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Capítulo 20 de 51

Parte 20 de 51

Os Luminares Tchecos · Wera Krijanowskaia, pelo espírito J. W. Rochester

uma grande obrigação! A você, como a qualquer mulher, o destino provavelmente enviará não poucas provações. Contudo, se a desilusão visitar o coração da esposa, um outro e longo amor desa-brochará para ela junto ao berço de seu filho. Você ainda não conhece a vida, Rugena, nenhuma paixão perturbou ainda a sua paz; mas quando a sua alma despertar, quando o orgulho, o ciúme, a raiva e a tentação começarem a soprar-lhe maus conselhos, aí então terá que lutar pelo bem, por sua obrigação e fidelidade. Tudo isso é fácil quando se ama! Portanto, minha filha, por que não tenta adquirir esse grande amor, que aquece o coração e alivia qualquer vítima? Mesmo que o conde esteja sujeito, como nós todos, a fraquezas humanas, ele merece o seu amor, e, para que ele se afeiçoe a você, Deus lhe presenteou com uma poderosíssima arma: a beleza. Use esse dom celestial não por simples vaidade, mas para causar boa influência sobre seu marido. Isso poderia enobrecê-lo e transformá-lo em um homem religioso e de rija moral.

Rugena ficou comovida e grossas lágrimas desceram por sua face. - Compreendo que essa obrigação é grandiosa e santa, mas... mas... receio não ter forças para realizá-la... - Disse ela, com voz entrecortada pela emoção. - A vida, minha filha, é uma luta que Deus nos envia para o nosso próprio bem e a boa vontade nos ajuda a suportá-la! Quando chegarem as horas difíceis e os momentos de fraqueza, deixe a meu cargo a sua tristeza e o nosso Senhor Jesus Cristo, que conhece todas as fraquezas humanas, dar-me-á a sabedoria para lhe indicar o verdadeiro caminho. Ele colocou a mão sobre a cabeça inclinada de Rugena e orou fervorosamente. - E agora - disse ele com um bondoso sorriso - acalme-se e lembre-se de que nenhum cabelo cai da cabeça se não for pela vontade do nosso Pai Celestial.

Ele quis levantar, mas Rugena conteve-o pelo braço. - Agradeço, querido padre Jan, pelos seus conselhos. - Disse ela, de forma infantil, olhando-o com seus luminosos olhos ainda úmidos das lágrimas. - Beije-me agora, como o fez quando eu era pequena, e me parecerá que, por intermédio dos seus puros lábios, meu querido pai enviará do céu a sua bênção para o dia de amanhã. - Com prazer, minha filha! - Respondeu Huss e, inclinando-se, beijou-a na testa e a abençoou. Rugena levantou-se alegre e, entregando a confessor uma soma considerável para os pobres, despediu-se dele. Chegou a noite e a pequena lamparina acesa diante do crucifixo iluminava com luz bruxuleante a cela de Huss. Ele estava deitado na sua dura e estreita cama, mas não dormia; maus pensamentos incomodavam-no. Os pensamentos e sentimentos que tomavam conta dele agora e durante toda a tarde, impedindo-o de trabalhar, eram visitantes estranhos àquele pacífico abrigo do sábio ermitão.

Uma imagem feminina perseguia-o com dolorosa insistência; a cabecinha loura de Rugena com seus grandes e claros olhos, olhandoo com inocência e confiança, aparecia por momentos como uma visão tentadora por entre as páginas do sisudo tratado teológico, sorria para ele das folhas da obra em que trabalhava e desconcentrava-o durante a oração da noite. Com a cabeça pesada e o coração oprimido, ele foi dormir sem entender o que se passava com ele. Durante toda a vida ele passara indiferentemente por inúmeras jovens e lindas mulheres; nem a beleza, nem a admiração que muitas delas lhe haviam demonstrado tinham afetado seu coração ou agitado seus sentimentos. Os desejos impuros, que haviam dizimado tantos colegas seus, levando-os à sedução de lindas moças que vinham confessar-se com eles, eram estranhos para Huss. Casto por natureza, ele levava uma rígida vida de asceta, dedicado à ciência e à oração, e a carne dominada nunca ainda o havia constrangido. Seu equilíbrio espiritual recebera o primeiro impacto no casamento de Marga. A cabecinha celestial que vira na escuridão da sacristia tivera um forte e profundo impacto sobre ele.

