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Capítulo 52 de 57
Parte 49 de 54
A História do Espiritismo · Arthur Conan Doyle
Tais inscrições têm a vantagem sobre todas as nossas provas documentárias de que não foram esquecidas e que não há possibilidade de interpolação. Depois de ler centenas delas, diz o Doutor Jones: “Os primeiros cristãos falam da morte como se ainda estivessem vivos. Falam aos seus mortos.” Eis o ponto de vista atual dos espíritas — um ponto de vista de há muito perdido pelas Igrejas. Os túmulos dos primitivos cristãos apresentam um estranho contraste com os dos pagãos que os cercam. Estes sempre se referem à morte como uma coisa final, terrível e irrevogável.
“Fuisti Vale!” resume os seus sentimentos. Por outro lado, os cristãos se referiam sempre à feliz continuação da vida. “Agape, viverás para sempre!” ou “Victorina está em paz e em Cristo!” ou ainda, “Que Deus renove o teu Espírito!” e “Vive em Deus”. Essas inscrições bastam para mostrar que um ponto de vista sobre a morte, novo e infinitamente consolador, tinha sido alcançado pela humanidade. É de notar-se, ainda, que as. catacumbas são uma prova da simplicidade dos primeiros cristãos, antes que ficassem incrustadas com toda sorte de definições complexas e de abstrações, que se espalharam do pensamento grego e bizantino e produziram grandes males no mundo.
Um símbolo que predomina nas catacumbas é o Bom Pastor —a delicada ideia de um homem carregando um pobre cordeirinho. A gente pode perquirir as catacumbas dos primeiros séculos e nos milhares de dispositivos nada se encontra de um sacrifício cruento nem de um nascimento de virgem. Encontrar-se-á o Bom Pastor, a âncora da esperança, a palma do martírio, e 224 o peixe que era o anagrama do nome de Jesus. Tudo indica uma religião simples. O Cristianismo era melhor quando se achava nas mãos dos humildes.
Foram os ricos, os poderosos, os instruídos que o degradaram, que o complicaram, que o arruinaram. Não é possível, entretanto, tirar nenhuma inferência psíquica das inscrições e desenhos das Catacumbas. Para isto devemos voltar aos Pais pré-nicenos, onde encontramos tantas referências que seria fácil compilar um pequeno livro que não contivesse mais que isso. Temos, porém, que afinar os nossos pensamentos e as nossas palavras pelas suas, a fim de lhes aprendermos a inteira significação. Profecia, por exemplo, chamamos mediunidade, e um Anjo se transforma num Espírito elevado ou Guia.
Tomemos a esmo alguns exemplos. Na sua “De cura pro Mortuis”, diz Santo Agostinho: “Os Espíritos dos mortos podem ser mandados aos vivos, aos quais podem desvendar o futuro, que ficaram conhecendo por outros Espíritos ou pelos Anjos” (isto é, pelos guias espirituais) “ou pela revelação divina”. Isto é puro Espiritismo, exatamente como o conhecemos e definimos. Agostinho não teria falado nisso com tanta segurança nem com tanta justeza de definições se não tivesse tido o seu conhecimento familiar. Não há o menor indício de que isso fosse ilícito.
Ele volta ao assunto na sua “A Cidade de Deus”, onde se refere a práticas que permitem que o corpo etéreo de uma pessoa se comunique com os Espíritos e com os guias mais elevados e tenha visões. Aliás, essas pessoas eram médiuns — nome que apenas significa intermediário entre organismos encarnados e desencarnados. São Clemente de Alexandria faz semelhantes alusões, como também São 225 Jerônimo, em sua controvérsia com o gaulês Vigilantius. Este, porém, aparece em data posterior ao Concílio de Nicéia. Hermas, figura mais ou menos apagada, que se diz ter sido amigo de São Paulo e discípulo direto dos apóstolos, é tido como o autor do livro “O Pastor”.
