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Capítulo 48 de 57

Parte 45 de 54

A História do Espiritismo · Arthur Conan Doyle

Há poucas experiências mais tensas e penosas do que aplicar o ouvido para escutar no escuro, perto de nós vozes sussurrantes, esforçadas, entrecortadas, que poderiam significar muito se as pudéssemos distinguir. Por outro lado, o autor conheceu aquilo que deve ser consideravelmente chocante quando, no quarto de um hotel em Chicago, cheio de gente, rompeu uma voz que só poderia ser comparada ao rugido de um leão. O médium nessa ocasião era um esguio rapaz americano, que não podia ter produzido aquele som com os seus órgãos normais. Entre estes dois extremos podem encontrar-se todas as gradações de volume e de vibração. George Valiantine, já mencionado, talvez viesse em segundo lugar, se o autor tivesse de fazer uma lista dos grandes médiuns de Voz Direta, com os quais fez experiências.

Ele foi examinado pela Comissão do Scientific American e pôs por terra a alegação de que um dispositivo elétrico mostrara que ele tinha saído de sua cadeira quando a voz se fez ouvir. O exemplo já oferecido pelo autor, no qual a corneta circulava fora do alcance do médium, é prova positiva de que os resultados certamente não dependem de sua saída da cadeira e que os efeitos não só dependem de como a voz é produzida, mas, principalmente, do que diz a voz. Aqueles que leram “Rumo às Estrêlas”, de Dennis Bradley, e o seu livro subsequente, narrando a longa série de sessões em Kingston Vale, podem fazer uma ideia de que nenhuma outra explicação abarca a mediunidade de Valiantine, a não ser que possui, realmente, excepcionais poderes psíquicos. Estes variam muito com as condições, que em geral permanecem bem altas. Como Mrs.

Wriedt, ele não cai em transe mas, mesmo assim, suas condições não podem ser chamadas normais. Há condições de semi-transe que esperam a investigação dos estudiosos no futuro. Mr. Valiantine é, de profissão, um fabricante numa pequena cidade na Pensilvânia. Ë calmo, delicado e bondoso e como se acha na flor da idade, uma carreira muito útil se abre à sua frente.

Como médium de materializações, Jonson, de Toledo, que depois residiu em Los Angeles, permanece só, até onde o autor pôde observar. Possivelmente o nome de sua esposa poderia ser ligado ao seu, desde que trabalham juntos. A peculiaridade do trabalho de Jonson é que fica inteiramente à vista do grupo, enquanto sua esposa fica de pé junto da câmara e superintende os trabalhos. Quem desejar um relato completo das sessões de Jonson deverá ler do autor a “Our Second 199 American Adventure” , posto sua mediunidade seja também tratada muito 200 minuciosamente pelo Almirante Usborne Moore. O almirante, que se achava entre os grandes investigadores psíquicos, fez muitas sessões com Jonson e obteve a cooperação de um ex-chefe do Serviço Secreto dos Estados Unidos, que estabeleceu a vigilância e nada encontrou contra o 199 “Nossa Segunda Aventura Americana” — N. do T. 200 “Glimpses of the Next State”, páginas 195, 322. médium.

Quando a gente recorda que Toledo era, então, uma cidade limitada, e que às vezes umas vinte personalidadesdiferentes se manifestavam na mesma sessão, pode-se imaginar que a personificação apresenta insuperáveis dificuldades. Por ocasião de uma sessão em que se achava o autor, ocorreu um longo desfile de figuras, cada uma por sua vez, vindo da pequena cabine. Eram velhos e moços, homens, mulheres e crianças. A luz de uma lâmpada vermelha era bastante para que se vissem as figuras claramente, mas não para distinguir os detalhes das feições. Algumas das figuras ficaram fora nada menos que vinte minutos e conversaram livremente com o grupo, respondendo às perguntas que lhes eram feitas.

