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Capítulo 21 de 46
A Humanidade no Universo — parte 2 de 11
A Pluralidade dos Mundos Habitados · Camille Flammarion
Natureza não é uma pequena pessoa que age segundo as regras estreitas idealizadas pelo homem, e que se submete, em suas criações, a estas leis arbitrárias, parciais e muitas vezes caprichosas, que às vezes imaginamos surpreender nela. Ordinariamente é o contrário o que acontece, e no exemplo que acima de tudo nos ocupa, ela não parece ter seguido nenhuma regra deste gênero para espalhar seus dons sobre os mundos planetários, e de Mercúrio a Netuno não há outra gradação conhecida senão a que resulta necessariamente de suas distâncias respectivas ao Sol; quanto aos tamanhos, densidades, diversas condições astronômicas, número de satélites etc., nossas considerações do livro II mostraram que não existe nenhuma lei de proporcionalidade. Do espetáculo de nosso sistema, não se poderia razoavelmente inferir uma gradação regular na ordem física, moral e intelectual das humanidades planetárias, e não se poderia apoiar em nenhuma autoridade científica para adiantar que, do centro ao sistema à periferia, haveria decréscimo ou progresso nas faculdades do homem.
Se se julga pelo que se passa ao redor de nós na Terra, as ciências fisiológicas nos ensinam, ao contrário (salvo algumas reservas de que falaremos), que os mundos suscetíveis do estado mais avançado de civilização, ou, melhor dizendo, que os mundos habitados por um tipo de seres superiores, física e moralmente, são os que reúnem as condições de existência mais favoráveis à manutenção luxuriante da vida, e que são adequados para fornecer a seus habitantes a carreira mais suave e mais longa. Júpiter estaria, neste caso, bem acima de Urano e Netuno, contrariamente às idéias do filósofo de Koenigsberg. Mas esta maneira de ver deve ainda guardar importantes reservas.
Se for possível que o estado nativo da natureza viva esteja em harmonia com o grau de superioridade ao qual ela pertence, e que sobre esses mundos o trabalho físico não seja mais uma condição necessária do desenvolvimento das faculdades da alma, não se está autorizado, por isso, a concluir que os mundos mais favorecidos do ponto de vista do bem-estar e da tranqüilidade das criaturas sejam necessariamente os mais elevados moral e intelectualmente. Aqui, nenhuma
afirmação é possível, e toda indução neste caminho deve ser prudentemente conduzida. E, em todo caso, o resultado de nossa observação e de nosso raciocínio não poderia ser estendido de maneira absoluta à universalidade dos mundos, porque seu valor se atenua consideravelmente a partir do momento em que não tomamos mais a existência terrestre como comparação; e como na realidade as humanidades planetárias diferem da nossa em sua natureza íntima, modo de viver, funções vitais e em tudo o que constitui sua maneira de ser, vemos que toda afirmação a seu respeito peca, necessariamente, pela base. Caiu-se no erro, se não no ridículo, todas as vezes que se quis determinar a natureza dos habitantes dos outros mundos. Uns, como Cornélio Agrippa e os geomantes, conduzidos apenas pelo sonho e arrastados pelos caprichos de uma imaginação sem rédeas, criaram, na superfície dos planetas, homens cuja vida estava calcada nas metamorfoses da antiga mitologia, como se houvesse algum ponto comum entre as operações da Natureza e os desregramentos da mente humana.
