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Capítulo 4 de 51
Parte 4 de 51
Os Luminares Tchecos · Wera Krijanowskaia, pelo espírito J. W. Rochester
Fabricante de tonéis e barris - Nota do tradutor A condessa Valdstein era uma mulher de uns 40 anos, alta, loura e magra. Seu rosto, de nariz aquilino e boca larga de lábios finos, era pouco atraente. Nem mesmo seus grandes e bonitos olhos enfeitavamno em virtude de sua expressão esperta e má. Sua pose humilde não combinava com a soberba que dela emanava e que claramente repousava na base do seu caráter. A condessa Iana era parente do bispo Brancassis pelo lado feminino da família, e o sangue italiano que herdara manifestara-se nela numa fanática hipocrisia. Com indisfarçada impaciência, ela não tirava os olhos do convidado, mas este parecia não notar sua ansiedade, brincando distraidamente com a corrente da cruz pendurada em seu peito e com as esporas que não tivera tempo de tirar. Finalmente, ela não agüentou e, inclinando-se para o prelado, perguntou baixinho, em italiano: - E, então, primo Tomasso, que novidades trouxe para mim? Brancassis endireitou-se. - Péssimas, dona Giovanna! Definitivamente, minha missão não deu certo! - O barão recusou tudo? - Murmurou a condessa, empalidecendo. - Quase.
É melhor contar-lhe detalhadamente a minha conversa com o barão Rabstein. Primeiro, expus-lhe a proposta de casamento de seu filho com a filha dele, Rugena. Isso ele recusou terminante-mente, acrescentando que a menina já está prometida ao filho de Henrique von-Rosemberg e o noivado deverá acontecer em alguns dias. Além disso, conforme opinião dele, o jovem conde não serviria para ser seu genro por ser frívolo e arrogante. Em suma, vosso filho Vok é tão pouco simpático ao barão quanto vosso marido, de cujas convicções religiosas e políticas Rabstein não partilha. Disse-me ele: "Em vez de apoiar o partido dos grandes barões, que defendem seus direitos, Hinek nos prejudica onde pode, agarrando-se ao rei Venceslau, o que quase atrapalhou a sua captura em Beroun".
Brancassis parou, percebendo o nervosismo da condessa e as manchas vermelhas que apareceram em seu rosto. - Desculpe, prima - continuou ele -, por transmitir tão desrespeitosas referências, mas me parece necessário esclarecer a situação em definitivo. - Mas, claro, claro, prossiga! - Sussurrou ela, dedilhando nervosamente com longos e ossudos dedos o cordão negro e dourado que a cingia. - Portanto, descartando a questão do casamento, informei ao barão os vossos problemas monetários, provocados por estes tempos inquietos e, em nome do parentesco próximo, pedi-lhe que viesse ajudá-los. Nessa parte ele foi mais condescendente. Dizendo que já salvou o primo por diversas vezes e que esta seria a última, ele concordou em pagar a vossa dívida com o insolente burguês de Praga que vos pressiona. Tal concessão tem, obviamente, o seu preço, mas... a senhora percebe que isso não será suficiente para reerguê-los? - Nesse caso, o que fazer? - Sussurrou, indecisa, a condessa, olhando-o com ar suplicante.
Por baixo das pálpebras semicerradas do prelado brilhou um olhar esperto e escrutador. - Parece-me que a única saída é voltar àquele projeto que discutimos juntos antes da minha visita ao barão. - Respondeu ele, surdamente. A condessa começou a respirar pesadamente, como se lhe faltasse o ar. Suas mãos tremiam tanto que o lenço com que ela rispidamente enxugava a testa quase escapou por entre os dedos. - Essa saída que o senhor chama de única é terrível! - Murmurou ela, com voz entrecortada. - Mas devo me sacrificar para garantir o futuro de meu filho. - Concluiu a condessa, contendo com esforço o próprio nervosismo. - Entendo a sua indecisão e valorizo o temor beato que atormenta seu coração cristão, apesar de a senhora estar sendo dirigida somente pelo amor materno. - Observou o bispo. Em seguida, levantando os olhos para o céu, prosseguiu: - Mas para todo pecado existe o perdão.