Seja ou não apócrifo a autoria, o que é certo é que o livro foi escrito por alguém dos primeiros séculos do Cristianismo e, assim, representa as ideias predominantes. Diz ele: “O Espírito não responde a todas as perguntas nem a qualquer pessoa particular, porque o Espírito que vemde Deus não fala ao homem quando este quer, mas quando Deus o permite. Assim, quando um homem que tem um Espírito de Deus” (isto é, um controle) “vem a uma assembléia de fiéis e quando foi feita uma prece, o Espírito enche esse homem, que fala como Deus quer”. 224 Peixe em grego é ICHTHOS. Sabendo que o CH e o TH eram sinais simples, temos um anagrama: IESUS — CRISTOS — THEOU — UIOS — SOTEROS, que quer dizer: “Jesus Cristo, filho de Deus, Salvador” —N. do T. 225 Vigilantius foi o fundador de uma seita que proscrevia as relíquias, bem como a vida monástica, o celibato dos sacerdotes. É do século 4 e representa a primeira reação do espírito gaulês, contra os abusos da Igreja Romana — N. do T. Isto descreve com exatidão a nossa própria experiência psíquica, quando as sessões são bem dirigidas.
Não invocamos Espíritos, como o afirmam de contínuo os críticos ignorantes e não sabemos o que virá. Mas pedimos, usando a expressão Pai Nosso, como uma regra, e aguardamos os acontecimentos. Então vem o Espírito que é escolhido e mandado e nos fala ou escreve através do médium. Como Agostinho, Hermas não teria falado com tanta precisão, se não tivesse experiência pessoal do processo. Orígenes faz muitas alusões ao conhecimento psíquico.
É curioso comparar a crassa ignorância dos nossos atuais dirigentes espíritas com a sabedoria dos antigos. Muitas citações poderiam ser feitas; basta, porém, uma curta, tomada da sua controvérsia com Celsus: “Muita gente abraçou a fé cristã, a despeito de tudo, porque seus corações foram mudados subitamente por algum Espírito, quer em aparição, quer em sonho.” Exatamente dessa maneira dirigentes materialistas, a começar pelo Doutor Elliotson, mudaram de ideia quanto à vida futura e quanto à sua relação com esta vida, pelo estudo dos fatos psíquicos. Os primeiros Pais da Igreja é que são mais definidos neste particular, pois estavam mais perto da grande fonte psíquica. Assim, Irineu e Tertuliano, que viveram no fim do segundo século, estão cheios de alusões aos sinais psíquicos, enquanto Eusébio, escrevendo depois, verifica a sua escassez e lamenta que a Igreja se tenha tornado indigna deles. Escreveu Irineu: “Ouvimos que muitos irmãos na Igreja possuem dons proféticos” (isto é, mediúnicos) “e falam, através do Espírito, diversas línguas e revelam, no interesse geral, coisas ocultas aos homens, explicando os mistérios de Deus”.
Nenhuma passagem poderia descrever melhor as funções de um médium de alta classe. Quando Tertuliano teve a sua grande controvérsia com Márcio, tomou os dons mediúnicos para um teste da verdade entre os dois contendores. Proclamou que estes se materializavam em maior profusão do seu lado, e entre essas manifestações inclui a fala em transe, a profecia e a revelação de coisas secretas. Assim, coisas que agora são ridicularizadas ou condenadas por tantos padres, no ano 200 eram a pedra de toque do Cristianismo. Também diz Tertuliano em seu De Anima: “Temos hoje entre nós uma irmã que da natureza recebeu os dons da revelação que ela exerce em Espírito na Igreja, entre os ritos de ‘Dia do Senhor’, caindo em êxtase.
Conversa com os anjos” (isto é, com Espíritos elevados) “vê e ouve mistérios e lê os corações de certas pessoas, curando os que o pedem. Entre outras coisas, disse ela, me foi mostrada uma alma, em forma corpórea, e parecia um Espírito, mas não um vazio ou uma coisa vaga. Pelo contrário, parecia que podia ser tocada, era macia, luminosa, da côr do ar e de forma humana em todos os detalhes.” Uma mina de informações sobre os pontos de vista dos cristãos primitivos é encontrada nas “Constituições Apostólicas”. É verdade que não são apostólicas, mas Whiston, Krabbe e Bunsen concordam que pelo menos sete dos oito livros são autênticos documentos prénicenos, provàvelmente do começo do terceiro século. Seu estudo revela fatos curiosos.
