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Capítulo 45 de 46

Swedenborg — parte 3 de 4

A Pluralidade dos Mundos Habitados · Camille Flammarion

à que me rodeou primeiramente no Coliseu, vi em movimento ao redor de mim globos que pareciam compostos de chamas e de cores diferentes. Em alguns destes globos percebi figuras que se assemelhavam a rostos humanos; mas a semelhança era tão desnaturada e terrível que me esforcei por desviar o olhar. "Agora", disse-me o Gênio, "estás num sistema cometário: esses globos de luz que te rodeiam são formas materiais, semelhantes àquelas que uma das crenças religiosas da Terra concedeu aos ser afins; esses seres vivem num elemento que te destruiria; eles se comunicam entre si por manifestações que reduziriam a cinzas os vossos corpos; atualmente estão na plenitude de sua felicidade, pois vão entrar na atmosfera flamejante do Sol. Esses seres tão grandes, tão gloriosos, dotados de funções que te são incompreensíveis, outrora pertenceram à Terra: suas naturezas espirituais se elevaram por graus diferentes da vida planetária, despojaram-se de sua poeira, e levaram consigo apenas seus poderes intelectuais. Perguntas-me em espírito se eles têm algum conhecimento ou lembrança de suas transmigrações?

Conta-me de tuas próprias lembranças no seio de tua mãe, e dar-te-ei minha resposta... Fica sabendo, pois é a lei da sabedoria suprema: nenhum espírito leva para outro estado de existência senão hábitos e qualidades mentais que estiverem em relação com sua nova situação; o saber relativo à Terra não seria mais útil a esses seres glorificados, assim como seria inútil a poeira terrestre organizada, que numa tal temperatura seria reduzida a seu último átomo; na Terra mesmo, a borboleta não leva consigo para o ar os órgãos ou os apetites da rastejante lagarta de que saiu. Todavia, ela tem um sentimento, uma paixão, que a mônada ou essência espiritual conserva sempre consigo em todos os estágios de sua existência, e que entre os seres felizes e elevados aumenta perpetuamente. E o amor do saber, é essa faculdade intelectual, que se torna, com efeito, em seu último e perfeito desenvolvimento, o amor da sabedoria infinita e da união com Deus. Ela é a

grande condição do progresso da alma em suas transmigrações na vida eterna."

Young

A noite

Como Deus é grande! Como é poderoso, o Ser que lança a luz através das massas opacas de todos esses globos, que teceu o conjunto brilhante da natureza, e suspendeu o Universo como um rico diamante na base de seu trono! Deixai cair um peso da altura de uma estrela fixa, quantos séculos se escoarão antes que chegue a Terra? Onde começa, pois, onde termina esse vasto edifício? Onde se erguem às últimas muralhas que, dominando sobre o abismo do nada, encerram a morada dos seres? A que ponto do espaço o Criador se deteve, terminou as linhas de seu plano e depositou sua balança? O universo que vejo é sua única obra ou, longe de meus olhos, fecundou com um sopro o seio do espaço? Teria tirado ainda do caos uma infinidade de outros Mundos, e colocou-se no meio de uma infinidade desses sistemas diversos, como um Sol central que os penetra todos com seus raios, os vê flutuar em torno dele como átomos nas torrentes de sua luz e recair na noite do caos, se interromper seus jogos brilhantes?

O desejo de tocar o termo dos seres se desperta em minha alma; quer me elevar de esfera em esfera e percorrer a escada radiosa que à noite me apresenta. Ela se abaixa até o homem, para que ele suba. Não hesito, e entrego-me ao pensamento. Levado sobre sua asa de fogo, lanço-me da Terra como de minha barreira. Como vejo seu globo se afastar e diminuir perante meus olhos! Com que velocidade sinto-me subir! Passei do astro da noite: toco na cortina azul dos céus. Passei, penetrei nos espaços recuados. E aqui que atinge o olho conhecedor cio astrônomo: é aqui que se limita sua vista alongada pelo tubo maravilhoso. A cada planeta que encontro em meu caminho, detenho-me, interrogo-o sobre Aquele que faz brilhar e rolar seu orbe. Do vasto anel de