Nenhum homem dará a outro um cheque em branco pela honestidade, nem declarará que ele é honesto e o será sempre. O autor apenas dirá que naquela ocasião particular estava perfeitamente convencido da genuína natureza dos fenômenos, e que não tem razões para duvidar disso em qualquer outra ocasião. Jonson é um homem de compleição forte e, posto esteja agora velho, seus poderes psíquicos ainda não são igualados. É o centro de um grupo em Pasadena, perto de Los Angeles, que se reúne semanalmente, para aproveitar de seus notáveis poderes. O finado Professor Larkin, astrônomo, era freqüentador do grupo e garantiu ao autor que acreditava completamente na sua honestidade como médium.

As materializações podem ter sido mais comuns no passado do que no presente. Os que leram livros como o de Brackett, “Materialised Apáginasaritions” ou o “There is No Death”, de Miss Marriat, que o digam. Mas nestes dias as materializações completas são muito raras. O autor estava presente a uma suposta materialização por um tal Thompson, em Nova Iorque, mas as coisas. não geraram convicção. Pouco depois o homem foi preso por trapaças, em circunstâncias que não deixam dúvida quanto à sua culpabilidade.

Há médiuns que, sem se especializarem de nenhuma forma, podem mostrar uma grande variedade de manifestações super-naturais. De todos que o autor encontrou daria precedência pela variedade e pela consistência a Miss Ada Besinnet, de Toledo, nos Estados Unidos, e a Eva Powell, outrora chamada Merthyr Tydvil, em Gales. Ambas são admiráveis médiuns, e pessoalmente dignas dos maravilhosos dons com que foram dotadas. No caso de Miss Besinnet as manifestações incluem a voz direta, por vezes duas ou três ao mesmo tempo. Um guia masculino, chamado Dan, tem uma notável voz de barítono e quem quer que o tenha ouvido não duvidará de que seja independente do organismo daquela senhora.

Ocasionalmente se junta uma voz feminina, para fazer com Dan um dueto afinadíssimo. Notável assovio, no qual parece que não há pausa para respirar, é outra feição de sua mediunidade. Assim também a produção de luzes muito brilhantes. Estas parecem pequenos sólidos luminosos, pois. o autor, em certa ocasião, fez a curiosa experiência de ter um em seus bigodes. Tivesse aí pousado um grande vagalume e o efeito teria sido o mesmo.

As Vozes Diretas de Miss Besinnet, ao tomarem a forma de mensagens, separadas do trabalho dos guias, não são fortes e, muitas vezes, são difíceis de ouvir. O mais notável de todos os seus poderes, entretanto, é o aparecimento de rostos de fantasmas, que surgem numa faixa iluminada, em frente ao assistente. Pareceriam antes máscaras, de vez que não apresentam relêvo. Em muitos casos apresentam faces finas, que ocasionalmente se assemelham à do médium, quando a saúde da senhora ou a força do círculo decaem. Quando as condições são boas, são perfeitamente diferentes.

Em duas ocasiões o autor viu faces nas quais poderia absolutamente jurar que uma era de sua mãe e outra de seu sobrinho, Oscar Hornung, jovem oficial morto na guerra. Por outro lado houve noites em que nenhum reconhecimento claro foi possível obter, embora entre os rostos alguns 201 pudessem ser chamados de angélicos, tal a sua beleza e a sua pureza. No nível de Miss Besinnet está Mr. Evan Powell, com a mesma variedade, mas nem sempre com o mesmo tipo de poderes. Os fenômenos luminosos de Powell são igualmente bons.

Sua produção de voz é melhor. O autor ouviu vozes de Espíritos tão altas quanto as humanas comuns e se recorda de uma ocasião em que três falavam ao mesmo tempo — uma a Lady Cowan, outra a Sir James Marchant e uma terceira a Sir Robert McAlpine. Os movimentos de objetos são comuns nas sessões de Powell e numa ocasião uma estante de 60 libras foi suspensa durante algum tempo, sobre a cabeça do autor. Evan Powell sempre insiste para ser amarrado fortemente durante a sessão, o que é feito, conforme ele reclama, para a sua mesma proteção, de vez que ele não pode ser responsável por seus próprios movimentos, quando se acha em transe. Isto lança um interessante esclarecimento sobre a natureza de algumas mistificações.

