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Capítulo 28 de 51

Parte 28 de 51

Os Luminares Tchecos · Wera Krijanowskaia, pelo espírito J. W. Rochester

Capítulo VIII

Uma nova infelicidade desabou sobre a família Valdstein. Depois de horas de gritos lancinantes e desmaios, a condessa Iana caiu em total prostração, seguida de um pesado e profundo sono. Um velho médico judeu, muito famoso na cidade, foi chamado imediatamente e achou que aquele era um bom sinal e que o descanso poderia restabelecer o equilíbrio do organismo excitado. Mas, na manhã do dia seguinte, gritos terríveis vindos dos aposentos da condessa acordaram toda a casa. Quando o conde chegou lá, viu com horror que a esposa corria confusa pelo quarto, escondendose por trás dos móveis e cortinas, tentando ocultar-se de alguém que somente ela via e cuja presença deixava-a louca de medo. - Devolva-me a indulgência! Devolva já! - Implorava ela ao marido. - Estou agora sob o poder dos demônios. Rabstein saiu do túmulo e, vendo-me indefesa, persegue-me por todos os lugares. - Não! Não me toque! - Gritava ela, olhando para o nada. - Foi Tomasso que me aconselhou a liquidar você. Ai! Ai! Ele está me agarrando com suas mãos geladas como pinças.

Ela pulava para todos os lados como uma gata, defendendo-se do inimigo invisível e, por fim, correu para o oratório. Lá, abriu a gaveta da mesa e começou a revirar tudo o que havia dentro à procura da indulgência que a livraria da perseguição de sua vítima. A partir desse dia, apesar de todo tipo de tratamento, a condessa não mais recuperou a razão. Ela via o falecido barão em cada sombra, em cada canto, por trás de cada objeto; ele aguardava-a nas dobras das cortinas, zombava dela das chamas da lareira ou da alcova da cama, punha sua mão sobre todo alimento que serviam a ela, e espezinhava-a mostrando e escondendo a indulgência que agora estava em suas mãos. A infeliz tentava, aos gritos, esconder-se do fantasma, ou começava a procurar desesperadamente o talismã perdido, rasgando almofadas, arrancando cortinas e cobertores, quebrando caixas e porta-jóias até que seu ataque de violência a levava ao completo desfalecimento.

Enquanto essa sombria tragédia desencadeava-se na casa dos Valdstein, as divergências político-religiosas em Praga cresciam a cada dia, aguçando o ódio entre partidos e inflamando a turba, que já lamentava e homenageava seus primeiros mártires. Estes eram três homens do povo: Martin Kridhilko, Jan Khudek e

Stasek Polak, que haviam sido presos por protestar abertamente em diferentes igrejas contra a venda de indulgências e por chamar de mentirosos os sacerdotes que ofendiam Huss. Os membros do conselho da cidade haviam condenado Kridhilko, Khudek e Polak à morte por decapitação; então, mais de dois mil estudantes armados tinham-se reunido diante da câmara municipal, demonstrando sua insatisfação com aquela decisão. O próprio Huss intercedera em favor dos condenados e declarara ser ele o único culpado e estar pronto a assumir a culpa. Assustado com a agitação que tomara conta da cidade, o conselho prometera tudo o que dele fora exigido. Mas, quando o povo dispersa-

90 Palaky, ///, p. 279 - Nota do autor. ra-se, os membros do conselho - com uma perfídia puramente alemã - haviam mandado executar imediatamente os jovens presos. Quando eles foram levados ao local da execução, durante o caminho reuniu-se novamente uma multidão ameaçadora que não expressava abertamente seus sentimentos. Apesar disso, o conselho achou necessário executar a sentença, para terminar de vez com o caso e para que este servisse de lição. A multidão, reconhecendo os executados como mártires e cantando a oração Isti sunt sancti, levou os corpos para a capela de Belém, onde foi realizada uma solene e geral oração

