Voltar ao livro A História do Espiritismo

Capítulo 38 de 57

Parte 35 de 54

A História do Espiritismo · Arthur Conan Doyle

Evidentemente nunca se havia preocupado com problemas metafísicos ou de qualquer outra espécie e de caráter vago e abstrato. De qualquer modo lembrou-me uma enfermeira que certa vez eu havia visto num hospital — uma mulher calma e senhora de si.” Como muitos outros grandes médiuns, tal como Margaret Fox-Kane, era agnóstica relativamente à origem de suas forças, o que é mais natural em seu caso, desde que caía sempre em profundo transe e apenas de segunda mão é que lhe vinha o relato do que se passava. Inclinava-se para uma grosseira e superficial explicação baseada na telepatia. Como no caso de Eusapia Palladino, sua mediunidade, desabrochou após um acidente na cabeça. Parece que suas forças a deixaram de súbito, como tinham chegado.

O autor encontrou-a em Nova Iorque, em 1922, quando parecia ter perdido completamente suas faculdades, embora conservasse interesse pelo assunto. A Sociedade dedicou muito trabalho àquilo que se costuma chamar “correspondência cruzada”. Centenas de páginas dos “Proceedings” são dedicadas ao assunto, que despertou acalorada controvérsia. Foi sugerido que o esquema se havia originado no Outro Lado, por F. W.

H. Myers, como um método de comunicação que eliminava o bicho-papão de tantos pesquisadores do psiquismo — 126 “The Psychical Riddle”. Funk, página 58 e seguintes. a telepatia dos vivos. Pelo menos existe a certeza de que, quando vivo, Myers havia considerado o projeto de maneira mais simplista, qual fosse a de obter a mesma palavra ou mensagem através de dois médiuns. Mas a correspondência cruzada da SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH tem, de um modo geral, um caráter muito mais complicado.

Nesta um escrito não é a mera reprodução de declarações feitas em outro; os escritos parece que representam antes aspectos diversos da mesma ideia e, muitas vezes, a informação em um é explanatória, mas complementar no outro. Mrs. Alice Johnson, encarregada da pesquisa pela SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH, foi a primeira a notar esse elo entre os escritos. Ela cita este simples exemplo: “Num caso o escrito de Mrs. Forbes, supostamente ditado por seu filho Talbot, afirmava que era o momento de a deixar, uma vez que buscava um sensitivo que escrevesse automaticamente, a fim de que pudesse conseguir a confirmação do próprio escrito.

“No mesmo dia Mrs. Verrall escreveu sobre uma árvore — um abeto — plantada num jardim e a descrição foi assinada com, uma espada e uma corneta pendurada nela. A corneta fazia parte do distintivo do regimento a que Talbot havia pertencido; e em seu jardim Mrs. Forbes tinha alguns abetos, originários de sementes que o filho lhe enviara. Esses fatos eram desconhecidos de Mrs.

Verall.” Mrs. Johnson, que fez um minucioso estudo das mensagens recebidas por Mrs. Thompson, Mrs. Forbes, Mrs. Verall, Mrs.

Willett, Mrs. Piper e outras, chegou à seguinte conclusão: “A característica destes casos — ou, pelo menos, alguns deles — é que não encontramos na escrita de um médium automático nada parecido com uma reprodução verbum ad verbum das frases do outro. Também não captamos a mesma ideia expressa de diversas maneiras — como bem poderia resultar da telepatia direta entre os médiuns. O que colhemos é uma reprodução produção fragmentária num escrito, que não parece ter um ponto particular ou significação e uma outra informação fra gmentária no outro, igualmente sem uma característica especial; mas quando unimos os dois escritos, vemos que se completam e que, aparentemente, há uma ideia coerente ligando os dois, mas apenas parcialmente expressa em cada um deles.” 127 Diz ela o que não é o caso, pois centenas de casos contrários podem ser citados — o seguinte: “O ponto fraco de todos os casos bem autenticados de aparente telepatia dos mortos é, aliás, que eles podem ser explicados pela telepatia entre os vivos.”

