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Capítulo 41 de 51
Parte 41 de 51
Os Luminares Tchecos · Wera Krijanowskaia, pelo espírito J. W. Rochester
Exclamou Khlum. - Você próprio viu que os inimigos de Huss não permitem que ele abra a boca, impedindo-o que se justifique. Mas o que aconteceu hoje foi muito pior! Por mais que falassem de Sigismundo antes, eu nunca esperava dele tamanha baixeza. Pediram ao barão que explicasse aquilo melhor e ele contou em detalhes todo o andamento da reunião. - Os presentes já começavam a sair - acrescentou ele -, mas o imperador continuava sentado, e como eu queria conversar com ele em defesa de Huss, fiquei aguardando-o junto com Mladenovitz. Juntaram-se a nós Jan de Dub e Kryjanov e nós nos afastamos até o parapeito da janela conversando justamente sobre a revoltante insistência do concilio em obrigar o homem, por todos os meios, a renunciar a algo que ele nunca expressara. Naquele instante, Sigismundo, cercado por um grande grupo de cardeais, bispos e prelado, parou por perto. Sem perceber a nossa presença, ele falou alto, sublinhando as palavras: "Vocês ouviram as heresias que Huss confessou e foi apanhado?
Se ele não renunciar a elas, que seja queimado, ou então, ajam com ele com todo o rigor da lei. Aliás, mesmo que ele renuncie, não acreditem nele. Assim que voltar a Boêmia e estiver entre seus partidários, ele recomeçará a pregar as mesmas mentiras e sua maldade será ainda pior. Ele precisa ser totalmente proibido de pregar e os seus artigos condenados pelo concilio devem ser encaminhados ao meu irmão em Praga e para a Polônia, por todos os lugares onde Huss tem partidários e amigos. Que todos aqueles que partilharem seus ensinamentos sejam rigorosamente perseguidos pelo bispo". Depois, ele acrescentou: "Eu logo vou deixar Constança. Quero que vocês sejam rápidos neste caso e acabem logo com os alunos desse herege, principalmente com aquele que já está na cadeia... como é mesmo o nome dele?". "Jerônimo", servilmente sugeriram algumas pessoas. "Oh! Com esse nós não teremos nenhum problema", observou um dos bispos.
"Assim que resolvermos o caso com o seu mestre, acabaremos com Jerônimo rapidamente". - Que baixeza! - Exclamou Rugena, indignada. - Não bastava esse inútil entregar pessoalmente a Huss um salvo-conduto que o levou a essa armadilha por acreditar na palavra imperial, agora ele ainda incita os seus carrascos, provavelmente temendo que eles sejam misericordiosos com o réu. Isso é injusto! Deus o castigará! - Seria bom se assim fosse, senhora Rugena! Em todo caso, vou escrever sobre isso a todos os nossos amigos de Boêmia e Morávia, para que todos saibam antes que tipo de confiança merece o nosso futuro rei, como ele defende os nossos interesses e como protege o homem que todos nós respeitamos! - Concluiu Jan de Khlum, com raiva. Dessa vez, a vingança realmente esperava o rei traidor: "As palavras pronunciadas num canto do refeitório dos minoritas descalços" - escreveu Palacky - "repercutiram rapidamente por toda a Boêmia e lhe valeram, nem mais nem menos, a coroa tcheca". O estado de espírito dos amigos de Huss estava desolador; eles aguardavam a condenação a qualquer minuto.
O próprio preso supunha que havia chegado sua hora e, em comoventes cartas, que desvendavam a sua alma elevada, despedia-se dos amigos, alunos e ouvintes, sem esquecer de ninguém. Os membros do concilio, aparentemente, vacilavam e pareciam procurar uma saída, torturando o paciente prisioneiro com propostas de diversas formas de renúncia, ou tentando convencê-lo a renunciar para salvar a própria vida. Tentavam convencê-lo de que a responsabilidade pela renúncia recairia sobre o concilio, que era "sem pecado" e possuía o "inquestionável direito" de ditar suas convicções. Um dos teólogos, num ímpeto de erudição, até lhe jogou a seguinte e surpreendente frase: - Se o concilio estabelecer que você só tem um olho, e você tem dois, você será obrigado a acreditar nisso. - Enquanto Deus deixar-me a inteligência, abster-me-ei de afirmar algo semelhante, mesmo que o mundo inteiro queira me obrigar a isso. - Respondeu Huss, inabalável. Duas semanas depois do último interrogatório de Huss, Rugena estava sentada na poltrona junto à janela, sombria e pensativa; Ana, sentada à sua frente, lia um livro e observava disfarçadamente a amiga. - Em que está pensando, Rugena?
Vejo pela expressão do seu rosto que em sua cabeça rondam tristes pensamentos e isso não é bom! - Observou ela, inclinando-se para a amiga. Rugena estremeceu e endireitou-se. - E difícil estar alegre quando se sente que está morrendo na minha idade... - Disse ela, tristemente. E levantando a mão em protesto, continuou: - Não me desminta, Ana! Estou sentindo que uma doença me consome, que um veneno ronda pelas minhas veias e extrai as minhas forças. Hoje estou com uma irresistível vontade de ver o padre Jan. Abrir-lhe a minha alma e pedir emprestado um pouco da coragem dele, pois sinto que estou sendo dominada pelo medo e pelo desespero. - Ela parou e algumas pequenas lágrimas correram por suas faces. Ana mal continha as lágrimas que a sufocavam. - Acho que o seu desejo pode ser cumprido. - Respondeu ela, indecisa. - Sei que o barão Jan, Svetomir e outros amigos já o visitaram, graças aos carcereiros que são todos boas pessoas. Mas precisamos conversar sobre isso com o conde.
Dois dias depois, Svetomir veio informar à amiga de infância que seu desejo de encontrar-se com Huss seria realizado naquela mesma noite e que ele e Broda iriam acompanhá-la. Rugena resolveu levar Ana consigo - além de não ter segredos para com a fiel amiga, a jovem condessa sabia perfeitamente que Ana também ansiava ver, talvez pela última vez, o homem que adorava e que considerava um ser superior.
Capítulo VII
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.