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Capítulo 4 de 46

Estudo Histórico — parte 2 de 4

A Pluralidade dos Mundos Habitados · Camille Flammarion

multidão de corpos celestes disseminados no espaço. Epicuro fundava sua crença neste argumento: que, sendo infinitas as causas que produziram o mundo, os efeitos destas causas deveriam ser infinitos; (1) tal foi a opinião geral dos epicuristas. Metrodora de Lampsaco, entre outros, considerou também que seria tão absurdo colocar um só mundo no espaço infinito como dizer que só poderia crescer uma espiga de trigo num vasto campo. (2) Anaxarco dizia a mesma coisa a Alexandre, o Grande, espantando-se, quando havia tantos mundos, que este conquistador só houvesse ocupado um com sua glória - Numerosos autores adiantaram que os versos escritos por Juvenal quatro séculos depois, sobre a ambição do jovem macedônio, faziam alusão a idéias de Alexandre sobre a pluralidade dos mundos: não é nada disso, e este grande satírico limita-se a dizer que Alexandre sufoca nos estreitos limites do mundo como se estivesse confinado aos recifes de Giara, ou na ilhota de Serifa (3) - Um grande número de seguidores da escola epicurista, entre os quais citaremos logo Lucrécio, acreditaram não somente na pluralidade, mas ainda na infinidade dos mundos; era, como vimos, a opinião do mestre.

Edificados sobre as ruínas da escola cética de Pirro, os discípulos de Epicuro levaram a uma reação das idéias e, ainda querendo ficar no positivismo, afirmaram a universalidade e a eternidade da natureza. Sua doutrina, que foi mais tarde compartilhada por Cícero, Horácio e Virgílio, estabelecia em sua física que as forças naturais inerentes a própria essência da matéria agem e criam em qualquer ponto do Universo onde os elementos se encontrara reunidos. Esta crença foi também a de Zenão de Cittium, o primeiro filósofo da sensação, (1) que reconhecia a intervenção de um espírito superior no governo da natureza, mas cuja opinião não diferia, talvez, da de Espinosa, esse grande proclamador do Natura naturans. (1) Lucrécio, De Natura Rerum, lib. 11; Plutarco, De Placitis Philosophorum, lib. 11, cap. I; A. de Grandsagne, Système physique d'Epicure d'après les fragments retrouvés à Herculanum, cap. IV. (2) Lalande, Astronomie, t. III, art. 3376. (3) Juvenal, sátira X.

(1)Este foi o primeiro a enunciar a celebre máxima da escola empírica: Não existe no entendimento que não tenha antes passado pelos sentidos. O mais ardente e o mais zeloso dos discípulos de Epicuro foi um dos mais fervorosos entusiastas da pluralidade ou, melhor dizendo, da infinidade dos mundos; observação digna de nota: mostrando seu sistema, nas estrelas visíveis, apenas simples emanações do globo terrestre, achou necessário criar, além desses mundos, um novo universo, invisível aos nossos olhos, para aí colocar outras terras e outras estrelas. "Se as inumeráveis vagas criadoras", diz Lucrécio, "se agitam e nadam sob mil formas variadas através do oceano do espaço infinito, teriam elas gerado, em sua luta fecunda, apenas o orbe da Terra e sua abóbada celeste? Crer-seia que, além deste mundo, um tão vasto acúmulo de elementos seria condenado a um ocioso repouso?

Não, não; se os princípios geradores deram nascimento a massas de onde saíram o céu, as ondas, a terra e os seus habitantes, é preciso admitir que, no resto do vazio, os elementos da matéria geraram um sem número de seres animados, mares, céus, terras, e semearam o espaço de mundos semelhantes aquele que se equilibra sob nossos passos nas vagas aéreas. Onde quer que a imensa matéria encontre espaço para contê-la e não encontre nenhum obstáculo à sua ação, fará eclodir a vida sob formas variadas; e se a massa dos elementos for tal que, para enumerá-los, as idades somadas de todos os seres seriam insuficientes, e se a natureza dotou-os de faculdades que concedeu aos princípios geradores de nosso globo, os elementos, nas outras regiões do espaço, semearam seres, mortais e mundos." (2) (2) Lucrécio, De Natura Rerum, Lib. II, v. 1051-1045.