Saturno, onde milhares de Terras como a nossa ficariam perdidas, ergo-me e sigo com audácia o vôo atrevido do cometa. Chego com ele no meio desses Sóis soberanos que brilham com uma luz independente, almas dos mundos, pelos quais tudo vive e respira. Que vejo aqui? Um espaço sem limites, semeado de fontes chamejantes; globos mais vastos que os nossos, rolando em círculos mais elevados. Avancemos mais longe, minha corrida apenas começou. E sem dúvida apenas o pórtico do palácio do Eterno. Mas que erro! O Eterno está bem mais acima; eu ainda rastejo. Mais avanço para ele, mais ele recua para longe de mim. Onde estou? Onde está a Terra, Sol, onde estás? Como o círculo por onde viajas é estreito! Estou aqui em pé no vértice da natureza. Meu olhar domina seu recinto. Quantos milhares de Céus e Mundos vejo rolar sob meus pés, como grãos brilhantes! Chegando tão longe e em regiões tão novas para mim, como não ficaria curioso para aprender quais são os habitantes desses climas tão diferentes da Terra?

Nenhum mortal jamais abordou vivo esses lugares. Ó vós, colocados longe de minha mesquinha morada, a uma distância que os raios mais rápidos de meu Sol não poderiam atravessar em um século, erro longe de minha pátria. Procuro maravilhas novas para a admiração do homem. Qual é o nome dessa região do domínio imenso do Mestre a quem tudo obedece? Vizinhos da morada da felicidade, sois mortais ou deuses? Sois uma colônia vinda dos céus? Qualquer que seja vossa natureza, deveis viver uma outra vida, falar uma outra língua, ter idéias bem diferentes das do homem. Que variedade nas obras de nosso Criador!... Mas de que natureza são vossos pensamentos? A razão está aqui sobre um trono, ela reina como soberana sobre os sentidos, ou estes se revoltam contra ela? Quando seu facho se extingue, tendes um segundo, cuja luz vos guia? Vossos reinados felizes gozam ainda de sua idade de ouro? Vossos primeiros ancestrais conservaram sua inocência? A virtude vos é fácil e natural? Essa é vossa última morada? Se mudais, sois transferidos vivos, ou vos é preciso morrer? De que espécie é vossa morte?

Conheceis a dor e a doença, conheceis a horrível guerra? Na hora em que vos falo, uma guerra fatal despedaça a Europa, que geme: é assim que chamamos a um pequeno canto do Universo onde se agitam reis insensatos. No mundo em que nasci, não se espera que a morte venha, depois da passagem dos anos; a intemperança apressa a obra da velhice. A morte descobriu que era demasiado lenta para nos destruir, depôs o seu carcás, pendurou sua foice e encarregou os reis de manter, em seu lugar, uma carnificina contínua da espécie humana. A ambição deles serve à morte melhor que sua própria espada. Acreditaríeis que se viu quem fez esganar seu próprio rebanho, depois de o ter despojado, e que bebiam numa refeição o sangue de muitos milhares de súditos? Ó vós, habitantes desses mundos afastados, respondei-me: os que vos enviam a morrer também estão sentados sobre tronos? Entre vós, o furor de destruir também faz deuses? Os conquistadores encontram a glória derramando o sangue dos homens?

Mas talvez estejais isentos da morte e da dor; talvez um éter puro e delicado componha vosso ser privilegiado? Libertos do peso e da corrupção, elevai-vos, sem dúvida, planai a vosso grado no espaço. Como vossa sorte é diferente da de nossa humanidade! Escravos infelizes de um barro vil e grosseiro que mata a alma, somos um todo formado de partes que não podem se conciliar e que fazem guerra eterna entre si. Mas não tendes nenhuma idéia do homem nem da Terra (este é o nome de um hospital onde ficam os loucos do Universo). A razão mesmo, ali, é insensata, e muitas vezes faz o papel de loucura. Como este relato deve vos parecer estranho! Nunca ouvistes falar da existência desse gênero humano? O carro de chamas de Henoc e Elias não passou perto desses lugares? O anjo das trevas, quando caiu dos céus, não sujou a pureza de vosso éter? Não eclipsou por alguns instantes vosso globo com a passagem de sua sombra imensa?.. Se me engano multiplicando os universos, meu erro é sublime. Ele se apóia sobre uma verdade, tem como base a idéia da grandeza de Deus. E quem me demonstrará que isto é um erro? Quem ousaria designar limites à

