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Capítulo 29 de 46
A Humanidade no Universo — parte 10 de 11
A Pluralidade dos Mundos Habitados · Camille Flammarion
"Vontade sublime e viva que nenhum nome pode expressar, que nenhuma idéia pode abranger, eu posso contudo elevar meu coração a ti, pois tu e eu não somos separados! Dentro de mim tua voz se faz ouvir; em ti, o incompreensível, minha própria natureza e o mundo inteiro se tornam inteligíveis; cada enigma de minha existência é decifrado, e uma perfeita harmonia reina em minha alma. Tu criaste em mim a consciência de meu dever, a de meu destino na série dos seres racionais; como? ignoro; mas é preciso que eu o saiba? O que sei, é que tu conheces meus pensamentos e aceitas minhas intenções, e a contemplação de tuas ligações com minha natureza finita basta para me tranqüilizar e me deixar feliz. Por mim mesmo, eu não sei muito o que devo fazer; no entanto agiria simplesmente, serenamente e sem astúcia, pois é tua voz que me comanda, e a força com a qual eu cumpro meu dever é a tua própria. Não tenho medo algum dos acontecimentos deste mundo, pois este mundo é o teu.
Todo acontecimento faz parte de teu plano; o que, neste plano, é positivamente bem, ou simplesmente meio de evitar o mal, eu ignoro; mas sei que em teu universo tudo terminará bem, e permaneço firme nesta fé. Que importa que eu não conheça o que é puro germe, flor e fruto perfeito? A única coisa que me é importante, é o progresso da razão e da moralidade por intermédio dos seres racionais. Ah! quando o meu coração se fecha a todo desejo terrestre, como o Universo me aparece sob glorioso aspecto! As massas mortas e incômodas que servem apenas para ocupar espaço se desvanecem, e em seu lugar uma eterna onda de vida, força e ação emana da grande força de vida primordial, de tua vida, ó Tu, a eterna unidade! (1) (1) Fichte, Deslination de I'homme. Resumamos nossa filosofia numa última síntese. Há princípios absolutos de justiça e de verdade que estão em Deus, soberano Criador. São esses princípios que constituem a unidade moral do mundo; são eles que ligam harmoniosamente todos os espíritos ao Espírito supremo. Nos mundos onde são honrados e reinam sem partilha, a humanidade tem percorrido laboriosamente a imensa série de provas; ela se
aproximou da perfeição última e resplandece no seio da auréola divina. Lá brilha uma natureza inteiramente bela, uma vida sem sombra, um povo sem mancha; lá repousa o espírito divino, envolvendo todos os seres, como a luz pura que vem do céu oriental. Nos mundos menos elevados, esses princípios de justiça e de verdade não são ainda soberanos, não são compreendidos em toda a sua grandeza nem praticados em toda a sua extensão; não são a única bússola que os homens consultam em sua ascensão rumo à felicidade a que aspiram. À medida que se desce na hierarquia dos mundos, reconhece-se que esses princípios são cada vez mais velados pela predominância da matéria, e, nos mundos inferiores onde a humanidade avançou apenas alguns passos na via da perfeição, as tendências primitivas da animalidade dominam e não deixam nascer as afeições da alma. E, de corpo inteiro, o espetáculo que se manifesta em miniatura em nossa própria morada.
O espírito se eleva mais quanto mais se liberta da dominação das coisas corporais, se instruindo ao mesmo tempo na noção da verdade e da moral. Esta noção que toda consciência humana porta em si é apenas sensível na alma primitiva, onde está confusamente misturada aos instintos grosseiros; mais tarde ela se torna distinta, se desembaraça e serve de fio condutor ao homem que se aperfeiçoa. Ela é assim o laço universal que une a Deus todas as humanidades do espaço. O mundo da Terra está situado entre as ordens inferiores dessa espécie de hierarquia moral. Considerando-o assim, permitimos à obra divina manifestar-se em toda a sua grandeza. O pessimista não renega mais o nome do Primeiro dos seres, pois ele sabe que cada coisa tem seu lugar marcado na ordem da criação, e que a natureza é uma imensa ascensão dos seres rumo a Deus. O Universo é completo em si mesmo; a natureza inteligente está intimamente ligada à natureza física; elas se completam uma à outra; isoladas, sua existência seria estéril; unidas, elas são a expressão viva do Pensamento divino. Para aquele que acredita nos ensinamentos da Pluralidade dos Mundos, a ordem das inteligências cresce como a ordem dos seres corporais, a vida universal anima uma e outra, e a
obra de Deus, infinita em seus desenvolvimentos sucessivos, surge aos olhos da alma como a mais grandiosa, a mais bela das verdades que nos seja dado conceber.