Esse impacto renovava-se a cada vez que via Rugena; e ele não percebia que estava preso ao seu encanto. Aquela noite desarrumara completamente seu espírito. A imagem de Rugena de joelhos diante dele - pura, frágil e fresca como uma flor do campo - perseguia-o como uma teimosa visão. Parecia-lhe ainda sentir o aperto de sua mão de pele acetinada e sentir o leve aroma que provinha de seus cabelos quando se inclinara para beijá-la na testa. Essas lembranças faziam seu coração apertar-se como num torno e gotas de suor frio cobriam sua testa. No dia seguinte, ele deveria unila àquele pândego, que provavelmente nunca iria perceber o tesouro que o destino lhe enviara. Oh! Por que ele não podia consagrá-la a Deus, enquanto sua inocente alma não estava ainda manchada pelo toque leviano e decadente da sociedade, enquanto o ciúme e as paixões não a tinham engolido e ela não fora ainda tocada pelo pecado para o qual os zangões da corte tentariam levá-la, atraídos por sua beleza?

Seu coração apertou-se mais ainda e um pesado suspiro saiu do seu peito. Ele pulou da cama, caiu de joelhos diante do crucifixo e elevou para o alto as mãos fortemente fechadas. - Jesus misericordioso, meu Salvador! - Invocou ele, com fervor. - Afasta o demônio que me atormenta na forma de inocente criança; afasta de mim os pensamentos impuros, para que eu não enrubesça servindo diante do Teu altar, com a alma manchada por pensamentos pecaminosos. Senhor, me ajude nesta hora de luta que revelou o quanto ainda sou fraco, quando já me considerava forte! Dê-me forças para ser sacerdote pela Tua lei e purifique meu coração de quaisquer fraquezas humanas. Tenho o direito de amar a Ti e somente a Ti e à minha obrigação! O único objetivo de minha vida é pregar a Tua santa palavra, lutar contra a mentira e o engano, abrir os olhos aos cegos e trazer os arrependidos aos Teus pés. Oh, Jesus! Se a minha oração alcançar o Teu trono, dê-me um sinal que me ajude na minha impotência...

Aos poucos ele foi sendo tomado por profundo êxtase; com o olhar pregado no crucifixo e absorto em apaixonada oração ao Mestre Divino, ele perdeu a noção de tudo ao redor. De repente, pareceu-lhe que da cabeça do Salvador, saiu uma faísca, depois outra e, em seguida, uma coluna de fogo que aumentava e envolvia a ele próprio; finalmente, uma nuvem de fogo levantou do chão e se elevou por cima de um terrível e sombrio abismo. Envolto nas chamas, ele sentia um indescritível bem-estar; algo grande e pesado foi retirado do seu ser e uma profunda paz encheu a sua alma, que não estava mais constrangida por nenhum desejo terreno. Em seu interior e à sua volta havia luz, mas abaixo dele, muito abaixo e mal iluminada por uma bruma esbranquiçada, fervilhava e protestava uma multidão de pessoas portando coroas, tiaras e mitras, em cujos rostos desfigurados havia marcas de todas as paixões humanas. Enviando-lhe maldições e ofensas, jogavam-lhe lama e pedras, tentando alcançá-lo na luminosa fogueira.

Ele, entretanto, sentia-se seguro e em seu coração não havia nem sombra de hostilidade para com aqueles impotentes inimigos. Pairando numa transparente e brilhante atmosfera, ele flutuava silenciosamente no espaço; o abismo desapareceu ao longe e os gritos informes e selvagens mudaram para uma indescritivelmente delicada harmonia. De repente, envolto em luz ofuscante, surgiu um ser de vestes alvas, asas azuladas e um verde ramo de palmeira nas mãos. O ser tinha os traços de Rugena e as mesmas mechas louras, mas seu olhar iluminado nada tinha de terreno. - Saudações, valoroso combatente! - Disse a visão celestial. -Veja: todos os seus inimigos mentirosos e espertos desapareceram no abismo e, em vez de matá-lo, fizeram-no imortal! Nas tábuas da história dos povos, manchadas de sangue, vícios e crimes, estará escrito com letras de fogo o nome do homem que teve a coragem de anunciar a verdade da palavra divina, condenar os pecados dos poderosos deste mundo e morrer pelas próprias convicções. Todas as fraquezas da carne queimarão nas chamas que o cercam, como queima o cabelo no fogo.