Esta passagem da eloqüente obra de Lucrécïo, que estabelece de maneira tão peremptória sua opinião sobre a pluralidade dos mundos, traz a lembrança a passagem análoga do Anti-Lucrécio, poemeto inofensivo no qual o cardeal de Polignac tomou para si a tarefa de virar do avesso o edifício de seu adversário. Ora, se é notável que o poeta materialista arvore tão francamente nosso estandarte, não é menos notável que seu espiritualista adversário, que lhe é diametralmente oposto em todo o curso

da obra, compartilhe aqui completamente das idéias de seu antagonista. "Todas as estrelas", diz ele, (1) "são outros tantos sóis semelhantes ao nosso, cercadas como ele de corpos opacos, aos quais elas comunicam o calor e a luz. Os planetas que as acompanham se esquivam a fraqueza de nossos olhos, e a distância dessas estrelas nos subtrai a enormidade de sua grandeza. Mas se se considera que os raios desses astros gozam das mesmas propriedades que os do Sol, e que o Sol mesmo, visto a uma mesma distância, nos apareceria tal como vemos as estrelas, poderíamos nos persuadir de que o Sol e as estrelas agem diversamente, e que tantos fachos maravilhosos brilhem inutilmente? A Divindade não se limitaria a formar um só ser da mesma espécie: ela verte ao mesmo tempo de seus inesgotáveis tesouros toda uma safra de seres semelhantes. Causas semelhantes devem produzir efeitos semelhantes." (1) Anti-Lucretius, lib. VIII (1745). Os termos do cardeal não são mais equívocos que aqueles de que se serviria mais tarde o matemático Laplace, para testemunhar sua adesão a nossa doutrina.

Vamos ter oportunidade de citar este ilustre geômetra; mas antes de chegar ao nosso século, resta-nos ainda passar em revista nomes célebres na história das ciências. Não é na época do esplendor romano, onde toda elevação interior da alma foi tombada sob os transbordamentos do desfrute sensual, que encontraremos a seqüência dessa longa série de adeptos de nossa crença; não foi tampouco nos séculos não menos críticos da queda do grande império e da convulsão dos povos que procuraremos catar aqui e acolá algumas aspirações em nosso lavor. No máximo poderíamos constatar que nos primeiros tempos do cristianismo, alguns espíritos independentes proclamaram em alta voz sua opinião a esse respeito. Plutarco escrevia seu tratado De Facie in orbe Lunae, e defendia valentemente a bandeira de nossa filosofia, que foi a de seus predecessores, os sábios da Grécia antiga. Em seu livro Dos Princípios, Orígenes emitia a opinião de que Deus cria e aniquila em seguida um número indefinido de mundos: era a palingenesia

estóica e mesmo caldéia, que ensinava que um imenso período astrológico levava a uma absorção do Universo pelo fogo divino; era também a crença dos antigos povos da Índia, que admitiam uma reconstituição periódica da obra de Brahma. É verdade que Lactancio ria de Xenófanes, que sustentava que a Lua era habitada e que os homens lunares moravam em grandes e profundos vales. Todavia, as observações modernas mostram que esta idéia, por mais prematura que pareça, não é completamente desprovida de fundamento, pois que a atmosfera da Lua, se existe, cobre apenas os vales do satélite, e só pode permitir nestes lugares a vida tal como a compreendemos. Santo Irineu acreditava que os valentinianos, sob os nomes misteriosos de Bythos e Eones, ensinavam o sistema de Anaximandro sobre a infinidade dos mundos (1). Outros bispos, como Filastro de Bréscïa (2), só a discutiram para relegá-la ao número das heresias. Santo Atanásio, em sua obra contra os pagãos, deixou ao menos entrever alguns bons sentimentos em favor desta idéia (3).

