Voltar ao livro Os Luminares Tchecos

Capítulo 7 de 51

Parte 7 de 51

Os Luminares Tchecos · Wera Krijanowskaia, pelo espírito J. W. Rochester

Capítulo IV

Poucas são as cidades da Europa que possuem uma localização tão

surpreendente quanto Praga - antiga capital da Boêmia. Aquele que teve a oportunidade de apreciá-la das alturas de Petrin, Vyshe-grad ou Gradtchan certamente jamais esquecerá esse maravilhoso quadro. Sobre a verde planície, cercada por altas colinas e cortada pelo rio Vltava, estende-se uma majestosa cidade. Sobre o azul-claro do céu, esguios templos e torres destacam-se da massa geral de belas casas de formas simples. Existe algo inexplicavelmente grandioso nessa espantosa harmonia de lindos contornos e cores. Tudo é claro e atraente, transpirando aquela envolvente e pura tranqüilidade que a natureza, às vezes, espalha sobre seus lugares preferidos, presenteando-os generosamente com seus dons. Como por ironia, esse recanto de paraíso terrestre foi escolhido pelo destino para servir de palco a guerras sangrentas, como arena de uma luta sem tréguas entre duas raças pela hegemonia da Boêmia. O desti-

No decorrer dos séculos, Praga f oi celebrada por sua beleza. Referindo-se à beleza da cidade, Goethe chamou-a de "uma pedra preciosa na coroa de pedra da Boêmia " - Nota da editora.

no também reservou um lugar entre os muros dessa mesma Praga para acender uma chama de pensamento livre, que com sua luz iluminou as trevas da Idade Média e desferiu sobre a poderosa Roma o primeiro mas decisivo golpe. Por longos séculos, o povo tcheco ocupa um lugar à frente de toda a raça eslava e fica encravado como um forcado num dos lados do germanismo, o que faz da Boêmia um lugar de permanente opressão do inimigo. Com a teimosia própria da raça teutônica, os alemães tentaram todos os meios de coação e perfídia - sem qualquer sucesso - para superar esse obstáculo ou, pelo menos, anulá-lo. O ataque começou com a mais perigosa das armas - a fé. A Boêmia foi cristianizada pelos santos eslavos Cirillo e Metódio, na segunda metade do século IX. O rito oriental lançou raízes muito profundas no espírito e no coração do povo tcheco.

As tradições dessa fé ancestral, mesmo enfraquecendo aos poucos, mantiveram-se por séculos e, apesar dos esforços dos papas, não desapareceram até o século XIV, quando a eles se juntou o movimento hussita, ou de "Huss". Talvez o hussismo até fizesse os tchecos retornarem à igreja ortodoxa, pois uma delegação do povo tcheco levou esse pedido a Constantino Paleólogo e ao patriarca Gennady. Contudo, Muhamed II tomou Constantinopla em 1453, as relações com Bizâncio foram interrompidas e a batalha junto ao monte Branco eclodiu como um raio sobre o país, abafando por longo tempo a vida religiosa e o desenvolvimento nacional. A partir dos séculos X e XI, atrás dos missionários católicos (alemães), vieram os colonos alemães, e a Boêmia perdeu alguns dos seus postos avançados como, por exemplo, a região de Cheb, que permaneceu germanizada até hoje. No fim do século XII, a invasão teutônica ameaçou com um perigo sério: por todos os lugares fundaram-se mosteiros e neles, assim como nas cidades, instalaram-se monges e clero alemães, trazendo consigo milhares de camponeses, cidadãos e artesãos.

A política antipopular dos últimos reis da casa dos Pchemyslovitsy favorecia essa colonização, concedendo aos estrangeiros privilégios tão amplos que estes fizeram surgir e desenvolver-se uma nova classe social - a burguesia, que não reconhecia outro direito além do alemão, tornando-se um cego motor do germanismo. As razões que obrigaram Venceslau I, Otakar II e Venceslau II a conceder tantos direitos e tantas liberdades aos estrangeiros alemães objetivavam elevar o poder real sobre as pretensões feudais da aristocracia, criando regiões burguesas dependentes diretamente do rei. O espírito de igualdade de direitos, próprio dos costumes dos antigos eslavos, não servia ao desenvolvimento do regime feudal, que era estranho ao povo. Por isso, as classes altas facilmente se encantaram com o modo de vida germânico - seus privilégios especiais - e acostumaram-se aos modos estrangeiros - direitos, costumes e língua -, transformando-se paulatinamente de senhores tchecos em algo semelhante aos senhores feudais alemães. Nas cidades, os alemães apropriaram-se de todos os cargos públicos.