Será que a senhora se esqueceu de que a nossa Santa Madre Igreja aceita o pecador como o pai aceita o filho pródigo e, por meio dos representantes terrenos de Cristo, devolve-lhe novamente a pureza? Um forte rubor cobriu o rosto pálido da condessa e uma luz de alegria acendeu-se em seus olhos. - Será isso possível? - Exclamou ela, juntando as mãos como se fosse rezar. - O senhor conseguiria do Santo Padre a absolvição do pecado que sou obrigada a cometer por amor à minha família? - Sim, minha filha espiritual e irmã! Depende da senhora obter ainda hoje essa altíssima bênção. Meu tio, o cardeal Cossa, concedeume algumas indulgências e permitiu dispor delas a meu critério. Mas saiba que o perdão do pecado que a senhora se prepara para cometer custa caro; o céu exige uma generosa recompensa pela sua misericórdia... - Eu sei, eu entendo, não há dúvidas!
Esse benefício não tem preço. - Respondeu ela, alegremente. - Então, quero pedir-lhe uma indulgência completa para meu marido, meu filho e para mim e pagarei o que pedir. Além disso, imploro ao reverendíssimo conceder-me um perdão especial e permitir que eu coloque à sua disposição uma certa quantia aos pobres. O rosto de Brancassis abriu-se num agradável sorriso. - Concordo com tudo, prima Giovanna, e se o céu for tão magnânimo consigo quanto a senhora é com ele, então já garantiu para si um lugar no Paraíso. Mas voltemos aos negócios. Não temos tempo a perder! Eu já falei que cheguei aqui em companhia do barão von- Rabstein, que viaja a negócios para Praga. Nós nos separamos na saída da cidade; enquanto eu vinha para cá, ele foi para a hospedaria "Bezerro de Ouro". Precisamos nos apressar, pois Rabstein parte amanhã cedo. - Agora que a minha consciência está tranqüila, o caso não vai parar por falta de ação.
Pelo jeito, o próprio céu nos ajuda fazendo o barão hospedar-se no "Bezerro de Ouro". Por coincidência, a servente dessa hospedaria é uma grande amiga do meu confessor, o padre Hilário, e obedece-lhe cegamente. Ela é que irá servir ao barão o aperitivo que ele merece. Mas o senhor tem certeza de que a poção que prometeu funcionará do modo que queremos? - Quanto a isso, fique sossegada. Minha poção é de confiança! Enquanto isso, avise ao padre Hilário para ele não se ausentar e aguardar o meu tesoureiro, o padre Bonaventura. Ele lhe entregará a poção e as instruções necessárias. Inclinando-se para a condessa, ele sussurrou: - Não se preocupe. Se, depois disso, o barão ainda partir ao amanhecer, então adoecerá no caminho. Isso será ainda melhor, pois correrão para pedir ajuda médica à senhora e, então, o barão ficará sob a minha guarda. E tudo se arranjará da melhor forma! A condessa levantou-se apressadamente, mas Brancassis deteve-a. - Um momento! A senhora contou sobre os nossos planos ao conde? - Não!
Hinek poderia se opor à idéia, ou simplesmente nos entregar durante uma festinha qualquer com o rei, onde sempre bebem e falam demais. - Respondeu a condessa, meio embaraçada. - Perfeito! Nem sempre se extrai sabedoria da culpa! O seu cuidado faz-lhe as honras, condessa. - Observou o prelado, com um leve riso. Em seguida perguntou: - E quando volta o seu marido? - Ele viajou a negócios inadiáveis e deverá voltar somente depois de amanhã. - Melhor ainda. Deixemo-lo de lado, por enquanto, e depois lhe ofereceremos o uso pacífico da tutela da linda Rugena. Abençoando a condessa, que beijou respeitosamente sua mão, o bispo retirou-se para os aposentos que lhe haviam sido reservados e ordenou que chamassem imediatamente o padre tesoureiro. Após um curto diálogo, Bonaventura, um monge italiano, de pequena estatura e cara de raposa, saiu apressadamente do quarto e foi falar com o confessor da condessa, padre Hilário. Ficando sozinho, Brancassis andou pensativo pelo quarto, depois sentou-se à mesa e começou a fazer contas. Satisfeito com os resultados, fechou o livro de anotações, guardou-o numa caixa e chamou: -Riciotto!
