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Capítulo 12 de 51

Parte 12 de 51

Os Luminares Tchecos · Wera Krijanowskaia, pelo espírito J. W. Rochester

Era 25 de dezembro e, em Praga, comemorava-se o Natal. Toda a cidade estava em movimento. Nas praças, nas barracas de madeira montadas às pressas, vendiam-se doces, brinquedos, diversos objetos de culto etc. Os artistas de rua ambulantes mostravam sua força e sua destreza; pela multidão circulavam quiromantes e um curandeiro em cima da carroça anunciava em altos brados diversos remédios de beleza, talismãs que provocavam paixões, pomadas que devolviam aos cabelos grisalhos a cor original, licores que curavam qualquer doença e dinheiro encantado que ajudava no comércio. Rindo alegremente e aos empurrões, o povo consumia as guloseimas, ouvia as predições e comprava os mais diversos talismãs e ervas. Mas um observador atento perceberia que a alegria e a despreocupação da turba eram mais aparentes do que reais e eram sinceras somente em mulheres e crianças. Os homens, pelo contrário, reuniam-se em grupos e discutiam, em tcheco ou alemão, diversas questões sobre o papa Gregório XII, o rei, o conclave de Bizâncio, Huss e a divisão de línguas por nacionalidades na universidade.

Notemos que tchecos e alemães reuniam-se em grupos separados e os olhares hostis e as palavras de provocação que trocavam não prognosticavam nada de bom. Dois homens em capas escuras passavam em silêncio pela grande praça da "Cidade Nova", sem se juntarem a nenhum dos grupos. Um deles era Broda, professor de artes marciais do conde Valdstein. O tempo parecia não passar para ele: a alta e poderosa figura ainda era esbelta e esguia; ele continuava a transpirar uma auto-confiante e calma força, bem como uma saúde indestrutível, e seus olhos não haviam perdido o antigo brilho, vigiando severamente por baixo das espessas sobrancelhas. Somente alguns fios grisalhos nos cabelos e as rugas nos cantos dos olhos indicavam que ele também estava sujeito ao ataque do tempo. Seu companheiro era um jovem de uns 20 anos, alto e magro. O rosto, pálido e delicado como de uma moça, era fino e reto: cabelos loiros e cheios cobriam sua cabeça; os olhos, cinzentos e bondosos, brilhavam com inteligência.

Naquele instante, a tristeza embaçava sua vista e uma expressão de insatisfação parecia ter-se congelado nos seus róseos lábios. Ocupados pelos próprios pensamentos, eles caminhavam em silêncio até o fundo da praça. Lá havia uma taberna e pela porta escancarada via-se uma grande sala cheia de mesas e bancos, tendo ao fundo uma estante com bilhas e garrafas. Sobre uma enorme lareira, giravam espetos assando caça e carne, e o odor saboroso do ar quente chegava até na rua. Broda parou, sentiu o cheiro de comida e, dirigindo-se ao companheiro, disse: - Vamos entrar, Svetomir! Vamos comer um pouco de caça e tomar uma caneca de vinho! Você nada comeu desde a manhã e isso é mau; diabos, você ainda não virou monge! Barriga vazia não traz bons pensamentos. O rapaz olhou para a sala e, depois, como se estivesse tentando se livrar de incômodos pensamentos, passou a mão no rosto: - Está bem, vamos lá! - Respondeu. - Só que lá estão sentados muitos alemães e, aparentemente, bêbados. - Deixe-os para lá. Ora essa!

Só faltava que nos privássemos de algo com medo de incomodá-los! - Disse Broda, em tom de zombaria, e entrou. O salão estava lotado e quase todas as mesas estavam ocupadas por alemães - burgueses, estudantes e monges. Somente no fundo, perto da lareira, havia alguns grupos de tchecos, conversando à meiavoz: eram em sua maioria trabalhadores e artesãos. Broda e Svetomir ocuparam lugares vagos à mesa, onde já se sentavam outros dois - um gordo comerciante e um estudante; eles olharam para os recémchegados com ar de poucos amigos e em seguida continuaram a conversar em voz alta com as pessoas das mesas vizinhas. Falavam em alemão e discutiam os principais assuntos do dia: a separação dos dois papas - ao que o concilio dos cardeais em Pisa deveria pôr um fim - e a distribuição de votos na universidade.