II
A Humanidade Coletiva
As humanidades dos outros mundos e a humanidade da Terra são uma só humanidade. — O homem é o cidadão do céu. — A família humana se estende, para além de nosso globo, às terras celestes. — Parentesco universal. — Pluralidade dos Mundos e pluralidade das existências. — A eternidade futura não é outra que a eternidade atual. — Regiões da imortalidade. — Últimas noções sobre a doutrina da Pluralidade dos Mundos.
Nós estudamos o Universo sob seu duplo aspecto: o aspecto físico, na grandeza dos objetos e na harmonia das leis que os regem; o aspecto moral, na vida intelectual dos seres que o habitam. Os mundos percorreram sob nossos olhos o ciclo de suas revoluções imensas; eles não se apresentaram a nós em seu estado real, com os elementos que constituem sua individualidade, com as riquezas variadas que os distinguem. Em sua superfície nós reconhecemos a existência de humanidades de diferentes ordens, segundo o mundo ao qual elas pertencem. Nesse duplo quadro, a vida nos pareceu circular por toda parte, turbilhão invisível animando cada átomo de matéria. O espaço infinito que se estende acima de nossas cabeças não é mais vazio, silencioso, decerto para nós; ele não nos é mais indiferente. Ele é a arena onde se travam os
pacíficos combates da Vida eterna; ele é o campo onde germinam as espigas de ouro, onde desabrocham as flores brilhantes desta vida sem fim, cuja força fecunda tem qualquer coisa de infinito, de eterno como seu Autor. Nosso espírito se engrandeceu à medida que se desenvolveu a esfera de nossas investigações, e nossos pensamentos, libertando suas asas dos laços que as prendiam à terrestre morada, voaram rumo ao céu, onde se enriqueceram com novos conhecimentos, resultado das conquistas de seu ardente progresso. Nosso coração mesmo não ficou estranho a essas buscas, e mais de uma vez a sublimidade do espetáculo da natureza o tocou com uma emoção salutar. Contudo nosso espírito e nosso coração ainda não estão satisfeitos. O grande trabalho ao qual nos entregamos nos instruiu na ciência do mundo; ele nos esclareceu quanto ao valor real de nossa Terra e quanto ao de seus habitantes; ele nos isolou como tantos seres insignificantes perdidos na universalidade dos mundos; ele nos mostrou nossa miséria e nossa inferioridade. Está bem. — Mas a obra estaria inacabada se parasse aí.
Não queremos estar isolados do resto do mundo; não queremos estar sentados com indiferença em meio ao vazio, e nos sentirmos estrangeiros nesta imensa cidade da criação. Nossos direitos de cidadãos estão inscritos no fundo de nossas almas e sobre nossas frontes de homens; não podemos nem queremos nos subtrair a sua voz. Aspirações legítimas se manifestam em nós: nós queremos sentir os laços desconhecidos que nos ligam à universal vida das almas. Está aí a prece invocadora que se eleva do fundo de nosso ser rumo ao céu das estrelas. Sim, vós nos aparecestes em vossa vestimenta esplêndida, astros magníficos que cintilam no éter! Nós subimos até as regiões longínquas que percorreis nos céus; nós seguimos as linhas sinuosas de vossas vastas órbitas; nós observamos as transformações que as leis da luz e do calor operam em vossa superfície; nós assistimos aos quadros que a sábia mão da natureza faz surgir sobre vossos campos ao romper o dia, no ocaso do astro-
rei, ou durante vossas noites estreladas. Vimos essas coisas; compreendemos o quanto nossa habitação é pouco digna de ser comparada às vossas; julgamos melhor que intervalo nos distancia de vós, astros sublimes! Nós sentimos melhor a distância que separa nossa humanidade primitiva das humanidades gloriosas das quais sois a morada... Mas vós sois para nós tão estrangeiros como nós pensamos, "longínquas humanidades que seguis conosco os caminhos variados do céu! Não percorreis vós um ciclo de destinos semelhante àquele que percorremos aqui embaixo; não sois vós arrastadas ao mesmo objetivo; não vamos nós, juntos, ao mesmo fim? Respondei, "populações desconhecidas, sabeis vós se não existem outros laços de relação entre nós além desses raios luminosos que se enviam mutuamente nossas moradas? sabeis se a unidade e a solidariedade da criação não nos tocam, a cada um de nós, átomos pensantes, e se nós não devemos nos encontrar algum dia e nos reconhecermos?