Infelizmente para o progresso das ciências em geral, e digamo-lo, para o de nossa doutrina em particular, o sistema errôneo de Aristóteles sobre a incorruptibilidade dos céus, e a interpretação não menos errônea dos livros sagrados sobre a imobilidade da Terra, já cobriam com um véu espesso os olhos de todo homem desejoso de saber, e se opuseram, a seguir, com funesta eficácia, à marcha já tão lenta das conquistas da mente humana. A ciência regrediu: "Não temos necessidade de nenhuma ciência depois do Cristo", escrevia Tertuliano, nem de nenhuma prova depois do Evangelho; aquele que crê, não deseja mais nada; a ignorância é boa, em geral, a fim de que não se aprenda o que é inconveniente. E esta palavra de Tertuliano tornou-se a divisa de um grande número, foi reverenciada por muitos como uma sentença, e infelizmente posta em prática durante séculos e séculos. Acreditou-se poder determinar e designar os mistérios dos quais Deus reservou o segredo para si, e proclamou-se que era um erro tentar a solução desses mistérios. Considerou-se que o homem estava instruído o bastante na ciência do mundo, e foi-lhe aconselhado deter-se, ou voltar seus passos para

as regiões insondáveis de certos vazios metafísicos! Sim, a ciência regrediu. De erro em erro chegou-se até a dizer que aquele que acreditava nos antípodas estava em oposição formal com a revelação e acusado de heresia, e, dez séculos mais tarde, a pronunciar uma condenação memorável sobre aquele septuagenário, célebre para sempre, cujo grande crime foi ter encontrado no céu provas do movimento da Terra. Mas vamos passar tais fatos sob silêncio. Lembremo-nos de que há, na história da humanidade, períodos críticos que caracterizam a decadência intelectual e moral dos povos, que assinalam a queda dos impérios, e que anunciam a elaboração de novos destinos humanos. A épocas de que falamos aqui foi um de tais períodos; viu tombar o colosso romano como um montão de areia; favoreceu o surgimento útil e oportuno de grandes e verdadeiras idéias cristãs, e preparou de longe os séculos de hoje.

Foi um tempo de parada um período de letargia, durante o qual o homem repousou para melhor se lançar, a seguir, rumo à perfeição a que aspira. Feliz se, durante esse repouso útil, aqueles mesmos, cuja missão teria sido dar o exemplo e preparar o progresso, não tivessem abusado de seu poder para propagar as trevas com a mesma mão que poderia difundir a mais pura das luzes do alto! A ciência foi esquecida tanto ao norte como ao sul do Velho Mundo, no Levante como no Poente, e os elementos da ciência foram dispersados. No Oriente, a mais rica biblioteca do mundo, onde os únicos arquivos do conhecimento humano estavam conservados, foi incendiada no sétimo século de nossa era, digno fruto das tristes revoluções árabes; no Ocidente, durante quinze séculos, as mais poderosas aspirações do pensamento permaneceram estéreis sob o céu de chumbo que as sufocava.

Houve então, como o dissemos, um período de imobilidade para a história de nossa doutrina, bem como para a história geral da filosofia; sem procurar, pois, restabelecer a cadeia interrompida de nossos autores, continuaremos a seqüência de nosso estudo pelos nomes ilustres que, desde a renascença das letras e das ciências, ensinaram a habitabilidade dos astros. (1) Adversus Haereses, lib. II.

(2) Hoereses, 65, t. 11. (3) Contra Gentes. "Nec enim quia unus est Creator, idcirco unus est mundus; poterat enim Deus et alios mundos facere."

II

Da Idade Média até nossos dias

Continuação da história da pluralidade dos mundos.- A Renascença. - Cusa. - Bruno. - Montaigne. - Galiléu. - Descartes. - Kepler. - Campanella. - O discurso do conselheiro Pierre Borel sobre as Terras habitadas.- O homem na Lua, de Godwin. - Cyrano de Bergerac e sua História dos Estados e Impérios do Sol e da Lua. - Selenografia, de Hevelius. - O padre Kircher e sua Viagem no céu. - Os mundos, de Fontenelle. - O Cosmoteóros, de Huygens.- Século XVIII: Leibniz. - Newton. - Wolff. - Swedenborg. - Voltaire. - Lambert.- Bailly. - Kant. - Herschel. - Lalande. - Laplace etc. Conclusão tirada da história da doutrina.