Onipotência? O homem pode imaginar além do que Deus pode fazer? Um mundo não lhe custa mais para criar do que criar um átomo. Que ele diga: Que sejam! E milhares de Mundos vão nascer, Frio censor, não condena meu entusiasmo. Deixa-me com essas idéias que me engrandecem e me inflamam. Minha imaginação não pode mergulhar sem um sentimento de horror no império mudo e deserto do nada. A experiência vem por si só apoiar minha conjetura. Do infinitamente pequeno ao infinitamente grande, os dois termos da criação se correspondem e equilibram um ao outro: o pensamento não deve recear descer demais para o extremamente pequeno, nem se elevar demasiado ao extremamente grande. O erro estará sempre na omissão, e não no excesso. Que efeito pode parecer demasiado grande quando se pensa na causa? Admirável Arquiteto! Minha alma pode se abaixar ou se elevar como quiser na imensidade de tua idéia, sem jamais poder deixar o centro. Eu sou é teu nome. Toda existência te pertence.

A criação não é mais que um nada; é apenas um véu flutuando diante de ti como a leve atmosfera diante do astro. Sábios da Terra, observadores da natureza, gênios superiores que voais sobre as pegadas de Newton, haveis descoberto Aquele que vê o cume da criação baixado à profundeza de um abismo? Haveis encontrado o orbe do grande Ser, do Sol universal que atrai para si todos os seres; haveis reconhecido os satélites que o cercam, as estrelas da manhã que assistem a seu nascer e formam sua corte? Não é a ciência, é a religião que me conduzirá até ele; o humilde amor penetra onde a razão soberba não pode chegar... Cada um desses astros é um templo onde Deus recebe a homenagem que lhe é devida. Vi fumegar seus altares; vi seu incenso erguer-se rumo a seu trono; ouvi as esferas ressoar com os concertos em seu louvor. Não há nada de profano no Universo. A natureza toda é um lugar consagrado:

Each of these stars is a religious house; 1 saw their altars smoke, their incense rise, And heard hosannahs ring through every sphere!

("Cada um desses astros é um templo; Eu vi seus altares fumegarem, seu incenso subir, E ouvi hosanas ressoar por todas as esferas!") Admiráveis pensamentos; Milton não seria menos belo:

What if light, Sent from her through the wide transpicuous air, To the terrestrial moon be as a star, Enlightening her by day, as she by night This Earth? Reciprocal, if land be there, Fields and inhabitants: her spots thou seest As clouds, and clouds may rain, and rain produce Fruits in her seften'd soil, for some to eat Allotted there; and other suns perhaps Which their attendant moons, thou wilt descry, Communicating male and female light; Which two great sexes animate the world, Stored in each orb perhaps with some that live: For such vast room in nature unpossess'd By living soul, desert, and desolate, Only to shine, yet scarce to contribute Earch orb a glimpse of light, conveyed so far Down to this habitable, which returns Lighs back to them, is obvious to dispute.

E que disseras se essa luz, que corre Do ar espaçoso as diáfanas campinas,

Repercutida pela diurna Terra, Vai alumiar a Lua, qual de noite À luz da Lua a Terra se alumia? Talvez existam, como nesta, na outra Habitantes gentis, campos fecundos, que de tão mútuo auxílio se aproveitem: Vês ali manchas que parecem nuvens; Nuvens dão chuva, chuva frutos cria Em solo fértil que nutrir bem podem, Os que por sorte ali nascido houvessem. Talvez também que a descobrir tu chegues Mais sóis que de outras luas se acompanhem, Cujas luzes, os sexos dois possuindo, Se unam, se comuniquem, se propaguem, E o Mundo assim animem, entranhando Em cada orbe prolíficas virtudes. Talvez também que tão imenso espaço Nenhum vivente espírito o povoe, E antes deserto, inabitável seja, Só próprio a transmitir da luz os raios Descidos lá de tão longínquos orbes Sobre este, ou só que se orne de habitantes, E que a seu turno lhos reenvie logo. Todas estas hipóteses dão azo A intermináveis, férvidas disputas.