Outros, a exemplo do alemão Wolff, aplicaram aos habitantes de nosso globo as condições respectivas dos planetas, e imaginaram que os habitantes destes nada mais eram que os homens terrestres, modificados em sua constituição orgânica: aqui ainda se fala contra o ensinamento da Natureza, que cria sem dificuldade seres novos, segundo tempos, lugares e circunstâncias. Outros ainda, como o fez recentemente o doutor Whewell, vêem sobre a Terra as melhores condições de vida, malgrado a inferioridade evidente desta, e não conseguem se resolver a povoar os outros mundos senão com criaturas nãointeligentes, produções bizarras e inúteis, imaginadas em virtude dos mesmos princípios, comparando as condições nas quais vivem os seres na Terra com as condições dos planetas aos quais estes seres seriam transportados. Julgar-nos-íamos realmente sob a ação de um sonho, quando se deixa absorver pela leitura das especulações antigas deste gênero, sobre os planetas que tinham a infelicidade de ter uma má reputação nos anais da
astrologia. Saturno, sobretudo, o pobre Saturno nunca se ergueu de sua queda mitológica, depois do dia nefasto em que foi destronado por seu honorável filho Júpiter; ele sempre tem nas mãos sua desastrada foice, está sempre com o aspecto de um velho, ou pior, e conserva fatalmente seu papel fúnebre de ministro das vinganças. (1) (1) Para dar um exemplo das opiniões extraordinárias que os antigos astrólogos elaboravam sobre os planetas, citaremos, a propósito de Saturno, alguns extratos de livros de alquimia e de filosofia oculta. Lendo hoje essas elucubrações grotescas, perguntamo-nos se esse tipo de escritor não estava querendo mofar do leitor. E o nec plus ultra do absurdo. Eis aqui algumas amostras. O autor do Tratado dos julgamentos dos temas genetlíacos afirma que "Saturno é tardo em seus efeitos, pesado, grave e poeirento, muito perigoso quanto a todos os seus aspectos e considerações. Preside aos velhos, aos pais, avós e bisavós, aos trabalhadores e mendigos, ébrios e falsificadores de metais, correeiros, oleiros e os que têm pensamentos profundos. Acarreta prisões, doenças demoradas e inimigos ocultos.
Ele faz os homens de cor negra e de açafrão, olhos presos a terra, magros, recurvados, com olhos pequenos e pouca barba, tímidos, taciturnos, supersticiosos, fraudulentos, avaros, tristes, laboriosos, pobres, desprezados, malafortunados, melancólicos, invejosos, obstinados, solitários, etc., etc. (!) Entre os membros, atribui-se-lhe a orelha direita, a vesícula, a bexiga, os ossos e os dentes... A última qualidade de Saturno é a hipocrisia, quer dizer, essa qualidade de máscara que faz parecer por fora muita religião, mas que nada conserva por dentro". "Saturno", diz Meyssonnier (Astrologia véritable), "lunar em parte e no mais terrestre, simpatizando fortemente com Mercúrio, se insinua facilmente por suas influências nos lugares em que o espírito animal e mercurial se deleita (compreendem?) aí movimentando o que há de mais terrestre e salgado com o seroso, que compõem os tártaros, a melancolia, a bile negra, da qual fala tão freqüentemente a escola de Hipócrates e de Galeno. E por isso que as influências de Saturno com Vênus e Sol são perigosas para os melancólicos: isto pode servir muito à medicina."