Há muita evidência, não só de que, inconscientemente, ou sob a influência da sugestão da assistência, pode o médium colocar-se numa posição falsa, mas que forças do mal, sempre perturbadoras ou ativamente opostas ao bom trabalho feito pelos Espíritas, possam atuar sobre o corpo em transe e levá-lo a fazer uma coisa suspeita, visando desacreditar o médium. Algumas notáveis observações a esse respeito, baseadas na experiência pessoal, foram feitas pelo Professor Haraldur Nielson, da Islândia, ao comentar um caso em que um do grupo cometeu uma fraude insensata e, posteriormente, um Espírito disse 202 que ela tinha sido praticada por sua ação e instigação. De um modo geral Evan Powell pode ser considerado como o mais largamente dotado de forças mediúnicas de todos os médiuns na Inglaterra. Ele prega as doutrinas espíritas em pessoa e pelo seu guia e ele próprio pode demonstrar quase todas as mediunidades. É pena que o seu negócio como vendedor de carvão no Devonshire não lhe permita uma presença constante em Londres.

A mediunidade da escrita nas lousas é uma manifestação notável. Tem-na em alto grau Mrs. Pruden, de Cincinnati, que recentemente visitou a Grã-Bretanha, exibindo suas maravilhosas faculdades a muita gente. O autor fez várias sessões com ela e explicou os métodos minuciosamente. Como a passagem é curta e pode tornar o assunto claro para os não iniciados, eis a sua transcrição: “Tivemos a sorte agora de nos pormos em contacto com um médium realmente grande — Mrs.

Pruden, de Cincinnati, —que veio a Chicago assistir às minhas conferências. Realizamos uma sessão no Blackstone Hotel, devida á cortesia de seu hóspede, Mr. Holmyard, e os resultados foram esplêndidos. É uma senhora idosa, boa e de maneiras naturais. Seu dom especial é a escrita nas lousas, que jamais eu havia examinado.

Eu ouvira dizer que havia truques no caso, mas ela estava ansiosa para usar as minhas lousas 201 Vários julgamentos e experiências com esta médium se acham na obra do autor “Our American Adventure”, páginas 124 a 132; no “Glimpses of the Next State”, do Almirante Moore, páginas 216 e 312; e finalmente no relatório de Mr. Hewat McKenzle, no Psychic Science de abril de 1922. 202 “Psychic Science”, Julho, 1925. e permitir que examinasse as suas. Ela prepara uma câmara escura, cobrindo a mesa com um pano e sustenta a lousa debaixo da mesa, enquanto a gente pode segurar a lousa pelo outro lado. Sua outra mão fica livre e àvista. A lousa é dupla, tendo entre as duas um pedacinho de lápis.

Após uma demora de meia hora começou a escrita. Foi a mais estranha sensação segurar a ardósia e sentir o rumor e a vibração do lápis a riscar dentro delas. Cada um havia escrito uma pergunta num pedaço de papel e o tínhamos posto no chão, cuidadosamente dobrado, debaixo dos panos, para que a força psíquica pudesse ter as adequadas condições para o seu trabalho, que sempre sofre a interferência da luz. Então cada um de nós recebeu uma, resposta dada na lousa à pergunta que havia feito e teve licença para apanhar os papéis e verificar que não haviam sido abertos. A sala naturalmente estava inundada de luz e a médium não podia abaixar-se sem que a víssemos.

Nessa manhã eu tinha um negócio, em parte espiritual, em parte material, com o Doutor Gelbert, um inventor francês. Em minha pergunta indaguei se ele era perito. A resposta na ardósia dizia: ‘Acredite no Doutor Gelbert, Kingsley’. Eu não havia mencionado na pergunta o nome do Doutor Gelbert, nem havia dito nada a respeito a Mrs. Pruden.