E acrescenta: “Nessas correspondências cruzadas, entretanto, encontramos, aparentemente, telepatia referente ao presente — isto é, as informações correspondentes são mais ou menos contemporâneas e sobre fatos do presente que, de qualquer modo, são desconhecidos de qualquer pessoa viva, desde que a significação e a passagem da mensagem muitas vezes não é compreendida para cada médium automático até que a solução seja encontrada quando se juntam os dois escritos.” 127 SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH Proceedings, Volume 21º, página 375. O estudioso que tomar a peito o imenso trabalho de examinar cuidadosamente essas mensagens — que se estendem por centenas de páginas — talvez se satisfaça com a prova apresentada. Mas, na verdade, verificamos que muitos pesquisadores de psiquismo, experimentados e capazes, as consideram insuficientes.

Eis algumas opiniões a respeito. 128 Diz Richet: “Certamente estes são casos bem marcados de criptestesia; mas, se há criptestesia, ou lucidez, ou telepatia, isto de modo algum implica a sobrevivência de uma personalidade consciente”. Deve, entretanto, lembrar-se que Richet não é um controvertista imparcial, de vez que qualquer admissão de Espírito seria contrária aos ensinamentos de toda a sua vida. Da mesma escola de Richet é o Doutor Joseph Maxwell, que diz: “É impossível admitir a intervenção de um Espírito. Queremos provar os fatos, e o sistema de correspondência cruzada se funda em fatos negativos, o que é uma base instável. Só os fatos positivos têm valor intrínseco, que as correspondências cruzadas não apresentam, pelo menos, na atualidade.” É de notar-se que Maxwell, como Richet, fez depois uma longa caminhada para o Espiritismo.

Encontramos isto discutido com a necessária gravidade, no Spectator, de Londres, que diz: “Ainda que essas coisas (isto é, as correspondências cruzadas de tipo complexo) fossem comuns, não se poderia argumentar que seriam apenas uma prova de que algum ser consciente as produzisse; que dificilmente provariam que esse ser consciente estivesse ‘no espírito’; que certamente não provariam que fosse uma determinada pessoa morta qual a que tal se diz? Uma correspondência cruzada é uma possível prova de organização, mais não de identidade.” É verdade que muita gente capaz, como Sir Oliver Lodge e Mr. Gerald Balfeur, aceitam a prova das correspondências cruzadas. Mas se estas satisfazem comparativamente a poucas pessoas, então o seu objetivo não foi atingido. Eis uns poucos exemplos dos mais simples, tomados da SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH, em seus “Proceedings”.

Como nada menos de que 50 a 100 páginas impressas são dedicadas a um dos mais complicados casos, é difícil resumi-las adequadamente em poucas linhas e desnecessário declarar quão cansativos são para o leitor se transcritos integralmente. A 11 de março de 1907, à uma hora, disse Mrs. Piper ao despertar: “Violetas”. No mesmo dia, às 11:00 da manhã Mrs. Verall escreveu automaticamente: “Suas cabeças foram coroadas com botões de violetas”.

“Violaceae odores” (cheiro de violetas). “Folhas de violetas, de oliveira, vermelho e branco”. “A cidade das violetas.” A 8 de abril de 1907, o suposto Espírito de Myers, através de Mrs. Piper, disse a Mrs. Sidgwick: “Lembra-se de Eurípides?...

Lembra-se do Espírito e do anjo? Dei a ambos... Quase todas as palavras que hoje escrevi se referem a mensagens que estou tentando transmitir através de Mrs. V.” 128 “Thirty Years of Psychical Research”. A 7 de março, no curso de uma escrita automática, Mrs. Verall tinha as palavras “Hércules Furens” e “Eurípides”.

E a 25 de março Mrs. Verall havia escrito: “Ali está o drama de Hércules e o roteiro está no de Eurípides; se ao menos você pudesse vê-lo.” Certamente isto escapa da coincidência. Novamente, a 16 de abril de 1907, estando na Índia, Mrs. Holland recebeu uma mensagem na qual aparecem as palavras “Mors” e “A Sombra da Morte”. No dia seguinte Mrs.

Piper pronunciou a palavra Tanatos — naturalmente uma pronúncia imperfeita de Thanatos — voz grega que, como a latina Mors, significa a Morte. A 29 de abril Mrs. Verall escreveu toda uma mensagem versando a ideia da Morte, com citações de Landor, Shakespeare, Virgílio e Horácio, todas envolvendo a ideia da Morte. A 30 de abril Mrs. Piper, despertando, repetiu três vezes, dentro de poucos instantes a palavra Thanatos.