"Se Saturno", diz o conde de Boulainvilliers (Astrologie judiciaire), "que a divina Providência tanto afastou da Terra, estivesse tão próximo quanto a Lua, a Terra (escutai!) seria demasiado fria e seca, os animais viveriam pouco, e os homens seriam tão maliciosos que não poderiam tolerar uns aos outros... Temos uma prova desta verdade pelo exemplo dos primeiros séculos, nos quais os homens, vivendo apenas de ervas, o que é um alimento terrestre e saturnino, encontraram-se tão devotados ao mal, que Deus se viu obrigado a afogar todos; e, querendo regenerá-los na pessoa de Noé e seus descendentes, permitiu-lhes comer a carne dos animais, cujo alimento é jupiteriano, quer dizer, contrário a Saturno." "De todos os lugares", diz o famoso Cornélio Agrippa, "os que são malcheirosos, tenebrosos, subterrâneos, tristes, piedosos c funestos, como os cemitérios, os matadouros, as
casas abandonadas, casebres velhos, lugares escuros e feios, antros solitários, cavernas, poços... correspondem a Saturno, e além disso, as piscinas, os tanques, os pântanos e outros desta espécie." Etc... etc. Os que têm curiosidade por este tipo de arrazoados geomantes, selenomantes, cronomantes, cosmomantes e outros, poderão consultar Les curiosités des sciences occultes, onde o bibliófilo Jacob resumiu os diversos elementos dessas ciências ocultas, felizmente desaparecidas. Lembramo-nos do que dizia o padre Kircher no século de Galileu; desde aquele tempo se fez dele, por ordem, um inferno, um banho, uma casa de horror, uma estrada inabitável — ou, em contraste, um paraíso, uma região esplêndida, uma terra sagrada, coroada com branca auréola. O primeiro desses julgamentos opostos teria vindo da má opinião da Antiguidade e Idade Média sobre o velho Saturno? Não o sabemos; mas o extático Kircher e seus imitadores não são os únicos a usarem de uma linguagem tão desfavorável, e outros autores, bem superiores a estes em ciência e em filosofia, emitiram opiniões análogas. Relataremos em especial a descrição dada por Victor Hugo sobre o mesmo mundo. Não se deveria ver nas seguintes estrofes o jogo de uma imaginação criadora tomando como tema "alguma coisa melhor que as pirâmides?"
"Saturne, sphère énorme, astre aux aspects funèbres! Bagne du ciel! prison dont le soupirail luit! Monde en proie à la brume, aux souffles, aux ténèbres! Enfer fait d'hiver et de nuit!
Son atmosphère flotte en zones tortueuses; Deux anneaux flamboyants, tournant avec fureur, Font, dans son ciel d'airain, deux arches monstrueuses D'oú tombe une éternelle et profonde terreur.
Ainsi qu' une araignée au centre de sa toile,
II tient sept lunes d'or qu'il lie à seus essieux; Pour lui, notre soleil, qui n'est plus qu'une étoile, Se perd, sinistre, au fond des cieux.
Les autres univers, 1'entrevoyant dans l'ombre, Se sont épouvantés de ce globe hideux; Tremblants, ils l'ont peuplé de chimères sans nombre, En le voyant errer, formidable, autour d'eux."
"Saturno, esfera enorme, astro de aspectos fúnebres! Banho do céu! Prisão cuja janela brilha! Mundo presa da bruma, ventos, trevas! Inferno feito de inverno e de noite!
Sua atmosfera flutua em regiões tortuosas; Dois anéis chamejantes, girando com furor, Fazem, em seu céu de bronze, dois arcos monstruosos De onde cai eterno e profundo terror,
Tal como uma aranha no centro de sua teia, Conserva sete luas de ouro, que prende a seus eixos; Para ele, nosso sol, que não é mais que uma estrela, Perde-se, sinistro, no fundo dos céus.
Os outros universos, entrevendo-o na sombra, Espantaram-se com esse assustador globo; Trêmulos, povoaram-no com quimeras sem número, Vendo-o errar, formidável, ao redor deles."
Não procuraremos aqui de que lado está a verdade, daqueles que consideram Saturno como um mundo árido e inóspito ou daqueles que
vêem nele uma morada de felicidade e de prosperidade; há, porém, boas razões para dar-lhe um nível superior ao da Terra. Mas não abandonemos este astro extraordinário sem relatar a opinião de um discípulo de Fourier, que se dedicou a especulações na maioria dos mundos planetários. Estas idéias, escritas sob a forma de uma carta a uma irmã, fizeram algum barulho no seu tempo, apoiadas como o foram pelo Almanaque Falansteriano (1). Elas indicam, de resto, no que têm de positivo, a aparência real do universo de Saturno para seus habitantes. (1) V. a interessante obra de Henri Lecouturier, Panorama des Mondes. "Os anéis proporcionam um outono fresco às regiões equatoriais do planeta. Este outono é uma estação em que o tempo fica coberto, a saber: no meio do dia para os países próximos de uma das bordas da sombra; à tarde e de manhã para os que ficam na borda oposta da sombra; todo o dia para os outros; mas não à noite, e a grande espessura da atmosfera basta para conservar nessas regiões uma temperatura branda.