Eis aqui nomes célebres por mais de um motivo. Nicolau de Cusa, o mais antigo de nossos partidários na Idade Média, autor do tratado De docta Ignorantia; o infortunado Giordano Bruno, que foi queimado vivo em Roma por suas idéias filosóficas, e principalmente pela doutrina emitida em seu livro sobre a infinidade dos Mundos: De I’ infinito, Universo e Mondi; Michel de Montaigne, cujos Ensaios são ainda uma mina de riquezas para nossos tempos; Galileu, que, sem no entanto ousar dar o nome de astro à Terra, contra a proibição da Inquisição, ousou indagar publicamente, em seu Systema cosmicum (Diálogo I), "se há nos outros mundos seres como sobre o nosso"; Tycho Brahe, astrônomo ilustre, se tivesse sido menos tímido; René Descartes e os cartesianos; Moestlin in Thesibus, e seu ilustre discípulo Kepler, que publicou seu Astronomia lunaris e sonhou seu

Somnium astronomicum; Cardan, menos sonhador do que parece; Tommaso Campanella, enfim, que escreveu, na Cidade do Sol: "Os Solarianos pensam ser loucura afirmar que não há nada além de nosso globo, pois não poderia existir o nada nem no mundo visível nem fora deste mundo". Dado o impulso, o movimento se manifestou por toda parte. Encontramos, numa obra da filosofia teológica contemporânea, uma inversão das idéias religiosas consagradas sobre o movimento da Terra, uma passagem por demais curiosa, da qual eis a tradução: "Além deste mundo, quer dizer, além do Céu empíreo, nenhum corpo existe; mas neste espaço infinito (se é permitido falar assim) onde estamos, Deus existe em sua essência e pôde formar mundos infinitamente mais perfeitos que o nosso, como teólogos afirmam (1). Digamos porém, como observação geral, que a maioria dos filósofos que acabamos de citar, e mesmo a maioria da época seguinte, se admitiam a possibilidade da existência de outros mundos além do nosso, só o faziam timidamente, receando comprometer-se aos olhos da Igreja e da Inquisição, e na verdade pode-se perdoar-lhes facilmente esta timidez.

Não se ousa afirmar as verdades físicas. Era um passo que só podia ser dado depois que a tocha das ciências modernas fosse acesa. O autor da teoria dos turbilhões, por exemplo, estima que seria temerário proclamar a pluralidade das terras habitadas, seja em nosso turbilhão, seja nos turbilhões das estrelas fixas; mas acrescenta logo que sendo os planetas corpos opacos e sólidos, e da mesma natureza que nosso globo, há fundamento em supor que eles sejam igualmente habitados. (2) (1) Christophori Clavii Bambergensis in Sphoeram Joannis de sacro Bosco Commentarius Veneza, 1591, p. 72. (2) Descartes, Théorie des Tourbillons, Ver também G.-C Legendre, Traité de I’Opinion, Livro IV. No século XVII, citemos mora David Fabricius, que, incidentalmente, pretendia ter visto com seus próprios olhos habitantes da Lua; Otto von Guericke, Pierre Gassendi, Antonio Reita, em sua curiosa teoastrologia intïtulada Oculus Enoch et Elia; o bispo inglês Francis Godwin, em sua

viagem à Lua (The man in the more moon); John Wilkins, outro bispo inglês, em seu Discourse concerning a new World, onde encontra o paraíso terrestre na Lua; e um grande número de pensadores, entre os quais assinalemos John Locke, o ilustre autor do Ensaio sobre o entendimento humano. O meio desse famoso século XVII, ilustrado pelos Descartes, pelos Gassendi, pelos Pascal, é a época mais rica em aspirações e escritos de todo gênero a propósito de nossa doutrina. Os filósofos e os cientistas, entusiasmados pelas novas descobertas feitas em óptica, pela invenção do telescópio e da luneta astronômica, entregam-se com fervor à observação dos astros, e a maioria entre eles se sente instintivamente levados rumo a essas idéias da habitabilidade da Lua, do Sol e dos planetas. Na França, o conselho real Pierre Borel, amigo de Gassendi, de Mersenne e provavelmente de Cyrano de Bergerac, escreveu um tratado curioso sobre a pluralidade dos mundos examinada do ponto de vista da ciência daquela época.