Aí novamente a teoria da coincidência fica demasiado afastada. Outra correspondência cruzada relativa à frase Ave Roma immortalis é 129 demasiado longa. Mr. Gerald Balfour, ao discutí-la, diz que a ideia completa é o conhecido quadro existente no Vaticano. A mensagem de Mrs.

Verall deu detalhes desse quadro, para ela sem sentido, mas esclareceu pela frase Ave Roma Immortalis, que surgiu poucos dias depois, na mensagem por Mrs. Holland. Um aspecto interessante foi a aparente compreensão do guia daquilo que estava acontecendo. A 2 de março, quando começou a correspondência cruzada, Mrs. Verall escreveu que tinha mandado “através de outra senhora”, a palavra “que elucidaria as questões”.

A 7 de março, quando começou a correspondência, a contribuição de Mrs. Holland foi seguida por estas palavras: “Como poderia eu ter tornado mais claro sem lhe dar um roteiro?” Com razão considera Mr. Gerald Balfour que esses dois comentários mostram que essa correspondência cruzada estava sendo conduzida com propósito deliberado. Sir Oliver Lodge, comentando a maneira por que o sentido é disfarçado nessas correspondências cruzadas, diz de uma delas: “A habilidade, a sutileza e a alusão literária tornaram a mensagem difícil de ler, mesmo quando decifrada e apresentada pelo talento de Mr. Piddington.” Essa crítica, feita por quem se convenceu de seu verdadeiro caráter, é uma indicação bastante de que as correspondências cruzadas não podem fazer mais que um limitado serviço.

Para o comum dos Espíritas parece um método demasiadamente complicado para demonstrar aquilo que pode ser demonstrado por métodos mais fáceis e convincentes. Se um homem tentasse demonstrar a existência da América apanhando nas praias da Europa madeira arrastada pelas correntes marinhas, como o fez Colombo, em lugar de tomar contacto com a terra e os seus habitantes, apresentaria uma grosseira analogia com esses processos indiretos de investigação. Além das mensagens de correspondência cruzada, muitas outras foram minuciosamente analisadas pela SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH, das 129 SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH Proceedings, Volume 25º, página 54. quais a mais notável e convincente foi a que se chamou “O Ouvido de Dionysius”. É preciso convir que, depois da inferior e, ocasionalmente, sórdida atmosfera dos fenômenos físicos, essas incursões intelectuais nos levantam para uma atmosfera mais pura e mais rarefeita. As correspondências cruzadas foram muito prolongadas e complexas para conquistar simpatias e tinham uma penosa semelhança a um pedante jogo de salão.

Já é diferente com o Ouvido de Dionysius. Este naturalmente assume um tom acadêmico, desde que é um assunto clássico, presumivelmente manejado por dois professôres, mas é uma tentativa muito direta e muito clara para provar a sobrevivência, mostrando que ninguém, a não ser aqueles dois homens, poderia ter escrito a mensagem e que esta certamente estava acima do conhecimento e das faculdades de quem escreve. Esse escritor, que preferiu tomar o nome de Mrs. Willet, em 1910 escreveu a frase “Ouvido de Dionysius. O Lóbulo”.

Aconteceu que se achava presente Mrs. Verall, esposa de um famoso homem de letras. Ela levou a frase ao seu marido. Ele explicou que o nome era dado a uma enorme pedreira abandonada em Siracusa, que tinha a forma aproximada de uma orelha de jumento. Nesse lugar os infelizes atenienses prisioneiros tinham sido confinados, depois daquela famosa derrota que foi imortalizada por Tucídides; tinha recebido aquele nome porque as suas peculiares condições acústicas tinham permitido que o Tirano Dionysius ouvisse a conversa de suas vítimas.

O Doutor Verall morreu pouco depois. Em 1914 as mensagens de Mrs. Willett começaram a encerrar muitas referências ao “Ouvido de Dionysius”. Esta pareciam provir do ilustre morto. Por exemplo, uma sentença dizia: “Lembra-se de que você não sabia e eu lamentei a sua ignorância dos clássicos?