Além disso, a sombra dos anéis deve modificar profundamente o sistema dos ventos alísios do planeta, fazendo descer, desde esta latitude, das altas regiões para as mais baixas, as colunas de ar aquecidas na região que tem o sol a pino. Quanto aos anéis, os habitantes do anel interior devem desfrutar de um singular espetáculo quando vêm se colocar na parte de sua residência que dá para o planeta: vêem-no como um imenso globo imóvel no zênite, enchendo o céu até a um terço, aproximadamente, da distância angular entre o zênite e o plano horizontal; ao mesmo tempo, o horizonte real do anel deve lhes oferecer, para o sul e para o norte, depressões notáveis, e, ao contrário, para o leste e para o oeste, devem ver o seu anel erguer-se como duas montanhas, que vão se perder atrás do globo do planeta.
Caminhando rumo ao plano do anel, vêem essas duas montanhas distantes se inclinar para o sul ou para o norte, até desaparecerem sob o plano horizontal, que então oculta a metade do disco do planeta. "Poder-se-ia imaginar as correspondências telegráficas entre os habitantes dos anéis e os do planeta, de onde resultaria uma utilidade
considerável. Mas temendo sermos acusados de fantasiosos, vamos nos limitar a mencionar um serviço singular que os anéis de Saturno poderiam prestar aos habitantes do planeta: o de ter-lhes ensinado cedo a redondeza de seu globo. De fato, os que estão na estação do verão vêem cada dia a sombra do planeta sobre o plano do anel. E é assim, madame", acrescenta o cosmósofo, "que se quereis, sem embaraços, ver como vossos cabelos estão arranjados atrás de vossa cabeça, sabeis colocar-vos um pouco de perfil entre uma lâmpada e um muro, sobre o qual contemplais de soslaio a silhueta de vossa cabeça. Nós, gente da Terra, poderíamos, como os de Saturno, ver a sombra de nosso globo, e reconhecer, sem outro obstáculo, que a Terra é redonda; mas o que os saturninos vêem todas as tardes e manhãs, só vemos nos eclipses da Lua."
Os filósofos não se contentaram em determinar a partir daqui o espetáculo da Natureza para os habitantes dos outros mundos — esta determinação pode ser, até certo ponto, baseada em dados científicos —, mas ainda tentaram descobrir o modo de vida, o grau de civilização, até mesmo o tamanho desses homens desconhecidos. No começo do século passado, Christian Wolff deu com aproximação de uma polegada o tamanho dos habitantes de Júpiter. Se se tem curiosidade de conhecer o método que seguiu para chegar a este resultado, ei-lo aqui: "Ensina-se em óptica", diz ele, "que a retina do olho é dilatada por uma luz fraca e contraída por uma luz intensa. A luz do Sol sendo muito menos forte para os habitantes de Júpiter do que para nós, em virtude de seu maior afastamento deste astro, segue-se que estes homens têm a retina muito maior e mais dilatada que a nossa.
Ora, observa-se que a retina está constantemente em proporção com o globo do olho, e o olho com o resto do corpo, de modo que quanto mais a retina está desenvolvida num animal, maior é seu olho e maior é seu corpo. Para determinar o tamanho dos habitantes de Júpiter, é preciso considerar que a distância de Júpiter ao Sol está para a distância da Terra como vinte e seis está para cinco, e que, por conseguinte, a luz do Sol, em relação a Júpiter, está para esta luz, em
relação à Terra, na razão do dobro de cinco para vinte e seis. Por outro lado, a experiência nos ensina que a dilatação da retina é sempre mais que proporcional ao crescimento da intensidade da luz; por outro lado, um corpo colocado a uma grande distância pareceria tão claramente delimitado quanto um outro colocado mais perto. O diâmetro da retina dos habitantes de Júpiter está pois, para o diâmetro da nossa, numa proporção maior que cinco para vinte e seis. Suponhamos de dez para vinte e seis, ou de cinco para treze. A altura ordinária dos habitantes da Terra sendo de cinco pés e quatro polegadas em média, conclui-se que a altura comum dos habitantes de Júpiter deve ser de catorze pés e dois terços. Este tamanho", acrescenta benevolamente o inventor, "era mais ou menos a de Og, rei de Bazan, cujo leito, segundo o relato de Moisés, tinha nove côvados de comprimento e quatro de largura." Que responderia Wolff hoje se fosse convidado a aplicar seus princípios ao planeta Netuno, que recebe novecentas vezes menos luz que nós?