O estudante contava que, alguns dias atrás, na sala do reitor Henrique von- Baltengagem, acontecera uma grande reunião - à qual haviam estado presentes representantes do arcebispo -, ao término da qual, depois de animadas discussões e um maravilhoso discurso de mestre Gubner, a maioria votara que o clero e a universidade deveriam permanecer fiéis ao papa Gregório XII. - Decisão inteligente e justa! Os cristãos não podem brincar com a consciência de acordo com a hora, e mudar de papas como se estes fossem maçãs e não chefes da Igreja cristã! - Exclamou um burguês bem-vestido e de cara vermelha. - Você está certo, Gothold! Nós todos permaneceremos fiéis ao papa Gregório XII. O rei, diante de tão respeitável grupo, obviamente não irá ceder aos adeptos de Wyclif e não dará seu consentimento aos cardeais. - Acrescentou o outro alemão. -Vamos esperar que assim seja. Pois já estava na hora de acabar com as hereges opiniões desses sectários. Por causa deles, toda a Boêmia está suspeita de heresia e envergonhada diante do mundo cristão.

-Voltou a falar o primeiro burguês, acrescentando algumas palavras de baixo calão sobre o partido tcheco nacional e suas tentativas de restabelecer os direitos de seu povo. - Eles nada vão conseguir, pois somos a cabeça e as mãos do país! O que seria desses selvagens bobos sem nós? Ficariam como gado, estagnados na ignorância, se nós, alemães, não tivéssemos introduzido aqui nossa ciência e nossa indústria, nossas leis e nossos costumes, que os transformaram em seres humanos! - Falou o estudante, vangloriando-se. Olhando de lado para Svetomir, cujo rosto ficava ora pálido ora vermelho com suas insolentes palavras, ele continuou, num tom irônico: - Repito: eles nada conseguirão, pois nós somos o povo dos senhores, criado para comandar raças inferiores. Mas, para evitar agitações inúteis, e para cortar pela raiz suas exigências ridículas, é necessário cortar a língua de alguns tagarelas perigosos como Jerônimo e Jan Huss, que, em vez de pregar a fé, pregam e incitam o ódio.

Atiram-se como cães em cima de altos funcionários do clero e ficam felizes de enlameá-los diante de sapateiros, criadores de porcos e de toda a plebe que os ouve. Broda parecia não prestar a mínima atenção ao discurso provocador dos vizinhos: deglutia com apetite um pedaço de ganso e bebia vinho; de tempos em tempos, olhava de soslaio para o burguês gordo, cujo rosto redondo, gordo e vermelho iluminava-se de arrogância. Mas, ao ouvir pronunciarem o nome de Huss, ele empurrou o prato e, voltando-se aos alemães, deu um soco na mesa e gritou: - Chega, senhores! Aconselharia a todos que deixassem o pregador de Belém em paz! Quem mais poderia açoitar os vícios, senão ele - o exemplo de todas as virtudes cristãs? - O que você tem a ver com isso, imbecil? - Interrompeu-o, irado, o estudante. - Esse seu exemplo de benfeitor é um herege que o rei um dia mandará queimar! Ele prometeu isso há pouco tempo. O canalha, agora, adoeceu de medo, e dizem que está morrendo. - Não vale a pena se exaltar, Gothold!

Não vamos ligar para um vagabundo tcheco qualquer! - Observou o alemão gordo, com um riso de desprezo. - Ele deve ser um dos criadores de porcos de que você falava há pouco. - Você está certo, bêbado alemão! - Urrou Broda. - Sou criador de porcos e veja o que eu faço com porcos estrangeiros quando eles ousam atacar o meu rebanho. Dizendo isso, levantou-se ameaçadoramente em toda a sua altura e, num instante, antes que alguém pudesse entender o que se passava, apareceu diante do burguês. Agarrando-o com uma mão pelo cinto e com a outra pelo cangote, levantou-o no ar como a uma criança e jogou-o para fora do salão. O burguês passou como uma pedra sobre as mesas, derrubando, em sua passagem, alguns pedestres e se esborrachou na calçada. Lá fora começou um barulho, mas no salão, no primeiro instante, fez-se um silêncio sepulcral.