Aprendestes vós se nossos primeiros pais não eram irmãos antes de descerem sobre cada uma de nossas pátrias, e de nelas criar o berço de tantas famílias humanas? Dizeis-nos para que ponto somos todos levados, planetas e sóis; que lugar de repouso procuramos através dos espaços, e qual é a última morada em que devemos nos reunir? Ah, não! Vós não sois estrangeiras, brancas estrelas que cintilais docemente na noite profunda! Toda alma que se deixou absorver em vossa contemplação não pôde se defender do sentimento de simpatia que desce de vosso mágico olhar. Sobretudo agora que as regiões da imortalidade se tornaram mais visíveis, desde a aurora sagrada em que a mão de Urânia afastou o véu que as cobria; agora que o céu nos apareceu em sua grandeza e sua verdade; nós nos tornamos grandes quebrando o círculo estreito dos dogmas antigos, e nossa visão se alargou subitamente, abarcando a extensão do Universo. Vós viestes a nós, ó loiras filhas do céu! Vós espalhastes sobre nossas cabeças a inspiração que as musas de outro tempo não podem mais nos dar; vós nos envolvestes de luz, e nós compreendemos vosso ensinamento sublime.
O noite majestosa! como teu esplendor é ainda maior ante nossos olhos desde que entrevimos a vida sob tua morte aparente! Como tuas harmonias se tornaram deliciosas! Como teu espetáculo se transfigurou diante de nossas almas! Outrora, eu me comprazi em vos contemplar no silêncio da meia-noite, ó Plêiades longínquas cuja claridade difusa nos leva para tão longe da Terra! Eu me comprazi em ver repousar sobre vós o enxame de meus pensamentos, porque vós sois uma estação brilhante do infinito dos céus. Mas hoje, que vejo em vossa múltipla irradiação tantos lares onde famílias humanas estão reunidas; hoje que nessa irradiação tão calma eu creio reconhecer os olhares de irmãos desconhecidos, o olhar talvez de seres queridos que amei tanto, e que a Morte inexorável levou para longe de mim, desse ser, sobretudo, que se foi com um sorriso nos lábios para não me deixar adivinhar seus sofrimentos, e que agora está aí, sonhando talvez ainda em algum ponto obscuro de uma terra desconhecida, lembrando com uma tristeza inexplicável nossos amores destruídos, e procurando como eu por olhares perdidos no céu...
Oh! Agora eu vos amo, deslumbrantes Plêiades; eu vos amo, maravilhosas Estrelas; eu vos amo como o peregrino ama as cidades de sua peregrinação, como ele ama o altar aonde se dirigem seus votos, e onde depositará um dia o beijo de suas aspirações mais caras! Tudo é grande agora, tudo é divino para nós. A natureza não é apenas o trono exterior da magnificência divina, ela é também a expressão visível do poder infinito, a imagem da grandeza suprema. Outrora nós consideramos a Terra que habitamos como única na natureza, e pensamos que, sendo a única expressão da vontade criadora, ela era o único objeto da complacência e do amor de seu Autor. Nossas crenças religiosas fundaramse sobre esse sistema egoísta e mesquinho. Nós julgávamos então nossa humanidade importante o suficiente para ser o alvo de uma criação que dependia inteiramente de nossos destinos; para nós, o começo da Terra foi o começo do mundo; igualmente, o fim da Terra representava para nós o fim de todas as coisas. A história de nossa humanidade era a própria história de Deus; tal era o fundamento de nossa fé. Quando nosso olhar procurava
sondar as regiões de nossa imortalidade futura, nós assistíamos ao fim do mundo, e o momento em que o último homem devesse desaparecer da Terra decrépita e gelada nos parecia dever marcar ao mesmo tempo a extinção do Universo atual e uma revolução geral na obra divina. Hoje, tais idéias falsas estão afastadas de nossos espíritos mais esclarecidos; nós conhecemos melhor nosso estado real. Nós sabemos que a Terra não é mais que um astro obscuro, e que seu habitante é apenas um membro da imensa família que povoa a criação inteira. Nós sabemos que astros resplandecentes se apagam solitariamente um dia ou outro, e que o mundo não muda por um acontecimento tão insignificante como a morte de um sol, quanto mais pela morte de um pequeno planeta como o nosso. Nossa humanidade inteira seria destruída esta noite por um sopro mortal, e nada seria percebido nos outros mundos, nada pareceria na marcha cotidiana do Universo.
Desde então as Terras que se balançam no espaço têm sido consideradas por nós como estações do céu e como as regiões futuras de nossa imortalidade. Lá está à Casa celeste de muitas moradas, e lá onde entrevemos o lugar de onde vieram nossos pais, reconhecemos aquele que habitaremos um dia. Toda crença, para ser verdadeira, deve concordar com os fatos da natureza. O espetáculo do mundo nos ensina que a imortalidade de amanhã é aquela de ontem e de hoje, que a eternidade futura não é senão a eternidade presente; eis aí nossa fé. Nosso paraíso, é o infinito dos mundos. Por isso reconhecemos com uma felicidade infinita na alma quão grande é o Deus de nossa adoração, e o quanto está elevado acima das criações do espírito humano. Do alto dos cumes eternos aonde nos levou a contemplação dos céus, a vaidade da Terra e das coisas terrestres nos aparece em seu estado real.
