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Capítulo 15 de 51

Parte 15 de 51

Os Luminares Tchecos · Wera Krijanowskaia, pelo espírito J. W. Rochester

61 Ernest Denis, p. 67, obs. I-Nota do autor. Caindo nesse tema, Svetomir contou o andamento da luta dos tchecos na universidade. Assim, o tempo transcorreu imperceptivelmente até o jantar, após o qual cada um foi para o seu quarto. Mas Rugena, antes de dormir, chamou Matias e incumbiu-o de preparar para Svetomir um par de cavalos de montaria e um conjunto completo de armas, que ela mesma escolheria das coisas do falecido pai. Em seguida, foi com ele para a sala secreta, perto da biblioteca, onde estavam guardados os tesouros escondidos outrora. Ela ordenou a Matias que enchesse de dinheiro dois alforjes, e começou a escolher entre as armas e os objetos de ouro, separando para Svetomir um punhal com o cabo incrustado de pedras preciosas, uma espada com a lâmina italiana e uma taça de prata ricamente trabalhada. Quando abriram as caixas com jóias de sua mãe e, sob a luz da tocha de Matias, os brilhantes, rubis e esmeraldas acenderam-se em miríades de luzes, Rugena riu baixinho. - Como o meu tutor e especialmente a condessa lamentaram o desaparecimento destas caixas! Quanto tempo eles perderam procurando-as!

Ela pegava e deixava escorrer entre os dedos os alvíssimos e longos fios de pérolas. - E, se não fosse o meu previdente e fiel Matias, estas jóias certamente estariam enfeitando agora o reverendíssimo bispo Brancassis ou o cardeal Cossa (futuro papa João XXIII). - Disse ela com um sorriso. Escolhendo uma pesada corrente de ouro, enfeitada de pedras preciosas, uma fivela para o chapéu e um anel de safira, ela saiu do esconderijo, e Matias, radiante de felicidade, fechou-o novamente. No dia seguinte, Rugena e Ana prepararam uma mala para Svetomir, que encheram de roupa de baixo, trajes das reservas do falecido barão e outras quinquilharias. A outra parte do dia passou alegremente em conversas e planos para o futuro, assim que Svetomir voltasse como herói. Após o jantar servido mais cedo, Ana levou consigo o irmão para lhe entregar os presentes de Rugena, enquanto a anfitriã levava Svetomir para seus aposentos onde o esperava uma grata surpresa.

Feliz e emocionado pela atenção, ele examinava o armamento, os trajes, as jóias e os pesados alforjes, que lhe tiravam qualquer preocupação quanto aos meios de sobrevivência; depois, ajoelhando-se diante de Rugena, ele beijou-lhe a mão, com devoção. - Como vou lhe agradecer por essa sua magnanimidade, vindo em meu auxílio, cercando-me de tudo e facilitando o meu caminho na vida? - Sussurrou ele, com lágrimas nos olhos. - Agindo na vida sempre conforme os mandamentos de Deus e as leis da honra! Ambos somos órfãos; se Deus me abençoou com a riqueza, fico feliz em poder ajudar um amigo e companheiro de infância em dificuldades. Não quero que você, Svetomir, esteja pior que os outros e sei que as pessoas respeitá-lo-ão mais se estiver bem-vestido e tiver dinheiro no bolso. - Juro que não a desapontarei. Sua iluminada imagem será a minha estrela-guia, e se eu morrer em combate, meu último pensamento será para você. Rezarei todos os dias por sua felicidade e pela de Vok, para que Deus abençoe a vossa união.