E na memória do povo tcheco seu nome brilhará como uma estrela, conduzindo-o à liberdade e à verdade... O sol do amanhecer passou pelos vidros das minúsculas janelas da cela de Huss, iluminando seu vulto caído no chão diante do crucifixo. Seus olhos estavam fechados, mas o rosto emagrecido pelo trabalho e pelas longas noites em claro estava calmo. Quando o primeiro raio solar tocou-o, ele estremeceu e endireitou-se. Depois ficou de pé, sentou-se à mesa e tampou o rosto com as mãos. Sentia-se quebrado, mas em sua alma estava tudo claro. Deus ouvira suas preces e os pensamentos que o atormentavam haviam desaparecido. Seria aquilo um sonho ou uma visão? Seria possível que o Senhor o estivesse preparando para uma alta missão, que serviria de exemplo ao povo e que ele marcaria com uma honrosa morte? Sua humildade e sua docilidade fizeram-no espantar-se intimamente com tão elevada missão. - Que a Tua vontade esteja em tudo e qualquer que seja o meu destino, eu o abençôo. - Sussurrou ele, persignando-se. - Senhor, ouviste a minha prece e afastaste de mim o demônio vadio.

Por Tua misericórdia, afasta de mim agora o demônio do orgulho! Após o meio-dia, uma grande multidão encheu os espaços em volta da igreja de São Miguel, e dentro do templo reuniu-se uma seleta nata de senhores e nobres. Por todas as ruas por onde deveria seguir o cortejo dos noivos, apertava-se a massa de curiosos, pois o rei e a rainha haviam prometido prestigiar com sua presença o casamento do jovem conde Valdstein. Entre os convidados estava Jerônimo, finalmente recuperado dos ferimentos. No meio da multidão de jovens, ele olhava com curiosidade para a porta por onde deveria entrar a noiva. Ele recordava da encantadora menina que havia visto no dia em que fora recebido com Huss no castelo de Rabstein e agora queria ver como ela desabrochara. Os gritos que provinham da rua anunciavam a chegada do casal real e, pouco depois, entraram o noivo e a noiva. Linda como um sonho, mas tão pálida como o branco e prateado véu que a envolvia com dobras vaporosas, Rugena caminhava com os olhos baixos, e somente chegando ao altar olhou para Huss, parado diante dela nos degraus.

Ele também estava pálido, pois não se alimentava desde o dia anterior. O rígido jejum deveria matar e subjugar a revoltada carne, que ousara desafiar a sua férrea vontade. Com profunda devoção e solenidade, ele conduziu a cerimônia e de todo o coração clamou a bênção celestial sobre os nubentes. O triunfo sobre a própria fraqueza soou nas palavras que disse aos noivos, convencendo-os a amar fielmente um ao outro, a viver conforme os mandamentos de Deus e a compenetrarem-se da verdade de que "somente o cumprimento do dever traz a verdadeira felicidade e a paz de consciência". Até em Vok, por mais leviano que fosse, aquele sermão tão convincente teve seu efeito, apesar de provocar em sua alma uma sensação desagradável. Ele tinha as melhores intenções e adorava a jovem esposa, mas permanecer fiel a ela, por mais linda que ela fosse, parecia-lhe um problema insolúvel e por isso, em sua opinião, era inútil Huss impor- Ihe tal exigência.