Entrou um pajem elegantemente vestido num traje de veludo violeta, com o brasão do bispo bordado no peito. Era um jovem bonito: rosto pálido, longas e negras mechas de cabelos sobre os ombros e olhos negros e ardentes; sua figura esbelta era flexível e graciosa como a de uma mulher. - Vá dizer ao meu pessoal que hoje não serão mais necessários e que podem ir descansar. Depois volte aqui para me ajudar a trocar de roupa. Riciotto saiu e voltou rapidamente. Despiu o seu senhor, trouxelhe uma larga capa de seda, depois saiu e retornou com uma jarra de vinho e duas taças que colocou sobre a mesa. Em seguida, fechando cuidadosamente a porta no trinco, parou diante de Brancassis e, com as mãos na cintura, perguntou: - Então, o serviço oficial terminou, não é, Tomasso? - Sim, meu diabinho, e agora começa o meu... - Respondeu Brancassis, puxando Riciotto para o seu colo e beijando-o carinhosamente. Enchendo a taça de vinho, começou a dar de beber ao pajem, servindo-lhe também doces que havia na bandeja de prata.
O belo "rapaz" começou a embriagar-se, tornando-se cada vez mais alegre e desembaraçado; piadas e palavras obscenas próprias de soldado raso saíam de sua boca e o bispo também não ficava atrás. Aquela orgia a dois e de portas trancadas parecia agradar-lhe muito e sua alegria chegou ao auge quando o pseudo-Riciotto dançou à sua frente uma ousada tarantella vestido como uma antiga deusa. Somente um fio de precaução conteve Brancassis de acompanhar a dança com uma alegre canção napolitana... Já era tarde quando o reverendíssimo bispo e seu "fiel pajem" foram finalmente cada um para o seu quarto - e mesmo assim por terem discutido. O vinho e o amor havia tornado o pajem mais ousado. - O que você está tramando com Bonaventura? Aposto que estão outra vez abrindo as portas do céu para alguém. - Minha filha - rosnou raivosamente Brancassis, ficando imediatamente sóbrio -, eu lhe aconselharia a ver, ouvir e discutir somente o que diz respeito aos seus serviços, o oficial e o secreto.
Cuidado, pois para você também podem abrir-se, de repente, as portas do céu, ou pelo menos, in pace! A monja fugida, Margarida de Angeli, poderá ser de repente acolhida por qualquer mosteiro que encontrarmos no caminho... Margarida-Riciotto ficou brava e, brindando o seu confessor com um soco nas costas, fugiu para o seu quarto. No dia seguinte, a condessa e o bispo ainda estavam à mesa do almoço, servido como de costume ao meio-dia, quando vieram informar a Brancassis que um de seus criados trouxera o escudeiro do barão Rabstein. Este tinha sido enviado a fim de buscar um médico para seu amo, que adoecera seriamente durante a viagem e estava deitado no estábulo de uma hospedaria a algumas horas de distância da cidade. O escudeiro, infelizmente, não achara o médico da cidade, que naquela hora atendia alguém num castelo da vizinhança. Sem saber o que fazer, e tendo encontrado de repente um dos criados do bispo, este, ao saber do que se tratava, aconselhara-o a pedir ajuda ao reverendíssimo, que passava alguns dias em Pilsen e que naturalmente mandaria o seu médico, padre Bonaventura, para ajudar.