Rugena ouvia-o, pensativa, mas as últimas palavras do amigo fizeram-na sorrir; puxando a poltrona, indicou-a a Svetomir para que se sentasse. - Quanta bobagem! Você, melhor do que ninguém, sabe que meu casamento com Vok não será por amor mas por entendimentos familiares. Em sua voz havia uma entonação de frustração ou zombaria. Ela prosseguiu: - Vok não me ama, e eu também nada sinto por ele. Dizem que o amor é uma dádiva divina. Mas, até hoje, nenhum homem fez-me sentir isso e tenho fortes dúvidas quanto a Vok despertar esse sentimento em mim. - Mas por quê? Ele é bonito, encantador e nobre como um cavaleiro, e não há nem sombra de dúvida que ele te ama. Quem poderia olhar para você sem se encantar? Principalmente ele, a quem você vai pertencer. Como poderia ele não se orgulhar nem se apaixonar, quando em toda a Praga não existe uma única mulher que possa competir com você? Rugena riu. Mesmo que soubesse que era bonita, por sua própria inocência e discrição, ela nem imaginava que pudesse parecer uma dádiva divina.

Agora, divertia-se com a apaixonada adoração que ouvia de Svetomir e que via nos olhos de seu amigo de infância. Ela pôs as mãos sobre os ombros do jovem e olhou-o maliciosamente nos olhos. - Tá, tá, tá! Será que você não se apaixonou por mim e está me cantando esses hinos? - Perguntou, zombeteira. -Não zombe de mim, Rugena! Como um pobre rapaz como eu pode sequer ousar olhar para você? - Respondeu Svetomir, ruborizando. - Não por ser pobre, mas porque tal amor seria para você uma pesada carga e um empecilho na vida! Mas, felizmente, nada disso existe. - Observou Rugena, voltando a ficar séria. - Conserve para mim, Svetomir, o seu afeto de irmão, assim como eu serei sempre sua dedicada irmã. Lembre-se de que aqui você tem uma verdadeira amiga, a quem poderá sempre recorrer nos momentos difíceis e em quem sempre encontrará consolo, conselhos e, se necessário, ajuda material.

Mas, se após alguns anos, você voltar para me ver e seu coração estiver livre, repare bem em Ana, a doce amiga de nossa infância, e pode ser que você queira recebê-la, de minhas mãos, como noiva. O jovem ficou espantado e confuso, permanecendo em silêncio por um certo tempo. Por fim, falou, decididamente: - Tudo o que provém de você me promete felicidade. Se voltar a Praga, vou me esforçar para amar a quem você escolher para minha esposa. - Vamos esperar que o futuro traga felicidade a nós dois. E agora, vá descansar, que amanhã lhe espera uma longa viagem. Como despedida, antes da longa separação, dê-me um abraço como o fazia outrora, quando éramos crianças. - Concluiu, emocionada, Rugena, beijando-o. Pela manhã, os viajantes se foram. Svetomir montou agilmente no fabuloso cavalo que Matias lhe entregou, experimentou-o no pátio e ficou muito satisfeito. Ao se despedir, olhou atentamente para Ana e achou-a realmente bonita, mas longe de se comparar com Rugena.

E da mesma janela de onde haviam visto a chegada dos cavaleiros, Ana e Rugena acompanharam a saída de seus visitantes, com um longo olhar de despedida até eles desaparecerem ao longe. Ana voltou, em silêncio, ao trabalho manual e Rugena pegou o breviário, mas não lia e observava disfarçadamente a amiga entristecida trabalhando distraída e enxugando furtivamente as lágrimas. - Por que está chorando, Ana? Seu irmão logo vai voltar... - Disse Rugena, inesperadamente. Ana estremeceu. - Temo por Jan, pois as estradas são perigosas... - Respondeu, embaraçada. Rugena inclinou-se e puxou-a carinhosamente pela orelha. - Você não se envergonha de mentir? O senhor Jan nada tem a ver com as lágrimas que está derramando pela separação com Svetomir! Percebo há muito tempo que ele lhe agrada, mas como se preparava para a tonsura, não havia nada o que dizer. Agora tudo mudou! Ele é um guerreiro! Quando voltar para casa, por que não poderia gostar de uma linda moça como você?