Esta teoria bizarra não tem, de resto, nenhum fundamento fisiológico; sem falar do erro de Wolff, que atribui à própria retina sua contração e sua dilatação aparentes, ao passo que estes movimentos pertencem, em realidade, ao fechamento diafragmático da membrana coróide, à íris, e qualquer um pode observar, contrariando a sua hipótese, que a pupila está longe de estar sempre em relação com o tamanho da órbita, e esta com o resto do corpo. Lembramos que Biot, em seu curso de física da Sorbonne, contava muitas vezes que em sua viagem à ilha de Formentera com Arago, em 1808, encontrou por meio da sonda, a um quilômetro de profundidade, no mar, arraias cujos olhos eram de um tamanho monstruoso e desmesurado; estes olhos eram protegidos por ossos de grande dureza. Com o auxílio destes órgãos, as arraias em questão viviam no fundo do mar, e tinham condições de viver, malgrado a noite espessa do Oceano; mas seu tamanho não sofrera nenhuma modificação. Ao redor de nós, ademais, as coisas se passam diversamente da teoria do filósofo alemão. Sabemos que a coruja tem os olhos maiores do que em proporção aos olhos do homem; que a toupeira
tem um olho menor que o da abelha; que a baleia e o elefante têm olhos muito pequenos, relativamente a seu tamanho, etc. Todas estas teorias, como vemos, pecam por sua base. Malgrado a ressonância que tiveram e o número de seus adeptos, as mais recentes do célebre Fourier parecem infelizmente poder ser assimiladas às precedentes. Para ele, as espécies vivas (humana, animais ou vegetais) que habitam os diferentes globos são o resultado da fecundação dos planetas; pois, no dizer do filósofo, os planetas são seres animados e apaixonados, que são andróginos e se fecundam mutuamente, por cordões aromáticos que escapam de seus pólos magnéticos. Os produtos destas fecundações são os primeiros pais de cada humanidade, conforme os mundos, como os primeiros casais de cada espécie, tanto animal quanto vegetal. Cada planeta possuindo uma alma, qualidades e paixões de caráter próprio, segue-se que a população de cada planeta está em relação com este caráter.
O homem está longe de ser superior ao mundo que ele habita; ao contrário, é a alma deste mundo que domina a do homem, que estabelece uma ligação entre ele e o Criador, que age por sua vontade própria, dirigindo sua humanidade pelos caminhos que ela escolheu. E os mundos formam assim uma hierarquia celeste, segundo os grupos ou os universos de que são membros; e esta hierarquia forma o que o próprio Fourier chama os biniversos, triniversos, quadriniversos, quintuniversos etc. Os planetas vivem e morrem como os outros seres; quando nosso planeta morrer, sua alma levará consigo todas as almas humanas e as levará com ele, para começar nova carreira num globo novo, num cometa, por exemplo, que será implanado e concentrado (termos falansterianos). O homem, quaisquer que sejam seu gênio e sua grandeza, não pode progredir individualmente senão seguindo o caminho da humanidade à qual pertence; ele só pode se elevar e habitar outras terras depois da morte de seu planeta... Fourier vai um pouco longe em suas especulações; muitas vezes ele divaga por um mundo pura-mente imaginário. O que há de mais estranho, é que seus discípulos não temeram ir mais longe ainda por esses territórios inóspitos. Há aqueles que hoje
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