(Paraíso Perdido, John Milton, Livro VIII) Tradução de António José Lima Leitão Clássicos Jackson — Vol. XIII — pág. 224 — W. M. Jackson — São Paulo, 1952)

De Fontanes Les Mondes

Commc le nôtre aussi, sans doute ils ont vu naitre Une race pensante avido de connaitre: Ils ont eu des Pascais, des Leibnitz, des Buffons. Tandis que je me perds en ces rêves profonds, Peut-être un habitant de Vénus, de Mercure, De ce globe voisin qui blanchit I'ombre obscure, Se livre à des transports aussi doux que les miens. Ah! si nous rapprochions nos hardis entretiens! Cherche-t-il quelquefois ce globe de la Terre Qui, dans I’espace immense, en un coin se resserre? A-t-il pu soupçonner qu'en ce séjour de pleurs Rampe un être immortel qu'ont flétri les douleurs? Habitants inconnus de ces sphères lointaines, Sentez-vous nos besoins, nos plaisirs et nos peines? Connaissez-vous nos arts? Dieu vus a-t-il donné Des sons moins imparfaits, un destin moins borné? Royaumes étoilés, célestes colonies, Peut-être enfermez-vous ces esprits, ces génies, Qui, par tour les degrés de I'échelle du ciei, Montaient, suivant Platon, jusqu'au treme éternel. Si pourtant, loin de nous, de ce vaste empyrée, Un autre genre humain peuple une autre contrée, Hommes, n'imitez pas vos frères malheureux. En apprennant leur sort, vous gémiriez sur eux. Vos larmes mouilleraient nos fastes lamentables. Tous les siècles en deuil, I'un à I'autre semblables, Courent sans s'arrêter, foulant de toutes parts Les trones, les autels, les empires épars; Et, sans cesse frappés de plaintes importunes,

Passent en me contant nos longues infortunes. Vous, hommes, nos égaux, puissiez-vous être, hélas; Plus sages, plus unis, plus heureux qu'ici bas.

(Os Mundos

Como o nosso também, sem dúvida eles viram nascer Uma raça pensante ávida de conhecer: Tiveram seus Pascal, seus Leibniz, seus Buffon. Enquanto eu me perco nestes sonhos profundos, Talvez um habitante de Vênus, de Mercúrio, Desse globo vizinho que embranquece a sombra escura, Entregue-se a transportes tão doces quanto os meus. Ah! se aproximássemos nossas ousadas conversas! Procurará ele por vezes esse globo da Terra Que, no espaço imenso, num canto se encerra? Teria ele suspeitado que nesta morada de lágrimas Rasteja um ser imortal abatido pelas dores? Habitantes desconhecidos dessas esferas longínquas, Sentis nossas necessidades, nossos prazeres e nossos [penares? Conheceis nossas artes? Deus ter-vos-ia dado Sentidos menos imperfeitos, um destino menos limitado? Reinos estrelados, celestes colônias, Talvez encerreis esses espíritos, esses gênios, Que, por todos os degraus da escada do céu, Subiam, segundo Platão, até o trono eterno. Se, no entanto, longe de nós, desse vasto empíreo, Um outro gênero humano povoa uma outra região, Homens, não imiteis vossos irmãos infelizes. Sabendo de sua sorte, gemeríeis por eles.

Vossas lágrimas molhariam nossos fastos lamentáveis. Todos os séculos de luto, um ao outros semelhantes, Correm sem detença, pisando por todo lado Tronos, altares, os impérios esparsos; E, sem cessar atingidos por queixas importunas, Passam, contando-me nossos longos infortúnios. Vós, homens, nossos iguais, possais ser, ai! Mais sábios, mais unidos, mais felizes que cá embaixo.)