Eu lhe darei um dote e vocês se casarão. - Oh, nem me fale, Rugena! - Explodiu Ana. - Quando Svetomir voltar como herói, haverá por aqui tantas moças bonitas, ricas e apaixonadas por ele, que nem vai se lembrar de mim. Além disso, sabe perfeitamente que ele gosta é de você! -Você está com ciúmes! Quando ele voltar, vou estar casada com Vok. Para que Svetomir vai querer um amor assim? Não sou uma imagem de Nossa Senhora para que as pessoas se satisfaçam com uma silenciosa adoração. Você é que deve tomar cuidado, pois algum rico senhor de Praga pode, de repente, resolver casar com a bela Ana de Trotsnov e aí não vai sobrar nada para o coitado do Svetomir! - Não há perigo! Svetomir é bonito demais e bom demais para ser esquecido. Não me diga que ele não lhe agrada? Ou você acha Vok mais bonito? Vok é orgulhoso e invocado. Quando está com raiva, seus olhos ficam tão maus e penetrantes como espadas. Br-r-r-r! Tenho medo dele! E você, não tem medo de ser sua esposa?

Rugena recostou sua linda cabecinha no espaldar da poltrona e ficou pensativa. Sua vida na casa dos Valdstein passava como um panorama diante de seus olhos, ressuscitando na mente suas relações com o noivo. Entre eles nunca houvera um pleno entendimento, proximidade e carinho. Tanto a diferença de idade quanto o caráter do rapaz distanciavam-nos constantemente. Ele era bom e atencioso com sua pequena noiva, enchia-a de presentes e até brincava com ela, mas Rugena sentia que ele se sujeitava àquilo, que aquelas brincadeiras eram tediosas para ele, e que ele não era tão companheiro como Svetomir. Depois, as circunstâncias separavam-nos por meses inteiros; agora, já fazia dois anos que não se viam. Mas as lembranças do noivo não a emocionavam e ela não tinha nenhum desejo de vê-lo. Depois de algum silêncio, ela se endireitou. - Sabe de uma coisa, Ana? Não tenho medo de Vok e também não o amo, como também a Svetomir! Um é demasiado doce, demasiado querubim... O outro é demasiado imprudente e insignificante.

Não consigo explicar-lhe, mas acho que a ambos falta algo para ser o homem que eu amaria. - Deus do céu! Afinal, o que quer? Que ideal inatingível você criou para si! - Surpreendeu-se Ana. - Não criei nada. O homem dos meus sonhos existe. Eu o vi há muito tempo, mas a memória dele em mim é indelével. - Mas quem é ele? Você nunca me falou desse homem! - Disse Ana, curiosa. - Quem é? Não sei nem quero saber. Para quê? Simplesmente comparo-o com os outros e, a cada vez, sou obrigada a reconhecer que ninguém pode competir com ele: a encarnação do cavalheirismo, da hombridade, da bondade e de grande inteligência. - Mas onde você encontrou tal perfeição? - Inquiria Ana, incrédula e quase rindo. - Encontrei-o duas vezes na minha vida. A primeira vez foi no terrível dia quando soube da morte de meu pai. O mestre Huss estava aqui de passagem e esse desconhecido senhor o acompanhava. Na manhã seguinte, antes de prosseguirem viagem, eles foram prestar condolências a mim pela grande perda.

O mestre Jan ficou muito tempo me consolando, enquanto o outro disse somente: "pobre criança" e carinhosamente passou a mão na minha cabeça. Nunca vou esquecer o olhar e o som de sua voz. Desde aquela época a imagem dele ficou em minha memória. - E como ele é? - Ele é alto, magro, com uma barbicha preta e grandes olhos negros. Mas sua beleza não é somente externa. Tudo nele é maravilhoso: seu olhar, profundo, abrasador e carinhoso e um sorriso cativante e encantador... A segunda vez foi na véspera de nossa volta de Praga, quando estivemos lá pela segunda vez. Eu estava perto da janela e o vi passando pela rua a cavalo, acompanhado de outros senhores. Ele parecia ir a alguma festa, pois usava um traje de veludo lilás e, entre os outros, parecia um príncipe ou um rei. Ele conversava animadamente, ria e sua alegria fazia-o duplamente atraente. Parece-me que quando ele quer, consegue encantar a todos; e os seus companheiros pareciam estar sob seu encanto e o ouviam com admiração.