Ela se referia a um lugar onde foram postos os escravos e se liga à escuta também à acústica. Pense na galeria dos cochichos”. Algumas das alusões, como as citadas, indicavam o Doutor Verall, enquanto outras pareciam associadas a um outro cientista morto em 1910. Era o Professor S. H.

Butcher, de Edimburgo. A mensagem dizia assim: “Pai Cam passeando de braço dado com o Canongate”, isto é, Cambridge com Edimburgo. Esse estranho mosaico foi descrito por um guia como “uma associação literária de ideias, indicando a influência de duas mentes desencarnadas”. Essa ideia certamente foi desenvolvida, e ninguém poderá ler cuidadosamente o resultado sem se convencer de que ela tem sua origem nalguma coisa absolutamente distante de quem escreve. Tão recônditas eram as alusões clássicas que mesmo os melhores cientistas por vezes eram vencidos; e um deles declarou que nenhum cérebro de seu conhecimento, a não ser os de Verrall ou de Butcher, poderia ter produzido aquilo.

Depois de minucioso exame das mensagens, Mr. Gerald Balfour declarou que estava disposto a aceitar aqueles dois sábios como “os verdadeiros autores do curioso quebracabeça literário”. Os mensageiros invisíveis parece que se fatigaram de tão complicados métodos e a Butcher é atribuida esta expressão: “Oh! Essa velha atrapalhação é tão fatigante!” Não obstante, o resultado alcançado é um dos mais marcantes êxitos nas pesquisas puramente intelectuais da SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH O trabalho da SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH durante os recentes anos não tem melhorado a sua reputação e é com relutância que o autor, um dos seus mais velhos membros, é obrigado a dizê-lo. O mecanismo central da sociedade caiu nas mãos de um grupo de homens cujo único cuidado parece ser não provar a verdade, mas desacreditar o que parece sobrenatural.

Dois grandes homens, Lodge e Barrett, enfrentaram a onda, mas foram vencidos pelos obstrucionistas. Os Espíritas e especialmente os médiuns, tinham aversão aos investigadores e a seus métodos. Parece que nunca ocorreu àquela gente que os médiuns são, ou deveriam ser, inertes, e que deveria haver uma força inteligente por detrás do médium, o qual apenas pode ser aconselhado e encorajado por uma simpatia suave e raciocinada, por uma atitude cheia de tato. Eva, médium de materializações, veio à França, mas os resultados foram parcos e as precauções exageradas comprometeram os resultados que se tinham em vista. O relatório em que a comissão dá as suas conclusões é um documento contraditório, pois que, enquanto o ocasional leitor fica sabendo de seu texto que não houve resultados — pelo menos dignos de registro — o texto se acha ilustrado com fotografias de derrame de ectoplasma, exatamente — em ponto menor — aos que foram obtidos em Paris.

Madame Bisson, que acompanhou a sua protegida a Londres, para infelicidade de ambas, naturalmente ficou indignada com tal resultado e o Doutor Geley publicou um trabalho incisivo no Boletim do Instituto de Metapsíquica, no qual expôs os erros da investigação e a desvalia do relatório. Os Professôres da Sorbonne devem ser desculpados por terem manejado Eva sem o menor respeito às leis psíquicas, mas os representantes de um organismo de psiquismo científico deveriam ter mostrado maior compreensão. O ataque a Mr. Hope, o fotógrafo do psiquismo, foi examinado por uma comissão muito independente e ficou demonstrado que era inconsistente e, até, tinha sinais de uma conspirata contra o médium. Nesse caso tortuoso a sociedade foi implicada diretamente, desde que um de seus diretores participou das investigações e reportou os resultados no jornal, órgão oficial da sociedade.

Toda essa história, inclusive a recusa da sociedade de enfrentar os fatos que lhe eram apontados, deixam uma sombra sobre tudo que lhes diz respeito. A despeito de tudo que foi dito e feito, o mundo tem favorecido a existência da SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH Ela tem sido uma espécie de banco de redesconto para as ideias sobre psiquismo e um pouso para os que foram atraidos para o assunto embora ainda temessem um contacto mais íntimo com uma filosofia tão radical quanto a Filosofia Espírita. Houve um constante movimento entre os membros da direita no sentido da negação e da esquerda no sentido da aceitação. O simples fato da substituição de presidentes por Espíritas profundos é um sinal de que o elemento anti-espiritual não era muito intolerante ou intolerável. De um modo geral, como toda instituição humana, ela está aberta para o elogio e para a censura.