Expulsos do controle regional, os tchecos eram explorados pelo clero amoral cada vez mais rico e perdiam até as suas terras, apesar de serem a maioria no país. Quando Henrique, duque de Korutan, subiu ao trono da Boêmia, a vitória do germanismo parecia garantida: todas as cidades pareciam ilhas alemãs no meio do mar da população tcheca, sendo completamente controladas por uma burguesia insolente que já não entendia a língua tcheca. Essa língua estava sendo relegada gradativamente à condição de ser falada somente por camponeses. Na massa popular existia a convicção de que os reis planejavam eliminar todos os eslavos para reforçar o poderio alemão. Entretanto, em seus cálculos, os vencedores esqueceram-se de uma coisa: o ódio popular aos alemães, que passa como um filete de sangue por toda a história do povo tcheco. Esse ódio era revivido e fomentado pela surda e cotidiana luta - sem descanso nem trégua - do camponês tcheco contra o invasor que lhe tomara a terra, a liberdade e a língua.

O espírito popular vivo ardia por debaixo das cinzas e, finalmente, levantou-se poderoso no momento que menos se esperava. As explosões de energia e indignação popular ainda não tinham um sistema nem uma consciência necessários para a luta contra a enorme e rigidamente organizada força da germanização. De repente,

eis que a famosa crônica de Dalimil dá o primeiro sinal de despertar do amor à pátria, ressuscitando a gloriosa história do povo tcheco e reavivando para a luta as forças e o espírito dos conterrâneos. A partir daí, a luta prossegue sob todas as formas com coragem crescente e, dessa vez, obtém sucesso. As cidades enchem-se de população autóctone, a língua tcheca é restabelecida com honras e até a corte, percebendo o ameaçador perigo da germanização, torna-se defensora do povo e inimiga das pretensões de estrangeiros que inundaram a Boêmia. Um inusitado trabalho intelectual começa a fervilhar no país, atacando e minando instituições que serviam de esteio ao poder estrangeiro. Contudo, os motivos básicos para o início da luta foram a desordem da Igreja e o descalabro moral do clero. A aristocracia dos princípios hierárquicos romanos - assim como o sistema feudal alemão - era estranha à Boêmia, amante da liberdade, que ainda recordava as bases populares do rito oriental que tornavam possível o oferecimento de escritos em língua nacional e, conseqüentemente, um desenvolvimento puramente nacional.

A Igreja romana - sempre estranha aos povos subordinados a ela - com seu jugo matava neles a vida espiritual autônoma. Surgiram pessoas de destaque, talentosas e patriotas fervorosas - que por vezes sequer tinham consciência da grandeza e da importância do papel político que desempenhavam - que se dedicaram ao trabalho de transformação da Igreja. Isso levaria inevitavelmente a Huss e às guerras hussitas que libertaram a Boêmia do jugo estrangeiro. Entretanto, o primeiro que se decidiu a atacar o poderio de Roma foi um alemão: Conrad de Waldhayusem. Ele pregava contra os monges mendicantes, os vícios do clero e da sociedade, mas na língua alemã.

Famoso patriota tcheco dos tempos do rei Jan de Luxemburgo (séc. XIV) que escreveu a história da Boêmia em versos rimados - Nota do autor. Seu sucessor e seguidor foi Milic de Kromeriz, que pregava em tcheco e, com isso, despertava no povo a atenção para a desordem na Igreja, abalada pela disputa de dois papas (um em Avignon e outro em Roma) que declaravam pretensões sobre o mundo cristão e duelavam entre si com excomunhões e bulas instantâneas.