O incenso e as lâmpadas votivas eram usados em seus serviços, assim justificando as atuais práticas católicas. Por outro lado, os bispos e os sacerdotes dotes eram casados. Havia um elaborado sistema de represálias contra quem quer que transgredisse as regras da Igreja. Se um clérigo comprasse um bem era cortado, bem como qualquer homem que obtivesse posição eclesiástica pela proteção mundana. Não havia cogitação de um Bispo superior ou Papa.
O vegetarianismo e a completa abstinência de vinho eram proibidos e castigados. Essa última lei muito interessante provàvelmente nasceu de uma reação contra alguma heresia que impunha a ambas. Um clérigo apanhado numa taverna era suspenso. O clero devia comer carne sem sangue, à maneira judaica. O jejum era frequente e rigoroso — um dia por semana (ao que parece nas sextas-feiras) e quarenta dias na quaresma.
Entretanto, é discutindo esses dons ou variadas formas de mediunidade que esses documentos derramam luz sobre os assuntos psíquicos. Então, como agora, a mediunidade tomava diversas formas, como o dom das línguas, o poder curador, a profecia e outras. Diz Harnack que em cada Igreja Cristã primitiva havia três mulheres superiores: uma para curas e duas para profecias. Tudo isso é livremente discutido nas “Constituições”. Parece que aqueles que tinham dons se consideravam superiores aos outros; então eram advertidos de que um homem pode ter dons sem possuir grandes virtudes, de modo que é espiritualmente inferior a muitos que não possuem dons.
Como no Espiritismo moderno, o objetivo dos fenômenos éa conversão dos descrentes e não um entretenimento dos ortodoxos. “Não são para as vantagens dos que os realizam, mas para a convicção dos descrentes; para aqueles a quem uma palavra não persuada, mas a força dos sinais pode envergonhar, pois os sinais não são para os que acreditam, mas para os descrentes, tanto judeus, quanto gentios” (Constituições, Livro 8º, Seção 1). Depois os vários dons, que em geral correspondem às nossas diferentes formas de mediunidade, são apresentados como segue: “Portanto, ninguém que produz sinais e maravilhas julgue fiel a quem não é considerado como tal. Porque os dons de Deus que são concedidos através de Cristo são vários e uns recebem estes, outros recebem aqueles. Porque talvez este receba a palavra de sabedoria” (fala em transe) “e aquele a palavra do conhecimento” (inspiração); “uns distinguem os Espíritos” (clarividência), “outros o conhecimento antecipado de coisas vindouras, outros a palavra de ensino” (encorporação de Espíritos) “enfim outros um longo sofrimento.” Todos os nossos médiuns necessitam desses dons.
Bem se pode perguntar onde, fora do Espiritismo, se acham esses dons ou essas observâncias? em que Igrejas que se dizem ramos desse velho tronco? Continuamente são observadas altas presenças espirituais. Assim, na “Ordenação dos Bispos” encontramos: “O Espírito Santo também presente, do mesmo modo que os santos e os Espíritos oliciantes”. Em conjunto, entretanto, eu diria que temos agora maior soma de fatos espíritas do que os autores das “Constituições” e que provàvelmente esses documentos representam um declínio daquela íntima “Comunhão de Santos” que existia no primeiro século. Há razões para pensar que a força psíquica não seja fixa: que venha em ondas de alta e baixa maré.