Se teve suas passagens sombrias, também foi ocasionalmente iluminada por períodos brilhantes. Constantemente tem lutado contra a acusação de ser uma mera sociedade espírita, o que a privaria da posição de judiciosa imparcialidade, que pretende ter, mas que nem sempre exercitou. Sua situação por vezes foi difícil e o simples fato de que a sociedade se tem mantido por tantos anos é uma prova de que tem havido alguma sabedoria em sua atitude; e de que podemos esperar que o período de esterilidade e de mirrada crítica negativa esteja marchando para o seu termo. Enquanto isto, o Psychic College, uma instituição fundada pelo trabalho de auto-sacrifício de Mr. Hewat McKenzie e sua senhora, tem mostrado amplamente que um severo interesse pela verdade e pelas exigências necessárias quanto às provas não é incompatível com um tratamento humano aos médiuns e uma atitude geralmente simpática em relação ao ponto de vista espírita.

Ectoplasma esde os primeiros dias, os Espírítas têm sustentado que há uma base física material para os fenômenos. Na incipiente literatura espírita encontram-se centenas de vezes as descrições de um denso vapor semiluminoso, que flui D do lado ou da boca do médium e é fracamente visível no escuro. Tinham ido mais longe: observaram como esse vapor às vezes se solidifica numa substância plástica, de que são feitas as várias estruturas na sala da sessão. Uma observação científica mais rigorosa apenas confirmou o que esses pioneiros haviam verificado. Para citar alguns exemplos: o Juiz Peterson declara que em 1877 viu com o médium W.

Lawrence “uma nuvem floculenta”, que parecia sair do lado do médium 130 e que, gradativamente, formava um corpo sólido. Também fala de uma figura surgindo de “uma bola de luz”. James Curtis viu com Slade, na Austrália, em 1878, “uma como que nuvem de vapor branco-acinzentado” se formando e aumentando, antes do aparecimento de uma figura inteiramente materializada. Alfred Russel Wallace descreve ter visto com o Doutor Monck, primeiro “uma mancha branca” que gradativamente se transformou numa “coluna nevoenta”. Essa mesma expressão é usada por Mr.

Alfred Smedley, em relação a uma aparição com o médium Williams, quando John King se manifestou; fala também de “uma nuvem fracamente iluminada”. Com o médium D. D. Home, Sir William Crookes viu “uma nuvem luminosa”, que se condensou numa mão perfeita. Mr.

E. A. Brackett viu com a médium Helen Barry, em 1885, nos Estados Unidos, “uma pequena substância branca, como uma nuvem”, que se expandiu até ficar com quatro a cinco pés de altura “quando de súbito dela saiu a forma total, sólida, como uma sílfide, de 131 Berthri” . Mr. Edmund Dawson Rogers, descrevendo uma sessão com Eglinton, em 1885, diz ter visto surgir do lado do médium “uma substância esbranquiçada e fumacenta”, que oscilava e pulsava.

Mr. Vincent Turvey, o conhecido sensitivo de 132 Bournemouth, fala de uma “substância vermelha, viscosa” , saindo do médium. Um particular interesse é ligado a uma descrição dada pela maravilhosa médium de materializações, Madame d’Esperance, que diz: “Parecia-me sentir que fios muito 133 finos me saíam pelos poros da pele.” . Isto tem um importante contacto com as pesquisas do Doutor Crawford e suas observações sobre os “bastões psíquicos” e a matéria como esporos. Também 130 “Essays from the Unseen”. 131 “Materialized Asaritions”, página 106. 132 “Beginnings of Seership”, página 55. 133 “Shadow Land”, página 229. encontramos em The Spiritualist que, quando o Espírito materializado de Katie King se manifestava através de Miss Florence Cook era ligado à médium por meio de fios 134 nevoentos e fracamente luminosos” .

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.