Depois de Milic, veio Mathias de Janow. Com uma coragem nunca antes vista, ele acusa o alto escalão do catolicismo - papas, cardeais e bispos - como fontes de todos os descalabros e abusos. Para ele, o chefe da Igreja e intermediário entre Deus e os seres humanos era somente Cristo; a única instrução de fé - as escrituras sagradas; a regra de vida - a pobreza e a falta de cobiça dos primeiros cristãos. As idéias do protestantismo - as bases da Reforma - surgiram dessa maneira. O último dos que precederam Huss foi o cavaleiro andante Tomás de Stitné, que transferiu o problema para o campo científico-teológico e com seus estudos, notáveis tanto pela força do pensamento como pela palavra, conseguiu incutir em todo o povo o interesse por essas idéias abstratas. E, agora, estamos no limiar daquela revolução que, cem anos mais tarde, deveria resultar na destruição da unidade do catolicismo.

A longa gestação da Reforma estava concluída, todas as instituições medievais estavam minadas na base - restava juntar as questões teológicas à questão nacional e começar a guerra... Em linhas gerais, esse era o movimento intelectual e essa era a luta do povo tcheco. Vejamos agora como eram os acontecimentos políticos externos. Em 1378, com a morte do rei tcheco e imperador Carlos IV, o mais notável e famoso governante da dinastia de Luxemburgo, o trono da Boêmia e a coroa imperial passaram para o seu filho, Venceslau IV.

M. Janow, autor de Regras do Antigo e do Novo Testamento, pregava a salvação gratuita em Cristo - Nota da editora.

A história e, principalmente, os alemães - que não perdoaram seu apoio aos tchecos - condenaram-no severamente. Ele, entretanto, tinha ótimas idéias e considerava realmente como objetivo de sua vida a felicidade do país a ele confiado. Gostava da verdade, era acessível e até andava entre o povo para ouvir os comentários, controlar os comerciantes e castigar os abusos. Era bastante erudito para o seu tempo: falava e escrevia tanto em tcheco como em alemão, estudava latim e tinha noções sobre questões de direito. Numa outra situação, Venceslau teria sido um ótimo rei, mas a luta que o destino lhe reservou foi demais para suas forças. As diferenças nacionais e religiosas dilaceravam o reino; seus sobrinhos e irmãos, principalmente Sigismundo, eram seus inimigos, ansiando por tirar-lhe o poder. Atormentado e desanimado, Venceslau caiu na bebedeira e em outros excessos. Certa vez, em 1393, foi preso por nobres indignados, que depois lhe devolveram a liberdade, mas não a paz. As intrigas de seu irmão e a insatisfação dos altos barões continuaram a agitar o país.

A isso veio se juntar a luta com o novo imperador do Sacro Império Romano- Germânico, Ruprecht Palatino, eleito em 1400 no lugar de Venceslau. Para Huss e Jerônimo, esses acontecimentos eram vivificantes e tema inesgotável de conversas durante sua longa viagem de Pilsen a Praga. Tendo ficado ausente por mais de dois anos, Jerônimo acumulara um bocado de perguntas, pois a correspondência na época era difícil e as novidades locais chegavam a outro país somente por acaso. Por isso, a conversa não cessava e eles tinham acabado de comentar as mudanças ocorridas entre os professores e estudantes da universidade quando seus cavalos estancaram diante dos portões da cidade. Naquela época, Huss morava na "Cidade Nova" e, apesar de Jerônimo ter uma residência fixa na casa de uma parenta na "Margem Pequena", eles decidiram passar juntos aquela primeira noite. Quando passavam pelas ruas, a conversa era interrompida a cada minuto: Huss ou respondia a profundas reverências ou trocava cumprimentos amigáveis com passantes das mais diversas classes da população. - Vejo com satisfação que está muito popular, mestre Jan.