Minha senhora recebeu uma longa mensagem assinada por uma amiga querida. O nome era a sua verdadeira assinatura. Em conjunto era uma demonstração absolutamente convincente. Batidas agudas e claras sobre os móveis 203 acompanharam continuamente a nossa conversa.” O método geral e o resultado é o mesmo que é usado por Mr. Pierre Keeler, dos Estados Unidos.

O autor não conseguiu uma sessão com esse médium; mas um amigo que a obteve conseguiu resultados que põem a verdade dos fenômenos acima de qualquer questão. Em seu caso recebeu resposta a perguntas postas dentro de envelopes, de modo que a explicação favorita de que, de certo modo, o médium vê as tiras de papel, fica eliminada. Quem quer que tenha assistido a Mrs. Pruden saberá, pois, que ela jamais se abaixa e que os pedaços de papel ficam aos pés do assistente. Uma notável forma de mediunidade é a da bola de cristal, na qual as figuras se tornam visíveis aos olhos do assistente.

O autor só encontrou esta uma vez, através da mediunidade de uma senhora do Yorkshire. As figuras eram nítidas, bem definidas e separadas por intervalos de uma névoa. Não pareciam revelar qualquer acontecimento passado ou futuro: consistiam de vistas, pequenos rostos, e outros objetos semelhantes. Eis algumas das variadas formas das forças do Espírito, que nos foram dadas como um antídoto ao materialismo. As mais altas formas não são as físicas, mas as que se encontram em inspirados escritos de homens como Davis, Stainton Moses. ou Dale Owen.

Nunca é por demais repetido que o mero fato de que a mensagem nos vem de maneira pré natural seja uma garantia de elevação e de verdade. A criatura ensimesmada e convencida, de raciocínio vulgar, e o mistificador consciente também existem no lado invisível da vida, e todos eles podem transmitir as suas valiosas comunicações através de agentes invigilantes. Tudo deve ser medido e pesado e muita coisa deve ser posta de lado, enquanto o que restar deve ser digno de nossa mais respeitosa atenção. Mas mesmo 203 “Our American Adventure” páginas 144 e 145. o melhor não pode ser a última palavra: deve ser muitas vezes emendado, como no caso de Stainton Moses, quando atingiu o Outro Lado. Aquele grande mestre admitiu, através de Mrs.

Piper, que havia pontos sobre os quais ele tinha sido mal informado. Os médiuns mencionados foram escolhidos como tipos de suas várias classes, mas há muitos outros que mereceriam um registro minucioso, se houvesse espaço. O autor fez diversas sessões com Sloan e com Phoenix, de Glasgow, ambos com notáveis poderes, que cobrem quase toda a escala dos dons espirituais e são, ou foram, homens de fora do mundo, com uma santa despreocupação pelas coisas desta vida. Mrs. Falconer, de Edimburgo, é também uma médium de transe de força considerável.

Da geração anterior o autor experimentou a mediunidade de Husk e de Craddock, os quais tiveram horas intensas e horas de fraqueza. Mrs. Susanna Harris também deu boas provas no setor físico, bem como Mrs. Wagner, de Los Angeles, enquanto entre os amadores John Ticknor, de Nova Iorque, e Mr. Nugent, de Belfast, estão nos primeiros vôos do transe mediúnico.

Em conexão com John Ticknor o autor pode citar uma experiência feita e referida nos “Proceedings” da American Society for Psychical Research, um organismo que no passado foi dirigido quase que por opositores, como o seu parente da Inglaterra. Neste exemplo, o autor fez um registro cuidadoso da pulsação, quando Mr. Tickenor estava em estado normal, quando manifestava o Coronel Lee, um de 204 seus guias espirituais, e quando se achava sob a influência de “Black Hawk” um guia pele-vermelha. Os valores eram, respectivamente 82, 100 e 118. Mrs.