Presentemente estamos em maré montante, mas não sabemos quanto tempo durara. Pode dizer-se razoàvelmente que, desde que o conhecimento dos fatos relacionados com a história da Igreja primitiva é tão limitado, talvez se pudesse entrar em contacto com alguma Inteligência elevada que tivesse tomado parte naqueles acontecimentos, assim oferecendo uma suplementação às nossas escassas fontes de informações. Isto atualmente tem sido feito em várias mensagens inspiradas e ainda quando as provas deste livro estavam sendo corrigidas houve um interessante desenvolvimento que torna claro para todo o mundo quanto deve ser estreita a conexão entre as comunicações com o outro mundo e a religião. Duas longas mensagens apareceram recentemente, pela mão de uma médium semiconsciente, Miss Cummins, mensagem esta que foi dada na velocidade de duas mil palavras por hora. A primeira é tomada como um relato da missão de Cristo, do evangelista Felipe, e a segunda é um suplemento dos Atos dos Apóstolos, que se supõe ditada por Cleofas, que ceou com o Cristo ressuscitado em Emaús. A 226 primeira foi publicada e a segunda breve será dada ao público.
Até onde o autor pode saber, nenhuma crítica foi feita ao escrito de Felipe, mas a sua leitura cuidadosa o convenceu de que pela dignidade e pela força ela merece ser aceita como tal, porque explica de modo claro e adequado muitos pontos que haviam intrigado os comentaristas. O caso do escrito de Cleofas é, entretanto, ainda mais admirável, e o autor se inclina a aceitá-lo como o mais elevado documento e um dos mais evidentes sinais de origem supranormal em toda a história do movimento. Ele foi submetido ao Doutor Oesterley, Capelão Examinador do Bispo de Londres, que é uma das maiores autoridades sobre a história e a tradição da Igreja. ele declarou que aquele documento apresenta todos os indícios de ser da mão de alguém que viveu naqueles dias e que se achava em íntimo contacto com o grupo apostólico. Muitos pontos sutis e de erudição podem ser observados, tais como o emprego do nome hebraico Hanan, como sendo o do Sumo Sacerdote, quando este só é conhecido aos leitores da língua inglesa através do seu equivalente grego Anuas. Este é um entre os inúmeros pontos de corroboração, pràticamente acima da capacidade dos falsificadores.
Entre outros pontos interessantes Cleofas descreve a festa de Pentecostes e declara que os Apóstolos se sentaram em círculo, com as mãos dadas, como lhes havia ensinado o Mestre. Na verdade seria interessante que a significação interna do Cristianismo, há tanto tempo perdida, fosse agora descoberta mais uma vez, pelo culto ridicularizado e perseguido, cuja história é aqui registrada. Esses dois escritos representam, na opinião do autor, duas das mais convincentes provas da comunicação dos Espíritos jamais obtidas, do ponto de vista mental. Parece impossível explicá-los de outra maneira. Tanto os Espíritas da Inglaterra quanto os dos outros países podem ser divididos em dois grupos: os que permanecem em suas respectivas Igrejas e os que formaram a sua própria Igreja.
Estes últimos têm na Inglaterra cerca de quatrocentos pontos de reunião, sob a direção geral da União Nacional Espírita. Há uma grande elasticidade quanto aos dogmas e, enquanto muitas das Igrejas são Unitárias, uma importante minoria delas são de linha cristã. 226 “The Gospel of Philip the Evangelist”. Pode dizer-se que se acham em geral unidas dentro de sete princípios centrais, que são: 1. A Paternidade de Deus. 2. A Fraternidade do Homem. 3. A Comunhão dos Santos e o Ministério dos Anjos. 4.
A Sobrevivência humana à morte física. 5. A Responsabilidade Pessoal. 6. A Compensação ou retribuição pelo bem ou pelo mal feito. 7. O progresso eterno aberto a cada alma. Vê-se que todos esses pontos são compatíveis com o Cristianismo comum, com exceção, talvez, do quinto.
Os Espíritas consideram a vida terrena do Cristo e a sua morte como um exemplo antes que uma redenção. Cada um responde por seus pecados e ninguém subtrair-se-á à sua responsabilidade por um apelo a algum sacrifício sacerdotal. Não é possível que o tirano ou o debochado pelo truque espiritual do falso arrependimento, escape ao justo castigo. Um verdadeiro arrependimento o auxilia, mas a dívida será paga do mesmo modo. Ao mesmo tempo a misericórdia de Deus é maior do que o homem a imagina e todas as possíveis circunstâncias atenuantes de tentação, hereditariedade e meio ambiente serão devidamente consideradas antes que ele seja punido.