pelas almas das vítimas e pelo povo. Eram tempos difíceis para o corajoso reformador, que sofria muito ao ver que, entre seus piores inimigos, estavam pessoas que ele considerava como dedicados amigos. O mais feroz entre eles era Estéfano Paletch, que na época era decano da faculdade de teologia. É difícil dizer o que levou aquele homem a perseguir o seu ex-amigo: se foi inveja ou fanatismo. O fato é que foi por sua causa que as perseguições aos ensinamentos de Wyclif renovaram-se com novo ímpeto. Aos artigos já condenados juntavamse outros, novos. Eles chegaram até a pedir ao rei para simplesmente proibir Huss de fazer o seu sermão. Concomitantemente, o clero e o partido católico da universidade enviaram ao Papa terríveis acusações contra Huss - "esse ímpio, que desdenha o poder do santo altar e que contamina com heresia todo o povo" -, pedindo, além disso, que fossem convocados alguns nobres, incluindo Vok Valdstein, Henrich Lefl Lazal e Jan Sadio de Smikhv, como os maiores partidários do padre "herege" e blasfemos da Igreja.

O alemão Miguel de Causis levou ao papa João XXIII essa acusação.

Kobler, "lohannes Huss der Reformatar dês XV Jahuruhunderis " — Nota do autor

Miguel da vau Alemã, o mais fervoroso perseguidor de Huss, ex-sacerdote da igreja de São Adalberto, da cidade de Praga, foi nomeado pelo Papa como procurador da fé (procurador de causis fidel), provindo daí o nome pelo qual ficou mais conhecido. (Bilbassov, "O tcheco Jan Huss de Hussinits ") - Nota do autor. A todos os ataques e perseguições Huss respondia com uma tranqüila e inabalável dureza; ao arcebispo e aos magistrados universitários ele sempre dizia: - Não estou protestando contra o poder do Papa, mas contra o abuso desse poder; e se vocês me provarem pelas sagradas escrituras que estou errado e confuso, serei o primeiro a reconhecê-lo e me submeter. Não posso deixar de pregar, pois o primeiro dever do sacerdote é divulgar a palavra divina. Os inimigos de Huss utilizavam todos os recursos junto ao papa para liquidá-lo. O partido do clero e dos doutores de Praga achou, na pessoa de Miguel de Causis, seu verdadeiro representante. Filho de pobres mineiros, homem de reputação duvidosa, ele, como pároco da Cidade Nova - e graças a conhecidos especiais -, conseguira obter do rei a incumbência de introduzir melhoramentos no trabalho de minas. Após algumas experiências frustradas, fugira com o

dinheiro que lhe fora confiado. Miguel punha à disposição de seus mandantes uma enorme insolência, um profundo conhecimento da viciada corte do Papa e uma absoluta falta de escrúpulos no manuseio de recursos; a soma de todos esses predicados satisfazia inteiramente ao clero. O cardeal de Santo Anjo proferiu contra Huss uma grandiosa excomunhão, convocando os fiéis a agarrá-lo e levá-lo ao arcebispo para julgamento e morte na fogueira, e a destruir a capela de Belém. A notícia dessas medidas contra um homem puro e bom, que a maioria da população amava e respeitava, provocou uma agitação em Praga. Na casa dos Valdstein - onde, após os tristes acontecimentos descritos acima, a afeição e a confiança ao respeitável pregador haviam aumentado muito -, essa notícia provocou uma explosão de indignação. Huss tinha uma influência benéfica principalmente sobre Ana. Durante todo o período de sua doença, ele diariamente a visitara e, com suas longas conversas, despertara a fé e a docilidade na alma so-