Os cavaleiros passaram rapidamente, mas a lembrança do maravilhoso desconhecido renasceu novamente em mim. - Então, precisamos saber quem é ele! Talvez alguém do castelo ainda lembre com quem Huss chegou naquele dia! - Não! Não quero nem procurar, nem saber quem é ele! - Interrompeu-a Rugena, com impaciência. - Já disse que ele é somente uma visão, um sonho, e deixe que continue assim. Não quero sofrer desilusões. E se, de repente, me contarem que ele é casado e tem sete filhos, ou que ele não é um cavaleiro mas um rico tecelão ou padeiro? - E Rugena riu das próprias suposições.

Capítulo IX

Ao voltar da Silésia, Venceslau instalara-se com toda a sua corte no Monte Kutná e já estava lá havia três meses. O rei gostava daquela cidade, e a população local sempre lhe expressara uma constante lealdade. Era 17 de janeiro de 1409. Estava frio e a neve caía em grandes flocos. Na grande sala do palácio real, onde se encontrava naquele instante o próprio augusto proprietário, reinava um agradável calor, e toda a luxuosa decoração respirava calma e aconchego. As paredes e o teto eram revestidos em madeira de carvalho escuro; as altas janelas com seleiras tinham vidros coloridos, mas àquela hora estavam fechadas por pesadas cortinas, como também as portas; na grande lareira de mármore cinza, ardia um fogo alto; perto dali, junto à mesa, estavam sentados dois homens jogando dados. Na grande poltrona de espaldar alto e enfeitado com o brasão real, sentava-se o próprio Venceslau. Preocupado com algo, com o cotovelo apoiado na mesa, bebia distraidamente da taça de ouro que tinha ao seu lado. O rei era um homem de uns 48 anos, de rija compleição.

Como o seu irmão Sigismundo, ele era bonito, mas os grandes problemas do seu reinado e os excessos a que se permitia (diziam que o rei tinha sido envenenado) tinham-no envelhecido prematuramente e haviam coberto seu rosto de rugas. Mesmo assim, apesar da cor avermelhada do rosto e do inchaço das faces, a aparência de Venceslau, no geral, era atraente. Percebia-se em seu olhar e em seu sorriso uma sinceridade e uma bondade naturais - isso quando os vapores alcoólicos não anuviavam sua vista cansada, as provações de sua vida não distorciam sua boca com um sorriso amargo, e os ataques de raiva insana, terríveis aos que o cercavam, não tiravam seu auto-controle e não apagavam nele a consciência da própria dignidade. Do outro lado da mesa, numa cadeira desmontável, sentava-se Vok Valdstein, também parecendo sombrio e jogando em silêncio. O rei, de repente, endireitou-se e agitou a cabeça, como se quisesse livrar-se de pensamentos incômodos. Bebendo um gole de vinho, olhou fixamente para o sisudo rosto do seu calado parceiro.

O conde era o preferido de Venceslau não só porque este guardava a grata memória da coragem e da argúcia que ele demonstrara na sua fuga de Viena, mas também porque sua companhia muito lhe agradava. Empreendedor e ousado, grande admirador de mulheres e amante de aventuras, Vok sabia como ninguém distrair e alegrar o rei, contando-lhe as mais incríveis histórias e anedotas tão engraçadas que dissipavam as negras nuvens sobre a cabeça de Venceslau, substituindo-as pelo bom humor e pelas altas gargalhadas. O jovem sentia-se à vontade diante do rei, permitindo-se impunemente palavras mais ousadas, ou, às vezes, até impertinências que custariam caro a qualquer outro. Seu teimoso silêncio dava a entender ao rei que estava zangado, e o cuidado com que evitava olhá-lo indicava que a raiva de Vok era dirigida nem mais nem menos para a sua augusta pessoa. Venceslau, pela bondade inerente ao seu caráter, passou a imaginar o que fizera de errado ao seu mimado, mas não conseguia lembrar-se de nada. - O que está havendo, Vok?