Ao ouvir a notícia da doença do barão Rabstein, o bispo ficou surpreso e triste. Chamando o escudeiro, inquiriu-o e disse que não só enviaria imediatamente o seu médico, como ele próprio iria examinar o paciente e providenciar o seu transporte para a cidade. A condessa, presente àquela hora, também parecia participar ardentemente. Não poupou elogios à grandeza da alma e à misericórdia cristã de Brancassis que, conforme ela, esquecendo o próprio cansaço e os sofrimentos do seu antigo ferimento, corria ao leito do paciente, levando-lhe a ajuda da fé e da ciência. - Possuo uma confortável liteira que ponho à disposição do paciente. -Acrescentou ela após o comovido discurso. -Trazendo-o para cá, estou agindo em nome de meu marido, que certamente faria o mesmo. Na ala direita da casa existem aposentos separados de três quartos e, se a doença do barão Svetomir von-Rabstein for grave e longa, ele estará aqui muito mais confortável do que num ruidoso hospital. Eu e meus servos cuidaremos dele. - Essa proposta mostra o seu coração de ouro, cara prima. Certamente, o barão irá aceitar com gratidão o seu convite. - Disse o bispo, despedindo-se apressadamente e pondo-se a caminho.
Capítulo II
Era um claro e silencioso entardecer de verão. O sol avermelhado estava se pondo, dourando com seus raios tudo ao redor. Dois cavaleiros seguiam pela estrada em direção a Pilsen. Um era religioso e trajava uma batina negra de mangas largas e um pequeno chapéu de tecido. Seu rosto fino e pálido era extremamente atraente e terminava embaixo com uma barbicha pontiaguda. A testa era alta e a boca, bem delineada; os grandes olhos, claros e pensativos, olhavam com brandura, como se contivessem uma silenciosa tristeza. Notava-se nele um pensador idealista, de alma aberta e sincera, que não admite negociações com a consciência, mas que possui uma tendência a paixões no caminho da fé, do amor e da verdade. Uma inconsciente e grandiosa simplicidade transparecia em seus movimentos. Seu companheiro de viagem era um jovem de rara beleza, alto, esbelto e surpreendentemente bem-formado, de cabelos negros como asa de corvo. Seus grandes olhos escuros brilhavam com inteligência e poderosa vontade. Vestia roupas civis - um traje de fino tecido marrom, com uma grande capa preta sobre os ombros.
Trazia na cintura uma espada com empunhadura de aço e um punhal. Puxava atrás de si um cavalo de carga e, na parte posterior da sela de cada um dos viajantes, também havia uma mala. Conversavam animadamente. - Esses são, em resumo, os principais acontecimentos da minha estada em Oxford. - Encerrou seu discurso o jovem. - Quando estivermos em Pilsen, vou contar-lhe nas horas vagas muitas coisas interessantes, mestre Jan; por enquanto, não consigo me acalmar com a feliz coincidência de encontrar você no caminho. Na realidade, ainda não me disse de onde vem e para onde está indo.
- Fui a Hussinec por motivos familiares: acertar a herança de minha prima Catarina; a partir de lá visitei alguns amigos e preguei a palavra do Senhor aos pobres, cujos párocos os ignoram completamente. Meu Deus, quanta indecência encontrei! Tanto, que me per-
gunto, involuntariamente, se não chegou a época do Anticristo! Todavia, vendo a profunda fé daquelas pessoas humildes e a alegria entusiasmada com que eles ouvem o sermão na língua pátria, no meu coração nascia a esperança de tempos melhores. Eu, então, com lágrimas nos olhos, implorava ao Senhor para devolver a paz à Igreja e fazê-la renascer. - Naturalmente, todos os corações realmente cristãos irão responder às suas preces. Esperemos que o Deus misericordioso não esqueça o Seu fiel povo tcheco e livre-o da praga alemã que o assalta, maltrata e corrompe. De onde mais viriam tanto mal, tantas desgraças e desavenças? -Não se exalte Jerônimo! E claro que os estrangeiros nos prejudicam, mas nós também pecamos bastante e merecemos ser castigados! - Então existe um castigo maior do que esses patifes? - Exaltou-se Jerônimo. - Será que há limites para sua insolência e sua avidez? Depois que foram derrotados no campo de batalha, eles retornaram como colonos, apropriando-se de terras, cargos e privilégios. Não são eles os donos das cidades?