De repente, os alemães todos se levantaram com gritos e blasfêmias; em suas mãos brilhavam armas e sobre as cabeças começaram a voar bilhas e canecas, apesar dos ardentes protestos do proprietário do estabelecimento. Naquele momento, o burguês que havia sido jogado para fora apareceu na porta, todo cheio de lama, com o rosto ensangüentado e, espumando de raiva, correu para Broda. Mas este, junto com Svetomir, desembainhou a espada e defendeu-se tranqüilamente dos atacantes; todos os tchecos presentes no salão juntaram-se a eles e começou uma briga geral. Gritos horrorosos, barulho e som de pratos, mesas e bancos quebrando - toda essa balbúrdia reuniu uma multidão na porta de entrada e o povo, senão com ações, com palavras, participava da confusão. Broda e Svetomir conseguiram chegar até a saída, abrindo caminho com as armas; mal atingiram a rua, chegou ao local da batalha um destacamento da guarda policial, chamado por algum cidadão.

Mas a maioria dos espectadores estava do lado de Broda, cujo ato heróico passava de boca em boca; a multidão abriu-se e protegeu o mestre-de-armas e Svetomir com uma parede humana. Assim, ambos já haviam desaparecido numa das ruelas antes que o chefe da guarda se desse conta do que tinha acontecido. - Você ensinou uma boa lição àquele alemão presunçoso! - Disse Svetomir rindo e andando atrás de Broda. - Por muito tempo ele não vai poder empinar o narigão que arrebentou na calçada! Vamos à casa de Zizka, pois preciso contar-lhe a nossa aventura; ele vai se divertir com isso! -Respondeu Broda, alegremente. E eles atravessaram, com passo animado, a famosa ponte sobre o rio Vltava, construída por Carlos IV, e viraram por uma vazia e serpenteante ruela na "Cidade Antiga". Já tinha anoitecido quando pararam diante de uma casinha de aparência pobre e tiveram de subir às apalpadelas por uma estreita e íngreme escada. Finalmente, bateram à porta, por cuja fresta via-se uma faixa de luz. No quarto amplo, mas decorado com simplicidade, havia uma cama larga com cortinas de lã.

No centro, em volta da mesa iluminada por uma lamparina, sentavam-se três pessoas: uma velhinha, descascando maçãs e tomando conta da pequena garotinha de cinco anos que brincava ali mesmo com um carneirinho de madeira, e um homem jovem, de uns 30 anos, com um rosto inteligente e ousado. Seus olhos brilhavam severamente debaixo de espessas sobrancelhas; tinha uma boca grande, encimada por bigodes ruivos; os cabelos cortados como escova e uma curta barba emolduravam seu rosto. Sentia-se nele uma misteriosa e enorme força pedindo para sair; transparecia naquele homem uma estranha mistura de natural severidade, nobreza e até magnanimidade. Zizka usava traje de corte polonês, como Broda. Ele estava sentado escrevendo, mas, com a chegada dos visitantes, levantou-se para cumprimentá-los. Dirigindo-se à velhinha, que trocava apertos de mão com os recém-chegados, disse: - Querida tia, leve a criança daqui e traga-nos vinho. - A sua menina está linda e cresceu bem! - Observou Broda, enquanto sentavam-se à mesa. - Ela parece demais com a minha falecida esposa, e a tia olha-a com se fosse sua própria filha. - Respondeu Zizka, enchendo de vinho as canecas de cobre trazidas pela velhinha.