E os povos que se degolam pela posse de um grão de poeira, os homens ambiciosos que rastejam por um pouco de ouro ou de glória, as belezas passageiras que cativam nossos corações e nos arrebatam os mais belos dias, todo interesse, toda afeição terrestre perdeu seu primeiro prestígio por nos aparecer em sua pequenez relativa. Enquanto
cada uma das criaturas vinha assim a ocupar diante de nossos olhos a categoria a que pertencem, o Criador, em meio a sua profunda majestade, tornava-se maior à medida que nossas concepções se desenvolviam. Também cremos, sob a inspiração da verdade, entender melhor o esplendor divino ao não defini-lo, ao não lhe atribuir forma, ao adorar simplesmente sua presença eterna, em vez de rebaixá-lo a nossas concepções grosseiras pretendendo representá-lo sob as miseráveis imagens que nos são acessíveis. O destino moral dos seres parece-nos ser do tipo intimamente ligado à ordem física do mundo, pois o sistema do mundo físico é como que a base e o vigamento do sistema do mundo moral. São duas ordens de criações necessariamente solidárias. Devemos ver todos os seres que compõem o Universo ligados entre si pela lei de unidade e solidariedade, tanto material como espiritual, que é uma das primeiras leis da natureza. Devemos saber que nada nos é estranho no mundo, e que não somos estranhos a nenhuma criatura, porque um parentesco universal nos reúne a todos.
Não é mais apenas a atração física dos mundos o que constitui sua unidade; não são mais apenas esses raios de luz, de calor, de magnetismo, o que estreita todos os globos do espaço em uma só rede; não são mais apenas os princípios universais da verdade que estabelecem laços indissolúveis entre as humanidades estelares; é uma lei maior que as precedentes, é a lei divina da família. Somos todos irmãos; a verdadeira pátria dos homens é o Universo infinito, ao qual todas as línguas, por um maravilhoso acordo, deram o nome de Céu — céu físico e céu espiritual. Não afirmamos com Voltaire que o habitante do sistema de Sírius ri do vermezinho de Saturno, como este ri por sua vez do animálculo da Terra. Não dizemos, com Diderot: "Que se dane o melhor dos mundos, se eu não estou lá". Rendamos justiça ao plano da natureza, reconheçamos o lugar em que estamos: que a imensa solidariedade que reúne todos os mundos deixe em nós a impressão de sua grandeza.
É bem verdade que o espetáculo da noite se transfigurou perante nossas almas desde que reconhecemos nessa imortalidade sem limites o teatro futuro de nossa imortalidade. O céu que admiramos, o verdadeiro céu, não nos conta apenas da glória de Deus, ele nos mostra a própria obra divina sendo executada em nossa presença. A tocha da Astronomia ilumina essas regiões misteriosas, que ameaçavam nos permanecer desconhecidas, apesar dos esforços de outras ciências menos poderosas; nossas aspirações, cortadas em sua seiva pela Morte, proclamava altivamente nossa imortalidade sem nos descobrir o campo onde ela devia se estender; hoje esse campo nos está descoberto; ao infinito de nossas aspirações a Astronomia dá o infinito do Universo, e nós podemos desde agora contemplar o céu onde nossos destinos nos esperam. Eis aí a Humanidade coletiva. Os seres desconhecidos que habitam todos esses mundos do espaço, são homens partilhando um destino semelhante ao nosso. E esses homens não são estrangeiros: nós os conhecemos ou deveremos conhecê-los algum dia. Eles são da nossa imensa família humana; pertencem à nossa humanidade.
Os magos da eterna verdade, apóstolos do sacrifício, pais da sabedoria, você Sócrates, que tomou a cicuta, você seu aluno, ó Platão — vocês, Fídias e Praxíteles, escultores da beleza — vocês, discípulos do Evangelho, João, Paulo, Agostinho — vocês, apóstolos da ciência, Galileu, Kepler, Newton, Descartes, Pascal — e vocês, Rafael e Michelangelo, cujas concepções serão sempre nossos modelos — e vocês, cantores divinos, Hesíodo, Dante, Milton, Racine; Pergolese, Mozart, Beethoven, seriam vocês imobilizados num paraíso imaginário; teriam vocês mudado de natureza; não seriam mais vocês os homens que conhecemos e admiramos, e dormiriam agora, verdadeiras múmias, eternamente assentados em seu derradeiro lugar? Não, a imortalidade não seria mais que uma sombra sem atividade, e nós gostaríamos tanto da tumba quanto do Nirvana sonhado pelos budistas. É a vida eterna que queremos, não a morte eterna. A vida eterna, vocês a conquistaram, almas ilustres, não pelo trabalho de uma única existência,
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.