Durante toda a cerimônia, Jerônimo não tirou os olhos de Rugena; parecia-lhe jamais ter visto uma mulher mais fascinante, a encarnação mais perfeita do ideal da pureza virginal. Ele tentou apresentar-se novamente a ela, mas a multidão que se acotovelava em volta dos noivos impediu-o de aproximar-se e somente no palácio dos Valdstein, antes de sentarem-se à mesa, ele finalmente conseguiu pedir a Vok para apresenta-lo à sua esposa. Rugena permanecia o tempo todo ao lado da rainha, mas, naquele momento, a condessa Iana substituiu-a em seu posto e ela estava conversando com Ana e Marga, quando o marido aproximou-se acompanhado de Jerônimo. - Rugena, permita-me apresentá-la a Jerônimo, a pessoa mais sedutora e maliciosa de toda a Boêmia. - Disse Vok, alegremente. - Parece-me que com esse pomposo elogio você pretende me prejudicar, senhor conde. Entretanto, prefiro apresentar-me à condessa como velho conhecido. - Respondeu Jerônimo, com profunda reverência. - Tive o prazer de conhecê-la quando criança, minha senhora, no vosso castelo Rabstein, onde a senhora acolheu-me junto com Jan.

A senhora, sem dúvida, deve ter-se esquecido de mim, mas eu guardei nítidas lembranças da pequena fada... Ao olhar para Jerônimo, o rosto de Rugena ficou mortalmente pálido e ela olhava embaraçada para a figura esbelta do famoso orador, que com natural elegância inclinava-se diante dela, apertando contra os lábios a sua fria mão. Recuperando-se, ela respondeu, surdamente: - Também me lembro de ter visto o senhor antes. Foi no dia em que recebi a notícia da morte de meu pai; todos os detalhes daquele malfadado momento gravaram-se para sempre em minha memória. Vok havia-se afastado quase imediatamente para atender outros convidados e não percebeu o embaraço da esposa enquanto Jerô-nimo não deu nenhuma importância a isso. Após conversar mais alguns minutos com todo o seu brilho e com todo o seu humor, ele pediu licença para se afastar, pois todos já se sentavam à mesa. Rugena estava espantada; o encontro com Jerônimo provocara em sua alma uma completa confusão.

O ideal dos seus sonhos infantis aparecera de repente para ela em carne e osso e, de perto, nada perdera do encanto. Realmente, Jerônimo era um dos rapazes mais belos do seu tempo e o mais elegante cavaleiro de Praga - a cidade mais luxuosa da época. Corajoso, simpático e estudado, ele era famoso não somente na sua pátria, mas em toda a Europa, onde o sucesso sempre o acompanhava; ele parecia ter sido criado para conquistar o coração das mulheres. Até os seus mais ferrenhos inimigos eram obrigados a admirá-lo. E aquele ideal de homem - que ela adorava mesmo sem conhecer, perto do qual Vok desaparecia completamente -, ela fora encontrar exatamente no dia de seu casamento. Rugena tinha consciência de que os agitados pensamentos em sua cabeça eram pecaminosos, que eram uma traição ao juramento de fidelidade que havia dado e que seu dever agora era arrancar do coração a imagem de seu ídolo e vê-lo somente como amigo de seu marido.

Contudo, apesar de tão sábia decisão, seus olhos não conseguiam desviar do atraente rosto de Jerônimo, que levantava animadamente um brinde atrás do outro e, com sua alegria e seu desembaraço, fazia o rei rir até as lágrimas. Depois do banquete, o casal real e a corte foram embora de volta ao palácio. O restante dos convidados continuou a festejar para grande decepção de Rugena, que sentia uma persistente necessidade de ficar só e descansar. Pálida e pensativa, ela quase não participou da conversa à mesa. Vok, pelo contrário, estava de muito bom humor; a admiração geral por Rugena e os incontáveis cumprimentos bajulavam sua vaidade. Somente Jerônimo nada comentara, e era exatamente dele - do rei Salomão quanto à beleza feminina - que ele gostaria de ouvir algum cumprimento. Assim que o rei foi embora, ele saiu à procura do amigo e encontrou-o conversando animadamente com Huss num quarto separado. O assunto da conversa era tão interessante que o conde imediatamente acabou participando dela. Falavam sobre o novo e grande escândalo que estava sendo preparado na universidade.