Broda começou a contar o caso da taberna num tom de satisfação e por vezes de raiva. Zizka, por sua vez, descreveu o audacioso assalto que empreendera alguns meses antes contra Rosemberg, durante o qual, chefiando um grupo de corajosos companheiros, arrasara as propriedades dos seus poderosos inimigos e conseguira um resgate por

eles. Svetomir não participava da conversa e estava novamente perdido em pensamentos sombrios, sem nada ver ou ouvir. - O que está acontecendo com Svetomir, que hoje está tão estranho? - Perguntou Zizka, sempre observando o jovem. - Ontem à noite, o pobre coitado recebeu péssimas notícias e nem sei como ajudá-lo. - Respondeu Broda, suspirando. - O caso é o seguinte: você talvez saiba que a condessa Valdstein quer, sabe-se lá por quê, fazer de Svetomir um padre, apesar de ele detestar isso. Eu sempre suspeitei de que o principal culpado disso é o patife Hilário, que odeia o pobre rapaz. Sempre impedi o quanto pude a realização desse plano; para ganhar tempo, com a ajuda de Vok, convenci o conde Valdstein a autorizar Svetomir a fazer um curso de teologia na universidade, antes de receber a tonsura. Como ele tinha ainda dois anos pela frente, estávamos absolutamente tranqüilos.

De repente, ontem veio a ordem para que ele se apresente no mosteiro de Brevnov para ser recebido como noviço. - Não entendo quem deu a ordem ou por incumbência de quem. - Interrompeu-o Zizka. - Você disse que a condessa está no estrangeiro, junto com seu confessor. Então, quem poderia ter dado tal ordem? - Realmente, a condessa viajou para a Itália há seis meses para vender as terras que recebeu de herança. Agora a venda foi concluída e ela viajou a Bolonha, a fim de visitar o seu primo, bispo Bran-cassis, e o cardeal-legado Baltazar Cossa, que também é parente seu. Lá eles encontraram o abade do mosteiro de Brevnov e apressaram-se a entregar Svetomir a ele para iniciação. E o miserável Hilário correu para dar a boa nova ao pobre coitado que odeia a batina. Eu até entenderia se eles decidissem enviá-lo para o clero branco, e poderiam comprarlhe uma paróquia e, em outras palavras, garantir-lhe o futuro. Mas, fazer dele um monge?!...

Tomek, "Jan Gichka " - Nota do autor. - Não quero ser nada disso! Antes de ser tonsado, eu me jogarei no rio Vltava! - Disse Svetomir decididamente e com voz trêmula de emoção. - Ora, ora! Já que não preza a vida, então pelo menos poderia sacrificá-la por algo mais nobre e útil... - Disse Zizka. - Tive uma idéia. Por estes dias viajo a Cracóvia, onde tenho amigos entre os nobres poloneses. Venha comigo e entre para o serviço do rei Jagellon! Um jovem guerreiro sempre será bem-vindo e penso que poderei ajudá-lo nisso, conseguindo a autorização da alta cúpula dos senhores. Você quer? O rosto de Svetomir iluminou-se de felicidade. - É claro que quero! - Exclamou ele, alegremente, estendendo ambas as mãos a Zizka. - Leve-me com você, Jan, e juro que não irei decepcioná-lo! Estou pronto a lutar e morrer honrosamente pelo rei. Em compensação, estarei livre das correntes que querem me pôr em troca de um teto e de um pedaço de pão. Zizka respondeu calorosamente ao seu aperto de mão. - Então, está combinado!

Por enquanto, finja obedecer, e depois, em vez de Brevnov, você tomará o caminho de Cracóvia. E viva a espada em vez do aspersório! - Viva! - Svetomir levantou a caneca para brindar e, de repente, empalideceu. - Esqueci de uma coisa... - Disse, com voz cortada. - Não tenho nada, nem dinheiro, nem equipamento. Como vou viajar sem isso? - Acharemos o necessário; dar-lhe-ei um cavalo e uma espada e o resto você irá receber lá, no serviço. - Tranqüilizou-o Broda. - Vamos, não fique triste! Vou levá-lo a Cracóvia e instalá-lo lá - isso está decidido! E iremos para lá após o Ano-Novo. Só preciso ir até o castelo Rabstein, despedir-me de minha irmã, Ana. - Disse Zizka. - Também vou para lá! Também preciso despedir-me de Rugena, antes de viajar ao estrangeiro, talvez para sempre. - Observou o jovem, animado. - E para evitar suspeitas, hoje mesmo vou escrever ao abade do mosteiro, avisando-o de minha breve chegada como o mais dedicado e humilde dos noviços... - Concluiu Svetomir, rindo. Após acertar mais alguns detalhes daquele inesperado plano, os amigos despediram-se.