Os barões e cavaleiros o recebem com a mesma amabilidade que os artesãos e até o simples povo. - Observou Jerônimo, sorrindo. - É verdade. Eles me mimam com uma amabilidade e um amor que não mereço. Pregando a palavra de Deus, somente cumpro a minha obrigação e é muito natural que eu ame o nosso pobre povo, insultado, oprimido e odiado pelos estrangeiros! Jamais esqueço que sou filho de camponeses e devo compartilhar o saber que me foi dado com os irmãos, que procuram a luz da verdade nestes tempos agitados. Veja, lá vêm nossos amigos, que você também ficará feliz em ver: Estéfano Paletch e lakubek! As pessoas apontadas por Huss aparentemente perceberam os recém-chegados e dirigiram-se ao seu encontro. Paletch era um homem de meia-idade, de aparência calma e equilibrada. Seus traços faciais eram pouco agradáveis: havia em seus olhos algo cruel e fanático. Seu companheiro, lakubek de Stribro, era o oposto: pequeno e vivo, nitidamente se tratava de um homem de ação, entusiasta e apaixonado.

Enquanto Paletch cumprimentava amavelmente a Huss, lakubek apertava amigavelmente a mão de Jerônimo. - Finalmente você voltou, cheio de ciência estrangeira e muitas novidades políticas e outras que demorariam a chegar aqui por via normal. - Disse ele, alegremente. - Bem, quanto às novidades, aqui vocês têm de sobra. Mas, adivinhou. Tenho algo interessante para você e para o prezado mestre Paletch: dois trabalhos inéditos de Wyclif. - Filosóficos? - Perguntou aquele. - Não, teológicos: Dialogus et trialogus37 muito curiosos! - É preciso antes provar o quanto eles são úteis e o quanto são interessantes. - Observou, azedamente, Paletch. - As convicções religiosas de Wyclif foram condenadas por autoridades religiosas, e o cristão deve andar com extremo cuidado nesse terreno pantanoso.

Ernest Denis - Nota do autor.

- Sem dúvida! Mas o senhor mesmo irá julgar quando ler os tratados. Dentro de alguns dias estarei instalado no velho endereço e espero ter a honra de recebê-los. - Aceito com prazer seu convite. - Respondeu Paletch, sorrindo. E prosseguiu: - Mas vamos indo, lakubek! O senhor Zmirzlik está nos aguardando para o jantar e os viajantes devem ir descansar. - Então, até logo! Transmitam minhas recomendações ao Zmirzlik e à sua prezada senhora. - concluiu Huss, despedindo-se. Alguns dias depois, no amplo e arejado quarto de Jerônimo reuniramse seus amigos. Eles sentavam junto à janela, em volta de uma mesa, sobre a qual estavam espalhadas folhas manuscritas. Os rostos vermelhos indicavam que discutiam algo com aquela paixão que caracterizava as discussões religiosas daquele tempo e que aconteciam sempre, mais ou menos, no terreno das questões nacionais. Paletch dirigia-se a Jerônimo gritando e agitando seus grandes, longos e magros braços. - Tudo o que você leu para nós do triálogo de Wyclif somente confirma a minha primeira impressão.

Essas obras têm muitas coisas boas, suas intenções são puras, mas a sua coragem o leva demasiado longe. Atingir, como ele o faz, todos os conceitos da Igreja, criticar toda a hierarquia episcopal, ousar dizer que toda a história da sociedade cristã resume-se na luta do reino de Anticristo com o reino de Cristo, renegar o direito do trono apostólico de unir e perdoar e, finalmente, desejar submeter esse trono ao poder mundano, isso, isso... já passa a ser uma heresia! - Espere ai! - Interrompeu-o lakubek, excitado. - A nação também existe por direito divino, e Nosso Senhor Jesus Cristo, com as palavras "dai a César o que é de César", indicou o seu lugar. Mas a manutenção da ordem, tanto entre o clero quanto entre o povo, é um direito incontestável do alto poder mundano, ao qual a Igreja deve se submeter. Os papas, confirmando a independência do clero e suas propriedades do governo, criam uma fonte inesgotável para abusos e desordens.