Ponsard

Galilée

Non, les temps ne sont plus ou, reine solitaire, Sur son trône immobile on asseyait la Terre: Non, le rapide char, portant 1'astre du jour, De I’aurore au couchant ne décrit plus son tour; Le firmament n'est plus la route cristalline Qui, comme un plafond bleu, de lustres s'illuminc; Ce n'est plus pour nous seuls que Dieu fit I'univers; Mais, loin de nous tenir abaissés, soyons fiers! Car, si nous abdiquons une royauté fausse, Jusqu'au règne du vrai la science nous hausse. Plus le corps s'amoindrit, plus I'esprit devient grand; Notre noblesse croit oìi décroit notre rang. II est plus beau pour I'homme, infime créature, de saisir les secrets voilés par la nature, Et d'oser embrasser dans sa conception L'universelle loi de la création, Que d'être, comme aux jours d'un vaniteux mensonge Roi d'une illusion et possesseur d'un songe,

Centre ignorant d'un tout qu'il croyait fait pour lui, Et que, par la pensée, il conquiert aujourd'hui.

Soleil, globe de feu, gigantesque fournaise, Chaos incandescent, où bout une genèse, Océan furieux oh flottent éperdus Les liquides granits et les métaux fondus, Heurtant, brisant, mêlant leurs vagues enflammées Sous de noirs ouragans tout chargés de fumées, Houle ardente, où parfois nage un ïlot vermeil, Tache aujourd'hui, demain écorce du solei! Autour de toi se meut, ô fécond incendie, La Terre, notre mère, à peine refroidie, Et, refroidis comme elle et comme elle habités, Mars sanglant, et Vénus I'astre aux blanches clartés, Dans tes proches splendeurs Mercure qui se baigne, Et Saturne en exil aux confins de ton règne, Et par Dieu, puis par moi, couronné dans I'éther D'un quadruple bandeau de lunes, Lupiter.

Mais, astre souverain, centre de tous ces mondes, Par delà ton empire aux limites profondes des milliers de soleils, si nombreux, si touffus, Qu'on ne peut les compter dans leurs groupes confus, Prolongent, comme toi, leurs immenses cratères, Font mouvoir, comme toi, des mondes planétaires, Qui tournent autour d'eux, qui composent leur cour, Et tiennent de leur roi la chaleur et le jour. Oh! oui, vous êtes mieux que des lampes nocturnes Qu'allumeraient pour nous des veilleurs taciturnes, Innombrables lueurs, étoiles qui poudrez

De votre sable d'or les chemins azurés; Chez vous palpite aussi la vie universelle, Grands foyers, où notre oeil ne voit qu'une étincelle. Montons, montons encore. D'autres cieux fécondés sont, par delà nos cieux, d'étoiles inondés, Et partout I'action, le mouvement et I'âme! Partout, roulant autour de leurs centres en flamme, Des globos habités dons les hôtes pensants Vivent comme je vis, sentent comme je sens: Les uns plus abaissés, et les autres peut-être Plus élevés que nous sur les degrés de l'être!

Galileu

Não, já não existem mais os tempos em que, rainha solitária, Sobre um trono imóvel, assentava-se a Terra; Não, o rápido carro, carregando o astro do dia, Da aurora ao poente não descreve mais sua volta; O firmamento não é mais a rota cristalina Que, como um teto azul, de lustres se ilumina; Não é mais só para nós que Deus fez o universo; Mas, longe de nos mantermos abaixados, tenhamos orgulho! Pois se abdicamos a uma realeza falsa, Ao reino da verdade a ciência nos alça. Mais o corpo se diminui, mais o espírito se engrandece; Nossa nobreza cresce onde decresce nosso nível. É mais belo para o homem, ínfima criatura, Entender os segredos velados por natura, E ousar abraçar em sua concepção A universal lei da criação, Que ser, como nos dias de vaidoso engano

Rei de uma ilusão e possuidor de um sonho Centro ignorante de um todo que julgava feito para ele, E que, pelo pensamento, conquista hoje.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.