Perto do templo de Tyn, do outro lado da rua na "Cidade Antiga", que atualmente tem o nome de Shtupartova, havia uma grande e bonita casa com um alto e pontiagudo telhado, molduras na porta de entrada e vidros coloridos. A casa pertencia ao professor Lohann Gubner, e tudo nela respirava a sutil "alegria" alemã. Numa ampla e ricamente mobiliada sala - que, a julgar pelo número de prateleiras de livros e pergaminhos, servia de gabinete de trabalho -, seu proprietário estava sentado diante da mesa numa poltrona de encosto alto e junto à janela. Professor Gubner era um homem de uns 50 anos, alto, magro, mas disposto. O rosto magro, de maxilares proeminentes, transpirava presunção; a testa baixa e o queixo pontudo indicavam sua natureza teimosa e de baixos instintos. Naquele momento, seus pequeninos, claros e desbotados olhos brilhavam maldosamente. Diante dele sentava um homem gordo, vestindo um traje rico de tecido escuro e com uma corrente de ouro no pescoço.

Algum acidente estragara tanto sua gorda e arrogante fisionomia que era difícil imaginar sua aparência anterior: um inchaço azul-púrpura descia da testa à bochecha; sob o olho inchado e semifechado via-se uma equimose; seu nariz estava coberto por uma bandagem e no lábio superior havia uma cicatriz com sangue coagulado. - É simplesmente incrível o que lhe aconteceu, mestre Kunts! Fico surpreso por terem deixado escapar o patife tcheco que ousou atacar um dos mais respeitáveis cidadãos e quase o matou. - O miserável desapareceu na multidão, mas vou achá-lo e ele não perde por esperar o troco por essa ofensa! - Resmungava o burguês, cerrando os punhos. - Mas era um verdadeiro Hércules? - Suponhamos que ele era grande de altura e ombros, mas eu não acreditaria que pudesse existir um homem que conseguisse me levantar e me arremessar como a uma bola. E digo mais: nunca imaginei que um tcheco ousasse atacar publicamente a mim, Leinhardt, o maior mercador de toda a Praga. Esses cães ficaram demasiado ousados!

Felizmente, o incitador Huss está nas últimas: ele não conseguiu digerir o doce que o rei lhe ofereceu sobre a questão dos votos. Aliás, caro professor, o senhor ainda não me contou os detalhes da recepção no palácio. A minha ausência e depois esse infeliz acidente - que me deixou dez dias de cama - privaram-me do prazer de visitá-lo. Só fiquei sabendo que suas justas exigências quanto a direitos nacionais foram completamente satisfeitas. - Perfeitamente! E confesso que nem contava com esse resultado feliz. O senhor sabe, mestre Leinhardt, como o rei protege os tchecos e a influência que Huss exerce sobre ele e a rainha. Então, o reitor, eu

e os outros chegamos a Kutemberg com um peso no coração. Na sala para onde fomos conduzidos já estava a delegação de Huss e Jerônimo; eles nos olharam com desprezo, quando paramos num canto, e sua arrogância deixou-nos ainda mais preocupados. Depois de algum tempo, entrou o rei. Ele visivelmente não estava de bom humor, o que também prometia nos desfavorecer, por isso ficamos pasmados quando, aproximando-se de nós, ele ouviu gentilmente o meu discurso, disse-nos que concordava com tudo e prometeu apoiar todos os nossos direitos. Enquanto o rei falava, eu via, com satisfação, a desilusão e a preocupação dos tchecos; mal Huss começou a expor as suas exigências, o rei ficou vermelho, interrompeu o seu discurso e gritou-lhe: "Cale-se! Você e seu amigo Jerônimo são agitadores! Estou cansado de suas queixas e idéias que envergonham a Boêmia diante de todo o mundo cristão e levantam sobre ela a suspeita de heresia. Se aqueles que têm por obrigação restabelecer a ordem não o fizerem, vou man-

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.