Concordo inteiramente com Wyclif quando ele diz que o poder de unir e perdoar é exclusivo de Deus e que, ao apropriar-se dele por cobiça de poder, o papado comete o sacrilégio e semeia no mundo tentações e mentiras. Não foi isso que gerou a excomunhão da qual os papas tanto abusam? - Mas o que é isso, mestre Iakubek? Quando você se anima, parece galopar como um cavalo sem freio! - Intrometeu-se na conversa um terceiro interlocutor que ficara em silêncio até então. - Você deve concordar que as malversações não fazem um objeto ser ruim se ele por si mesmo é bom; pode-se malversar com qualquer coisa, tal é a fraqueza humana. Mas, inicialmente, a Igreja precisa tanto de castigos quanto o governo! A excomunhão é um castigo espiritual, como a forca e a fogueira são castigos mundanos. Estes e aqueles têm idêntico direito à existência! - Certo, mestre Elias, mas ninguém enforca ou queima na fogueira pessoas por elas terem espirrado fora de hora, ou por terem almoçado bem demais. As excomunhões são muitas vezes motivadas por alguns

barris de cerveja, ou uma outra ofensa contra a personalidade ou o bolso do padre. - Disse Jerônimo, rindo. - O caso que você lembrou confirma somente as palavras de Wyclif sobre os prazeres terrenos serem a infelicidade e a morte da Igreja. - Observou Huss. - O Senhor proibiu a cobiça aos seus apóstolos, mas Suas santas palavras soam como ironia a partir do momento em que o imperador Constantino, 300 anos após, presenteou o Papa com um reino. Naquele dia ouviu-se uma voz do céu: "Envenenaram a Igreja de Deus". Toda a Igreja cristã foi corrompida pela riqueza. De onde surgiram as guerras, as excomunhões e todas as brigas entre papas, bispos e outros membros do clero? Os cães brigam pelo osso: tire o osso e a paz voltará. De onde provêm a simonia e a cobiça do clero?

Tudo provém do mesmo veneno - a riqueza! - Então, você quer dizer que as propriedades da Igreja são inúteis e as doações feitas pelos fiéis para a glória de Deus e para a salvação da alma são um engano? - Perguntou, rispidamente, Paletch. - Sim, estou profundamente convencido de que o homem enganase tristemente quando imagina que, construindo uma igreja, obterá mais facilmente o perdão do Senhor. Acredito que é melhor dar esmola aos necessitados quando em vida, do que presentear o clero após a

Caso em Breslau, em 1381 - Grünhagen, "Kõnig Wenzel und er Pfaffenkrieg in Breslau " - Nota do autor.

Sebranè spisy (Coletânea de documentos). II, 305, III, 147 - Nota do autor. própria morte construindo para si uma escada de ouro para o céu. É melhor suportar humildemente um castigo e perdoar o inimigo do que se autoflagelar e quebrar sobre as próprias costas florestas inteiras de

varas de marmelo. - Respondeu Huss, com ardor. Ele também estava inspirado e seus olhos, normalmente calmos e dóceis, brilhavam de indignação. Assim, continuou: - Acredite-me, Paletch. Somente fazendo a Igreja voltar à sua pobreza inicial, nós lhe devolveremos a pureza e a faremos a imaculada noiva de Cristo. - Entendi muito bem, Jan, e no geral concordo com você. Todavia, a crítica aos estatutos, criados sob inspiração do Espírito Santo, consagrados pelas tradições e aprovados pelos pais da Igreja, é algo perigoso. - Observou Stanislau de Znoim. - Só posso aconselhar a vocês, meus amigos Jan e Jerônimo, e também a você, impetuoso lakubek, que sejam precavidos e estudem Wyclif com certas restrições. Não foi à toa que o conselho de Londres e o arcebispo de Canterburry julgaram como hereges 24 trechos escolhidos de suas obras. Qualquer bom católico teria a mesma opinião, ao ler seus tratados sobre a comunhão, a predestinação, a Mãe de Deus e os santos. Não posso acreditar, mestre Jan, que você aprove tais coisas! - Deus está vendo - e Huss persignou-se, com veneração -que não aprovo nada disso e lamento que uma mente tão elevada como a desse teólogo inglês tenha se deixado levar de modo a cometer tão tristes

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.