triviais, porém o guia costumeiro não apareceu. Quando nos reunimos na seguinte ocasião, ele veio e possivelmente nenhum de nós esquecerá com facilidade as verdadeiras marteladas que ele deu na mesa. O barulho era distintamente audível no aposento inferior e dava a ideia de que a mesa seria reduzida a pedaços. Em vão nos retirávamos da mesa, pensando assim diminuir a força. As fortes marteladas cresceram de intensidade e todo o aposento era abalado por aquela força.
Os maiores castigos nos foram prometidos se interferíssemos outra vez no desenvolvimento, havendo novos assistentes. Não nos arriscamos a fazê-lo outra vez; penso que não tentaremos mais uma vez merecer semelhante objurgatória.” 241 Espécie de ‘grapefruit’, que deve o seu nome ao oficial de marinha que o trouxe do Oriente — Nota do Tradutor. APÊNDICE 6 NOTAS AO CAPÍTULO 25 ESCRITA AUTOMÁTICA DE MR. WALES Mr. Wales escreve o seguinte ao autor: “Penso que nada existia em minha leitura anterior que pudesse ser tomado como coincidência. Com certeza eu nada havia lido daquilo que o senhor havia publicado sobre o assunto e, de propósito tinha evitado o ‘Raymond’ e outros livros semelhantes, a fim de não viciar os meus próprios resultados; e os ‘Preceedings’ da SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH, que então havia lido, não tocam, como o senhor sabe, nas condições post-mortem.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.