Conto de Peter Mladenovitch. Palacky, documento 246 - Nota do autor fredora da infeliz. A partir daí Ana parecera conformar-se com seu destino, procurando apoio e consolo na oração. Houvera uma cena terrível entre ela e seu irmão. Ao saber que Ana fora desonrada, Zizka ficara tão furioso que, no primeiro instante, quase a matara. Ela, entretanto, não tremera quando o punhal de Jan Zizka de Trotsnov brilhara sobre sua cabeça e, provavelmente, esse frio desdém à vida é que a salvara. Recompondo-se, ele abraçara a irmã, pedira para esquecer a sua louca explosão e jurara vingar-se impiedosamente por ela. Mas, para sua grande surpresa, Ana respondera: - Jan, deixe Deus castigar o criminoso! O Senhor sabe o que faz e não seremos nós, cegos, a levantarmo-nos contra as Suas determinações. Mas Zizka não era daqueles que se acalmam com facilidade. Se Brancassis aparecesse à sua frente, matá-lo-ia como a um cão. E quando, depois de longa procura, Zizka finalmente descobriu que Tomasso estava escondido no mosteiro de Strakhov, o cardeal já tinha ido embora em surdina para a Itália. A vingança imediata teve de ser adiada.

Mas, em sua alma, Jan Zizka guardou um impiedoso ódio contra o clero, o qual nem suspeitava da terrível vingança que o esperava da parte de um simples palaciano da rainha. Dois meses havia se passado desde que Túlia fora morar na casa dos Valdstein. Ela adaptara-se perfeitamente ao novo modo de vida e, por seu bom caráter e sua amabilidade, conseguira a afeição geral. Ela sentia-se muito feliz. Sua relação com a família do conde, com Ana e com Huss havia elevado seu amor-próprio, devolvendo-lhe a auto-estima e a esperança no futuro. A afeição por ela aumentou ainda mais quando ficou conhecida a sua triste história. Certa noite, Ana, ainda não completamente refeita, deitou-se. Rugena sentou-se à cabeceira da cama e Túlia instalou-se numa almofada aos seus pés. De repente, Ana perguntou-lhe por que odiava Brancassis e como se tornara sua amante. Túlia estremeceu e ficou pálida com a lembrança do passado que iria recordar agora.

Comovidas com sua reação, Rugena e Ana disseram-lhe que não precisava contar nada, mas a própria Túlia sentiu necessidade de extravasar o que guardava na alma e contar a sua curta mas agitada vida. Ela era a filha mais velha de um ourives de Bolonha; seu pai era viúvo e uma velha tia educava-a e à sua irmã. A vida corria feliz e tranqüila. Ela tinha 15 anos quando a infelicidade caíra sobre sua família. Certa manhã, sua tia mandara-a levar um recado ao pai, que trabalhava em sua oficina, onde geralmente recebia os clientes importantes e visitantes. Naquele dia, ele estava recebendo a visita de prelado de alto posto, que fora encomendar um precioso cálice para o cardeal legado de Bolonha, Baltazar Cossa. O cliente, que era Brancassis, não tirava os olhos da bela Túlia e, desde aquele dia, ela não podia dar um passo sem encontrar o bispo em seu caminho.

Certo dia, uma mulher desconhecida aproximara-se dela na rua e começara a falar sobre a paixão de um nobre clérigo, fermentando as suas doces palavras com diversas promessas, se Túlia concordasse em tornar-se sua amante. Túlia negara-se com repugnância, mas isso não esfriara a mulher. Esta continuara a incomodá-la com as suas propostas indecentes até em sua própria casa, aproveitando a ausência da tia. Um dia, finalmente, o próprio pai flagrara tal cena, dera uma forte surra na sedutora e jogara-a na rua. Algumas semanas depois, numa manhã, aparecera a guarda municipal e levara o artesão sob a acusação de ter colocado pedras falsas no cálice encomendado, em lugar das verdadeiras que tinham sido entregues a ele. Ao chegar a essa parte do seu relato, Túlia ficou muito emocionada e parou para tomar fôlego. - Como posso descrever-lhes o meu desespero quando vi meu pai ser jogado na cadeia, apesar de jurar inocência? Em seguida, veio a queda financeira, pois todos os nossos bens foram confiscados para pagar as pedras preciosas supostamente roubadas.