Dali alguns dias haveria eleições para o novo reitor e decano da faculdade de artes; três nacionalidades alemãs preparavam-se para realizar essas eleições pelo método antigo. Os tchecos haviam resolvido atrapalhar esse intento com base no direito adquirido pelo decreto de 18 de janeiro. Assim, era necessário discutir as medidas que deveriam ser tomadas para pôr um fim à insolente teimosia dos alemães. De repente, Jerônimo parou e, batendo no ombro de Valdstein, disse, sorrindo: - Ah! Ainda não o cumprimentei! Você é verdadeiramente o eleito dos deuses. - Por quê? - Perguntou Vok. - E ainda pergunta, seu hipócrita? Compreenda que você é o mais feliz dos mortais, que o sonho mais ousado do poeta não poderia criar um ser mais belo que a sua jovem esposa! - É verdade, Rugena é muito bonita... - Observou o conde, rindo. - Mas sua beleza é demasiadamente celestial e compará-la com outras mulheres mais terrenas pode ser perigoso para ela. Falando nisso, Jerônimo, queria chamar sua atenção para um pequeno milagre da natureza.

É uma menina, não sei se judia ou cigana, que chegou à estalagem "Cavalo Negro" junto com bufões ambulantes para dançar e ler a sorte. Seu fresco e flexível corpo, a pele escura, a negra cabeleira e os olhos em fogo conseguem enlouquecer até um santo. - Mas que coisa feia, Vok! Como pode comparar, mesmo que por brincadeira, a nobre Rugena com uma dançarina de rua? - Respondeu Jerônimo, com desprezo. O rosto de Huss ficou sombrio. - Vok, não tem vergonha de suas palavras levianas? - Disse ele, com severidade. - Deus deu-lhe como parceira um ser puro e maravilhoso e você, mal se afastou do altar, já sonha em traí-la com qualquer uma!? E ainda se diz cristão!? Vok ficou confuso e vermelho. O respeito e a adoração que tinha pelo valoroso pregador eram tão profundos que ele nem pensou em responder àquele severo sermão e somente observou, sorrindo, sem jeito: - Vocês, ascetas, não têm qualquer paciência, mestre Jan! Eu ainda não traí Rugena!

Em primeiro lugar porque não tive tempo para isso e, em segundo lugar, diante do altar eu não jurei ficar cego e não olhar para outras mulheres, mas adorar somente a própria esposa! Nesse caso, eu deveria cortar a garganta de Jerônimo por ele achar a minha esposa bonita e até me confessar isso. Meu querido mestre, o senhor é severo demais! Então, pelo seu conceito, eu deveria ficar cego de um olho, como dizem as escrituras: "se o olho o tentar, arranque-o". - Bem, tenho certeza de que você não seguirá esse conselho evangélico. - Observou Huss, balançando a cabeça. - O que é certo é certo! Prezo muito a minha aparência. E mesmo Rugena, apesar de muito bondosa, com certeza me preferiria como estou agora do que cego de um olho, mesmo que eu extirpasse um olho somente para permanecer fiel a ela. Jerônimo riu, Huss sorriu e, em seguida, levantou-se para começar a despedir-se. - Mas como, padre Jan, o senhor já vai embora? - Disse o jovem anfitrião, lamentando. - Sim, preciso ainda preparar o sermão.

Aqui fica o Jerônimo, tão pecador como você. Ele também não furaria os olhos por qualquer besteira. - É claro que não! Prefiro furar os dos outros. - Respondeu Jerônimo, rindo. Jerônimo e Vok voltaram para a sala e misturaram-se na alegre multidão de convidados. Mais uma vez, levantaram-se taças e beberam à saúde dos heróis do dia. Depois, ao som de flautas e canto, com os pajens jogando flores no caminho, os jovens foram conduzidos em triunfo aos aposentos nupciais.

Segunda Parte

Capítulo I

(Ezequiel, 37) "Levante, profeta! Que tudo viva, que os olhos vejam, que o coração bata, que o espírito da vida solte o seu sopro vital e passe voando sobre o deserto..." N. Sokolov

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.