Esta obra tem por título: Novo discurso provando a pluralidade dos mundos; que os astros são terras habitadas, e a Terra uma estrela; que a esta fora do centro do mundo, no terceiro céu; e gira diante do Sol, que é fixo: e outras coisas muito curiosas. Eis ai um título e tanto! Encontrasse neste livro, difícil de conseguir, "relatos sobre as coisas que estão na Lua, segundo Galiléu e pesquisas sobre o meio pelo qual se poderia descobrir a pura verdade da pluralidade dos mundos: este meio é a navegação aérea e a observação aerostátïca! Na Inglaterra, Francïs Godwïn escreveu sua obra sobre a lua, que foi traduzida em 1640 por Jean Beaudoin, sob o título: O homem ns lua, ou a Viagem feita ao mundo da lua por Dominique Gonzales, aventureiro espanhol. Depois vem nosso belo intelecto, Cyrano de Bergerac, o mestre de todos os que se dedicaram a esta espécie de romances científicos. Publicou sua célebre Viagem à Lua, e mais tarde sua História dos estados e Impérios do Sol. Ao mesmo tempo, as mesmas idéias são proclamadas pelo padre Daniel, autor da Viagem ao Mundo de Descartes; por Guillaume Gilbert, em seu livro DeMagnete et magneticis

Corporibus; pelo célebre astrônomo de Danzig, João Hevelius, em sua grande e notável obra Selenografia; pelo próprio Milton, que, em seu vôo misturado de sombra e luz, não conseguiu impedir-se de lançar um olhar sobre esses mundos desconhecidos, onde outros casais humanos deveriam, tal como cá embaixo, abrir-se à radiação da vida. Um escritor da mesma época, que passa aos olhos de muitos como partidário de nossa doutrina, é o padre Atanásio Kircher. Seu livro de mais renome - se bem que não seja o melhor - é Viagem extática celeste (1), no qual ele visita os diversos planetas, conduzido por um gênio chamado Cosmiel. O autor não adota o verdadeiro sistema do mundo, mas o que Tycho Brahe tinha imaginado, sessenta anos antes, para salvar as aparências e concordar a mecânica celeste com o texto bíblico.

A imparcialidade nos impõe o dever de dizer que o autor da Viagem extática não é dos nossos, e devemos insistir neste fato, porque a maioria dos escritores que falaram dele não o compreenderam, ou falaram só de ouvir dizer, fazendo fé nos primeiros, que se enganaram. Eis, por exemplo, o que se lê numa obra semiliterária, semicientífica (2), que trata de diversas questões relativas à astronomia: (1) ltinerarium exstaticum, quo Mundi opificium, id est coelestis expansi, siderumque tam errantium quant fixorum natura, vires, proprietates, singulorumque compositio et structura. ah infimo Telluris globo, usque ad ultima Mundi confinia, nova hypothesi exponitur ad Veritatem. Roma, 1656. (2) Lettres à Palmyre sur l'Astronomie, p. 182. "Tive a curiosidade", diz o autor, "de folhear o livro [a Viagem extática]; é bem o caso de dizer que o bom Padre viu coisas do outro mundo. "No globo de Saturno, ele vê velhos melancólicos vestidos de roupas lúgubres, caminhando em passo de tartaruga, e brandindo tochas fúnebres. O afundamento de seus olhos, a palidez de suas faces e a austeridade de suas frontes anunciam bem que são ministros da vingança e que Saturno está cheio de influências malignas.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.