Certa vez, ao sair da prisão onde tentava sem sucesso conseguir um encontro com meu pai, vi aquela mesma mulher. Ela, rindo insolente-mente, observou que eu "não estava batendo na porta certa", dando a entender que somente a influência de Brancassis junto ao cardeal legado poderia ajudar a salvar meu pai. Por muito tempo eu não tive coragem para ir implorar ajuda àquele homem, que suspeitava, sem saber o porquê, ter sido o principal culpado da nossa desgraça. Mas, infelizmente, fui obrigada a isso. Nós estávamos na miséria e minha tia e minha irmãzinha até haviam adoecido de tristeza e privações. Brancassis recebeu-me amistosamente, mas ao meu pedido respondeu, sorrindo: "Uma mão lava a outra! Aceite o meu amor e eu salvo o velho ladrão". "Ele não é ladrão, e entregou os verdadeiros brilhantes! Sabe Deus onde eles foram trocados!", respondi, indignada. "Minha filha, se pode provar isso, então para que veio aqui pedir minha ajuda? Mas, apresse-se, pois a previno de que seu pai, primeiramente, será submetido à tortura para obter a sua confissão e depois... será enforcado".

Naquele instante, pensei que iria enlouquecer e me pareceu sem importância sacrificar a minha vida para a felicidade de minha família. Respondi que aceitava sua oferta, mas exigi garantias de que ele não me enganaria e não executaria meu pai. Ele riu e elogiou a minha sagacidade dizendo que iniciaria os meus serviços somente depois que o culpado estivesse livre. Alguns dias depois, eu soube que meu pai fugira da prisão e, na realidade, passara a morar numa outra cidade sob nome falso. Minha tia e minha irmã foram morar com ele e eu passei a trabalhar como pajem de Brancassis. O cardeal me avisou, desde o início, que não perderia de vista a minha família e que ao menor problema comigo faria meu infeliz pai voltar para a cadeia e ser castigado duplamente: por roubo e fuga. Eu carreguei pacientemente a minha cruz e ele brincava comigo como gato brinca com rato. Ele divertia-se com as minhas tentativas de esconder o nojo que tinha por ele. Depois, aconteceu algo que transformou esse nojo em indescritível ódio... Eu me preparava para ser mãe.

Isso o deixou furioso, mas ele não queria arriscar a minha saúde, pois eu lhe agradava. Quando o meu estado não mais permitiu desempenhar o papel de pajem, ele enviou-me para uma vila nos arredores, onde vivi com uma velha criada e onde dei à luz o meu filho. Eu me afeiçoei ao menino e a criada, que gostava de mim, prometia mandá-lo para a casa de meu pai. A velha Núcia contou-me muitas coisas sobre Brancassis e as minhas predecessoras, que sempre desapareciam misteriosamente, e ninguém nunca ficava sabendo o que era feito delas. Certa vez, Núcia e eu estávamos sentadas junto à lareira, conversando. De repente, Brancassis chegou inesperadamente e, ao ver a criança no meu colo, ficou furioso. "Núcia, sua velha estúpida! Você enlouqueceu em deixar viver esta criatura que pode nos dar tanto trabalho! Eu já não lhe falei que não a quero?" E sem que eu tivesse tempo para entender o que se passava, ele arrancou a criança das minhas mãos e jogou-a na lareira acesa.

Vendo as róseas mãozinhas e perninhas agitando-se desamparadas entre as chamas, perdi a capacidade de gritar e meu coração e minha mente pareciam prontos a explodir... Perdi os sentidos e por algumas semanas estive entre a loucura e a morte... Depois, acabei recobrando a saúde bem lentamente e, infelizmente, a beleza... Não há palavras para descrever o ódio que sentia por Brancassis, mas, consciente de minha impotência, escondi os meus sentimentos aguardando o momento de vingar-me dele... O resto vocês sabem. - Concluiu Túlia, enxugando as lágrimas que lhe caíam pela face. Rugena e Ana ouviram o relato em completo silêncio, por vezes interrompido pelo pranto de Túlia. - Meu Deus! - Exclamou Rugena, quando Túlia terminou sua terrível história. - E esse monstro ainda ousa realizar os mistérios divinos com aquelas mãos criminosas! Como um raio não o mata diante do altar? - É melhor dizer: como ousam, o clero do tipo Brancassis e papas como João XXIII - patife e bandido -, excomungar um santo como o mestre Jan? - Observou Ana, indignada.