Roherts Johnson é outra médium de resultados desiguais, mas que nas melhores condições tem um admirável poder de Voz Direta. O elemento religioso está ausente de suas sessões e a mocidade alegre do Norte que se manifesta cria uma atmosfera que diverte os assistentes, mas que choca aqueles que vêm às sessões com sentimentos solenes. A profunda voz escocêsa do guia de Glasgow, David Duguid, que em vida fora um médium famoso, está isenta de imitação pela garganta de uma mulher; e as suas observações são cheias de dignidade e de sabedoria. O Reverendo Doutor Lamond assegurou-me que Duguid, numa dessas sessões, lhe havia lembrado um acidente que entre ambos ocorrera em vida — o que é prova suficiente da realidade da individualidade. Não existe fase mais dramática e curiosa do fenômeno psíquico do que o transporte.

É tão surpreendente que é difícil convencer a um céptico quanto à sua possibilidade e mesmo os Espíritas dificilmente acreditam nele até que lhes venham as provas. O primeiro contacto do autor com o conhecimento oculto foi em grande parte devido ao finado General Drayson que, naquele tempo — vai para quarenta anos — recebia, através de um médium, uma grande quantidade de transportes muito curiosos — lâmpadas hindus, amuletos, frutas frescas e outros objetos. Fenômeno tão interessante e tão fácil de simular, era muito para um principiante e retardou o progresso em vez de o acelerar. Contudo, desde então o autor encontrou o editor de conhecido jornal, que usou o mesmo médium, depois da morte do General Drayson e continuou, sob rígidas condições, a receber semelhantes transportes. 204 “Gavião Preto” — N. do T. Assim, o autor foi forçado a reconsiderar o seu ponto de vista e a acreditar que tinha subestimado a honestidade do médium e a inteligência do assistente. Mr.

Bailey, de Melbourne, parece ser um notável médium de transporte, e o autor não acredita na sua suposta mistificação em Grenoble. O próprio relato de Bailey é que foi vítima de uma conspiração religiosa e, à vista da longa série de sucessos, é mais provável isto do que ele tenha, de maneira misteriosa, escondido um pássaro vivo na sala da sessão, na qual ele sabia que iria ser despido e examinado. A explicação dos pesquisadores psíquicos de que o pássaro estava escondido em seu intestino éum supremo exemplo dos absurdos que a incredulidade pode produzir. Uma vez o autor fez uma experiência de transporte com Bailey e que é impossível de explicar de outra maneira. Ela foi assim descrita: “Então colocamos Bailey a um canto da sala, baixamos as luzes sem as apagar, e esperamos.

Quase no mesmo instante ele respirou profundamente, como se em transe e logo disse algo numa língua estranha, para mim incompreensível. Um de nossos amigos, Mr. Cochrane reconheceu-a como indiana e logo respondeu; algumas sentenças foram dialogadas. Então a voz disse em inglês que era um guia hindu, acostumado a fazer transportes com o médium e que esperava poder trazer um para nós. ‘Ei-lo aqui’, disse momentos depois, e a mão do médium se estendeu com alguma coisa. As luzes foram aumentadas e verificamos que era um perfeito ninho de pássaro, lindamente construído de fibras muito finas, misturadas com musgo.

Tinha cerca de duas polegadas de altura e nada indicava que tivesse havido truque. Tinha cerca de três polegadas de largura. Nele estava um pequeno ovo branco, com pequenas pintas castanhas, O médium, ou antes o guia hindu, agindo através do médium, colocou o ovo na palma de sua mão e o quebrou, derramando a clara. Não havia traços de gema. ‘Não nos é permitido interferir com a vida’, disse ele. ‘Se o ovo tivesse sido fertilizado não poderíamos tê-lo trazido.’ Estas palavras foram ditas antes de o quebrar, de modo que ele sabia em que condições estava o ovo, o que certamente é notável. —‘De onde o trouxe?’ perguntei eu.

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