Fazem o que bem entendem nas universidades e, algum dia, irão nos expulsar de lá se não dermos um basta nisso a tempo! O tcheco tornou-se um estrangeiro na própria pátria; ele trabalha e o alemão comanda, um planta e o outro colhe! Eles até gostariam de nos tirar o nosso idioma! Ao ouvir essas palavras, o rosto do padre ruborizou-se, seu cenho franziu-se e os claros olhos brilharam com desaprovação.
A cidade onde Jan Huss nasceu em 1369-Nota da editora.
Os dois papas, de Roma e de Avignon, acusavam-se mutuamente de"Anticristo " - Nota da editora. -Tem razão, Jerônimo, tudo isso é de se indignar! Mesmo sendo pecado, fico constantemente indignado ao presenciar as patifarias praticadas contra os tchecos nas universidades. Os desacordos entre professores e os confrontos entre estudantes alemães e tchecos já viraram rotina e o reitor fica sempre do lado dos alemães. Eles se calaram, imersos nos próprios pensamentos. O belo cavaleiro a quem o companheiro chamava de Jerônimo foi o primeiro a quebrar o silêncio. - Será que vamos encontrar alguma hospedaria pelo caminho, mestre Jan? Já viajamos um bom pedaço e começo a sentir necessidade de alimento e descanso. Lembro-me de que aqui por perto existia uma. - Soldados bêbados a incendiaram no ano passado, destruindo-a completamente, e a próxima hospedaria ainda está longe. Entretanto, logo passaremos por uma aldeia e encontraremos abrigo na casa do padre local que, de acordo com a mulher que toma conta da casa, está ausente há um ano. Lá poderemos descansar tranqüilamente. - E por onde anda o reverendo pastor da igreja? - Perguntou Jerônimo, rindo.
- Bem, ele possui mais duas paróquias e, quando não está numa, dizem que está na outra, o que é difícil de conferir. Apesar disso, di-
zem também que ele cobra o dízimo com surpreendente pontualidade. - E, provavelmente, deve ser muito exigente nessa colheita, principalmente se for alemão. - Não o conheço. Parece-me que era o caçula da família e foi consagrado quase que aos sete anos de idade. - Foi muito previdente da parte dos seus pais e deve ter saído caro. Todos os bispos cobram bem pelas paróquias: eles próprios precisam pagar os seus postos. Aliás, todos os padres colaboram com Roma,
Tomek Dejepís mesta Prahy (Estudo histórico de Praga), III, pp. 140-145 -Nota do autor. Obs.: Em todo o livro Rochester colocou muitas notas de historiadores apoiando suas afirmações; foram transcritas da forma que aparecem no original.
Originariamente, tributo em espécie, equivalente à décima parte do rendimento de cada um. No século VI, além do dízimo profano (que j á existia na Antigüidade), introduziu-se, segundo o modelo do Antigo Testamento, o dízimo eclesiástico, pago regularmente à Igreja - Nota da editora.
isto é, com o Papa, ou melhor, os Papas, e isso serve de desculpa aos párocos. - Sim, a simonia está consumindo a Igreja como uma lepra. Vejo com repugnância o luxo tresloucado, a avidez e a degradação com que vivem as pessoas que têm coragem de chamar-se seguidores de Cristo, o Rei Celestial, que andava descalço, desprezava a cobiça e que proferiu a terrível frase: "É mais fácil um camelo passar pelo buraco da agulha do que um rico entrar no Céu". - O arcebispo de Praga, por exemplo, que tem o seu próprio castelão, sua corte, chanceler, marechal, tesoureiro etc., e que possui um
ganho de três mil marcos, sem contar tributos in natura, corvéias, venda de benefícios, indulgências e outros ganhos semelhantes, quão pouco ele parece com o seu Mestre Divino... - observou Jerônimo e, de repente, desandou a rir. - De que está rindo? Será que o assunto da nossa conversa pode motivar isso? - Desculpe o riso involuntário, querido mestre Jan. Mas lembrei do
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.