Capítulo IX

A notícia de que o Papa mandara impor sobre Huss uma solene excomunhão - se ele não se submetesse, no prazo de 20 dias, às ordens apostólicas - deixara seus inimigos felizes e, como o rei não contestara abertamente as medidas severas do santíssimo trono, a ousadia deles crescera ainda mais. Na época, o conselho da "Cidade Velha" era constituído, em sua maioria, por alemães; sob seu patrocínio, aconteceu uma assembléia de cidadãos também alemães, na qual ficou decidido que realizariam um ataque armado à capela de Belém mesmo sem esperar a promulgação da interdição, dispersando à força os fiéis e prendendo o próprio pregador. Chegou o dia 2 de outubro, feriado religioso em Praga. Uma respeitável multidão de burgueses armados reuniu-se pela manhã. Era chefiada pelo traidor tcheco Bernard Khotek e por Guints Leinhardt - o próprio mentor do ataque planejado. Em seu insano ódio aos tchecos, o filho do açougueiro ansiava por arrancar deles o homem amado por aquele povo e que parecia a própria encarnação da idéia do seu renascimento nacional.

A capela de Belém estava lotada de fiéis, que ouviam o sermão de Huss com aquela fé entusiasmada que ele 'sabia despertar nos corações dos ouvintes. De repente, alguns homens irromperam pela porta, aos gritos: - Os alemães cercaram a capela e estão perseguindo os nossos com lanças e bestas! No primeiro momento, os presentes ficaram mudos de espanto. Em seguida, tudo se agitou e lá de fora já se ouviam gritos, palavrões e o tilintar das armas dos atacantes, tentando penetrar no templo. Antes que acontecesse o pânico geral, alguns cavaleiros e senhores, inclusive Vok Valdstein, subiram nos bancos e gritaram: - Crianças e mulheres, fiquem onde estão! Os homens todos vão para frente em defesa da capela e, se possível, sem derramamento de sangue! Todos os tchecos sãos correram para a saída. Os alemães, que já haviam conseguido tomar o pátio, foram rechaçados e diante deles cresceu uma fileira de defensores do santo lugar, parados em silêncio, mas frios e determinados.

Vendo que a tentativa do ataque de surpresa não vingara, os alemães, confusos com a ameaçadora calma dos inimigos, recuaram. Guints, espumando pela boca, tentava convencê-los a atacar e conquistar o templo, mas Khotek e a maioria dos burgueses temiam o combate na igreja e voltaram ruidosamente para a câmara municipal. O conselho da cidade reuniu-se e, após agitadas discussões, resolveu destruir pelo menos a própria capela, conforme ordens de Roma. Na tarde do mesmo dia, Huss esteve na casa dos Valdstein. Até a sua dócil alma estava indignada com o insolente ataque matinal e ele não conseguia se conter: - Vejam - dizia ele - a amostra da insolência alemã! Eles não destruiriam o fogão do vizinho sem a anuência do rei, mas ousaram atentar contra o templo do Senhor! - Oh! Mas nós defenderemos a capela!

Se os alemães quiserem conhecer o sabor dos nossos punhos, que tentem isso mais uma vez! - Exclamou Vok, fervendo de raiva. - Eu só receio pelo senhor, mestre Jan, pois os sórdidos "padrecos" passarão agora a persegui-lo sem piedade. - Já fui convocado à presença do bispo para dizer se me submeto às ordens apostólicas. - E o que o senhor respondeu? - Perguntou Rugena, preocupada. Um triste sorriso passou pelo rosto de Huss. - Respondi, de todo o coração... E, percebendo a curiosidade geral, ele continuou: - Considero como apostólicos os mandamentos dos apóstolos de Cristo e estou pronto a obedecer ao Papa na medida em que suas ordens estejam de acordo com os ensinamentos do Salvador. Mas se essas ordens contradizem esses ensinamentos, não irei obedecê-las

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