Hoje você está calado como um peixe e irado como uma cobra pisada no rabo. - Não é nada, majestade! Gostaria de pedir a Sua Alteza férias de algumas semanas para acertar negócios familiares que exigem a minha imediata presença. - Respondeu, fria e respeitosamente, Vok. Venceslau olhou-o desconfiado, depois colocou sobre a mesa os dados que segurava na mão, e disse, meio sério, meio brincando: - Que besteira é essa? Você não tem nenhum problema familiar para cuidar, mas percebo que ousa ter raiva de mim. Vamos, confesse: o que você quer? Talvez eu tenha me esquecido de cumprir alguma promessa... -Não, majestade! Entre tantas promessas que não foram cumpridas por Vossa Alteza, eu poderia me perder e não saberia indicar a qual exatamente o senhor quer se referir. Simplesmente tenho receio de ficar aqui e gostaria de ir embora. - Está com medo? Você parece zombar de mim! Então, ordeno-lhe que diga imediatamente do que está se ressentindo e o que receia. - Temo ser queimado vivo e entregue aos alemães como carne assada. O rei soltou uma longa gargalhada. - Ah! Então é isso?

Quer dizer que uma palavra mais dura dita a Huss e Jerônimo estragou o seu humor. Não seja bobo, Vok! Que lhe importa o que eu diga às delegações que me irritam com suas pressões sem conteúdo? - Mas como não me importar? Majestade, o senhor se esquece de que sou tcheco e de que não posso ficar indiferente quando meu rei ameaça queimar dois dos meus amigos e não deseja reconhecer os direitos do meu povo, que sempre foi fiel e dedicado servo de sua coroa? O jovem conde, tentando convencer o rei de suas razões, passou a argumentar sobre o quanto os tchecos estavam certos ao exigirem para si o primeiro lugar na própria pátria e o quão natural era o fato de eles estarem indignados com a injustiça da situação atual. O rei, sem qualquer irritação, ouviu atentamente o apaixonado sermão do seu preferido. - Em todo caso, se estou negligente com os direitos dos tchecos, estes não cochilam e os defendem... - Riu Venceslau, bondosamente. - Depois daquela malfadada recepção, estou sendo assediado por todos os lados.

Lobkovit, ao me ver, fica zunindo como um besouro nos meus ouvidos e me enche de provas convincentes de que ele está certo e os alemães não; a rainha chora cascatas de lágrimas dizendo que seu confessor adoeceu por minha causa; e até você me ofende e ameaça ir embora. A situação

chegou ao ponto de o abade Solon e membros da embaixada da França tentarem me convencer de que tenho obrigação de dar três votos aos tchecos. Fica claro que não posso mais viver em paz enquanto não decidir esse caso. Mas, agora preciso dormir! Boa-noite, Vok! Não estou com raiva de sua impertinência causada pela febre patriótica! Mas amanhã, quero você com outro semblante, e prepare alguma história bem engraçada que você sempre tem no seu estoque.

62 Ernest Denis, p. 54 - Nota do autor Ele se levantou, despediu-se amigavelmente e retirou-se da sala para o interior dos seus aposentos. Uma lâmpada de prata suspensa no teto e duas velas acesas na estante iluminavam o quarto onde entrara o rei. A rainha orava, ajoelhada e com o breviário nas mãos, não percebendo a chegada do marido. Sofia da Bavária, filha do duque Johann de Munique, era a segunda esposa de Venceslau. A primeira, Joanna, morrera tragicamente, sufocada por um grande cão de caça que o rei sempre colocava à noite perto de sua cama e que atacara a rainha quando ela levantara-se da cama na madru-

gada. Para grande decepção do rei, a segunda união, assim como a primeira, não trouxera filhos. Sofia era uma mulher bondosa e dócil; suportava calada todas as infidelidades, todos os caprichos e todos os problemas criados pelas desordenadas paixões do marido; graças a essa paciência, conseguira uma certa influência sobre ele. Sofia aproveitava essa influência para fazer o bem e proteger o povo tcheco a quem tanto amava; por toda sua vida, foi dedicada defensora dos direitos desse povo. Para grande desgosto do clero

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.