Tal é, em poucas palavras, a posição das Igrejas Espíritas. 227 Em outro lugar o autor mostrou que, conquanto a pesquisa psíquica, em si mesma, seja muito diversa da religião, as deduções que daí poderemos tirar e as lições que podemos aprender “Ensinam-nos a vida contínua da alma, a natureza dessa vida e como ela é influenciada por nossa conduta terrena. Se isto é diferente da religião, devo confessar que não entendo essa distinção. Para mim é religião — a sua mesma essência”. O autor também falou do Espiritismo como uma grande força unificadora, talvez a única coisa ligada a cada religião, cristã ou não. Enquanto o seu ensino modificaria profundamente o Cristianismo convencional, as modificações seriam antes no sentido da explanação e do desenvolvimento, do que da contradição.
Também se referiu à nova revelação como absolutamente fatal para o materialismo. Nessa época materialista deve dizer-se que, sem uma crença na sobrevivência do homem após a morte, a mensagem do Cristianismo cai, em grande parte, em ouvidos moucos. Em seu relatório presidencial à Sociedade Americana de 228 Pesquisas Psíquicas, o Doutor McDougall destaca a conexão entre o colapso da religião e a propagação do materialismo. Diz ele: “A menos que a Pesquisa Psíquica... possa descobrir fatos incompatíveis com o materialismo, este continuara a se espalhar. Nenhuma outra força detê-lo-á; a religião revelada e a filosofia metafísica são igualmente inócuas à frente de sua maré montante.
E se essa maré continua enchendo e avançando, como agora, todos os sinais indicam que será uma maré de destruição, que varrerá todas as árduas conquistas da humanidade, todas 227 “The New Revelation”, páginas 679. 228 Jornal, Am. SOCIETY FOR PSYCHICAL RESEARCH, Janeiro 1923. as tradições morais construídas pelos esforços de incontáveis gerações para o crescimento da verdade, da justiça e da caridade.” É, pois, importante procurar ver em que grau o Espiritismo e a pesquisa psíquica tendem a induzir ou a reforçar a crença religiosa. Em primeiro lugar temos muitos testemunhos para a conversão de materialistas, através do Espiritismo, a uma crença no depois da morte, como, por exemplo, o Professor Robert Hare e o Professor Mapes, na América, o Doutor Alfred Russel Wallace, o Doutor Elliotson, o Doutor Sexton, Robert Blatchford, John Ruskin e Robert Owen, na Inglaterra. Muitos outros podem ser mencionados. Se o Espiritismo fosse devidamente compreendido, haveria poucas dúvidas a respeito de sua harmonia com a religião.
A definição do Espiritismo, impressa em cada edição do jornal Light, órgão hebdomadário dos Espíritas de Londres, é a seguinte: “Uma crença na existência e na vida do Espírito separado e independente do organismo material, e na realidade e no valor da inteligente comunicação entre os Espíritos encarnados e os desencarnados.” As duas crenças aí expressas são artigos da fé cristã. Se, acima de todas as classes, uma há que deve ser capaz de falar com autoridade sobre as tendências religiosas do Espiritismo, esta é o clero. Muitos dos mais progressistas têm externado seus pontos de vista sobre o assunto em termos precisos. Examinemos os seus depoimentos: O Reverendo H. R.
Haweis, M. A., numa conferência feita a 20 de abril de 1900, na Aliança Espírita de Londres, disse que ali tinha vindo para dizer que nada via naquilo que acreditava fõsse o verdadeiro Espiritismo que fõsse de qualquer maneira contrário ao que ele crê que seja o verdadeiro Cristianismo. Na verdade, o Espiritismo se ajusta perfeitamente ao Cristianismo; parecia um legítimo desenvolvimento, e não uma contradição — não um antagonista... A dívida do clero — se ele conhecesse o seu dever — para com o Espiritismo, era realmente muito grande. Em primeiro lugar, o Espiritismo havia reabilitado a Bíblia.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.